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INRAB researchers

5. Cross-case analysis

5.2. Analysis of the innovation process

Essa parte abordará o ponto de vista de Samuel FLEISCHACKER124, que vê a

influência Escocesa na Declaração de Independência e na Constituição dos Estados Unidos da América, bem como enxerga o impacto de tal ensino nas universidades americanas, desde William Smith e os intercâmbios entre as faculdades americanas da Filadélfia e Yale com Aberdeen e Glasgow. Segundo ele:

Smith foi o primeiro a dar um currículo sistemático à América, acentuando um moderno ensino no lugar do clássico, isso com o sistema escocês, e usou HUTCHESON como a base para o nível superior para a Classe de Ética (FLEISCHACKER, in BROADIE, 2003, p. 328, tradução minha).

Assim o pensamento americano dependia do sistema escocês. William Smith e Hutcheson são contemporâneos, uma espécie de antiga e nova escola escocesa, que junto com Reid formam uma referência das universidades que mantiveram intercâmbio com as escolas americanas125 (Cf. F

LEISCHACKER; in

BROADIE, 2003, p. 328-329).

O filósofo escocês e proponente do realismo de Senso Comum, Dugald Stewart (1753-1828) levou adiante a tradição do realismo escocês iniciada por Thomas Reid e influiu vivamente na indução do Realismo do Senso Comum na América. As opiniões desse realismo condiziam com os interesses práticos dos

124Samuel Fleischacker é professor de Filosofia na Universidade de Illinois, em Chicago, e especialista nos assuntos que envolvem filosofia política e moral.

125 FLEISCHACKER menciona que Jonathan Edwards, quando trabalhava intensamente em seus estudos de filosofia, usou a filosofia escocesa; como tutor junto à universidade de Yale, como o presidente do College of New Jersey, desenvolveu um sofisticado argumento filosófico para combater a moral que HUTCHESON

norte-americanos e, na verdade, durante o século XIX, encontrar-se-iam nos Estados Unidos e nas universidades norte-americanas muitíssimos filósofos escoceses do senso comum. Em New Jersey, Princeton teve uma longa linhagem de presidentes, desde Witherspoon e Smith nos fins do século XVIII e princípios do XIX (Cf. STROH, 1968, p. 52).

NOLL diz que uma importante chave de compreensão da história americana

que faz com que se abra o entendimento sobre a influência da filosofia do Senso Comum é que o Iluminismo na América enfrentou uma visão crítica por parte de conservadores protestantes, e as correntes influenciadoras da Europa, tão assistidas pelos americanos,126 ao se verem em meio às controvérsias entre fé e ciência, modernidade e conservadorismo tentavam selecionar o melhor caminho entre a religião e as tendências filosóficas oriundas do continente Europeu (NOLL,

1994, p. 84).

De forma geral, os protestantes receberam bem a filosofia escocesa composta de filósofos como Francis Hutcheson (1694-1746), Thomas Reid (1710- 1796), Adam Smith (1723-1790) e David Hume (1711-1776). O uso contínuo dos escritos destes filósofos demonstrava que havia uma preocupação com a moral e uma luta em estabelecer confiança intelectual na formação do futuro país, mas as dúvidas quanto às bases mais seguras mediante pensamentos antagônicos como de Reid e Hume neste período ainda permaneciam como um pano de fundo, principalmente em Priceton (NOLL, 2001, p. 84).

Faz-se necessário entender que há um clima de abertura que demonstra que a posição acadêmica dos pensadores conservadores da América era para a reflexão de uma nação que crescia geograficamente e também dentro de sua maturidade como povo em busca de uma modernidade baseada nos países europeus.127

126Sobre o contexto americano, N

OLL aponta que a visão crítica é muito mais apurada na América; é como

se, por um mercado fronteiriço com portas fechadas, os mercadores pudessem avaliar a mercadoria e houvesse a possibilidade de escolhas. Basta ver que o Iluminismo na América tem várias linhas ao invés apenas de uma, isso mostra que os protestantes não tinham hegemonia na América. Alguns mais preocupados com uma linha moderada explicavam suas teses por meio dos pensamentos de Isaac Newton e John Locke. Outros, com uma linha mais cética, abraçavam as teses de Voltaire (1694-1778) e David Hume (1711-1776) (NOLL, 2001, p. 84).

O conflito entre o conhecimento e a fé era evidente no século XVIII. Os filósofos escoceses, por suas ênfases entre a fé do contexto religioso vivido (universo reformado), eram os mais credenciados para responder às questões de sua época, daí uma atenção especial por parte dos pensadores da América.

Como já vimos, Thomas Reid vinculou o pensamento iluminista com a fé cristã, desta forma ele foi visto como o mais importante influenciador do Conservadorismo do século XVIII, porque foi contra o ceticismo de Hume (Cf. FLEISCHACKER; BROADIE, 2003, p. 328-329). Se na França Reid, no início, não foi

conhecido devido à desconsideração para com os temas de Hume, na América Reid passa a ser um forte aliado na defesa do conservadorismo, devido ao combate dos temas de Hume. Se Hume dizia que nós não podemos dar nenhuma razão para nossa convicção, Reid falava que nós não só podemos como temos de acreditar no mundo externo. Para os pensadores conservadores, que estavam mais ligados à religião (cf. NOLL, 1986, p. 186) “Reid tem os argumentos que

libertam o conhecimento do determinismo de Hume” (NOLL, 2001, p.147). Reid

acreditava que as convicções religiosas se derivam dos princípios do Senso Comum e isso indica o porquê das preferências dos conservadores americanos pelos filósofos escoceses, especialmente por Reid.

Como estudioso do fundamentalismo na cultura americana, Fleischacker ressalta que, desde o princípio, a filosofia de Reid foi assumida pelo contexto intelectual americano como uma filosofia mais “democrática ou antielitista”.128 Como o homem pode entender a verdade guiada por meio do Senso Comum, isso teve implicações óbvias para a democracia. Para pessoas como MARSDEN o

pensamento de REID trouxe a base para uma nova ordem republicana em direção

à democracia (1980, p. 15).

Seguindo a rota traçada pelo pensamento de Thomas Reid, a última parte desse estudo avalia a influência do pensamento do filósofo sobre a religião. Como visto, os campos de sua influência foram vários, mas o mais importante, agora, é avaliar o pensamento de Reid no campo da religião.