6 Kapasitet og planlegging
6.5 Analyser og planlegging i kommunene .1 Analyser
Ao longo do século XX, os organismos internacionais reconheceram a importância do setor do turismo e da necessidade de definir conceitos básicos. Já referimos (no capítulo I.1) que desde essa altura vários autores se têm debruçado sobre esta questão. Nomeadamente, o pico do paradigma do turismo massificado nos anos 80 do século XX coincide com a maior consideração de aspetos sociológicos do turismo, em ambas as perspetivas: de quem acolhe e de quem se desloca. Ao lado do turista que só procura descanso e diversão em moldes parecidos à sua cultura de origem, surge outro turista que se define como alguém que se desloca para satisfazer a sua curiosidade, para conhecer novas culturas.
Boniface (1995:17) apelida-o de “novo turista”, que escolhe novos destinos turísticos, não agindo de forma tradicional. Este turista preocupa-se com as questões ambientais, é sensível às culturas locais, prefere itinerários flexíveis e espontâneos, procura experiências desafiantes, autênticas e com significado e é motivado pela aprendizagem e autorrealização (Lima & Partidário, 2002: 10). Há uma mudança de paradigma que começou a sentir-se a partir do momento em que o turista deixa de ser encarado menos como ‘objeto’ do agente turístico, e mais como ‘sujeito’ de uma experiência não massificada. Neste sentido, os agentes turísticos precisam de desenvolver outro tipo de comunicação com o turista porque este deixou de procurar simplesmente destinos e não se deixa levar por pacotes já pré-definidos, mas passa a ser aquele que procura o prazer até na planificação e organização da sua viagem, facilitadas pelos recursos disponíveis na internet.12 Esta deixa de ser uma simples viagem a um local preparado para acolher o turista num ambiente que lhe é familiar, mas sim uma
12 Sem esquecer o turista que improvisa e não planeia perante a oferta crescente de transportes low-cost e a
maior flexibilidade na definição das viagens, adotando uma postura de ‘esperar e ver’ e fazer compras ‘à última hora’, sem deixar de procurar e obter experiências de qualidade, escolhendo o local não só pelo descanso e fuga à rotina, mas também como local de aprendizagem.
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experiência nova, muitas vezes em ambientes totalmente diferentes do seu dia-a-dia. Isto resulta do facto de o turista dos nossos dias ser cada vez mais um indivíduo consciente, culto, ativo física e intelectualmente, em detrimento do turista de massas.
Este novo conceito resulta em parte do surgimento de uma nova perspetiva que se pretende transversal aos diferentes tipos de turismo: o turismo sustentável, responsável e o soft tourism. Estes conceitos estão relacionados com a utilização sustentada dos recursos para que as gerações futuras possam usufruir deles nas mesmas condições em que as encontramos. O turista assume uma dupla responsabilidade: de usufruto, mas também de preservação. Vários estudiosos, bem como diferentes instituições apelidam-no de consumidor “verde”, com maior sensibilidade para as questões ambientais e para as culturas locais.13
Podemos considerar o Turismo Cultural como uma vertente do soft tourism / turismo sustentável que retoma, em certa medida, tanto tradições de turismo religioso (secularizado) como da Grand Tour que tratámos na abordagem histórica.14 Já a partir dos anos 60 do século XX, verificou-se a existência de um crescente grupo de turistas “mais educados, refinados e conscientes, à procura de informações e experiências novas”, muito diferente dos tradicionais turistas de Sol & Mar (Goodey & Murta, 2002: 135). Tradicionalmente, a primeira imagem que se tem de um turista cultural é a de uma pessoa triste e séria, que passa as suas férias a olhar quadros, esculturas, monumentos, ruínas e escuta música clássica. Contudo, não podemos generalizar (Barré; 1995: 15). Em termos sociológicos é um indivíduo com salário acima da média proveniente da classe média alta. Ele viaja porque quer estar em contacto com outras culturas, mas, na verdade, também em busca do divertimento.
13 “O consumidor ‘verde’, com maior sensibilidade para as questões ambientais e para as culturas locais,
consciente das questões de justiça social, mais independente, mais informado e ciente das suas decisões, prefere itinerários flexíveis, avalia os produtos turísticos previamente, procura experiências com autenticidade e é motivado para a aprendizagem e autorrealização.” (CCDRN, 2014: 112)
14 Alguns autores defendem que este tipo de turismo terá tido início durante o século XVII com o Grand Tour (Costa, 2005: 280).
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O turismo cultural pode ser encarado como movimento de pessoas motivadas por razões essencialmente culturais ou viagens de estudo, digressões artísticas, viagens culturais, deslocações efetuadas para assistir a festivais e manifestações culturais, visitas a sítios e monumentos históricos, viagens que têm por objeto a descoberta da natureza, o estudo do folclore ou da arte e as peregrinações (OMT, s/d apud Baptista, 1997: 40-41). Portanto, a motivação não se resume ao património cultural construído, mas abrange também a gastronomia, o folclore, os costumes, o artesanato, entre outros. Conforme Greg Richards (2011), verificou-se uma mudança radical da imagem tradicional para um conceito muito mais abrangente, com diversas subcategorias. Neste sentido, o turista cultural quer uma experiência excitante, mas também memorável para poder partilhar com os amigos e família. Também são necessários programas que lhe permitam perceber o que está a experimentar (Kolb, 2005: 196).
Segundo esta perspetiva, o turismo tem-se revelado também como um setor que contribui para a preservação e reabilitação do património material e imaterial. Chega-se assim à definição de Turismo cultural:
O turismo cultural, em cidades históricas, pode ser um meio para revalorizar, afirmar ou recuperar os elementos culturais e históricos que caracterizam e identificam cada sociedade perante um mundo globalizado. O turismo cultural também pode contribuir para gerar uma tomada de consciência em relação à preservação do património, tanto tangível como intangível de uma cidade ou vila histórica. (Marujo / Serra / Borges, 2013: 8).
O desenvolvimento do Turismo cultural conduziu a uma adaptação de diversas cidades com matrizes históricas, como veremos no caso de Portugal.
A globalização e o consumismo alteraram os hábitos das pessoas que viajam e, estes dois conceitos passaram a ser encarados como destruidores da cultura, responsáveis por impactos ambientais e sociais. No entanto, o consumo turístico não tem de ser necessariamente destrutivo, porque o seu aumento também impulsionou a preocupação
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com a conservação e a preservação cultural, revitalizou o valor da ‘autenticidade’ e das tradições culturais, promoveu o interesse cultural e fez emergir novos valores (Reisinger, 2009: 21). Com a homogeneização das culturas, as diferenças culturais tornaram-se mais importantes e, em consequência, a procura do ‘diferente’ como motivação turística aumentou. Por outro lado, os lugares distinguidos pela ‘autenticidade’ reagem ao turismo com uma reprodução serial da cultura (Santos, 2014), por exemplo no folclore e no artesanato, que pode chegar até uma espécie de “Mcdonaldized Culture” (Münch, 1999).
Todavia, nestas definições abrangentes de turismo cultural existe o risco de ampliar o conceito de turismo para atividades locais ou regionais. A categoria de distância é relativa, bem como do património construído porque não pode ser entendida somente na sua dimensão física, mas dependendo da existência de fronteiras que separam a identidade própria da alheia (fronteiras nacionais). Pensando nestas fronteiras o turismo cultural não se pode cingir a uma estratégia de folclore e autenticidade da afirmação de uma identidade que rapidamente se esgota em reprodução serial e comunicação de chavões. Devem-se procurar interligações transculturais que possibilitam a apropriação do diferente e do alheio, levando o turista a reconhecer na sua vivência por exemplo experiências esquecidas da infância. É necessário cativar este novo turista, mais consciente, mais exigente e mais ativo, que não quer saber apenas como se faz, mas quer ser ele a fazer, quer vindimar, fazer uma peça de barro, ordenhar. O turista cultural no sentido mais abrangente quer vivenciar e experimentar o que acredita ser algo ‘real’ e ‘autêntico’ na cultura local ou regional, de uma forma mais profunda. Parece oportuna a discussão da autenticidade, alocada ao turismo cultural, na sua interação com a reprodução serial da cultura, tanto mais que nele convergem as indústrias culturais e criativas.
A abordagem transcultural implica a definição de estratégias diferentes, ou seja, preparação de materiais de divulgação diferentes. A forma como o museu se comunica,
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bem como as atividades que desenvolve devem considerar possibilidades de identificação transcultural em vez de se esgotar na afirmação da identidade como alheia ao turista internacional. Ao nível da comunicação, esta estratégia requer um esforço de transcriação (Balemans, 2010). Esta é a questão-chave que irá ser analisada no caso do Museu de Olaria.
De acordo com os dados do mercado das viagens de Touring na Europa há um grande potencial de crescimento, em consequência de vários fatores que propiciam um cenário favorável para este tipo de viagens. Entre estes, o Turismo de Portugal (2006: 13) destaca: (1) a configuração e consolidação de um espaço territorial e económico europeu comum, com uma moeda única e a eliminação de barreiras burocráticas para a circulação de pessoas no âmbito da União Europeia (UE); (2) a incorporação de novos países na UE, com todo o seu património natural, histórico e cultural, que é a base para as viagens de
Touring, nomeadamente, os países de leste; (3) progressos nas condições de transporte
quer de infraestruturas, quer de serviços; (4) alteração dos hábitos de consumo turístico, como já referimos anteriormente, com uma crescente procura de experiências mais completas e mais ativas.
Consequentemente, podemos afirmar que o mercado das viagens de Turismo cultural continuará a crescer, não só do ponto de vista da procura primária, cuja motivação principal é a realização de tour ou circuitos, bem como numa perspetiva da procura secundária.