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Analyser av silverskatten Jrån Skar

In document Viking, 34(1970) (sider 107-111)

Depois de realizado o levantamento bibliográfico acerca dos parâmetros para o projeto de poltronas uma evidência foi observada: os estudos de conforto sentado, sobretudo os realizados na indústria aeronáutica raramente consideram a análise da atividade de passageiros como metodologia de projeto.

Durante muito tempo, a ergonomia norte-americana dedicou-se, através de análises e testes em laboratório, à definição das “características ergonômicas” de uma cadeira ou poltrona, compatíveis com qualquer posto de trabalho, como pode ser observado no quadro 3.

Quadro 3: Características de uma “cadeira ergonômica” segundo a visão da ergonomia norte- americana

Componente Características Exemplos

Pés Establidade Movimentação

Resistência

Cadeiras com rodízios, de preferência com cinco apoios (rodízios)

Assento -Altura (menos que a altura das pernas); -Profundidade (entre 38 e 43 cm); -Resistência (relativamente duro); -Largura (mais larga que o corpo); -Inclinação (entre 3 e 5 graus);

-Material que facilite a transpiração e que seja confortável ao contato (baixa condutividade térmica);

-Bordas recurvadas para baixo, evitando quinas vivas que possam causar compressão da parte inferior da coxa;

Assim se evita a compressão das coxas e nádegas, permitindo movimentos laterais do corpo e a manutenção dos pés apoiados no chão. Na prática, esses requisitos só são satisfeitos com cadeiras de altura regulável, estofadas com espuma ou outro material de alta densidade.

Apoio - Altura mediana (apoio da região lombar), permitindo movimentos da coluna e dos braços;

- Ligeiramente côncavo, para acomodar as costas;

- Inclinação em torno de 5 graus;

-Rígido, o suficiente para suportar o peso do tronco;

- Ser vazado, na parte inferior, para acomodar as nádegas;

Encosto regulável em altura e reclinável, com dispositivo articulado ou dobrável.

Fonte:Lima, 2000.

Todavia, na visão da ergonomia francofônica (francesa) a condição de uma cadeira ou poltrona ser ou não “ergonômica” não é algo inerente apenas ao mobiliário, mas sim depende da relação que se estabelece entre o objeto e o corpo do usuário, em uma determinada situação atividade. A poltrona serve de mediação entre o trabalhador e a realização de uma tarefa, que exige estabelecer compromissos entre objetivos conflitantes (LIMA, 2000).

A postura adotada pelo indivíduo nada mais é do que um compromisso entre a constituição física, biológica e psicológica do corpo humano e o ambiente físico, mediado pelo tipo de atividade que se pretende exercer. Porém, o sistema orgânico do corpo humano é tão complexo que somente é possível evitar os constrangimentos advindos da postura modificando as condições que perturbam o compromisso entre postura e exigência da tarefa. A postura depende de uma orientação cognitiva de um sujeito em ação; dessa forma, os fatores que determinam a atividade, as exigências da

tarefa e suas condições é que devem ser mudadas, possibilitando que o usuário adote posturas confortáveis na realização da atividade (LIMA, 2000).

Dessa forma, a prescrição de parâmetros para o projeto de poltronas aeronáuticas confortáveis depende não somente do entendimento dos principais fatores que proporcionam o conforto e/ou evitam o desconforto, mas também do entendimento da situação de uso e das ações a serem desenvolvidas pelos passageiros.

Na revisão bibliográfica acima pudemos observar que alguns autores consideram a questão da atividade como ferramenta para prescrever parâmetros de projeto de cadeiras e poltronas (PANERO, ZELNIK, 2002; LUEDER, 1983; BRONKHORST, KRAUSE, 2005; BRANTON, GRAYSON, 1967; HAN et al, 1998; JACOBSON, MARTINEZ, 1974; DHINGRA, TEWARI, SINGH, 2003). Na indústria ferroviária e em estudos de poltronas para operadores de veículos pesados, essa prática foi bastante observada através da revisão.

Porém, principalmente na indústria aeronáutica essa questão ainda é falha, mas a sua importância é relevante, como mostra um estudo de Richards, Jacobson, Kuhthau (1978), que utilizou como fontes de dados questionários administrados a bordo de vôos comerciais. Os resultados mostraram que as percepções de conforto diminuem proporcionalmente ao aumento dos constrangimentos à atividade que o passageiro quer desempenhar. Jacobson, Martinez (1974) também compartilham a opinião de que a facilidade da realização das atividades é um determinante importante na percepção do conforto/desconforto.

As cabines dos aviões, sejam elas voltadas para a aviação comercial ou executiva, são cenários onde ocorrem várias atividades desenvolvidas por passageiros e pelas tripulações, atividades estas que são conhecidas em parte e de maneira superficial. Analisar essas atividades possibilita a verificação de quais são realizadas com mais freqüência e o levantamento das principais dificuldades encontradas. Quanto maior o conhecimento do repertório de situações conhecidas, maior a probabilidade de desenvolver projetos mais adequados às necessidades dos usuários.

Jacobson, Martinez (1974) realizaram uma pesquisa na qual levantaram as preferências dos passageiros em relação à atividades durante uma viagem de avião. Através da pesquisa, concluíram que a leitura é a atividade preferida pelos passageiros e fatores como iluminação e o espaço restrito interferem na sua realização.

É importante ressaltar que esse estudo é um estudo relativamente antigo e, atualmente, outras atividades aparecem como sendo relevantes para o passageiro como

operar o sistema de entretenimento, assistir filmes, desenhos, notícias, esporte e shows; jogar jogos, utilizar notebooks, além das atividades associadas à comunicação, como usar o telefone disponível na cabine ou o próprio celular durante a viagem, quando a aeronave possui o sistema que possibilita isto (FOLDEN et al, 2007; ALAMDARI, 1999).

Jacobson, Martinez (1974) ressaltam ainda outras atividades preferidas pelos passageiros, em ordem de importância: pensar, olhar a paisagem, comer, conversar, escrever, “sonhar acordado” dormir, beber, fumar (antes permitido) e caminhar pelos corredores.

Apesar de existirem estudos que pesquisaram as preferência dos passageiros em termos da realização de atividades, não foram encontrados estudos que incorporaram essa metodologia para prescrever soluções de conforto.

Visto que esta lacuna foi observada na literatura, cabe a nós investigar na prática como as empresas fabricantes de poltronas para a indústria de transportes tratam a inserção dos aspectos ergonômicos, em especial o conforto no processo de desenvolvimento de seus produtos. Serão observados, sobretudo os principais conceitos, metodologias e ferramentas utilizadas, investigando, sobretudo se a análise da atividade dos usuários finais é considerada e a forma como ela é feita. O próximo capítulo traz os resultados do benchmark realizado.

In document Viking, 34(1970) (sider 107-111)