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Kapittel  7     Diskusjon

7.1   Analysen  og  funnene  i  kontekst

Como já exposto na seção anterior, os principais participantes da pesquisa foram alunos de cinco turmas, três turmas de oitavo ano e duas turmas de sexto ano, além dos professores responsáveis pela disciplina de língua inglesa nessas turmas e da diretora da escola. Como complementação dos dados, entrevistei, também, o diretor do DETIC da SEMEC de Uberaba/MG. A seguir, explico como ocorreu a escolha dos alunos e dos professores pesquisados.

Após me apresentar à diretora da escola e explicar o objetivo da minha pesquisa, ela me encaminhou para as aulas de uma das professoras de língua inglesa que já estava na escola há mais tempo e utilizava os netbooks com mais frequência. Essa professora ministrava aulas em todas as quatro turmas de oitavo ano, às quartas e quintas-feiras. Durante a primeira quarta-feira de pesquisa, acompanhei as aulas dessa professora e, de fato, comprovei o uso constante dos equipamentos tecnológicos. No entanto, surgiu a intenção de acompanhar as aulas dos outros professores de língua inglesa. Com autorização da direção e dos professores, comecei a acompanhar as aulas de língua inglesa nas turmas de sexto ano e nono ano, cada qual com um professor diferente.

A professora responsável pela matéria nas turmas de nono ano não demonstrou muita satisfação com a minha presença e eu realmente me senti incomodada nas aulas, com um sentimento de que estava atrapalhando e constrangendo-a. Além disso, não notei questões interessantes em suas aulas que pudessem ser exploradas durante minha pesquisa. Além de não utilizar os netbooks, ela ministrava aulas muito tradicionais que abrangiam somente atividades do livro didático. Em conversa informal com alguns alunos, eles confirmaram que as aulas seguiam sempre esse mesmo esquema. Diante disso, resolvi não continuar

acompanhando essas aulas e, a partir da segunda semana de coleta de dados, já não estive mais nessas aulas.

Com o professor das turmas de sexto ano, a receptividade já foi bem diferente. Eu fui muito bem recebida pelo professor e acolhida com muito carinho pelos alunos. Ademais, logo na primeira aula, já percebi algo diferente na metodologia adotada pelo professor. Os netbooks não eram utilizados com frequência por ele, mas, nem por isso, as aulas deixavam de ter dinâmica e diversão para os alunos. Nas aulas em que estive presente em sala de aula, esse professor propôs jogos de adivinhação, dinâmicas em grupo, atividades de exploração do dicionário de inglês e, ainda, tarefas com a utilização de jornais e revistas disponíveis na escola. Perante essa variedade, resolvi acompanhar as aulas da professora das turmas de oitavo ano, para observar o uso dos netbooks, e as aulas desse professor do sexto ano, para observar o andamento de suas atividades e se, realmente, os netbooks eram essenciais para tornar as aulas mais diversificadas.

Portanto, após essa escolha dos professores, passei a acompanhar as cinco aulas da professora de inglês, ministradas na quarta-feira pela manhã, em três turmas de oitavo ano (A, B e C); e três aulas do professor de inglês, ministradas na quinta-feira pela manhã, em duas turmas de sexto ano (B e C). Cada turma possuía, em média, 25 (vinte e cinco) alunos por sala. Nesse caso, eram 75 (setenta e cinco) alunos do oitavo ano e 50 (cinquenta) alunos do sexto ano, completando um total de 125 (cento e vinte e cinco) alunos.

Considero importante dissertar, brevemente, sobre esses dois participantes. A professora do oitavo ano54 trabalha na escola há, pelo menos, cinco anos com aulas de português e inglês. Por esse motivo, ela possui uma relação muito próxima com aqueles alunos que estão na escola desde o início do Ensino Fundamental e conhece um pouco sobre sua vida pessoal, seus problemas e dificuldades de aprendizagem. Com isso, suas aulas eram descontraídas, uma vez que ela se interessava pelas questões pessoais dos alunos, oferecia conselhos e, às vezes, até brincava com situações do cotidiano. Principalmente por se tratar de adolescentes, essa relação de proximidade é muito importante, tendo em vista os conflitos inerentes da idade. No entanto, essa relação de proximidade nunca foi motivo para um comportamento inadequado por parte dos alunos. Pelo contrário, o fato de já

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Ao longo do texto, vou me referir a essa professora como “professora do oitavo ano” e, ao outro professor, como “professor do sexto ano”.

conhecerem a professora contribuía para um comportamento respeitoso e de obediência. Eu fiquei impressionada com a boa relação entre eles e não observei problemas de desrespeito ou má conduta.

Destaco, também, que ela acompanhou todo o processo de implantação do PROUCA, participando dos treinamentos e utilizando os equipamentos em suas aulas. Mesmo após três anos de implantação e os problemas apresentados pelos netbooks55, ela continuava adotando essa tecnologia em suas atividades. A consciência dessa professora sobre a importância da inserção tecnológica nas aulas se deve ao fato de ela ser, também, uma estudiosa sobre o assunto. Na época da pesquisa, ela desenvolvia um projeto de iniciação científica, juntamente com alguns alunos da escola e com professores de uma universidade pública da cidade de Uberaba/MG, sobre a importância de aparatos tecnológicos nas aulas de português. Hoje em dia, a professora faz Mestrado Profissional em Letras nessa mesma universidade e continua desenvolvendo um projeto relacionado à área.

O professor do sexto ano era novo na escola, tendo iniciado seu trabalho em junho de 2014. Com isso, segundo relato informal do próprio professor, ele ainda não havia tido tempo de conhecer as tecnologias disponíveis na escola e nem utilizá-las em suas aulas. Ele ainda enfatizou que, por saber, por intermédio dos outros professores, dos problemas apresentados pelos netbooks, principalmente de acesso à Internet, preferia priorizar outras atividades com jogos, cartolina e outros tipos de materiais que diversificam as aulas, mas não envolvem, necessariamente, as tecnologias digitais. Esse fato apareceu nas narrativas de alguns alunos e também em minhas notas de campo, o que me motivou a analisar e dar um destaque significativo a essa questão. No entanto, o professor sempre se mostrou muito aberto para novas possibilidades, inclusive com o uso dos netbooks.

Sobre a relação desse professor com os alunos, diferentemente do que relatei sobre a professora do oitavo ano, não havia tanta intimidade, devido ao pouco tempo de convivência. Com isso, os alunos do sexto ano se mostravam um pouco dispersos em certos momentos, mas logo recuperavam o foco nas aulas, pois as atividades propostas eram interessantes e realmente prendiam a atenção deles.

Acredito que seja importante relatar um pouco sobre esse relacionamento existente entre professores e alunos, pois isso ajuda muito na compreensão da

realidade desses participantes e também do que foi explicitado nas narrativas. Segundo Miccoli (2014, p. 41), “aquilo que se passa entre professor e estudantes e entre colegas, no domínio social, não pode ser desprezado, porque muito do ‘clima’ de uma aula depende do seu relacionamento”. Esse relacionamento entre os agentes do sistema foi essencial no momento das análises, para um melhor entendimento das experiências descritas pelos alunos.

Os alunos participantes da pesquisa são, em sua maioria, adolescentes. Os do sexto ano são mais novos e possuem idade entre 10 e 12 anos. Já os alunos do oitavo ano têm idade que varia entre 14 e 16 anos. São raros os casos de alunos repetentes ou com idade muito acima do normal para a sua série. A receptividade desses alunos em relação à pesquisa foi positiva, de maneira geral. A maioria contribuiu com a coleta de dados e demonstrou interesse pelo assunto pesquisado.

Além desses participantes, eu contei, também, com a contribuição da diretora da escola e do diretor do DETIC. Ambos muito receptivos e abertos para os questionamentos. A diretora da escola não é a mesma da época em que fiz minha pesquisa da graduação, mas, assim como a anterior, também me acolheu muito bem durante a pesquisa. Seu mandato oficial como diretora teve início em 2014, mas ela já lecionava na escola antes e, portanto, conhece bem sua estrutura. O diretor do DETIC se mostrou um grande conhecedor sobre o PROUCA, sobre seus benefícios e problemas, suas respostas foram muito significativas para minha pesquisa.