Kapittel 7 Diskusjon
7.2 Avslutning
Quanto aos instrumentos de pesquisa, no trabalho anterior, que desenvolvi na graduação (SILVEIRA, 2012), utilizei questionários para a coleta de dados. No entanto, como se tratava de alunos do Ensino Fundamental, cuja faixa etária variava entre 12 e 16 anos, muitos não devolveram o questionário respondido, o que dificultou um pouco a análise dos dados. Acredito que o grande número de perguntas possa ter sido um fator desanimador para esses alunos. Com isso, para a presente pesquisa, optei por mudar as ferramentas de coleta de dados, adotando, portanto, textos argumentativos, entrevistas semiestruturadas e notas de campo.
O texto argumentativo utiliza-se da capacidade de argumentar. Segundo Costa (2008), o argumento é um raciocínio que proporciona a indução de algo. O
autor ainda explica que “pode ser um recurso oral ou escrito usado para convencer alguém, para alterar-lhe a opinião ou o comportamento” (COSTA, 2008, p. 34). No caso da minha pesquisa, adotei o recurso escrito para que os alunos pudessem responder com mais detalhes ao meu questionamento. Para ilustrar e apoiar essas opiniões e seus argumentos, os alunos e professores utilizaram pequenas narrativas para expor suas experiências em sala de aula. Por esse motivo, em vários momentos do meu texto, nomeio como narrativa a produção escrita dos alunos e professores.
Sobre o trabalho com as narrativas, Paiva (2008a) argumenta que o objetivo é ouvir a voz dos aprendizes, o que modifica o foco da pesquisa em busca de uma perspectiva “êmica”, ou seja, a pesquisa passa a focalizar a interpretação que os próprios aprendizes apresentam sobre suas experiências de aprendizagem. Essas narrativas ajudam o pesquisador a entender aspectos importantes do processo de aprendizagem do aluno e os sentimentos envolvidos nesse processo, como: medo, ansiedade, frustração, influência familiar, dentre outros, que podem ser decisivos para a interpretação das atitudes e comportamentos atuais desse aprendiz.
De acordo com Miccoli (2014, p. 18),
a experiência, como construto e unidade de análise daquilo que acontece, tem demonstrado ser uma via de acesso para a compreensão da complexidade de eventos em salas de aula, seja no ensino de línguas estrangeiras ou de língua materna. Chegar a esse construto remonta a um interesse por compreender o processo de aprendizagem sob o ponto de vista daqueles que o vivenciam.
As narrativas presentes nos textos argumentativos refletem experiências vividas pelos alunos com o uso dos netbooks e são histórias que marcaram sua aprendizagem, uma vez que as mesmas experiências foram recorrentes em vários textos. Sem esses relatos, eu não conseguiria compreender a complexidade dos eventos, pois, os fatos marcantes não ocorreram durante minha presença na sala de aula, mas em momentos anteriores. Miccoli (2014) ainda ressalta o importante papel da subjetividade para que os participantes documentem suas experiências de maneira autêntica e fiel aos acontecimentos. Tal fato proporciona ao pesquisador a oportunidade de compreender, a fundo, a realidade desses participantes. Sintetizando, nas palavras de Miccoli (2014, p. 40), “a experiência se apresenta como evidência empírica da organicidade e da complexidade do ensino e aprendizagem em sala de aula”.
Sobre os procedimentos de coleta dos textos, iniciei a observação das aulas e a coleta de notas de campo em setembro de 2014. No mês seguinte, em outubro, iniciei a coleta dos textos dos alunos. Primeiramente, distribui o Termo de Esclarecimento para o Menor (APÊNDICE A), juntamente com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE B) e solicitei que devolvessem esse último com a assinatura dos pais ou responsáveis. Nas turmas de oitavo ano, foram distribuídos 69 (sessenta e nove) termos e, nas turmas de sexto ano, foram 43 (quarenta e três) termos, distribuídos entre os alunos presentes no dia. No entanto, nem todos os alunos devolveram o termo assinado, por terem esquecido em casa ou porque, segundo eles, os pais não autorizaram a participação na pesquisa. Apesar disso, por se tratar de alunos do Ensino Fundamental, acredito que houve uma parcela de participação bastante significativa. Nas turmas de oitavo ano, recebi 63 (sessenta e três) termos assinados e, nas turmas de sexto ano, foram 30 (trinta) termos devolvidos, totalizando 93 (noventa e três) alunos participantes.
Para a coleta dos textos, os professores gentilmente cederam suas aulas para que isso pudesse ser feito imediatamente. Acredito que isso ajudou muito no número expressivo de participação dos alunos, pois, se eles tivessem que fazer o texto em casa, talvez nem todos entregariam ou não demonstrariam interesse em realizar a tarefa. Outra questão que também contribuiu para o engajamento dos alunos foi eles produzirem os textos nos netbooks, o que também proporcionou mais agilidade para a escrita.
Para nortear a escrita dos alunos, eu apresentei a seguinte proposta em todas as turmas: “Qual a opinião de vocês sobre os aspectos positivos e/ou negativos do uso dos netbooks nas aulas em geral e, mais especificamente, nas aulas de língua inglesa? Escrevam, expondo sua visão e relatando acontecimentos bons e/ou ruins sobre o uso dessa tecnologia em sala de aula”. Após a exposição dessa proposta, solicitei aos alunos que mantivessem o foco na aprendizagem e não somente em questões técnicas do netbook. Além disso, por se tratar de alunos do Ensino Fundamental, não delimitei limite mínimo e máximo de linhas, deixando-os livres para expor suas ideias da maneira mais confortável possível. Para salvar os textos, a intenção inicial era solicitar que eles encaminhassem por e-mail, mas, por já saber dos problemas de conexão com Internet, eu preferi salvá-las em pendrive para não atrapalhar muito as aulas dos professores.
Essa parte da coleta de dados foi bem sucedida, os alunos mostraram-se engajados na atividade e não apresentaram problemas de comportamento no momento da escrita do texto. Quanto ao conteúdo, todos seguiram a proposta norteadora, uns parcialmente e outros totalmente, mas todas as narrativas foram bastante significativas no momento das análises. Vale ressaltar que os textos das turmas de oitavo ano foram mais completos e com mais informações relevantes. Nas turmas de sexto, acredito que pela idade menor, muitos textos tiveram poucas linhas, mas, de qualquer forma, todas apresentaram algum dado importante.
Após essa coleta, a etapa seguinte foi a realização de entrevistas com os alunos. Severino (2007) define entrevista como uma técnica de coleta de dados que envolve interação entre pesquisador e pesquisado. Ele ainda complementa dizendo que “o pesquisador visa apreender o que os sujeitos pensam, sabem, representam, fazem e argumentam” (p.124). No caso da entrevista semiestruturada, a ideia é estabelecer um roteiro de perguntas flexível e que permite adaptações no decorrer da sua aplicação. De acordo com Rees e Mello (2011, p. 39), “a entrevista semiestruturada é conduzida de uma forma mais aberta e menos intrusiva, como se fosse uma conversa ou uma troca de informações”.
No meu caso, após a produção escrita, eu selecionei quatorze alunos para as entrevistas. Esses alunos foram selecionados, pois escreveram textos ricos em detalhes e, a meu ver, poderiam oferecer informações mais precisas para o meu trabalho. Para isso, eu mantive em mãos os textos escolhidos e estabeleci perguntas a partir do que eles escreveram. Na maioria das vezes, eu citava um trecho da narrativa e pedia mais detalhes sobre dada situação. No entanto, as entrevistas não me ajudaram muito, pois, apesar de autorizarem a gravação do áudio pelo celular, os alunos ficaram um pouco tímidos e receosos no momento das respostas e não acrescentaram informações importantes, além daquelas já relatadas anteriormente. Entretanto, essas entrevistas me ajudaram a confirmar as informações dos textos e isso foi bastante válido, em minha opinião.
Em uma terceira etapa da coleta de dados, também solicitei que os professores pesquisados elaborassem um texto argumentativo a partir da seguinte proposta norteadora: “Como a sua atuação em sala de aula vem sendo influenciada pela presença da tecnologia? Qual o impacto do PROUCA nas suas aulas e o que você espera do programa para os próximos anos? Qual a sua opinião sobre os avanços das tecnologias digitais e sua influência no processo de ensino e
aprendizagem de língua inglesa?” Como esses textos e minhas notas de campo já foram muito significativas para as análises, não achei necessária a realização de entrevistas com esses professores.
Nessa etapa de coleta, também entrevistei a diretora da escola, por meio de um roteiro semiestruturado (APÊNDICE C), com a intenção maior de complementar meus dados sobre o processo de implantação do PROUCA e seu desenvolvimento ao longo dos anos. A ideia era realizar a mesma entrevista com a coordenadora tecnológica da escola, mas, por incompatibilidade de horários, ela não pode ser concretizada. No entanto, acredito que a entrevista feita com o diretor do DETIC (APÊNDICE D), à título de complementação dos dados, foi o suficiente para que eu pudesse entender um pouco mais sobre o programa em questão.
Além dos textos argumentativos e entrevistas, outro importante instrumento de pesquisa que utilizei foram as notas de campo. Elas foram coletadas em todas as aulas que observei no período de setembro a dezembro de 2014 e se fizeram essenciais para a compreensão de certos aspectos. Segundo Rees e Mello (2011, p. 43),
as anotações de campo são tradicionalmente o instrumento básico de uma pesquisa etnográfica, que se associam a outros instrumentos como as observações e as entrevistas para dar maior confiabilidade e segurança às interpretações e análises do pesquisador.
A seguir, apresento um quadro que elaborei para ilustrar melhor os instrumentos utilizados na coleta de dados e a quantidade de participantes:
QUADRO 2: Instrumentos de geração de dados
Instrumentos Objetivos Participantes
Textos argumentativos
Verificar a visão de alunos e professores sobre a utilização da tecnologia digital nas aulas de língua inglesa.
- 93 alunos - 02 professores
Entrevistas semiestruturadas
Complementar os dados adquiridos
com as narrativas. - Diretora da escola - 14 alunos - Diretor do DETIC
Notas de campo Documentar minhas observações e impressões a respeito do contexto,
dos participantes e de suas ações. Contexto geral FONTE: A autora