6. PRESENTASJON OG ANALYSE AV SPØRREUNDERSØKELSEN
6.3 Analysemetode
Para início de conversa, considero importante trazer as contribuições de outros estudos que foram realizados e publicados por pesquisadores na área de formação docente, especificamente no contexto dos cursos Normal Superior (atualmente extinto) e Pedagogia, que iniciam tal formação.
Estes referidos cursos visam formar professores que atuarão nas séries iniciais do Ensino Fundamental e também na Educação Infantil, além de poderem, após alguns anos de experiência em sala de aula, dedicar-se à gestão escolar: na coordenação pedagógica, direção, vice-direção e supervisão.
Portanto, após se formarem, esses profissionais assumirão a tarefa de ensinar seus alunos, planejar sua ação educativa, cuidar de aspectos administrativos relativos ao ensino e refletir sobre seu trabalho docente. O professor já formado terá de ler muito: leituras sobre como ministrar determinados conteúdos, atas de reuniões, produções textuais dos alunos, propostas curriculares, projetos,
textos de formação continuada. Também será preciso escrever muito: planos de aulas, cadernetas, projetos, pautas de reuniões e, se tiver adquirido o hábito em sua formação inicial, escreverá sobre sua própria prática para refletir sobre ela.
É neste último ponto que reside a preocupação deste trabalho de pesquisa. É preciso investigar se os professores em formação inicial têm acesso à escrita e, se o têm, de que forma essa escrita acontece, quais contribuições ela traz para sua formação. Diria, ainda, que é necessário problematizar este acesso à escrita questionando se esses professores em processo de formação inicial são desafiados a escrever no contexto do curso em que estão inseridos. Será que eles são levados a passar pelo desafio da escrita?
Barros (2010) explicita que a escrita está presente diariamente no percurso acadêmico dos futuros professores, pois eles estudam escrevendo (ainda que rascunhos), fazem trabalhos escritos que são entregues ao professor de uma disciplina, fazem provas em que precisam escrever as respostas, relatórios e produções de texto a partir de leituras científicas. No entanto, tais escritas não obtêm devolutivas e os alunos dificilmente sabem se foram bem ou não em suas produções.
A autora afirma em seu trabalho que muitos professores chegam a se formar sem saber organizar opiniões e se posicionar por escrito acerca do que fora lido anteriormente. Barros (2010) faz uma constatação que soa forte aos ouvidos de pessoas preocupadas com a formação docente: diz que o docente não é preparado para assumir o lugar de escritor na escola.
Para Melo, Mello e Frangella (2000) e Carvalho (2000), que pesquisaram práticas de leitura e escrita no contexto de uma escola de formação de professores – o extinto Magistério – a escrita que se faz presente entre os futuros professores é aquela que não se refere à docência: a escrita de cartas pessoais, agendas (diários), músicas (poesias) que surgem no momento de alegria ou tristeza e tais escritas não são admitidas pela escola de formação ou são ignoradas pelos docentes. O espaço para a escrita de si é raro e muitas vezes o docente responsável pela disciplina que solicitou a escrita não avalia as redações de modo que os alunos compreendam e possam avançar com ela.
O texto de Carvalho (2000) traz contribuições para pensarmos nas práticas de escrita instituídas nos cursos de formação inicial de professores cujos objetivos residem em punir o aluno e avaliar o que ele aprendeu. Em seu artigo, a autora explicita falas de alunas de uma escola de formação que deixam claro o desgosto pela escrita, constatando haver muito mais cópia de textos do que práticas de escrita que permitam a criação, a autoria.
Muitos trabalhos que vêm sendo publicados nos dão indícios de uma grande preocupação com a formação continuada dos professores que, egressos de seus cursos de formação inicial, precisam refletir sobre seu trabalho e aprofundar seus conhecimentos.
Ao que parece, o contexto universitário e os cursos de formação inicial docente recebem atenção de poucos pesquisadores. Talvez isto se deva ao fato de que para investigar este campo seja preciso investigar a si próprio, uma vez que os pesquisadores são os próprios docentes responsáveis pelas disciplinas dos cursos de licenciatura, por exemplo. Poucas são as pesquisas que voltam o olhar para o seu pesquisador. Isto fica ainda mais restrito quando falamos em formação inicial e escrita.
Sendo assim, cabem algumas perguntas, tais como: para que e para quem os professores do Ensino Superior têm escrito? A escrita dos professores universitários tem ficado restrita à prestação de contas de seu trabalho como docente ou se configura como processo de constituição da autonomia de liberdade? É importante problematizar isto porque a falta de pesquisas acerca da formação inicial indiciam que os professores universitários, pesquisadores que são, não estão engajados na pesquisa sobre si mesmos, sobre seus próprios fazeres como formadores de outros professores.
No trabalho de Andrade (2004), que discute práticas de leitura e escrita no contexto universitário a partir de uma pesquisa realizada com alguns professores universitários, foi possível notar que as práticas de escrita são vistas como uma maneira de diagnosticar o que o aluno compreendeu sobre determinada leitura. Além disso, a escrita aparece como atividade que precisa de certo rigor científico para ser válida e precisa de estrutura acadêmica, apesar de alguns professores
defenderem que a leitura de diversos gêneros textuais é importante para a construção da escrita posteriormente.
Segundo esta autora,
passam-se os anos de formação universitária e os alunos acabam por aprender a ler e escrever academicamente. Apesar de não terem sido ensinados, incorporam o como deve ser feito. A leitura e a escrita constituem um aprendizado de um saber prático necessário à sobrevivência como aluno na instituição universitária (ANDRADE, 2004, p. 1).
Assim como nos trabalhos dos autores citados acima, não há menção a uma prática de escrita voltada à expressão das reflexões estabelecidas pelos alunos entre o conhecimento que adquirem com suas experiências e a teoria. A escrita é tida como algo sério demais para permitir que sejam colocadas no texto as emoções, sensações e pensamentos, que não se bastam na objetividade do texto científico que a maioria dos professores universitários deseja de seus alunos.