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Analyse

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A institucionalização de idades cronológicas para delimitar as fases em que se encontra o ser humano no percurso de vida são constructos sociais e aos quais, muitas vezes, subjaz um padrão universal que associa características únicas e comuns a todos os indivíduos que naquela fase se encontram (OLIVEIRA, 2004). Usualmente, essas etapas se constituem em: infância, adolescência, adultez e velhice, não levando em conta o contexto em que os sujeitos estão inseridos.

De modo geral, então, é aceito que a teorização do desenvolvimento humano pode se dar a partir da organização dos ciclos de vida, remetendo a estágios ou fases, a partir do viés da maturação biológica (como por exemplo, o aparecimento da linguagem e o envelhecimento) (OLIVEIRA, 2004). No entanto, na perspectiva da Psicologia da Educação, os ciclos de vida ensejam outra compreensão, sob o prisma do desenvolvimento humano que, segundo Oliveira (2004), é entendido como transformação. Sendo assim, o processo de desenvolvimento do ser humano acontece por meio de trocas e interações ocorridas no decorrer da vida, em qualquer idade, decorrente de inúmeros fatores, que não abarcam somente aqueles envolvendo a maturação biológica, mas, sobretudo, as experiências de vida transformativas de cada sujeito. Parafraseando Oliveira (2004), essas transformações que impactam o processo de constituição do desenvolvimento humano ocorrem, sobremaneira, na

“psicologia do sujeito”, ou seja, nas relações que ele estabelece com o contexto sociocultural

em que vive e nas singularidades da sua história e das experiências.

Para essa pesquisa, optou-se pela definição de vida adulta intermediária para caracterizar os sujeitos do estudo, em relação ao ciclo vital. De acordo com Papalia, Olds e Feldman (2010), o estudo da vida adulta intermediária, madura ou de meia-idade é recente, pois, até então, essa fase do ciclo de vida humano era a menos estudada. As referidas autoras estabeleceram, para fins didáticos, as idades entre 40 e 65 anos para a vida adulta intermediária. No entanto, elas destacam que essa definição é arbitrária e deve ser definida pelo contexto.

A adultez intermediária se caracteriza por declínios e perdas, mas, também, por conquistas, aquisições, ganhos e reorganizações (PALACIOS, 2004). Essa fase da vida representa, para muitas pessoas, muitas responsabilidades, mas, também, liberdade e independência pelo fato de já terem criado os filhos, possibilitando espaços para assumir

novos projetos de vida ou retomar sonhos abandonados. “Os anos intermediários da vida

adulta podem ser um tempo de reavaliações de metas e aspirações, e de decisão sobre como

melhor utilizar a parte restante do ciclo de vida.” (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2010, p.

552).

Dentre as transformações físicas, destacam-se problemas ligados às seguintes perdas: acuidade visual (nitidez da visão, sensibilidade à luz, visão de perto), auditiva, gustativa e olfativa, além de perda da força muscular. Entretanto, o conhecimento tácito, ou aquele baseado na experiência, assume importante papel na compensação dessas mudanças físicas.

Alguns aspectos resultantes do comportamento do adulto intermediário ou maduro influenciam, sobremaneira, a sua saúde física e psicológica. Tabagismo, álcool, atividades físicas e nutrição prolongam os seus efeitos nessa fase da vida, além de questões socioeconômicas, raça/etnia, gênero e relacionamentos sociais que impactam a qualidade de vida do adulto intermediário/maduro.

Dessa forma, a idade adulta e a velhice constituem etapas evolutivas com muitas mudanças e estabilidades, seja no aspecto físico, social, psicológico e/ou cognitivo e que, segundo Palacios (2004), merecem ser aprofundadas dadas a sua complexidade e relevância. No que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo, é de comum acordo entre pesquisadores da área, que há um declínio da capacidade de processar informações no decorrer da idade. No entanto, essa redução não é incapacitante e nem tão severa a ponto de impossibilitar que adultos maduros e idosos aprendam nessa etapa do ciclo de vida. Um exemplo disso reflete o crescente interesse por uma nova área do conhecimento voltada aos aspectos da aprendizagem

de pessoas mais velhas, denominada de “gerontologia educativa” e às metodologias de ensino para esse público, intitulada de “educação gerontológica” (VEJA; BUENO; BUZ, 2004).

Questões voltadas ao processamento de informações revelam que a atenção é comprometida, em parte, pela maior capacidade de distração; quando é preciso prestar atenção em várias atividades ao mesmo tempo e quando se faz necessário selecionar uma informação num contexto de muitas informações.

No que concerne à memória, pesquisadores apontam para aspectos envolvendo fatores ambientais, como por exemplo, mudança de hábito de vida ou motivações, déficits no processamento das informações e biológicos, representados por deteriorações em partes do cérebro. Ademais, os impactos da idade sobre a memória de procedimentos (atividades muito praticadas e realizadas de modo automático) mostrou não ser relevante em pessoas adultas e idosas. Já na memória declarativa (conhecimento acumulado, podendo ser episódico – lembranças – ou semântico – conhecimento organizado) houve um declínio com a idade, demonstradas pela maior dificuldade para encontrar palavras na conversação espontânea.

Quanto à capacidade criativa nessa etapa, Veja, Bueno e Buz (2004) apontam que essa se mantém durante o processo de envelhecimento quando a mesma for exercida de forma continuada, podendo até mesmo surgir novos processos mais integrados e inovadores.

Diante das questões colocadas sobre as especificidades da idade adulta e dos processos de desenvolvimento que afetam e são afetados pela idade, convém refletir sobre o papel da Educação nesse ciclo de vida. Nessa perspectiva, superar os estereótipos sociais e culturais de que adultos e idosos não aprendem implica conceber a Educação de forma continuada, ao longo de toda a vida. Mais especificamente, reconhecer que a aprendizagem acontece durante todo o ciclo vital, seja por meios formais, informais ou não formais de ensino.

6.4 Aprendizagem ao Longo da Vida e suas reverberações na vida de pessoas

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