Todo o tipo de equipamento utilizado para a realização de um balneário, para além do que é exigido pelos clientes e trabalhadores é igualmente importante que se adapte ao tipo de serviço. Para uma melhor compreensão de como se irão organizar os espaços e para o seu dimensionamento é necessário conhecer os tipos de tratamentos e como será o percurso do paciente nesses tratamentos a desenvolver, para isso a arquitetura passará a ter duas vertentes que irão trabalhar em conjunto entre si, direcionado para a saúde e segurança do edifício (Fernandes, 2008).
A organização dos espaços comuns num balneário está adaptada a variadas situações consoante cada tipo de tratamento e estão preparados para orientar o paciente, fazendo com que este siga um percurso sem ter de passar por diferenças de temperaturas ou até por outros locais que não serviram para o tipo de patologia do doente. Este tipo de características, em qualquer tipo de termas ou balneários na qual convergem vários tratamentos tanto a nível seco ou húmido, tornam-se uma das questões-chaves que têm de ser resolvidas no início do projeto.
O design do centro de talassoterapia tem que estar em concordância com o tipo de ambiente; poderá apresentar-se como um meio relaxante, turístico ou até apenas com as funções de uma clínica. Este aspeto é importante para o paciente que frequenta este tipo de estabelecimentos, sendo que o resultado final será proporcionar um bem-estar físico, mental e espiritual. Outros elementos que estão presentes e com o papel também importante são os aromas e essências, o som das fontes ou cascatas artificiais em harmonia com a música adequada, as plantas interiores e exteriores ao edifício que para além da libertação de oxigénio tornam o espaço mais exótico.
Na aplicação dos materiais têm-se os aspetos relacionados com o a higiene e segurança, mas a qualidade também é muito importante. O material utilizado, regrado pelo que foi dito anteriormente, deverá ser de qualidade adequada às condições de iluminação, de cor dependente das funções dos espaços.
Estes equipamentos dividem-se em duas áreas: a zona húmida e a zona seca, como foi referido anteriormente, sejam termas associadas a água mineral, corrente ou salgada. Relativamente à zona húmida, sendo que sofre diversas variações de temperatura e, tal como diz o nome, é uma zona com água, é necessário usar o material mais adequado ao serviço. Em todos os estabelecimentos de hidroterapia, o controlo de proliferação de doenças infeciosas, fungos ou
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bactérias é muito importante por uma questão de higiene e saúde. No caso de um paciente se encontrar com o sistema imunitários mais baixo, o que principalmente acontece maioritariamente nas crianças ou idosos e em alguns casos nos adultos ou adolescentes, encontram-se numa situação mais propícia para poder contrair esse tipo de doenças. Portanto, o material que é colocado no edifício também tem um papel muito importante para a prevenção desse género de situações. Segundo o “Manual das Boas Práticas Termais”, (Fernandes, 2008) os cerâmicos, a madeira e os revestimentos para pavimentos e paredes são materiais muito utilizados devido à sua capacidade de impermeabilidade, uma boa aderência tonando o piso antiderrapante, produzem um bom isolamento térmico e previnem a consistência porosa. Os revestimentos utilizados dependem do conceito do edifício, dos serviços e do local onde é situado, no caso do Hotel H2O de Unhais da Serra, é usada a pedra característica da zona, nomeadamente o granito, no interior e no exterior do edifício, exceto em algumas zonas que legalmente têm de ser utilizados materiais mais específicos.
Colocando em prática alguns exemplos mais específicos, apresenta-se o caso da sala de balneoterapia, que segundo Cruz (1976) devido aos princípios técnicos adaptados à prevenção de infeção, terá de se localizar junto à sala de curativos. Cada sala de balneoterapia deverá ter aproximadamente 12 m², com um piso e as paredes têm de ser compostas por materiais que sejam de fácil limpeza ou se for o caso de utilizar tinta, esse não poderá ser impermeabilizante para poder suportar os vapores quentes e húmidos. No caso de existirem vãos nesses compartimentos, deveram ser mais amplos o quanto possível, proporcionando uma iluminação e ventilação natural para a libertação de vapores, e com laminas micrométricas para impedir a entrada de insetos. A banheira deverá estar a uma altura de 70 cm do piso para facilitar os movimentos que os pacientes deverão fazer para dar entrada na banheira e permitindo ao pessoal de enfermagem ajudar. A mesma sala terá ainda de ser composta por uma mesa auxiliar, um armário ou prateleira de madeira ou em material inoxidável para a colocação de todo o material necessário tanto da parte curativa como do tratamento elaborado na banheira.
Normalmente, segundo as leis indicativas na conceção de um edifício termal que podem ser aplicadas em centros de talassoterapia, são necessários alguns planeamentos técnicos que irão ser essenciais na conceção do projeto de arquitetura do edifício: projeto de rede de abastecimento de água para o consumo humano e drenagem de águas residuais; projeto de instalação de redes de água mineral natural; projeto dos equipamentos termais ou talassoterápicos; projeto de higienização e desinfeção dos circuitos de água mineral natural e dos equipamentos de balneoterapia, incluindo fichas de identificação e segurança dos produtos químicos usados e o seu tempo de contacto com a água utilizada, devendo existir um circuito autónimo de desinfeção; e, um projeto AVAC indicando os caudais de ar extraído e de ar novo que entra em casa compartimento (Cavaco, 2008).