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Analyse av hovedteorier

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5.2 Analyse av hovedteorier

Antes de entrar nos meandros da relação S-O, é preciso destacar o que é Objeto para Peirce e a distinção que ele faz entre dois tipos de Objetos: Imediato e Dinâmico. A definição de Objeto é contextualmente dependente. Ou seja, Objeto é qualquer coisa à qual o Signo faça menção dentro de um contexto. Há um exemplo que o próprio Peirce nos deixou para clarear essa dependência contextual. Imagine um homem lendo um jornal diante de uma janela aberta em que é possível ter uma ampla vista da cidade. Em determinado momento este homem diz: ‘que incêndio horroroso!”. O ouvinte a quem este homem se dirige pode ter dupla interpretação da fala, pois o incêndio pode ser uma notícia veiculada no jornal ou um fato que ele observa pela janela. Assim, o contexto é que vai definir qual é o Objeto do signo “que incêndio horroroso!”.

A separação entre Objeto Imediato e Dinâmico se faz necessária para entender a lógica de Peirce. Para ele, existe a realidade, mas nós não temos acesso a ela. A realidade, assim como a verdade (a questão da verdade é abordada na discussão sobre o Interpretante), são objetivos ideais inatingíveis (SANTAELLA, 2012). O signo se constitui de um Objeto Imediato que é formado pelas características possíveis que aquele signo é capaz de representar. O Objeto Dinâmico se refere à realidade e se conecta ao signo através do Objeto Imediato.

Só podemos conhecer um Objeto real se houver alguma forma de interação, alguma relação com o próprio Objeto. A realidade pode existir sem relação com um signo, mas ela não pode ser cognoscível sem qualquer forma de relação. A partir do instante em que se cria uma relação entre Signo e Objeto, este signo não é capaz de representar o Objeto em sua totalidade, caso contrário seria o próprio. O Signo faz, por excelência, um recorte de características do Objeto a ser representado. O Objeto Imediato é esta parte do Objeto que o signo é capaz de representar

(e que está dentro do próprio signo), ou seja, o Objeto com as características recortados do Objeto real. Nas palavras do autor:

Resta observar que normalmente há dois tipos de Objetos [...]. Isto é, temos de distinguir o Objeto Imediato, que é o Objeto tal como o próprio Signo o representa, e cujo Ser depende assim de sua representação no Signo, e o Objeto Dinâmico, que é a Realidade que, de alguma forma, realiza a atribuição do Signo à sua Representação. (CP4.536)

A partir de diversas citações de Peirce em várias obras, Santaella (2012) sintetiza a concepção do autor de que o Objeto Imediato: (i) está dentro do próprio signo; (ii) é uma sugestão ou alusão que indica o Objeto Dinâmico; (iii) é o Objeto tal como está representado no próprio Signo, ou tal como o Signo o apresenta; e (iv) é o Objeto tal como o Signo permite que o conheçamos.

Assim, a relação S-O na relação S-O-I se dá entre o Signo e o Objeto Dinâmico e é restrita às especificidades que definem um Objeto Imediato, em especial, não ser capaz de representar o Objeto real em sua totalidade. Para que a leitura do texto possa fluir mais naturalmente chamamos o Objeto Dinâmico de Objeto e, a partir deste ponto, analisamos como se dá a relação S-O.

Essa relação S-O é reconhecida por Peirce (2005, p. 46) como importante para a Ciência:

O segundo ramo (relação S-O) é o da lógica propriamente dita. É a ciência do que é quase necessariamente verdadeiro em relação aos representamens de toda inteligência científica a fim de que possam aplicar-se a qualquer objeto, isto é, a fim de que possam ser verdadeiros. Em outras palavras, a lógica propriamente dita é a ciência formal das condições de verdade das representações.

De outra forma, “a mais importante divisão dos signos faz-se em ícones, índices e símbolos” (PEIRCE, 2005, p. 64) e é justamente essa divisão que estuda a relação S-O.

Um signo se conecta ao objeto que ele representa por três formas distintas (MARTINS; QUEIROZ, 2010; PEIRCE, 1931-1935, 1958, 2005; SANTAELLA, 2002, 2012; SAVAN, 1976; SERRA, [s.d.]):

icônica, quando qualidades perceptíveis do Signo sugerem o Objeto pelas similaridades com este, sendo que a similaridade é definida pela aparência ou pela

semelhança das propriedades entre o Objeto e o Signo. Por exemplo, no primeiro caso, uma camisa azul celestial lembra a cor azul do céu pela sua aparência e, no segundo, uma equação da cinemática (como a função horária da posição) guarda semelhança das proporções explicitadas na expressão algébrica com o movimento analisado. Deve-se realçar que a característica icônica deve ser entendida como uma similaridade pura, isto é, sem ocorrência em nenhum caso;

 indexical, quando características do Signo remetem a Objetos com características singulares e existentes. Além disso, o índice é um tipo de Signo que é afetado pelo próprio Objeto. Por exemplo, um furo de bala em uma parede indica a existência de um tiro. Ou seja, a referência indexical faz menção a um Objeto específico, num local específico e, por vezes, num tempo específico. Em outras palavras, um Signo atua como um índice quando indica uma relação real e/ou existente com o Objeto que ele se conecta. No entanto, um índice apenas aponta para a existência de um Objeto. Logo, as qualidades e características deste Objeto devem ser significadas por relações icônicas. O índice está na categoria de Secundidade, isto é, sua relação é diádica. Isto fica claro quando percebemos que um “índice é um Signo que perderia o caráter que faz dele um Signo se seu objeto fosse removido, mas manteria este caráter se não houvesse interpretante” (CP2.304 apud QUEIROZ, 2004);

simbólica, quando o Signo só faz menção ao objeto por uma convenção. Retomando o exemplo utilizado para explicar os legissignos, a ligação do signo ♀ com o gênero feminino é uma relação simbólica, assim como a conexão entre ♂ e o gênero masculino. Desta forma, os signos ♀ e ♂ podem ser classificados como legissignos simbólicos (as classes de signos serão detalhadas ao final do capítulo). Os símbolos são essencialmente arbitrários e convencionados.

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