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ANALYSE AV FORBUDET MOT MENNESKELIG FORBEDRING

Fig. 32. Bairro das Estacas, fotografias da autora.

Questões determinantes iniciais

Este exemplo insere-se no Bairro de Alvalade, cujo plano urbano inicial (1945- 47) foi realizado na sequência do Plano de Gröer (1938-48). O Bairro das Estacas ocupa a Célula VIII do Plano Urbano de Alvalade, foi desenhado pelos arquitetos Ruy Jervis Athouguia (1917-2006) e Sebastião Formosinho Sanches (1922-2004), que fizeram alterações ao plano inicial de João Guilherme Faria da Costa (1906-71). É do mesmo período do exemplo anterior, uma altura de desenvolvimento económico durante o clímax do Estado Novo. O edifício está inserido num quarteirão com os topos abertos, elevado sobre pilotis e com mais que uma tipologia. Para esta análise, foram escolhidas duas tipologias: T3 e T3 Duplex. Ambos os fogos são compostos por três quartos, uma sala, uma cozinha com zona de tratamento de roupa e uma I.S. completa. Os acessos verticais são compostos apenas por um bloco de escadas, que acedem a dois fogos por piso, e quatro no caso do duplex.

Aspetos particulares analisados

Fig. 33. Bairro das Estacas. Da esq. para a dir. : Duplex 1º e 2º andar, respetivamente, T3 planta tipo, in Sanches e Atouguia, 1954: 4.

Fig. 34. Análises realizadas pela autora utilizando a fig. 33.

Estrutura Distributiva do Fogo

Tipologia T3: Embora as dimensões do fogo sejam reduzidas, a estrutura distributiva tem alguma hierarquização. A entrada é feita para um hall em L (3mx2.3m) que faz a distribuição para as duas zonas da casa, a zona de serviços e a zona social, e depois para um corredor (1.2mx5.3m) que acede à zona privada e à I.S. A divisão mais próxima da entrada é a cozinha, de seguida a sala e por fim os quartos e a casa de banho. O corredor funciona como elemento separador entre público e privado, de carácter privado, embora o acesso à I.S. seja também feito através deste. Os vãos de entrada das divisões oscilam entre os 0.85m para a sala e os quartos, e 0.8m para a cozinha e I.S.

Tipologia T3 Duplex: A estrutura distributiva do duplex tem necessariamente um grau superior, uma vez que há cotas diferentes no mesmo fogo, embora mantenha o mesmo raciocínio do T3. A entrada é exatamente igual à do T3, existindo apenas a possibilidade de distribuição para a zona de serviços ou para a zona social. A sala passa a ter umas escadas de acesso ao piso superior, sendo estas que distribuem para o corredor de carácter privado, já no piso superior onde se encontram os quartos e a I.S.

As dimensões do hall, do corredor e dos vãos é igual à tipologia T3. O piso de entrada tem um carácter público, e do superior tem um carácter privado.

Partição da Casa

Tipologia T3: A AU para o uso privado corresponde a 38% do total, quase o dobro da percentagem para o uso social, 20% e ainda 16% para os serviços. Não há qualquer comunicação direta entre divisões, nem entre usos diferentes nem entre os mesmos. Cada fogo ocupa metade das fachadas de rua e tardoz, sendo que a entrada é feita a meio entre os dois fogos. Os quartos estão virados para a fachada de rua, enquanto a cozinha, tratamento de roupa e a sala estão viradas para a fachada tardoz.

Tipologia T3 Duplex: No Duplex a percentagem de AU destinada ao uso privado corresponde a 30%, o uso social representa 22% do total e os mesmos 16% de serviços, como na tipologia T3. Aqui continua a não existir comunicação direta entre divisões, há apenas o elemento escadas que faz a transição de pisos entre a sala e o corredor. No caso dos duplexes, como se desenvolvem em altura, o piso de entrada tem apenas sala e zonas técnicas (cozinha e tratamento de roupa) em ambas as fachadas do penúltimo andar do edifício. O último andar é constituído apenas por quartos e I.S.

Elementos da Casa

Tipologia T3 e Tipologia T3 Duplex: Neste ponto, as duas tipologias têm exatamente as mesmas características. As diferenças só são visíveis na fachada do edifício. Todos os vãos exteriores são de sacada com varanda, e todas as divisões têm vãos exteriores à exceção da casa de banho. Também o espaço técnico da cozinha e tratamento de roupa tem um carácter diferente e funciona como espaço semiexterior, é usada uma parede perfurada na fachada que faz a transição entre interior/exterior, garantindo a iluminação e ventilação naturais. Há apenas uma casa de banho para três quartos, e a sala acumula as duas funções de estar e de refeições.

Aspetos Arquitetónicos Relevantes

Este é um caso extremamente importante e que funciona como charneira entre o tradicional e o moderno, correspondendo a todos os pontos anteriormente referidos. Dois elementos que foram sofrendo alterações ao longo da evolução da habitação, desaparecem por completo neste caso, o primeiro – quarto de empregada, e o segundo – escadas de serviço. Apresenta uma planta simples, retangular com uma lógica distributiva racional, aplicada da mesma forma no fogo T3 e no Duplex. Nesta lógica funcional, os armários aparecem pensados e desenhados, sendo parte essencial no

projeto. A área de lazer que era comum estar subdividida é agora um espaço que cumpre a função de estar e de refeição. A divisão de casa de banho é removida para o interior, para a área privada e junto dos quartos seguindo também a lógica funcional. O desenho do fogo permite a existência de duas fachadas relativamente idênticas, desaparecendo por completo a oposição entre fachada/traseiras. Todas as divisões têm acesso a varandas, resultando em fachadas simples onde essas varandas funcionam como elementos unificadores, sobressaindo apenas as zonas técnicas com elementos cerâmicos perfurados. Hoje em dia, devido à atitude comum de fechar as varandas para usufruir dessa área coberta, há uma leitura bastante diferente, saltando entre vazios e vazios preenchidos. As tipologias duplex assumem um papel dinamizador na fachada, uma vez que o facto de não existir zona técnica no último pios se reflete diretamente na fachada.