5. APLICACIÓN DE LA ENCUESTA Y CONCLUSIONES
5.4 Análisis del modelo causal propuesto
5.4.2 Análisis del modelo estructural
O intuito em conhecer o caminho percorrido pela queixa escolar nos conduziu a dois espaços institucionais: a escola e os atendimentos psicológicos. Conforme já exposto, entendemos que a escola é a origem da queixa escolar; assim, nossa pesquisa iniciou-se investigando este universo e escolhemos duas (2) instituições particulares e duas (2) públicas. Diante de realidades tão diferentes, interessou-nos investigar a partir de seus contextos característicos as possíveis variações de concepção e manejo da queixa, bem como tecer comparações entre estes dois universos no que tange ao tema pesquisado. Os critérios de escolha envolvem certa tradição da instituição na rede de ensino de Uberlândia, ou seja, que tenham no mínimo dez (10) anos de funcionamento, com pelo menos 300 alunos
matriculados, ofereçam os primeiros cinco anos do Ensino Fundamental e que apresentem em sua estrutura técnica uma equipe psicoeducacional (composta por no mínimo dois profissionais da área da educação com formações distintas na graduação).
Foi realizado um contato inicial com as escolas, por telefone, para verificarmos a disponibilidade de agendamento de entrevista com um representante da equipe. Nos casos afirmativos, marcou-se a entrevista com data e horário combinados, na própria instituição de ensino. As entrevistas tiveram o formato semidirigido (Apêndice A) e foram gravadas em áudio, após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo B) dos participantes. O roteiro de entrevista específico para este público contém temas que se referem à concepção de queixa escolar, encaminhamentos realizados, interlocução entre o profissional da psicologia e a escola, as possíveis contribuições do atendimento psicológico realizado com a criança encaminhada com queixa escolar, o papel da escola na superação da queixa e a formação profissional para lidar com a queixa escolar. As informações ali construídas ajudaram a nortear as entrevistas com os psicólogos que posteriormente participaram da pesquisa.
Nas duas escolas públicas as entrevistas foram realizadas com as diretoras, e nas duas escolas particulares quem nos concedeu as entrevistas foram as coordenadoras, que são as responsáveis diretas pelas questões psicoeducacionais das escolas, sendo que em uma delas foram realizadas duas entrevistas: uma com a coordenadora dos anos iniciais do ensino fundamental 16 e outra com a coordenadora dos anos finais desta etapa, perfazendo um total de cinco entrevistas, como podemos ver no quadro abaixo.
6 O ensino fundamental é uma das etapas da educação básica no Brasil. Tem duração de nove anos, e divide-se,
na prática, em dois ciclos. O primeiro que corresponde aos primeiros cinco anos (chamados anos iniciais do ensino fundamental) é desenvolvido, usualmente, em classes com um único professor regente. O segundo ciclo corresponde aos anos finais, nos quais o trabalho pedagógico é desenvolvido por uma equipe de professores especialistas em diferentes disciplinas.
Quadro 1 – Profissionais entrevistadas nas escolas
Escolas/Profissionais Particular A Particular B Pública A Pública B
Diretora - - 1 1
Coordenadora 1 2 - -
Durante as entrevistas, pedimos às profissionais entrevistadas que indicassem um ou dois psicólogos a quem encaminham crianças com queixas escolares para atendimento. Nas escolas particulares, recebemos indicações de psicólogos e também de pedagogos e demais profissionais com especialização em Psicopedagogia. Assim, escolhemos uma psicóloga que atende em consultório particular, que foi indicada nas duas instituições privadas.
Nas escolas públicas, os encaminhamentos para atendimento psicológico são direcionados para uma Unidade de Atendimento Integrado (UAI)7 e um Posto de Saúde, todos próximos às escolas. Procuramos, então, o serviço de psicologia da UAI mais próxima dos bairros em que as escolas públicas estão situadas.
A escolha dos psicólogos por meio de indicação dos profissionais da educação possibilitou o contato com quem provavelmente tem lidado com este tipo de queixa e tem seu trabalho reconhecido pelas contribuições prestadas. Pretendemos, assim, identificar quais práticas de fato têm sido consideradas como válidas e sob quais perspectivas esses profissionais têm compreendido a queixa escolar. O mesmo procedimento adotado em relação à escola foi realizado com eles, desde o contato por telefone até o momento das entrevistas, que foram realizadas em seus próprios locais de trabalho.
As entrevistas semidirigidas (Apêndice B) foram gravadas em áudio, sob a anuência dos entrevistados após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Para este momento, as entrevistas foram estruturadas a partir de questões que norteiam os interesses
7 As Unidades de Atendimento Integrado, ou simplesmente UAIs, são unidades hospitalares localizadas na
cidade de Uberlândia-MG, prestando serviços de média complexidade e urgências, com oito unidades distribuídas pelas várias regiões da cidade. Com atendimento integralmente pelo SUS, são administradas pela Prefeitura de Uberlândia e pela Fundação Maçônica Manoel dos Santos.
deste estudo, contemplando as especificidades deste público. Assim, tiveram como finalidade o levantamento das principais concepções e práticas dos psicólogos clínicos que atendem crianças com queixas escolares. A entrevista abordou os seguintes temas: concepção de queixa escolar, formação profissional para trabalhar com a criança com queixa escolar, as práticas e procedimentos utilizados, interlocução com a escola, contribuições percebidas frente ao trabalho realizado8.
Na pesquisa qualitativa, a entrevista converte-se em diálogo e os participantes em sujeitos ativos que constroem suas perguntas e reflexões, constituindo um processo em que emoções, opiniões, cosmovisões e a própria subjetividade sejam elementos relevantes para o estudo. A pesquisa se torna, assim, um campo de relações, com diálogos formais e informais entre o pesquisador e o entrevistado, caracterizando-se como um momento único de reflexão sobre o tema abordado (González Rey, 2005).
Acreditamos que os diálogos estabelecidos durante as entrevistas possibilitaram aos profissionais da educação e da psicologia reflexões sobre seu trabalho, sobre as suas vivências cotidianas frente aos problemas de escolarização, bem como se constituíram como espaço de fala, de escuta, de autoconhecimento, de expressão de subjetividades e singularidades no lidar com as queixas escolares.