• No results found

A existência prévia de uma base de dados que havia sido construída também se mostrou extremamente útil e facilitadora para o processo de coleta de dados. Inicialmente, esses dados possibilitaram ter uma ideia mais clara do que estava acontecendo na indústria de bioetanol. A organização dessas evidências possibilitou averiguar: (i) o que o autor desta pesquisa já possuía de evidências; (ii) o que faltava e, consequentemente, quais evidências eram necessárias serem colhidas. As pesquisas prévias conduzidas no âmbito do grupo de pesquisa apontavam para possíveis fontes de informação.

Nessa perspectiva, para responder às questões desta pesquisa, os tipos de evidência para examinar a trajetória tecnológica, a acumulação de capacidades tecnológicas e a dinâmica dos mecanismos de aprendizagem tecnológica são (Anexo I):

Acumulação de Capacidade Tecnológica: para realizar a reconstrução da trajetória tecnológica e o processo de acumulação de capacidades tecnológicas da indústria de bioetanol entre 1975 e 2014, foram demandadas informações sobre as atividades tecnológicas desempenhadas pelas empresas produtoras e organizações em termos das características técnicas e organizacionais. De forma mais específica, para a função tecnológica feedstock, foi necessária a busca de informações sobre o plantio da matéria-prima, melhoramento genético, biotecnologia e nanotecnologia. Para a função tecnológica processos agrícolas, foi necessária a busca de informações sobre técnicas agrícolas, controle de pragas, cultivo, corte, colheita, mecanização etc. No tocante à função tecnológica processos industriais, foram utilizadas informações sobre processos, equipamentos do processo produtivo, insumos (ex.: leveduras, catalisadores etc.), métodos de fermentação e destilação, sistemas de controle, automação, modelos de simulação, certificações, desenvolvimento de novos produtos, diversificação para novos setores, desenvolvimento de novos dispositivos, novos coprodutos, melhoria de qualidade etc. Ademais, foram buscadas informações de “quando” iniciou, “por que”, “como”

foi feito, “quem” realizou. Essas informações auxiliaram na reconstrução da história de atividades tecnológicas e a dinâmica de acumulação de capacidade inovadora.

Fontes para acumulação de capacidade tecnológica (Aprendizagem Tecnológica): para examinar a relação entre os mecanismos de aprendizagem tecnológica com a acumulação de capacidade tecnológica das empresas produtoras e organizações analisadas no setor de bioetanol no período entre 1975 e 2014, foi necessária a coleta de evidências sobre as relações de troca de conhecimento tecnológico realizadas na indústria de bioetanol. De forma mais específica, foram demandadas informações sobre a natureza dos processos adotados pela organização para criação e conversão de conhecimento. Foram buscadas informações de “quando”, “por que”, “como” e “quem”. Ademais, foram utilizadas informações sobre a dinâmica de mudança do uso do mecanismo de aprendizagem. Ou seja, buscaram-se informações de como o uso dos diferentes mecanismos de aprendizagem se modificaram no decorrer do tempo. Em outras palavras, foi buscado como um mecanismo de aprendizagem foi utilizado (propósito) em diferentes momentos do processo de acumulação de capacidades tecnológicas da organização.

O estudo baseou-se, principalmente, em evidências empíricas colhidas em diferentes setores das empresas estudadas. Nessas organizações, foram acessadas as seguintes fontes primárias: técnicos, engenheiros, analistas, coordenadores, gerentes, diretores, presidentes, especialistas, consultores, pesquisadores, professores e outros profissionais (Anexo II). As fontes de dados secundárias acessadas foram: publicações técnicas, publicações de empresas, artigos científicos, publicações públicas, publicações de associações industriais e diversas, entre outros. Vale ressaltar que parte considerável desses dados secundários haviam sido coletados e organizados anteriormente pelos pesquisadores do projeto de pesquisa. As evidências foram coletadas em diferentes tipos de organização: (i) nas empresas selecionadas do setor de bioetanol e (ii) outras organizações dentro do sistema que comprovaram sua relevância para responder às questões levantadas da pesquisa (ex.: universidades, institutos de pesquisa, fornecedores etc.) (Quadro 5.5).

Para esta pesquisa, foram utilizadas cinco técnicas diferentes de coleta de evidências: (i) entrevistas; (ii) observação direta; (iii) encontros informais; e (iv) arquivos e documentação:

Quadro 5.5. Técnicas de coleta e fontes de evidências para a pesquisa Técnicas de

coleta Fontes de evidências (detalhes)

(i) Entrevistas

Empresas produtoras

Grupo Cargo Número de entrevistas

Grupo 1 (Nível estratégico)

Presidentes 3

Vice-presidentes 1

Diretores 19

Grupo 2 (Nível tático) Superintendentes Gerentes 3 7 Grupo 3 (Nível

operacional) Coordenadores Analistas 5 1

Universidades e institutos de pesquisa

Cargo Número de entrevistas

Presidentes 1 Diretores 7 Gerentes 1 Coordenadores 1 Assessores 2 Pesquisadores 5 Professores 2 Fornecedores e empresas de biotecnologia

Cargo Número de entrevistas

Diretores 2 Gerentes 1 Coordenadores 1 Assessores 1 Organizações de classe

Cargo Número de entrevistas

Presidentes 3 Diretores 2 Gerentes 2 Coordenadores 2 Engenheiros 2 Economistas 2 (ii) Observação

direta Empresas produtoras

Tipo Quantidade

Observação dos indivíduos no seu

trabalho rotineiro 3

Visitas guiadas 3

(iii) Encontros

informais Empresas produtoras Encontros não planejados e casuais com os indivíduos na empresa ou fora dela. (iv) Arquivos e documentação Empresas produtoras, institutos de pesquisa, universidades e organizações de classe

Organogramas das empresas, apresentações das organizações, registros em arquivos, arquivos técnicos, registros de treinamento,

atas de reunião, memorandos, relatórios anuais, boletins, vídeos institucionais, publicações históricas etc.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Entrevistas: as entrevistas foram apoiadas por um roteiro de entrevista. As entrevistas foram semiestruturadas de caráter aberto a fim de que o entrevistado pudesse abordar outros temas além das questões previamente inseridas no roteiro. Foram desenvolvidos diferentes roteiros, específicos pela natureza de cada grupo de entrevistados. Esses roteiros de entrevista buscaram enfocar assuntos relacionados às estratégias, às histórias e às atividades tecnológicas de acordo com a estrutura analítica da pesquisa (Anexos III e IV). Também foram buscadas junto aos

entrevistados sugestões de outros profissionais para serem entrevistados para alcançar maior detalhamento de histórias e/ou projetos específicos. As técnicas da bola de neve e cruzamento de entrevistas foram utilizadas para clarificar eventuais discrepâncias de informações. Para esta pesquisa foram realizadas 79 (setenta e nove) entrevistas. As entrevistas duraram entre 1 a 5 horas. Não foram realizadas gravações das entrevistas com o objetivo de criar um ambiente mais propício para a imersão de informações com grande profundidade. Durante as entrevistas, foram realizadas anotações das informações e dados. Posteriormente, os dados coletados nas entrevistas foram transcritos em relatórios de entrevistas como forma de preparação para a etapa de análise dos dados. Detalhes sobre os entrevistados estão expostos no Anexo II.

Observação direta no local: foram realizadas visitas a campo para observação das atividades e coleta de informações adicionais sobre as operações, tecnologias, habilidades, técnicas, dificuldades e interações realizadas pelas empresas. Isso permitiu uma compreensão mais aprofundada sobre o processo de introdução e criação de novas tecnologias, implementação e desenvolvimento de novos processos produtivos, processos de criação e disseminação de conhecimento, estratégias de interação intra e interorganizacionais etc.

Documentação: informações em arquivos e documentos haviam sido coletados e organizados anteriormente pelos esforços de pesquisadores participantes do projeto de pesquisa. Adicionalmente, foram obtidas informações relevantes em arquivos e documentos das empresas como organogramas das empresas, apresentações das organizações, registros em arquivos, arquivos técnicos, registros de treinamento, atas de reunião, memorandos, relatórios anuais, boletins, vídeos institucionais, publicações históricas etc. Também foram utilizadas informações coletadas com outras organizações, como universidades, institutos de pesquisa, associações de classe, fornecedores e clientes. Por fim, também foram utilizadas outras fontes de informação, como artigos acadêmicos, publicações governamentais, revistas especializadas das áreas etc. Para coletar informações sobre os mecanismos de aprendizagem tecnológica, foram pesquisados dados sobre registros de treinamentos, relatórios de visitas técnicas, entre outros.