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5   Tvungent psykisk helsevern ovenfor personer med alvorlige spiseforstyrrelser

5.3   Alvorlig sinnslidelse

Para ent ender a formação dos grupos é necessário compreender como eles surgem já que frequentement e mudam a cada eleição. Porém, ant es é import ant e salient ar que grupos políticos não são sinônimos de part idos polít icos: “ (...) grupo polít ico [não t em] (...) nenhum código ou regulament ação sobre sua composição, at ividade e t ambém sobre seus component es” (CAM ARGO, 2012, p. 105). Diant e disto, um grupo pode ser descrit o como um colet ivo de pessoas unidas por um mesmo objet ivo, no caso, o de defender, fort alecer e eleger um det erminado indivíduo dent ro dele. Todo grupo t em um líder, e est e normalmente é o candidato a prefeit o, isso porque comument e é o líder quem inicia a formação do grupo em torno do convenciment o dos out ros sujeitos a apoiarem o lançamento de seu nome como candidato ao cargo de prefeit o. No caso de M auro, além de ser o líder de seu grupo e pré-candidato a prefeit o, ele t ambém era president e do part ido no qual estava filiado. É válido ressalt ar que cada grupo político t em a sua part icularidade e é sobre ela que vamos discutir nas próximas páginas, sendo que o foco, é claro, será a formação do grupo de M auro.

O grupo de M auro est ava em formação desde o fim das eleições suplement ares de 2013, nas quais o mesmo disput ou as eleições pelo PT. De acordo com Art hur, ex- filiado do PT no município e amigo de M auro, o PT na região em que a pesquisa se desenvolveu sempre foi pret erido em comparação com as campanhas do part ido na

região do grande ABC e em out ros municípios indust rializados/ sindicalizados. As invest idas do part ido no município e na região eram sempre despret ensiosas, e a única campanha que recebeu invest iment o e at enção da inst ância est adual do PT foi para eleição suplement ar de 2013, ocasião em que M auro foi o candidat o. Naquele ano, o PT est adual e o deput ado est adual Vicent e Silva auxiliaram com recursos financeiros e com o envio de milit ant es de uma out ra região do est ado para fazer a campanha de M auro. M as, segundo Arthur, isso apenas ocorreu, pois em nenhum out ro município do est ado est avam ocorrendo eleições naquele moment o, o que possibilitou o deslocament o de part e da milit ância para a campanha em M ont e Verde Paulist a. Por cont a do andamento da Operação Lava Jat o, o impedimento polít ico da president a eleit a Dilma Rousseff, a falt a de invest idas do PT na região e desavenças dent ro do próprio part ido a part ir de acusações de que ele, como president e do part ido, tomou decisões unilat erais consideradas equivocadas por part e dos filiados, ao escolher apoiar o nome do t ucano Dr. M oisés nas eleições de 2012, que M auro decidiu desfiliar-se e procurar out ro partido para concorrer em 2016. Ainda em 2015, em conversa com Eduardo Augusto, vereador de uma cidade da Grande São Paulo, M auro decidiu filiar-se ao PROS, partido no qual o vereador pret endia filiar-se t ambém. Na época de sua filiação, M auro t inha pouco t empo para convencer aliados a junt ar-se a ele no PROS, part ido que M auro passou a t er a responsabilidade de formar no município com ajuda de Eduardo Augusto. Porém, com a mudança na legislação eleit oral por meio da Lei nº 13.165/ 2015, chamada de “ minirreforma política” , foi possível, segundo ele, t rabalhar melhor na formação do PROS no município e do seu grupo polít ico, pois o t empo de filiação exigida passou de um ano para seis meses.

Para conquist ar o apoio de que precisava para tornar sua candidat ura viável, a seu favor, M auro tinha na bagagem uma candidat ura a prefeit o na qual conquistou quase 1/ 3 dos votos válidos. At é essa eleição suplement ar de 2013, o melhor result ado eleit oral do PT no município havia ocorrido em 2004, quando o part ido se aliou ao PM DB de Ederson e lançou Tininho a vice-prefeit o. Já nas últ imas eleições em que o PT lançou candidatura própria para prefeit o, o part ido nunca conquist ou mais de 2% dos vot os válidos.

Em uma t ent ativa de fort alecer seu grupo, M auro procurou apoio do vereador Albert o e do at é ent ão atual vice-prefeit o Giovanni em meados de 2016, propondo uma aliança de oposição às candidat uras dadas como cert as do at é ent ão atual prefeit o Antônio (PV) e de Sofia Fernandes (PM DB). Alguns meses depois, já no início de 2017, o chamado grupão unia cerca de 14 partidos, com quat ro pré-candidat os desses part idos compondo o grupo: Thiago Viana, Albert o, Giovanni e M auro. Esse apoio inicial não definia qual dos quat ro seria o candidato da aliança ent re eles, e a princípio cada um faria seu t rabalho de base buscando fort alecer seu próprio nome como candidato da maneira que achasse relevant e. Em uma conversa que t ive com M auro, Albert o e Giovanni, soube que a ideia do grupão era lançar apenas um dos quat ro pré-candidatos sent ados à mesa de discussões, fazendo com que fossem regist rados apenas t rês nomes para a disput a eleit oral, o que fort aleceria a oposição que por sua vez est aria represent ada em apenas 2 candidaturas (Sofia e mais um nome), isso porque sabe-se no meio polít ico do meu campo que quanto mais candidat uras de oposição mais benéfico é para a atual gest ão, haja vist o que os vot os em oposição à reeleição de Antônio se dividiria em mais nomes.

Dos 14 partidos definidos na mesa de discussões do grupão em março do ano eleit oral, M auro comandava e tinha o apoio de pelo menos 4 deles (PHS, PM B, PDT e PCdoB), além é claro do PROS. Est e, port anto, era o seu grupo político de apoio à sua candidatura. Como já falado ant eriorment e, apenas um mês depois de minha chegada em campo, M auro perderia o PM B para o grupo de Sofia. Já em meados de abril, o grupo em apoio a M auro passava a cont ar com PROS, PSOL, PDT, PT, PSDB, PCdoB e PHS. Em São Paulo, Eduardo Augusto t inha conquist ado o comando do PDT, do PHS e do PCdoB que passaram a ser presididos no município por pessoas de sua confiança. Já os part idos PSDB, PSOL e PT foram conquist ados por meio dos esforços e est rat égias de M auro.

M auro sempre dest acava que t inha o grupo com o maior número de part idos o apoiando e que, port anto, tinha o grupo mais fort e. No ent anto, a definição de grupo fort e est ava em disput a, uma vez que nas oportunidades que tive de conversar com os demais pré-candidatos do grupão, cada qual dava uma definição dist int a sobre a força de um grupo. Para o vereador Albert o, por exemplo, valia mais o apoio e suport e de polít icos est aduais e federais do que o número absolut o de part idos que o grupo podia dispor. Essa fala de Albert o foi dada a mim quando o quest ionei sobre o fato de t er apenas o seu próprio partido, o Dem, o apoiando. Na mesma sit uação que Albert o, est ava o at é ent ão atual vice-prefeit o Giovanni que t ambém cont ava com apenas o apoio do PR, seu part ido. Apesar de t erem o apoio apenas de seus partidos, M auro dest aca a import ância que cada um t inha na formação do grupão. Giovanni era carismát ico e querido por part e das classes C e D, além de t er em seu part ido filiados com grande pot encial de votos legislat ivos. Já por out ro lado, apesar de falt ar carisma e apoio das classes C e D ao nome de Albert o, ele era um polít ico com vast o conheciment o

jurídico/ eleit oral e tinha como apoio profissionais liberais e das classes A e B do município.

Além da pré-candidatura de Albert o, Giovanni e M auro, no grupão havia o nome de Thiago Viana, herdeiro político de seu tio Benedit o (mais conhecido como Dito), ex- prefeit o do município. A família Viana part icipa das eleições do município há 30 anos inint errupt ament e, e segundo Thiago Viana, nesse período, um bisavô, um avô e dois t ios seus foram prefeit os. Thiago Viana é recém-formado em direit o e t em um escrit ório no centro da cidade, onde advoga há pouco mais de um ano. Thiago morou por alguns anos na cidade na qual est udou direit o, e t rabalhou em uma gest ão de um governo do PT. Durant e meu campo, ouvi muit a cont rovérsia em relação à influência da família Viana na polít ica local. Para o grupo que apoiava Thiago Viana como candidato, havia a defesa de que ele era o herdeiro polít ico de Dit o, o mais import ant e polít ico da hist ória recent e do município. Por out ro lado, os que crit icavam a escolha de Thiago como herdeiro polít ico ressalt avam a sua falt a de precocidade polít ica (CANÊDO, 2002), isto é, Thiago nunca havia demonst rado int eresse na carreira polít ica. Essa crít ica veio inclusive de Cássio, braço direit o de Dit o nas últ imas t rês eleições, que abandonaria o grupo após a decisão de lançar Thiago como pré-candidat o majorit ário.

M as como a bibliografia da hist oriadora da política já nos most rou (CANÊDO, 2002), a heredit ariedade política pode ser dada por adoção e não necessariament e envolver o sangue. É nest e aspect o que Sofia Fernandes buscava apoio. Apesar de ser forast eira, ist o é, não t er nascido na cidade, Sofia construiu uma vida pública em pouco t empo vivendo no município. Logo quando chegou em M ont e Verde Paulist a com o at é ent ão marido, Dr. M oisés, passou a t rabalhar como advogada particular do at é ent ão

prefeit o Dito, além de ser procuradora municipal no seu segundo mandato. Como primeira-dama, após o marido ser eleit o em 2008, participava ativament e do fundo social, além de frequent ement e fazer aparições em event os públicos do município. Segundo uma amiga pessoal de Sofia, o int eresse pela vida pública era muito maior por part e dela do que de seu ex-marido, Dr. M oisés. Após o fim do casament o, transferiu-se para São Paulo para t rabalhar no gabinet e de um deput ado est adual.

Apesar de observar que M auro buscava sempre somar ao seu grupo mais part idos, algumas somas part idárias represent aram muit o mais uma subt ração, e em cont rapart ida, algumas subt rações foram compreendidas como soma. Por exemplo, M auro esperava aument ar o número de int eressados em apoiá-lo depois que passasse a fazer part e do chamado grupão. Porém, na avaliação de grande part e dos colaboradores-eleit ores com os quais eu conversei, t al atitude prejudicou a imagem de M auro, que passou de ser uma alt ernativa frent e aos polít icos de cart eirinha para ser considerado como apenas mais um.

Out ra sit uação que arranhou a imagem de M auro foi a sua aproximação mais intensa com filiados e políticos do PSDB. De acordo com Ana, sogra de M auro, o deput ado federal tucano da região Gust avo M oura, queria que M auro se desfiliasse do PROS at é o dia 2 de abril, para que M auro fosse o candidat o do PSDB no município. M auro ouviu de filiados e polít icos tucanos que t eria uma est rut ura fort alecida, uma cent ena de filiados e, principalment e, est aria em um part ido já conhecido pelos eleit ores. M auro se int eressou pelo convit e já que seria apoiado por um grupo pront o. Essa opção foi lançada em vot ação ent re os filiados municipais t ucanos, no ent anto, a maioria recusou a ideia por acredit ar que t al medida causaria est ranheza no eleit orado

por cont a de toda a hist ória de M auro no PT. M as o part ido decidiu apoiá-lo, abdicando de uma candidat ura própria e formando uma coligação majorit ária ent re PROS-PSDB (com os tucanos indicando o nome do vice-prefeit o que seria escolhido post eriorment e ent re os filiados). Apesar dessa aparent e boa composição PROS-PSDB, ainda exist ia uma ala psdbist a que t ent ou desfazer o acordo e apoiar a candidatura de Sofia Fernandes, t ambém indicando um candidato a vice-prefeit o. O nome natural para essa pequena ala era o president e da Câmara, o tucano Valt er.

A vinda oficial do PSDB para o grupo de M auro em maio gerou uma quest ão bast ant e delicada de ser t rat ada, uma vez que a aproximação de M auro ao PSDB poderia afast á-lo de partidos recém conquist ados para o seu grupo, como era o caso do PT e PSOL, além do PCdoB. A fim de avaliar se t al situação ficaria insust ent ável, M auro est udou as resoluções desses t rês part idos, e viu que o PCdoB não tinha resolução cont rária a part idos de direit a. Port ant o, com relação ao PCdoB não ocorreu nenhuma insurgência. O PT em uma linha parecida não excluiria nenhum partido, mas dest acava que se deveria evit ar alianças com as forças cont rárias às lut as pet ist as. Já a resolução do PSOL deixava explícito que não aceit aria coligações com part idos como DEM , PPS e PSDB, e orient ava que os filiados dessem apoio para candidatos do próprio part ido ou àqueles que pelo menos est ivessem alinhados ao projet o do PSOL. M auro int erpret ou que a resolução do PSOL era cont ra o apoio do part ido ao cabeça de chapa, e que, port anto, não haveria problemas com o PROS. Em conversas com alguns represent ant es do PSOL est adual, M auro e Bernardo Alves, president e do PSOL, dest acavam que t ent ariam se apoiar no que fosse preciso para buscar brechas que permit issem as alianças. No ent anto, dias ant es da convenção ocorrer, Bernardo Alves que t ambém era

pré-candidato a vereador recebeu uma notificação do part ido est adual proibindo sua aliança com grupo de M auro. Segundo o PSOL em not a oficial lançada em 26 de set embro de 2016, em 101 municípios o part ido est ava coligado com PSDB, DEM , PM DB, PR, PRB, PTB, PSD, PPS, PSC, SD e PP, o que havia sido proibido pelo Diret ório Nacional da legenda em convenção realizada nos dias 29 e 30 de julho. Por esse mot ivo, a direção nacional do PSOL notificou juízes eleit orais dessas localidades para desfazer as coligações. Com essa not a do PSOL est adual, Bernardo Alves não pôde concorrer a vaga que pleit eava e nem fazer part e de nenhuma das coligações que se desenhavam naquele momento.

Apesar de t emer ret aliações e proibições do part ido est adual e local, no município M auro conseguiu mant er o apoio do PT, mesmo recebendo críticas de pet ist as locais desgost osos com a aliança do PT com seu ex-filiado. M auro conseguiu mant er o apoio da sigla do PT por meio da est rat égia de mant er amigos e familiares na diret oria do part ido. No ent ant o, como é possível not ar, este apoio era muito mais da sigla do que dos filiados, já que ele desagradava a maioria dos pet ist as. Os filiados ao PT se dividiam em três grupos que defendiam alianças com três pré-candidat os dist intos: M auro (PROS), Sofia (PM DB) e Thiago (PSD). Quem defendia a opção de apoiar M auro no PROS era Breno, president e do PT (elegeu-se na chapa de M auro como vice-president e) e os membros de sua família que permaneceram filiados ao part ido. Já Sebast ião e sua família preferiam apoiar Sofia do PM DB, sendo que essa opção estava correlacionada ao apoio que o ex-prefeit o Ederson havia declarado à Sofia. Sebast ião e sua família t rabalharam para Ederson t ant o na prefeit ura quanto na casa do ex-prefeit o. E por fim Helena, Guilherme e mais alguns filiados, tinham como preferência apoiar Thiago do

PSD. Essa opção vem sendo a mesma nos últimos anos. Eles apoiaram Júlia nas duas oportunidades em que ela se candidat ou, muit o embora oficialment e o partido t enha apoiado out ros nomes. A opção pela família de Dito vem sendo impulsionada pelos posicionamentos do PT, que recusam veem ent em ent e alianças com o Dem e o PSDB, e agora mais recent ement e por cont a da quebra da aliança com o PM DB. E havia também, é claro, aqueles que não defendiam nenhuma pré-candidatura, como era o caso de Art hur, que apesar de se considerar amigo de M auro, se dizia ínt egro e fiel a causa socialist a e que, port anto, não poderia apoiar nenhum dos pré-candidat os, já que não represent avam o que acredit ava.

Quando fiquei sabendo de todo esse imbróglio me pergunt ava qual era a relevância de se t er o apoio apenas da sigla e não de seus filiados unidos. Foram apresent adas a mim duas respostas para essa pergunt a: A primeira respost a que foi dada a mim por M auro é que na polít ica não se perde apenas um partido, mas dá-se ao rival a chance de t ê-lo. O PT era visado t anto pelo grupo de Sofia como pelo grupo de Antônio. Port anto, abrir mão do partido era correr o risco de cedê-lo aos concorrent es, o que nos leva à segunda respost a que diz respeit o ao t empo de rádio e TV. Quanto mais part idos coligados, mais t empo de propaganda no rádio (meio de comunicação considerado fundament al para a campanha polít ica).

Em resumo, para ser considerado um grupo fort e, para além do número de part idos que o compõe, é necessário que os partidos t enham um número de filiados que sejam pot enciais candidat os, como era o caso do já cit ado part ido do at é ent ão vice- prefeit o Giovanni, dent re out ros at ributos fundament ais que serão apresent ados no

Capítulo 3. Na próxima seção apresent arei os part idos que participaram das eleições de 2016 e em quais part idos cada político local est ava filiado.