• No results found

Alternative turnusordninger i pleie- og omsorgssektoren

autor greco-romano é considerado o funda- dor da Farmacognosia (fitoterapia e opotera- pia) através da sua obra De materia medica, a principal fonte de informação sobre drogas medicinais desde o século I até ao século XVIII. Dioscórides nasceu em Anazarbo, próximo de Tarsos, na atual Turquia. Teria estudado Medicina em Tarsos e em Alexandria, acom- panhou as legiões romanas, provavelmente como mé- dico, na Ásia Menor, em Itália, Grécia, Gália e Penín- sula Ibérica, no tempo do imperador Nero. Escreveu em grego a De materia medica, nome pelo qual a sua obra ficou conhecida na tradução latina.

A obra é dividida em cinco livros. Nela se descre- vem plantas, fármacos de origem animal e de origem mineral, dos quais só cerca de 130 já aparecia no Cor-

pus hippocraticum e 100 ainda são considerados como

tendo atividade farmacológica. A sua influência foi enorme até ao século XVIII, existindo inúmeras tra- duções do grego para um grande número de línguas.

A obra de Dioscórides é essencialmente de caráter empírico, não seguindo nenhum sistema médico em particular. Apesar disso, ele procurou desenvolver um método para observar e classificar os fármacos, testando-os clinicamente. A historiografia estabele- ceu que Plínio, o antigo (1989) e Dioscórides desco- nheciam os trabalhos um do outro, sendo algumas semelhanças entre as obras dos dois autores origina- das pelo fato de terem utilizado as mesmas fontes, a

De materia medica de Sextius Niger e De compositione medicamentorum de Scribonuius Largus.

Durante o Renascimento, a obra foi objeto de um renovado interesse e de estudos por vários autores. A versão latina foi impressa em 1478 e em 1512. A pri- meira edição em grego foi impressa em 1499. A partir de 1516, este autor foi objeto de um grande número de edições, traduções e comentários, de Ermolao Barba- ro (1454-1493), Jean de Ruelle (1474-1537), Pier Andrea Mattioli (1501-1577) e Amato Lusitano (1511-1568). A principal edição ibérica de Dioscórides foi a de Andrés

Laguna (1511-1559), feita a partir da de Jean de Ruelle, intitulada “Pedacio Dioscorides... Materia medicinal” (An- tuérpia, 1555).

A obra de Dioscórides foi impresso em 1478 (por P. d’Abano) e em 1512, seguindo um versão alfabética medieval. A sua primeira edição em grego foi impres- sa em 1499 (por H. Roscius). A partir de 1516, este autor foi objeto de um grande número de edições, traduções e comentários. O veneziano Ermolao Barbaro (1454- 1493), professor de filosofia em Pádua, embaixador e Patriarca de Aquileia, foi o autor da edição póstuma do Dioscorides... medicinali materia (Veneza, 1516), traduzida do grego para o latim. Jean de Ruelle (1474- 1537), professor da Faculdade de Medicina de Paris, também foi o autor de influentes edições latinas de Scribonius Largus e Dioscórides (Paris, 1516). O mais destacado tradutor e comentador de Dioscórides foi o médico Pier Andrea Mattioli (1501-1577). Neste movi- mento também participou o médico português Ama- to Lusitano. De seu nome João Rodrigues de Castelo Branco (1511-1568), dedicou grande atenção ao estudo da Matéria médica de Dioscórides, em obras como o “Index Dioscoridis” (1536) e “In Dioscoridis ... Materia Medica... enarrationes” (1553). As correções feitas por Amato a algumas traduções feitas por Mattioli, leva- ram a uma violenta reação deste, acompanhada da denúncia das origens judaicas de Amato, que obriga- ram o português a exilar-se de Ragusa (Ancona) para Salónica. A principal edição ibérica de Dioscórides foi a de Andrés Laguna (1511-1559), feita a partir da de Jean de Ruelle, intitulada Pedacio Dioscorides... Mate- ria medicinal (publicada em Antuérpia, 1555).

Andrés de Laguna (1499-1559) médico e autor re- nascentista judeu-espanhol nascido em Peñalosa, Se- góvia, célebre humanista renascentista. Laguna pode ser considerado como exemplo do homo universalis do Renascimento. A mais célebre das suas obras foi a tradução para o espanhol, com interessantes comen- tários e aditamentos que duplicou o texto original da Matéria Médica de Dioscórides. Laguna comprovou

todas as prescrições e acrescentou suas próprias ob- servações, opiniões e experiências como botânico e farmacólogo que havia experimentado com ervas e animais coletadas em numerosas regiões da Europa e nas costas mediterrâneas. A edição traz belíssimas xilogravuras de plantas e animais (LAGUNA, 1570).

A zooterapia popular brasileira baseada nas prá- ticas e saberes populares, integra um sistema médi- co complexo no qual estão incluídas práticas popu- lares de saúde, simpatias e profilaxias mágicas. Os conhecimentos e práticas zooterápicas geralmente são transmitidos de geração a geração por tradição oral e estão associados com a cultura da qual fa- zem parte. O uso de substâncias animais deve ser compreendido segundo uma perspectiva cultural, uma vez que os sistemas médicos são organizados enquanto sistemas culturais (COSTA-NETO; ALVES,

2010). Nesta perspectiva, a transmissão e reprodu- ção destes conhecimentos e práticas zooterápicas é permeada por aspectos histórico-culturais da medi- cina e da zoologia.

É objetivo do presente trabalho uma comparação teórica entre a matéria médica animal de Discórides e a zooterapia popular brasileira.

O presente trabalho foi feito através de uma re- visão de literatura em autores clássicos de matéria médica animal e recentes trabalhos publicados so- bre zooterapia popular brasileira.

Os animais medicinais de Dioscórides

Discórides (1570; 2000) cita um total de 81 animais como recursos terapêuticos ou cosméticos, sendo 25 mamíferos, 13 peixes, 11 aves, 9 répteis e anfíbios, 10 artrópodos, 9 moluscos e 4 outros invertebrados. Quadro 1: Mamíferos medicinais citados por Dioscórides (1570; 2000).

Animais, órgãos e produtos

Provável

identificação Indicações terapêuticas

1 Homem (leite de mulher, sangue mênstruo, fezes, urina, sola de sapatos velhos).

Homo sapiens L., 1758; Primates; Hominidae.

O leite de mulher é muito doce e alimenta mais que os outros; mamado das tetas é muito útil nos problemas estomacais e na tísica; misturado com pó de incenso e pingado nos olhos que sofreram de hemorragia; misturados com mecônio e ceroto é útil contra a gota. Sangue menstrual de mulher untado no ventre torna-as estéreis; o mesmo aplicado alivia as dores da gota e do mal de Santo Antônio. As fezes do homem, frescas aplicadas como cataplasma impede a inflamação e fecham as feridas abertas; seco e misturado com mel é muito útil contra amigdalites.

A própria urina de homem bebida é um antídoto contra picadas de víbora, contra os venenos mortíferos e contra o início da hidropsia. Aplicada com panos quentes na fomentação contra a picada de ouriços, escorpiões e dragões marinhos. Beber a urina de adolescentes imberbes é útil aos asmáticos. Cozida com mel em vaso de cobre limpa as cicatrizes de feridas, as manchas da visão, serve para soldar os ossos quebrados. A urina friccionada sobre a pele alivia a erisipela e o fogo de Santo Antonio. As cinzas das solas de sapatos velhos queimadas curam queimaduras e feridas dos pés causadas por sapatos. 2 Elefante

(marfim, gordura)

Loxodonta sp.; Proboscidea; Elephantidae

A raspagem do marfim quando aplicada cura o panariço das unhas. Tem propriedade adstringente.

A gordura friccionada no corpo afugenta cobras. 3 Hipopótamo (testículos) Hippopotamus amphibius L., 1758: Artiodactyla; Hippopotamidae.

Os testículos secos e moídos servem contra picadas de serpentes.

4 Porco (pulmões, osso astrágalo do pé, fel) Sus scrofa domesticus L., 1758; Artiodactyla; Suidae.

Os pulmões aplicados nos pés impedem a inflamação provocada por sapatos apertados. O osso astrágalo queimado até ficar branco, moído e bebido cura as ventosidades do intestino colo e torções do ventre. O fel cura as chagas dos ouvidos.

5 Javali (urina)

Sus scrofa L., 1758; Artiodactyla;

Suidae. A urina bebida quebra e faz expelir as pedras da bexiga. 6 Ovelha (pulmões, manteiga, lã, lanolina, gordura, tutano, fezes) Ovis aries L., 1758; Artiodactyla; Bovidae.

Os pulmões aplicados nos pés impedem a inflamação provocada por sapatos apertados. O leite é grosso, doce e muito gordo e para o estômago é menos útil. A boa manteiga relaxa o ventre, é útil contra os venenos mortíferos. Misturada com mel e aplicada ajuda a nascerem os dentes das crianças, impede a coceira e mitiga as chagas da boca; aplicada em forma de ungüento, dispõe o corpo para receber melhor o alimento e preserva-o do aparecimento de pústulas na pele. A manteiga fresca e livre de mau cheiro é um eficaz remédio contra a inflamação do útero; pode ser usada em clisteres contra a disenteria

Animais, órgãos e produtos

Provável

identificação Indicações terapêuticas

(continuação...) e contra as chagas do colo do intestino; mesclada com outros remédios matura os tumores e principalmente nas feridas dos nervos e no colo da bexiga; mundifica as chagas, engendra carne e aplicada como emplastro socorre aos picados por cobra. Sua fuligem é boa para os olhos. A lã banhada em vinagre, azeite ou vinho é útil na cura de feridas recentes. A lanolina cura as chagas do ânus e das partes internas das mulheres, misturada com manteiga; aplicada no útero com lã provoca a menstruação e o parto; cura as chagas dos ouvidos e membro genital, se aplicada com gordura de ganso. É um remédio eficaz contra a corrosão e sarna das glândulas lacrimais, contra os calos das pálpebras; sua cinza é um remédio para os olhos.

Coalho é bom tomado com vinho serve como antídoto contra acônito e desfazem a coagulação do leite no ventre, se usados com vinagre. A gordura é usada para os transtornos do ventre e do períneo e queimados pelo fogo; conservada em sal aquece e acalma. O tutano abranda, esquenta e abre os poros e limpam as chagas do corpo. As fezes misturadas com vinagre e aplicadas na forma de emplastro curam as pústulas e verrugas; misturadas com cera ou azeite rosado são úteis no tratamento das queimaduras.

7 Cabra (leite, manteiga, coalho, gordura, fel, sangue, urina, cascos)

Capra aegagrus hircus L., 1758; Artiodactyla; Bovidae

O leite relaxa menos o ventre por causa do pasto que come. A manteiga relaxa o ventre, é útil contra os venenos mortíferos. Misturada com mel e aplicada ajuda a nascerem os dentes das crianças, impede a coceira e mitiga as chagas da boca; aplicada em forma de ungüento, dispõe o corpo para receber melhor o alimento e preserva-o do aparecimento de pústulas na pele. A manteiga fresca e livre de mau cheiro é um eficaz remédio contra a inflamação do útero; pode ser usada em clisteres contra a disenteria e contra as chagas do colo do intestino; mesclada com outros remédios matura os tumores e principalmente nas feridas dos nervos e no colo da bexiga; mundifica as chagas, engendra carne e aplicada como emplastro socorre aos picados por cobra. Sua fuligem é boa para os olhos. Coalho tomado com vinho serve como antídoto contra acônito e desfazem a coagulação do leite no ventre, se usados com vinagre. A gordura

de cabra é a mais adstringente, se fervida com polenta e queijo é usada contra a disenteria. O caldo bebido desta gordura é bom para tuberculosos, é tido como um eficaz antídoto para aqueles que beberam água contaminada e tem aplicação contra a gota. O fel extirpa carnosidades e protuberâncias da lepra. O sangue é útil misturado com antídotos. Sangue frito numa panela e comido cura os fluxos disentéricos e estomacais. Bebidos com vinho cura as intoxicações venenosas. O esterco, tomado com vinho cura a icterícia; bebido com algum aromático induzem o fluxo menstrual e é abortivo; quando secas e pulverizadas e misturadas com incenso e um pouco de lã faz parar o fluxo sanguíneo das mulheres e todas as outras efusões sanguíneas quando aplicadas com vinagre; se depois de queimadas e desfeitas em vinagre, ou em oximel, se aplica em forma de ungüento na cabeça faz renascer os cabelos perdidos; aplicados com sebo ajudam a aliviar as dores da gota; cozidas com vinagre, ou com vinho, pode ser aplicado nas picadas de serpentes, contra chagas que aumentam e contra o fogo de Santo Antonio1, contra as feridas que nascem por trás das orelhas; com elas se faz um cautério muito útil contra ciática. Urina de cabra bebida a cada dia com um pouco de nardo cura a hidropsia, purgando toda a água do ventre; instilada nos ouvidos cura sua dor. As cinzas dos cascos aplicadas na pele com vinagre cura alopécia (redução dos cabelos).

8 Cabra selvagem (coalho, fel)

Capra ibex L., 1758; Artiodactyla; Bovidae.

O coalho tomado com vinho serve como antídoto contra acônito e desfazem a coagulação do leite no ventre, se usados com vinagre. Tem-se por muito eficaz o fel das cabras selvagens, que são úteis no tratamento das cataratas, obscuridades da vista, nuvens que se criam nos olhos e asperezas que deformam as pálpebras. O fel quando instilada nos olhos cura a cegueira noturna. O esterco tomado com vinho cura a icterícia.

9 Veado (chifres, coalho, tutano) Cervus elaphus L., 1758; Artiodactyla; Cervidae.

As cinzas queimadas do chifre, lavadas e tomadas numa bebida em duas colheres com goma de tragacanto, servem para curar as disenterias, sangue do peito, icterícia e distúrbios da bexiga, tomadas com alcatira. Também é bom para mulheres incomodadas com excessiva descarga menstrual, dado com algum líquido adequado. É bom para descargas e úlceras dos olhos e esfregar sobre os dentes para limpá-los. Se queimado

(Footnotes)

1 Fogo de Santo Antônio ou ergotismo é uma intoxicação causada pela ingestão de produtos contaminados pelo esporão-do-centeio (Claviceps purpurea), um fungo contaminante comum do centeio e outros cereais. Os sintomas de ergotismo se caracterizam por depressão e confusão mental, hipertensão, bradicardia, vasoespasmos (com perda de consciência e cefaleia), cianose periférica (mãos e pés pálidos) com claudicação, podendo ainda levar ao coma e morte.

Animais, órgãos e produtos

Provável

identificação Indicações terapêuticas

(continuação...) afugenta cobras com o cheiro. Cozido com vinagre e usado como um enxaguatório bucal alivia a dor do nascimento dos dentes. O coalho é bom tomado com vinho e serve como antídoto contra acônito e desfaz a coagulação do leite no ventre, se usado com vinagre; o coalho do cervo aplicado no terceiro dia após a menstruação dificulta a concepção. O tutano dos ossos friccionado no corpo afasta criaturas peçonhentas.

10 Boi (leite de vaca, queijo, gordura, fel, sangue, fezes, urina)

Bos taurus L., 1758: Artiodactyla; Bovidae

Todo tipo de leite comumente produz bons humores e mantém o corpo e abranda o ventre, ainda que produza ventosidades. O leite que se ordenha na primavera é mais aguado que no verão. O leite originário da alimentação dos pastos verdes mais abranda o ventre. O bom leite é branco e de igual consistência. O leite de vaca relaxa mais eficazmente o ventre. Todo leite cozido restringe a barriga e, principalmente com algumas pedras , quentes jogada dentro para que perca água, assim é útil para todas as feridas internas e, especialmente, os da garganta, pulmões , intestinos, rins e bexiga. Leite fresco com mel cru, água e uma pitada de sal é usado contra o prurido e pústulas da pele. Todo leite é prejudicial aos enfermos do baço, do fígado e aos sujeitos à epilepsia; às tonturas, fraqueza nervosa, aos febris e que sofram de dor de cabeça. O queijo fresco e comido sem sal alimenta e é conveniente ao estômago, distribui-se facilmente pelo corpo e branda o ventre. Cozido em água, espremido e assado pode ser aplicado como emplastro para restringir o ventre, contra as inflamações e carnosidades dos olhos. O queijo recém salgado não é muito nutritivo, diminui a carne, ofende ao estômago, é pesado no ventre e aos membros; o queijo mais velho restringe o ventre; o soro que destila é excelente nutrição para os cães. Todo tipo de gordura é indicado para o aquecimento, amolecimento, purificação e para abrir os poros, ainda que a gordura de touros, vacas e bezerros sejam um pouco adstringentes. O fel misturado com mel é usado contra amigdalites e cura algumas chagas do ânus, cura também a inflamação dos ouvidos; instilado com leite de mulher ou de cabra ou com sumo de alho-poró cura os ruídos nos ouvidos; é usado como emplastro local para evitar inflamações; é bom misturado com mel pode ser espalhado em úlceras erosivas, dores no órgão genital e dos testículos. É um excelente limpador das feridas da lepra quando misturado com salitre. O sangue aplicado com polenta de milho amacia as durezas da pele. O estrume fresco aplicado como emplastro diminui a inflamação das feridas recentes e as dores ciáticas. Porém deve ser envolto em folhas e aquecido em cinza quente. Misturado com vinagre e aplicado na forma de emplastro dissolve a dureza dos tumores e inflamação dos ossos, usadas como defumador, restauram o útero caído e também afasta os mosquitos. A urina instilada com mirra modera a dor de ouvido.

11 Boi selvagem (coalho)

Bison bonasus L., 1758; Artiodactyla; Bovidae.

Coalho de bois selvagens, se tomados com vinho servem como antídoto contra acônito e desfazem a coagulação do leite no ventre, se usados com vinagre.

12 Jumento (leite, fezes, urina, fígado, cascos)

Equus asinus L., 1758; Perissodactyla; Equidae.

O leite relaxa mais eficazmente o ventre. As fezes cruas ou queimadas, desfeitas em vinagre, se aplicam para parar as hemorragias; e as daqueles que pastam as ervas dos prados se bebem com vinho contra a picada de escorpião. A urina bebida cura a inflamação renal. O fígado assado e comido em jejum é útil aos epilépticos. As cinzas do casco em líquido por duas colheradas por dia são saudáveis nos ataques de epilepsia; a cinza misturada com azeite é usada contra as manchas na pele; misturadas com vinagre cura também as frieiras e suores dos pés.

13 Cavalo (esparavão, leite, queijo, fezes) Equus caballus L., 1758; Perissodactyla; Equidae.

Os calos endurecidos do casco moídos e bebidos no vinagre curam a epilepsia. O leite relaxa mais eficazmente o ventre. O queijo de cavalo tem péssimo odor, todavia é muito nutritivo. As fezes, cruas ou queimadas, desfeitas em vinagre, se aplicam para parar as hemorragias; e as daqueles que pastam as ervas dos prados se bebem com vinho contra a picada de escorpião. 14 Furão (carne, tripas, cinzas) Mustela putorius L., 1758 Carnivora; Mustellidae

Sua carne torrada e salgada, secada à sombra, o pó colocado no vinho para beber é um eficaz remédio contra a picada de todas as serpentes e também contra a intoxicação; suas tripas secas e moídas são usadas contra picadas e epilepsia; as cinzas do seu corpo queimadas são aplicadas com vinagre contra a gota; seu sangue também é usado contra a epilepsia.

Animais, órgãos e produtos

Provável

identificação Indicações terapêuticas 15 Urso

(pulmões, gordura, fel (bile)

Ursus sp.; Carnivora; Ursidae;

Os pulmões aplicados nos pés impedem a inflamação provocada por sapatos apertados. A gordura é usada para fazer o cabelo crescer novamente, é bom contra frieiras. O fel tomado como lambedor serve para evitar a epilepsia.

16 Cão (leite, sangue, fezes, urina, fígado, dentes)

Canis lupus familiaris L., 1758; Carnivora; Canidae

O leite da cadela parida do primeiro parto faz cair os pelos quando a área é untada com ele; se bebido é um remédio contra venenos mortíferos e abortivo. O sangue tomado com uma bebida, cura a mordida de cão raivoso e os que ingeriram venenos. As fezes colhidas em dias quentes, bebidas com água ou vinho é um adstringente intestinal. A urina deve ser banhada nos locais das mordeduras de cães raivosos; se misturadas com potássio limpa a lepra e o prurido; sendo velha tem maior eficácia nas erupções escamosas do couro cabeludo, na caspa, na psoríase; reprime as ulcerações gangrenosas do pênis; fervida com casca de romã e instilada nos ouvidos cura sua inflamação e mata os vermes que ali tem origem. O fígado de cão raivoso assado e comido previne contra a hidrofobia, seus dentes em uma bolsa atada no pulso também previnem a doença.

17 Foca (coalho) Phoca vitulina (L., 1758); Carnivora; Phocidae.

O coalho das focas é especialmente bom (tomado como uma bebida) contra a epilepsia, e para a constrição do útero. Colhe-se o coalho das focas quando ainda são tão pequenas que não podem nadar com a mãe. Em suma, todo o coalho une os líquidos e dissolve as coisas que estão coalhadas.

18 Leão (gordura)

Panthera leo L., 1758; Carnivora; Felidae.

A gordura dos leões dizem que é um antídoto para defender-se contra aqueles que pretendem a traição.

19 Lince

(urina) Lynx sp.; Carnivora; Felidae. A urina congelada de lince é útil contra os fluxos excessivos do ventre. 20 Ouriço-cacheiro (pele, carne, fígado) Erinaceus europaeus L., 1758. Erinaceomorpha; Erinaceidae

A pele queimada e misturada com pez líquida é aplicada como ungüento para os calvos. Sua carne seca bebida com oximel é usada no tratamento dos rins, da hidropsia subcutânea, espasmos, elefantíase e caquexia. Seca os humores que fluem pelas entranhas. O fígado seco em uma vasilha queimada no sol, armazenado e logo aplicado é bom para os mesmos problemas.

21 Mussaranho (corpo) Sorex araneus L., 1758; Soricomorpha; Soricidae.

Se corpo aberto e aplicado a ferida cura sua própria mordida.

22 Lebre (cérebro, cabeça, coalho, sangue) Lepus europaeus Pallas, 1778; Lagomorpha; Leporidae.

Seu cérebro assado é útil no tratamento do tremor dos membros e esfregar nas gengivas das crianças para fazer nascer os dentes. Toda a cabeça queimada e aplicada com