3 NVEs vurdering av søknaden etter energiloven
3.4 NVEs vurdering av omsøkte traseer
3.4.1 Alternativ 2A Varntresk
do jornalismo público e a sua aplicação em órgãos de comunicação social re- gional, o conhecimento do público era determinante. É neste contexto que surge o estudo de opinião longitudinal, como a principal técnica que permiti- ria conhecer de que forma os cidadãos se sentem identificados com a “agenda dos media”, já conhecida, mas também quais os temas que consideram prio- ritários, tendo em conta a comunidade onde estão inseridos, e que poderiam originar uma “agenda do cidadão”.
Os resultados que se apresentam neste ponto dizem respeito às questões que foram indicadas pelos cidadãos no estudo de opinião longitudinal, pri- meiro com uma inquirição sobre a forma como os leitores se sentem iden- tificados com a “agenda dos media”, depois com a indicação de alterações, originando aquilo que pode ser designado por “agenda do cidadão” que, por
fim, deveria servir de base aos trabalhos jornalísticos desenvolvidos pelos jor- nais regionais.
3.4.1 Identificação das questões de interesse coletivo: a “agenda dos cidadãos”
No âmbito do estudo de opinião procurou-se, num primeiro momento, caracte- rizar o perfil dos inquiridos tendo em conta as seguintes variáveis: sexo, idade, nível de escolaridade, ocupação profissional ou estatuto socio-profissional pe- rante o trabalho, e um aspecto particularmente importante para contextualizar as respostas, o tempo enquanto assinantes de cada um dos inquiridos.
Na análise da primeira dimensão percebe-se que os 1344 assinantes inqui- ridos são maioritariamente do sexo masculino, 64%, e os restantes 36% do sexo feminino. Constacta-se ainda que em nenhuma das oito publicações em estudo, existe uma maioria de assinantes e/ou leitores do sexo feminino (ver tabela XLVIII anexo X).
Analisou-se de igual forma a variável idade. Esta foi, para efeitos de ope- racionalização, categorizada em cinco grupos etários, permitindo um agrupa- mento dos dados, bem como uma maior tangibilidade dos mesmos.
Foi observável, um substancial e significativo envelhecimento dos inqui- ridos. A categoria modal encontra-se no grupo que reúne os leitores que têm idade superior a 65 anos, com 32% dos inquiridos, o que em termos absolutos se traduz em cerca de 430 indivíduos. Adicionalmente, a segunda categoria com maior expressão numérica é precisamente a que agrupa os leitores e/ou assinantes com idades compreendidas entre os ]55-65] anos, com quase ¼ dos inquiridos (23,5%). Sublinhe-se ainda o baixíssimo valor obtido pela catego- ria etária que reúne os mais novos inquiridos, isto é, o grupo que medeia dos [18-29] anos, que soma apenas 4,5% do total de inquiridos.
Pensando nos títulos com a população mais envelhecida destacam-se o jornal “O Algarve” e o “Diário As Beiras” (51,8% e 48,6% de inquiridos respectivamente com >65 anos). O jornal “Grande Porto” é por sua vez a pu- blicação que menos assinantes tem com idade >65 anos (11,9%) e os “Jornais da Bairrada” e “Jornal do Fundão” são aqueles que maior número de jovens assinantes apresentam (5,5% e 5,6% de inquiridos respectivamente no grupo [18-29]) (ver tabela XLIX anexo X).
Quanto à variável nível de escolaridade, a percentagem de assinantes com ensino superior é claramente a que se destaca (32,5%), por oposição aos assi- nantes que sabem ler e escrever, mas não têm qualquer diploma, apenas 1% do total de inquiridos. No entanto, o segundo maior grupo de inquiridos não tem mais do que o primeiro ciclo, dados que combinam com os da idade, ou seja, uma população envelhecida e com baixo nível de escolaridade. Os assinan- tes do “Jornal da Bairrada” são os que apresentam qualificações mais baixas (35,4% tem o 1º Ciclo do Ensino Básico) face aos restantes títulos que têm a sua categoria modal no Ensino Superior (ver tabela L anexo X).
No que se refere à ocupação profissional declarada pelos 1344 inquiridos no âmbito da primeira inquirição, a categoria modal encontra-se na categoria que agrega os “Pensionistas/Reformados”, com cerca de 40,3%. Este valor assume um vincado e expressivo domínio relativamente às restantes catego- rias, ficando a segunda categoria profissional, “Especialistas das Profissões Intelectuais e Científicas”, apenas com 15,7%. Mais uma vez, esta distri- buição reflecte as tendências já aqui identificadas e enumeradas (ver tabela LI anexo X). Todavia, dever-se-á acrescentar ainda outro facto, este de cariz mais interpretativo, e que se prende com a expressiva representação das várias cate- gorias profissionais que agrupam profissões que requerem altas qualificações académicas, como por exemplo, diplomas do ensino superior. Deste modo,
confirma-se a ideia de que o consumo de imprensa escrita local/regional não é ainda um consumo massificado, mas sim algo classista. Estes dados e in- terpretações devem considerar ainda o facto de se tratar de uma população fortemente masculinizada, tal como já anteriormente se enfatizou.
Atendendo ao facto de se estar perante uma amostra algo envelhecida, tal como já se teve oportunidade de constatar, tornava-se expectável que existisse uma considerável sedimentação dos assinantes, relativamente aos respectivos jornais regionais. De outro modo, dir-se-ia que, dado o longo percurso bio- gráfico de uma vasta parte dos inquiridos, é possível encontrar uma parte con- siderável destes com um tempo de assinatura com substancial longevidade.
Gráfico 9 – Tempo dos inquiridos enquanto assinantes
Considerando a distribuição empírica dos dados observa-se que a hipótese levantada anteriormente se confirma. Assim, é na categoria dos assinantes há mais de 10 anos que se situa o valor modal, ou seja, é esta que agrega maior número de casos, com cerca de 51,1% dos inquiridos. O “Jornal do Fundão” tem o maior número de assinantes de longa duração (67,9%), seguido de perto pelo “Região de Leiria” (63,2%). O jornal “Grande Porto” apresenta
os assinantes com uma assinatura mais recente (45,2% há menos de um ano, 50% há mais de um e menos de cinco) (ver tabela LII anexo X).
A partir da análise do conjunto dos indicadores associados ao perfil dos inquiridos, pode-se afirmar que há dois grupos na amostra. Por um lado, um grupo de inquiridos com mais de 65 anos, com um nível de escolaridade que não ultrapassa o 1º Ciclo do Ensino Básico, que se encontram aposentados e têm uma ligação com o jornal, através da assinatura, há mais de dez anos. Por outro lado, uma população ligeiramente mais nova, entre os 30 e os 50 anos, com habilitações ao nível do ensino superior, que desempenha a sua actividade profissional dentro do grupo dos “Especialistas das Profissões Intelectuais e Científicas” (destacando-se os advogados, os médicos e os professores), que em determinados casos recebeu a assinatura de familiares e noutros é assi- nante há pouco mais de três anos. Entre estes dois grupos há um denominador comum, que é o predomínio dos inquiridos do sexo masculino.
Gráfico 10 – Frequência de leitura de jornais nacionais e regionais dos inquiridos
No que diz respeito aos hábitos de leitura, os leitores que constituem a amostra evidenciam, uma clara tendência para a leitura semanal, seguindo a lógica de publicação dos próprios jornais, no caso em estudo, maioritari-
amente semanários. Em relação à imprensa nacional, existe um conjunto de leitores que diariamente leem ou folheiam os diários nacionais, com particular destaque para a imprensa desportiva, mas também para um título em concreto, indicado em diversas situações pelos entrevistados, o jornal “Correio da Ma- nhã”. Por outro lado, outra percentagem considerável dos inquiridos apenas esporadicamente lê jornais nacionais. Este segundo grupo de inquiridos é cu- riosamente, pelo menos em parte, o da população mais envelhecida, e que argumenta que apenas lê os jornais regionais para saber o que se passa na região, uma vez que esta não passa na televisão.
Procurou-se também saber que funções atribuem os inquiridos aos jor- nais regionais no seu conjunto e aquele de que são assinantes em particular. Nesse sentido, foram formuladas perguntas de resposta única, correspondendo a cada uma, três opções, uma concepção de jornalismo que enfatiza diferen- tes aspectos, desde o tradicional entendimento do jornal unicamente enquanto meio de informação, passando por um jornalismo de denúncia, até chegar a uma vertente de jornalismo de intervenção, na tentativa de resolver os proble- mas (aquilo que se pode considerar uma das ideias do jornalismo público). Recorde-se que uma das particularidades destas era “catapultar” o inquirido para um plano desejável ou ideal, isto é, solicitar a capacidade de abstração do mesmo relativamente à realidade quotidiana.
Em termos gerais, constatou-se uma distribuição assimétrica dos inquiri- dos pelas três opções de resposta. Observa-se um claro e expressivo domínio da terceira opção, que consistia na função clássica e primordial da prática jor- nalística em informar sobre os problemas da região com 49,3% das respostas. No entanto, deve-se ainda salientar que a ideia de um jornalismo que contri- bua, de certa forma, para a resolução dos problemas da região, foi enfatizada por uma considerável proporção dos inquiridos (12,6%).
Assim, a ideia de que o jornalismo deve intervir de forma activa na re- solução dos problemas da comunidade, uma das concepções que no âmbito do jornalismo cívico mais reservas levanta, é entendida pelos leitores entre- vistados como importante, com cerca de 38% das respostas dos inquiridos. Destacam-se ainda os 12,6% de inquiridos que admitem que a imprensa regio- nal deveria ter como apanágio “denunciar problemas”, opção que se apresenta contudo como a menos consensual entre os inquiridos das diferentes publi- cações. Os assinantes de todos os jornais, com excepção do “Grande Porto” e “O Algarve”, definem como principal função “informar do que se passa”.
Nestes dois títulos a categoria modal encontra-se na função “Contribuir para a resolução dos problemas da região” (ver tabela LIV anexo X).
Ainda em relação às funções dos jornais, mas considerando como hipóte- ses “ouvir os cidadãos”, “pedir responsabilidades aos políticos” e “organizar debates com as figuras públicas”, verifica-se uma distribuição de dados assi- nalavelmente assimétrica, dado estarem concentrados aproximadamente 2/3 dos inquiridos na categoria “ouvir os cidadãos”, o que não deixa de ser bem significativo.
Gráfico 11 – Função dos jornais regionais de que os inquiridos são assinantes
Esta categoria em particular, bem como a de “pedir responsabilidades aos políticos”, encontram-se em domínios que extravasam a concepção conven- cional ou tradicional da prática jornalística. Estas localizam-se no campo de novas e emergentes formas de jornalismo como o jornalismo participativo ou certas correntes do jornalismo público influenciado pelos comunitaristas, que privilegiam a ligação com a comunidade envolvente, de forma a promover a mútua cooperação. O que também é evidente na análise é o baixo valor re- gistado pela segunda categoria, que consiste em “organizar debates com as figuras públicas” com 10,4%. Os assinantes dos jornais “Grande Porto”, “O Algarve” e “Jornal do Fundão” são os que detêm os menores registos, com
respetivamente 52,4%, 53,6% e 56% de inquiridos, na categoria que aponta para a função “ouvir os cidadãos” (ver tabela LV anexo X).
Quando questionados concretamente sobre se os jornais de que são assi- nantes cumprem essa função de contribuir para a resolução dos problemas, 68,8% dos entrevistados não têm dúvidas em afirmar que de facto isso acon- tece. No entanto, referem também que essa contribuição não se efectiva atra- vés de uma intervenção por parte do jornal que conduz posteriormente à reso- lução dos problemas, mas simplesmente através da denúncia dos problemas. A ideia de ouvir os cidadãos é precisamente um dos aspectos mais importan- tes do jornalismo público, mas também do próprio jornalismo regional, no sentido da proximidade que este tipo de imprensa tem com as comunidades e os cidadãos. É ainda interessante verificar que a perspectiva do jornalismo enquanto “cão de guarda” (watchdog), no sentido de vigiar o poder público e pedir responsabilidades aos políticos, surge como a segunda mais importante para os assinantes dos oito jornais.
Procurou-se, no seguimento da pesquisa, perceber quais as temáticas que os assinantes dos jornais consideram as mais importantes na comunidade onde estão inseridos, mas também de que forma as publicações em estudo dão aten- ção suficiente a essas temáticas em detrimento de outras.
Os assinantes parecem entender que existe um assunto que é comum na preocupação das diferentes regiões e que tem a ver com as questões econó- micas. Já as questões do “Urbanismo e Transportes” surgem como a segunda temática considerada mais importante pelos leitores dos jornais, seguidas pe- las questões da “Saúde”. Assiste-se ainda a uma distribuição das opiniões dos inquiridos pelas restantes temáticas, sem grande ênfase, no conjunto, para ne- nhuma delas, salientando-se apenas as questões do “Ambiente”, da “Política” ou da “Cultura”.
No entanto, o aspecto que mais se evidencia tem a ver com a indicação do desemprego, dentro das questões económicas, como o assunto considerado mais importante. As questões das acessibilidades são efectivamente muito in- dicadas pelos inquiridos como factores decisivos para o desenvolvimento das regiões, e a questão particular das portagens e do seu pagamento, uma ques- tão que teve ampla cobertura mediática nos últimos tempos, marca também grande parte das respostas dos inquiridos nesta questão.
Considerando ainda os assuntos indicados pelos entrevistados como os mais importantes nas diferentes regiões, 62,9% dos inquiridos refere que o jornal de que é leitor dá atenção suficiente a esse assunto. Entre os 37,1% de inquiridos que consideram que o jornal que leem não apresenta uma co- bertura mediática de acordo com os assuntos mais importantes nas diferentes regiões, destacam-se os assinantes (43,5%) do “Jornal do Centro” (ver tabela LVI anexo X).
Apesar de se manifestarem, no geral, satisfeitos com a cobertura temática dos jornais, 52% de inquiridos manifestam a sua opinião em relação aos as- suntos que gostariam de ver abordados nos jornais e que consideram que não são tratados, ou pelo menos não de forma aprofundada e com a atenção que se- ria necessária. Tratam-se das questões da “Economia” (9%), da “Saúde” (5%) e do “Urbanismo e Transportes” (4%). Ainda com o objectivo de perceber quais os assuntos e as temáticas que os leitores dos jornais consideram mais importantes, colocou-se a questão numa perspectiva diferente, permitindo aos leitores que livremente expressassem a sua opinião sobre o que gostariam que os jornais abordassem nas reportagens que publicam regularmente nas suas edições. As respostas variam consoante os jornais e as regiões, como seria de esperar, mas pode-se salientar que a crise económica, as acessibilidades, a pobreza e a agricultura são algumas das temáticas onde se inserem os assuntos e os problemas assinalados pelos inquiridos.
Gráfico 13 – Os jornais de que são assinantes...
Numa terceira parte do estudo de opinião, incluíram-se um conjunto de questões que foram colocadas aos inquiridos de forma a obter informação so- bre a forma como os próprios assinantes e/ou leitores percepcionam os seus jornais. Começou-se por procurar saber qual a opinião dos leitores relativa- mente à forma como os jornais tratam os cidadãos e os restantes grupos sociais no processo de construção noticiosa.
As respostas dos inquiridos consideram que os jornais em geral não pri- vilegiam determinados segmentos, tratando igualmente cidadãos e figuras pú- blicas, como se verifica na primeira barra do gráfico, com uns significativos 46,6%. Realce-se ainda que parte considerável dos leitores considera tam- bém que não existem limitações na possibilidade de dar opinião no jornal, é o caso de 29,6% dos inquiridos. A menor parcela dos inquiridos (23,8%) é aquela que indica que o tratamento noticioso por parte dos jornais apresenta uma tendência elitista.
Os assinantes do jornal “Grande Porto” (66,7%) são aqueles que mais consideram que o jornal “trata igualmente as figuras públicas e os restantes cidadãos”, por oposição aos leitores do jornal “O Algarve” (28,6%) que afir- mam que o jornal não trata de forma igual os diferentes grupos. Entre os inquiridos, são os do “Jornal do Fundão” os que menos consideram que o jornal “serve principalmente para as figuras públicas falarem” (18,8%), mas também aqueles que mais entendem que o jornal “dá oportunidade a qualquer
pessoa de dar opinião” (35,5%). Neste mesmo domínio destaca-se o jornal “O Algarve” com 33,9% dos inquiridos a consideram uma tendência elitista no tratamento noticioso (ver tabela LVII anexo X).
Procurou-se também, com a inquirição, conhecer a opinião dos inquiridos em relação ao espaço que cada jornal concede às cartas dos leitores, um dos espaços mais importantes ao dispor dos cidadãos. Para os inquiridos, o espaço dedicado ao correio do leitor é adequado, concretizando-se em quase 3/4 dos inquiridos a manifestarem esta posição (71%). No entanto, deve-se realçar o facto de uma parte dos inquiridos fazer questão de salientar que é difícil fazer uma avaliação deste género, sem que seja conhecido o número de cartas que é recebido. Ou seja, os leitores expressaram a ideia que perante um volume maior de cartas recebidas, deveria ser dado mais espaço para a sua publica- ção. Por outro lado, para outros assinantes, o espaço dado é suficiente, até porque, na opinião destes, mais espaço podia contribuir para que esta rubrica se tornasse num aglomerado de textos sem sentido e sem interesse público. Entre os jornais cujos leitores consideram o espaço insuficiente destaca-se o “Região de Leiria” (30,5%) e o “Jornal do Centro” (30,4%) (ver tabela LVIII anexo X).
Considerando o espaço para as cartas dos leitores, mas também outras formas que os leitores têm ao seu dispor para participar, pode-se verificar que esta não é uma prática frequente entre os assinantes.
Gráfico 14 – Participação dos leitores no espaço das cartas dos leitores e outras iniciativas dos jornais
A participação dos leitores no espaço das cartas, mas também noutras ini- ciativas dos jornais, ou até mesmo analisando a iniciativa dos entrevistados em contactar o jornal ou os jornalistas, percebe-se claramente que a maio- ria dos inquiridos nunca o fez. Os dados evidenciam assim um significativo afastamento entre os leitores e os jornais.
Indagou-se também se e de que forma deviam os jornais dar mais espaço aos cidadãos. Existe bastante equilíbrio nesta questão, uma vez que se 47,8% dos leitores não considera ser necessário dar mais espaço, no extremo oposto 52,2% dos inquiridos defendem que os jornais deviam dar mais espaço aos cidadãos. Essa necessidade de mais espaço pode ser conseguida de diferentes formas, e nesse sentido, as sugestões dos leitores variam bastante, mas vão sobretudo no sentido de um aumento do número de cartas incluídas em cada edição dos jornais e de um aumento do número de páginas nessas rubricas dedicadas especialmente ao leitor. Outros, por sua vez, enfatizam a constru- ção noticiosa e a necessidade de ouvir mais os cidadãos enquanto vozes da sociedade civil que conhecem a realidade e os problemas. No fundo, o que os leitores sugerem é uma mudança nos enquadramentos e um aumento do pluralismo.
Questionaram-se também os leitores/assinantes em relação a um conjunto de situações que tem como objectivo aproximar os cidadãos dos problemas das comunidades, da vida pública, no fundo, potenciar a capacidade de deli- beração da cidadania.
Gráfico 15 – Qual a sua opinião em relação às seguintes afirmações...
As três premissas apresentadas reflectem as dinâmicas e fontes de onde emanam interesses de grupos em simbiose com os interesses comunitários que, juntos, deverão criar uma plataforma de reconhecimento e identificação das prioridades locais e regionais. Os inquiridos manifestam um vasto grau de concordância com as afirmações propostas e portanto consideram que é importante a participação dos cidadãos na discussão dos assuntos através dos jornais, e nesse mesmo sentido, a existência de locais onde os cidadãos e os políticos debatam os assuntos frente-a-frente. Diríamos assim que existe uma clara percepção por parte dos leitores em relação à importância do debate público e do exercício de uma cidadania activa no contexto do espaço público local e regional.
3.4.2 O desenvolvimento de trabalhos jornalísticos em função da “agenda dos cidadãos”
Depois de identificados os temas considerados prioritários pelos públicos e pelas comunidades em que estão inseridos, os jornais deviam desenvolver tra- balhos jornalísticos em função desses temas, seguindo uma das práticas mais