• No results found

Alcyonacean forests of Ireland’s continental margin

In document "Twin mounds" – Porcupine Bank (sider 132-141)

A. 4 Cruise leg ARK XIX/3a

A. 4.8 Deep water coral ecology and fisheries impact in the Porcupine

A. 4.8.2 Alcyonacean forests of Ireland’s continental margin

Pesquisadores da Sociologia, mais precisamente da Sociologia da infância, como Qvortrup (2010), Corsaro (2011) e Prout (2010), afirmam que somente há pouco mais de vinte anos as crianças começaram a tornar-se foco dos estudos sociais. A sociologia da infância é, portanto, um campo novo e bastante recente, tendo surgido entre 1980 e 1990.

A quase total inexistência de estudos sobre a criança na sociologia foi consequência, segundo Corsaro (2011), de uma marginalização. “É comum que os adultos vejam as crianças (...) em uma perspectiva do que se tornarão - futuros adultos, com um lugar na ordem social e as contribuições que a ela darão. Raramente as crianças são vistas de uma forma que contemple o que são - crianças com vidas em andamento, necessidades e desejos” (CORSARO, 2011, p. 18). A marginalização seria resultado, assim, da posição subordinada das crianças nas sociedades e das concepções teóricas de infância e de socialização, contribuindo para a existência de pouquíssimos trabalhos sociológicos sobre a criança.

No início dos anos 80, essa situação, entretanto, começou a mudar. A insatisfação com as habituais explicações sobre a vida e comportamento das crianças e com a forma como vinham sendo consideradas pela sociedade e também pelas ciências sociais fez com que outros posicionamentos teóricos se desenvolvessem. Novas ideias e explicações surgiram, reconsiderando e transformando as abordagens sociológicas tradicionais acerca da criança e da infância. Foi definido, dessa forma, outro campo dentro da sociologia: a nova sociologia da infância.

Esse campo é chamado novo, pois rompe com as formas ortodoxas e convencionais com as quais os sociólogos estavam acostumados a tratar a infância. Como nos mostra Muñoz (2006), a sociologia sempre considerou a infância como âmbito privilegiado para a socialização, por ser uma etapa em que é possível introduzir primariamente valores e condutas socialmente aceitos que viabilizarão a correta integração dos indivíduos na sociedade. Por isso, o interesse da sociologia pela infância centralizava-se nos processos de socialização e/ou na família e na escola, principais instituições encarregadas do processo socializador. A autora explica que, dessa forma, a criança estava a serviço das teorias de socialização, e não se constituía em objeto formal de estudo. Com o surgimento da nova sociologia da infância, porém, a criança foi introduzida no âmbito dos objetos de interesse sociológico, outorgando-lhe importância por si só, e não como apêndice da família ou complemento necessário no estudo de outras instituições sociais.

A institucionalização desse novo campo de estudo, entretanto, “não está nem estará livre de pontos de vista opostos e contradições, haja vista que se trata da proposta de um ‘novo paradigma’ no estudo da infância” (MARCHI, 2007, p. 63). Uma dessas oposições seria a diferença básica que

há entre os campos de língua inglesa e francesa. No primeiro, a sociologia da infância surge de modo autônomo, mas, no segundo, vinculada à sociologia da educação. Essa diferença gerou distintas abordagens e enfoques teóricos acerca da infância e da criança como categorias sociais em si.

De acordo com Muñoz (2006) há três enfoques teóricos principais na sociologia da infância: o estrutural, o construcionista e o relacional. No primeiro, a infância é entendida como uma forma particular da estrutura social e como uma categoria social permante, isto é, não desaparece e nem se transforma em algo diferente, muito menos em idade adulta (QVORTRUP, 2010). Nessa abordagem, as crianças são co-construtores da infância e da sociedade. No enfoque construcionista, por sua vez, a infância é uma construção social e uma variável da análise social. As crianças são, assim, agentes ativos na construção de suas vidas sociais. Por fim, na teoria relacional, concebe-se que é preciso levar em consideração a maneira como as crianças experimentam suas vidas e relações sociais, bem como seu ponto de vista, pois o conhecimento baseado na experiência delas é fundamental. Para os estudiosos que seguem essa abordagem, a infância é um processo relacional e existe somente em relação à idade adulta (MUÑOZ, 2006).

Apesar das diferenças, pode-se dizer que é consenso entre os pesquisadores da área o fato de que na sociologia da infância “trata-se de compreender aquilo que a criança faz de si e aquilo que se faz dela, e não simplesmente aquilo que as instituições inventam para ela” (SIROTA, 2001, p. 28). Sirota (2001) aponta um conjunto de cinco ideias que norteiam uma parte considerável e importante dos estudos sociais sobre a infância. São elas:

• A criança é uma construção social: há uma desnaturalização da noção de infância, ou seja, não se trata mais de um fenômeno biológico e natural dos grupos humanos, e sim de um componente tanto estrutural quanto cultural de um grande número de sociedades.

• Há uma variabilidade nos modos de construção da infância: como a imaturidade biológica não é negada, enfatizam-se os diversos modos de construção da infância e reintroduz-se o objeto infância como um objeto ordinário de análise sociológica.

• A infância não é preparatória para a vida adulta: não se trata de um momento precursor, e sim de um componente da cultura e da sociedade. A infância situa-se, assim, como uma das idades da vida.

• As crianças são atores sociais: são seres ativos diante do seu próprio mundo e da sociedade, sendo, ao mesmo tempo, produtos e produtoras dos processos sociais, e não sujeitos passivos.

• A infância é uma variável da análise sociológica que deve ser considerada em sentido pleno: a infância é uma variável relacional e, portanto, não é dissociável de outras como,

por exemplo, gênero, classe e etnia. Considerar a criança em sentido pleno consiste em estudar suas culturas e relações sociais em si, de modo independente das preocupações e perspectivas dos adultos.

Em suma, uma abertura no campo sociológico a partir de um novo conceito de socialização viabilizou o surgimento da sociologia da infância. Esse novo campo compreende a criança como ator social e a infância como uma categoria geracional. A sociologia da infância propõe-se a constituir a infância como objeto de investigação sociológica, resgatando-a de perspectivas biologizantes que a reduzem a uma etapa de maturação e desenvolvimento humano. Além disso, resgata as crianças de perspectivas que tendem a interpretá-las como indivíduos que se desenvolvem independente da construção das estruturais sociais e culturais nas quais estão inseridos.

Neste ponto, cabe a pergunta: e quanto à psicanálise? A criança seria vista como um ser em desenvolvimento tal qual o discurso jurídico a vê? Seria um decalque do adulto ou um vir a ser dele como na clínica psiquiátrica? Seria um componente ativo da sociedade? Que lugar, afinal, é destinado à criança no discurso psicanalítico?

In document "Twin mounds" – Porcupine Bank (sider 132-141)