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Kapittel 5 Alarmer

5.4 Alarmtips

Não obstante algumas crianças chegarem à escola para aprender a ler acontece que, mesmo com ajuda dos seus professores, há algumas que não conseguem desenvolver esta capacidade ou continuam com dificuldades ao longo de todo o processo. Esta situação leva a criança a ter um baixo rendimento na sua vida académica. Como é defendido por Cruz (2007: 195) “a aquisição da leitura é uma das dificuldades centrais no âmbito das aprendizagens escolares”. Essas dificuldades dão origem ao insucesso escolar.

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Da mesma forma, Cruz (2007:195) afirma que:

“em certos casos a origem das dificuldades na leitura é relativamente clara, como por exemplo a existência de défices biológicos que torna difícil o processo da relação entre os sons e os símbolos, mas, noutros casos, a origem das dificuldades na leitura é desenvolvimental, como é o caso de uma instrução na leitura pobre ou inadequada” (Cruz, 2007:195).

Para isso, este autor (Cruz, 2007: 196) afirma que existem dois tipos de dificuldades da leitura:

1) as dificuldades gerais na aprendizagem da leitura ou atrasos na leitura; que resultam tanto de fatores exteriores às pessoas como de fatores inerentes a ela, como é o caso de alguma (s) deficiência (s) manifesta (s);

2) as dificuldades especificas na aprendizagem da leitura ou dislexia; que se situam ao nível do cognitivo e do neurológico, e para as quais não existe explicação evidente.

5.1. Dificuldades gerais na aprendizagem da leitura

As dificuldades gerais na aprendizagem da leitura geralmente podem ser causadas por fatores extrínsecos e intrínsecos:

“(…) os fatores extrínsecos podem envolver situações adversas à aprendizagem normal da leitura, tais como: edifício escolar, organização, pedagogia e didática deficientes, ausência ou abandono escolar, instabilidade familiar; relações familiares e sociais perturbadas; pertença a um grupo minoritário marginalizado; meio sócio-económico e cultural desfavorecido; privação sócio-cultural; bloqueios afetivos; e falta de oportunidades adequadas para a aprendizagem” (Cruz, 2007:197).

As dificuldades de aprendizagem da leitura dependem igualmente do grau de exposição dos alunos aos textos antes de começarem a aprendizagem formal deste processo ou quando não se encontram em contexto escolar. Como afirma por Cruz (2007):

“(…) de modo geral as crianças que estão em maior risco de manifestar dificuldades na aprendizagem da leitura são aquelas que entram na escola com uma limitada exposição à linguagem e que têm pouco conhecimento prévio dos conceitos relacionados com: a

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sensibilidade fonémica; o conhecimento das letras; a noção do que é a escrita; a utilidade da leitura; e as habilidades verbais, incluindo o vocabulário” (Cruz, 2007: 197).

Tendo em conta estas afirmações, a dificuldade na aprendizagem da leitura pode ter origem na própria criança, como uma limitada exposição à linguagem e que faz com que a criança tenha pouco conhecimento sobre os símbolos escritos, como letras, palavras e frases. Noutro lado, esta dificuldade também pode resultar da falta de uma boa preparação por parte do professor.

Ainda relativamente às dificuldades gerais na aprendizagem da leitura, Cruz (2007: 198) sugere que existem seis tipos de fatores causadores destas dificuldades:

1. Baixa inteligência;

2. Escolaridade inadequada ou interrompida; 3. Desvantagens socioeconómicas;

4. Deficiência física;

5. Desordem neurológica visível; 6. Problemas emocionais.

Além destes seis fatores, Cruz (2007: 199) afirma:

“Na realidade, as dificuldades na descodificação e no reconhecimento das palavras, muitas vezes devido a défices na consciência fonémica e a atrasos do desenvolvimento do princípio alfabético, estão no centro da maioria das dificuldades na leitura, pois, não sendo uma condição suficiente, a consciência fonémica é necessária para que as crianças aprendam a ler. Por outro lado, algumas crianças encontram alguns obstáculos na aprendizagem da leitura porque têm dificuldades na sua compreensão, ou seja, não são capazes de retirar significado do material que estiveram a ler”.

Tendo em consideração estas ideias, concordamos que este tipo de fatores têm contribuído para o insucesso da aprendizagem da leitura. Este insucesso pode ser causado por parte do próprio aluno, ou pode resultar de outro fator exterior, tal como falta de preparação por parte do professor. No processo de ensino e aprendizagem da leitura, o professor é obrigado a dominar a estratégia de ensino, fazer com que os alunos aprendam a ler, estimular o gosto pela leitura e mostrar aos seus alunos a importância da leitura na vida quotidiana.

Vitor Cruz (2007) afirma que vários estudos recentes mostram que o insucesso na aquisição da capacidade de leitura ocorre devido à falta de preparação dos

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professores para ensinar a leitura. Esta inconveniência conduz os alunos ao insucesso na aprendizagem da leitura. Para tal, afirma:

“(…) muitos professores não estão preparados para ensinar a ler, o que representa um quarto fator gerador de dificuldades na aprendizagem da leitura em muitas crianças. Na realidade existe inadequada preparação dos professores para o ensino da leitura, pois a maioria dos professores recebeu pouca instrução formal acerca do desenvolvimento da leitura e das suas desordens, tanto na sua formação de base como na sua formação contínua” (Cruz, 2007:201).

Tendo em conta esta afirmação, o professor tem uma grande influência no processo de aprendizagem dos alunos. A formação profissional de um professor é a base do sucesso de todas as atividades do ensino. A existência de uma boa preparação por parte do professor faz com que os alunos tenham facilidade em aprender e desenvolver as ciências transmitidas pelo professor.

Por outro lado, Cruz (2007:201), aponta pelo menos quatro razões por que é que a aprendizagem da leitura não é um processo fácil para muitas crianças, originando atrasos na aprendizagem da mesma.

1. A leitura baseia-se num código arbitrário: diz respeito à dominação do princípio alfabético, o qual relaciona as unidades mais pequenas da linguagem escrita, as letras e o alfabeto (i. e., os grafemas) com as unidades mais pequenas da linguagem falada, os fonemas;

2. O código ser irregular ou não transparente: isto é, as conexões entre as letras do alfabeto e os sons da fala não são lineares;

3. A memória fonológica: isto é, a capacidade para recordar os sons previamente lidos de modo a conseguir integrá-los em palavras ou frases e deles abstrair um significado;

4. As confusões na instrução: isto diz respeito aos professores que não dominam o ensino da leitura, sendo muito frequente as crianças não receberem a ajuda de que precisam, ou serem mal orientadas no seu processo de aprendizagem.

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5.2. Dificuldades específicas na aprendizagem da leitura

Como referem vários autores, o termo tradicionalmente mais utilizado e mais popular para nomear as dificuldades específicas na aprendizagem da leitura é o de “dislexia” (Cruz, 2007: 205).

A origem da palavra “dislexia é constituído pelo radical ‘dis’ que significa distúrbio ou dificuldade, e pelo radical ‘lexia’ que significa leitura no latim e linguagem no grego, ou seja, o termo dislexia refere-se a distúrbios na leitura ou a distúrbios na linguagem” (Cruz, 2007: 205). Da mesma forma, este autor afirma que a “dislexia é uma incapacidade para aprender a ler” (Cruz, 2007:206). “As pessoas com dislexia têm grandes dificuldades em reconhecer letras e palavras, bem como em interpretar informação que seja apresentada sob a forma de escrita” (Cruz, 2007:206). “A dislexia é um tipo de agnosia na qual a criança não pode associar a palavra impressa com o elemento adequado da expressão verbal, ou seja, é uma incapacidade para ler normalmente que resulta de uma disfunção no cérebro”. (Cruz: 2007:207).

Cruz (2007: 209-210) classifica a dislexia em dois tipos:

1) dislexia adquirida ou traumática, a que caracteriza as pessoas que, tendo previamente sido leitoras competentes, perdem essa habilidade como consequência de uma lesão cerebral;

2) Dislexia de desenvolvimento ou evolutiva, que engloba as pessoas que experimentam dificuldades na aquisição inicial da leitura.

A dislexia adquirida ou traumática ocorre quando alguém que antes era um leitor fluente e posteriormente, por alguma razão identificada, perde as suas competências na leitura. Assim, é referida como “a incapacidade adquirida (devido a uma situação traumática) de compreender a informação verbal escrita, geralmente designada como dislexia adquirida ou traumática” (Cruz, 2007: 210).

Do ponto de vista educativo, a dislexia de desenvolvimento ou evolutiva pode acontecer pelo nível intelectual das pessoas, problemas quanto à qualidade do ensino e da aprendizagem. Assim, Cruz (2007) afirma que:

“(…) a dislexia de desenvolvimento é ainda uma entidade não completamente compreendida, sendo em muitos casos confundida com problemas mais gerais de

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aprendizagem, ou confundida com problemas da qualidade do ensino, torna-se absolutamente necessário ter em atenção os critérios de diagnóstico desta entidade. Por outro lado, dado que o atraso parece causado por diferentes razões, do ponto de vista educativo, o importante é avaliar com precisão quais são os processos e operações que não funcionam adequadamente, para que se possa planificar uma intervenção educativa eficaz” (Cruz, 2007:220).

Tendo em conta estas afirmações, a principal diferença entre os dois tipos de dislexia consiste em que “na primeira existe um acidente ou doença conhecida que afeta o cérebro (e.g. traumatismo craniano; lesão cerebral) e que pode explicar a alteração, enquanto que na segunda as causas são desconhecidas, manifestam-se no decurso do desenvolvimento das pessoas e parecem ser intrínsecas a elas” (Cruz, 2007: 210).

Ora, como citado anteriormente, não existe definição de dislexia de desenvolvimento ou evolutiva, “mas é admissível que o principal aspeto de diagnóstico desta perturbação assente na discrepância existente entre a capacidade de leitura prevista, com base no nível cognitivo ou intelectual, e o nível da leitura efetivamente observado a partir de testes formais” (Cruz, 2007:220).

Levando em consideração o que foi dito, pode-se concluir que as crianças com dificuldades de leitura causada pela dislexia são crianças que têm dificuldade em aprender a ler e a interagir com os componentes de letras, palavras e frases. Estas dificuldades podem ser causadas por parte da inteligência do próprio aluno ou pela impreparação e ineficácia por parte do professor. Por outro lado, esta dificuldade também pode ser causada por um acidente, afetando o leitor que perde automaticamente a sua habilidade para fazer leitura.