• No results found

3   VIRKNING FOR MILJØ, NATURRESSURSER OG SAMFUNN

3.7   Akvatisk miljø

A percepção geográfica tem sua base na geografia humanística e “[...] encontra seus fundamentos na fenomenologia e no existencialismo, e valoriza as experiências do homem em seu meio” (XAVIER, 2007, p.27). Essa concepção de percepção nada mais é do que a percepção que os homens têm com o meio em que vivem, suas relações com as atividades existentes no seu lugar, sejam essas atividades ligadas aos setores econômicos sociais, culturais ou

ambientais, ou seja, em outras palavras, é a percepção das comunidades receptoras na sua forma de envolvimento na valorização dos recursos dos seus lugares disponíveis aos turistas.

A percepção geográfica do turismo pelos residentes é importante para o estudo dos destinos turísticos, pois eles conseguem ter uma visão abrangente dos aspectos que vem modificando seus lugares. Conhecer como era o lugar antes da atividade turística chegar, como se dá o dia-a-dia das pessoas, e como as comunidades se envolvem com a atividade turística nos seus lugares, é fundamental para poder compreender as influências a que essas comunidades estão submetidas, assim como eles percebem a dinâmica do lugar. Segundo Xavier (2007) depois de uma convivência com as atividades turísticas no seu lugar por um período relativamente longo de tempo, as populações envolvidas desenvolvem uma percepção sobre as mudanças trazidas pelo turismo para o seu lugar, daí a relevância de ouvir essas vozes locais.

A percepção começou a ser estudada com um maior aprofundamento nas décadas de 1940 e 1950, quando surge uma preocupação maior em relação aos valores da população e sua relação com os lugares. Já a percepção geográfica dos espaços turísticos em específico, auxilia no entendimento da relação do homem com a natureza e com os espaços que são designados ao lazer e ao habitat ao mesmo tempo. Assim é um modo de percepção do mundo através das inter-relações homem versus meio ambiente e suas implicações sociais, econômicas e culturais, através do fazer turístico. Na visão de Xavier,

A percepção geográfica é considerada de crucial importância para o melhor entendimento da conduta do homem no espaço geográfico, conduzindo a esclarecimentos sobre suas relações com a natureza e outros grupos humanos que se evidenciam no espaço turístico (XAVIER, 2007, p. 28).

Através do espaço geográfico várias informações acerca do lugar e daqueles que ali habitam podem ser extraídas. Muito da visão de mundo da população irá desempenhar papel importante no desenvolvimento da capacidade de percepção das comunidades; o contato com o seu lugar e meio ambiente constrói seu espaço perceptivo.

Nos lugares em que o turismo tem se instalado é gerada uma grande expectativa acerca da implantação da atividade turística. Os lugares normalmente apresentam baixo desenvolvimento social e econômico e colocam suas esperanças de progresso no turismo para corrigir os desníveis locais. Porém o que é percebido na prática, é que a atividade tem sido desenvolvida sem o planejamento que deveria abranger todos os aspectos de impactos do turismo para o destino em questão (ARCHER; COOPER, 1998). Diante desse descompasso, entre as promessas de desenvolvimento com base no turismo, e como efetivamente as coisas

acontecem nos lugares, os residentes percebem as mudanças e com isso podem ajudar para um melhor desenvolvimento da atividade turísticas nos seus lugares.

Não levar em consideração o que a população residente sente com a instalação do turismo em seu lugar é um dos erros mais recorrentes nas destinações turísticas espalhadas por todo o país. Através da percepção geográfica do turismo pode-se conhecer a relação entre as pessoas e o espaço construído pelo turismo, seja ele de massa ou de base local.

O espaço formado pelo turismo é construído por diversos atores, e cada um deles com sua visão de mundo irá ter uma percepção e conduta diferentes em relação à atividade turística. Logicamente, cada grupo com sua visão de mundo particular irá ter uma percepção sobre o turismo de maneira diferente. Por isso a importância de se ouvir os atores envolvidos na atividade. Nessa perspectiva, “[...] torna-se necessário considerar os sentimentos das pessoas, seus laços afetivos com o meio ambiente e suas atitudes em relação ao lugar” (XAVIER, 2007, p.62).

Apesar do relativo avanço, nas três últimas décadas no Brasil no planejamento do turismo, em geral associado a imposições de política pública, percebe-se que a falta de interlocução com a população local ainda é uma grande falha, assim como ocorre em outras políticas públicas no Brasil, a exemplo a política de preservação cultural (IPHAN, 2009). Infelizmente, boa parte disto ocorre em razão de que quem olha o lugar apenas com o olhar técnico planejador não leva em consideração necessariamente as necessidades e vontades dos moradores dos núcleos receptores.

Sendo assim, as orientações técnicas do planejamento quase sempre não são aceitas pelas comunidades, mas são executadas. Além disso, com o passar do tempo, a visão que os residentes têm do turismo se modifica à medida que aumenta sua relação com a atividade, sendo guiada pelo o modo de interferência no seu lugar e cotidiano, a partir disso as pessoas mudam de percepção para mais positiva ou mais negativa (PANOSSO NETTO, 2010).

A percepção dessas pessoas é influenciada por inúmeros fatores, como a possibilidade de trabalho, a renda, o conforto e a perda de privacidade, além do fato de os moradores locais verem seus bens de uso transformarem-se em mercadorias colocadas à disposição dos visitantes. Sendo a percepção individual e seletiva, as respostas dadas pela comunidade serão alteradas, à medida que a implantação do turismo vai adquirindo maiores proporções (XAVIER, 2007, p. 68).

Perceber geograficamente um lugar, tendo-se como referência analítica a sua turistificação, é principalmente analisar as dinâmicas do espaço habitado sob as influências da atividade turística. De acordo com Xavier (2007, p. 68), algumas questões podem ser levantadas

junto às comunidades turistificadas, para se averiguar o andamento do turismo nas destinações, tais como: “A comunidade receptora, no Brasil, está preparada para um envolvimento na atividade turística? A atividade turística vem garantindo a sustentabilidade dos lugares? Como a prática do turismo poderá contribuir para esses propósitos?”. Para que o exercício da análise da percepção da comunidade sobre a relação do turismo com o lugar seja de relevância, é fundamental, obviamente, que esta exposição da comunidade ao turismo já ocorra há certo tempo.