3. TEORI
3.3. T ILRETTELAGT AVHØR
3.3.2. Aktuell forskning og undersøkelser av barns erfaringer fra tilrettelagte avhør
Conforme sinalizamos, existiu a adição de camadas cenográficas sobre a arquitetura e seus planos, enumerados da seguinte forma:
a) Na lateral esquerda do Salão Principal (na vista de quem entrava na GRUTA) foram co-
locados bancos compridos de madeira. Estes bancos foram cuidadosamente posiciona- dos e possuíam uma proximidade visual com a estrutura de gênese do espaço e com os demais elementos presentes. Assim, a aparente condição envelhecida dos bancos dialo-
gava com o ambiente que também estava todo envelhecido. Eles serviram para locar o público após as primeiras cenas, que aconteciam do lado de fora da GRUTA e nos espa- ços que correspondiam a suas duas entradas.
b) Na mesma lateral esquerda, no final da parede do Salão Principal, e depois dos bancos
de madeira, foi delimitado um espaço para a construção da cela em que ficavam presos "Rosinha" e depois "Gildo Tabosa".
Esta cela, que em minhas anotações eu denominei enquanto "CÁRCERE 01", foi com- posta por um monte de areia. Para qualquer leigo a solução seria simples: era só trazer um caminhão cheio de areia, parar em frente à GRUTA e descarregá-lo lá dentro. Con- tudo, esta primeira ideia não era a melhor. Primeiramente, devido ao excesso de traba- lho que teríamos para instalar o monte de areia e posteriormente desinstalá-lo. Em se- gundo lugar havia a questão de que investiríamos dinheiro em um material que depois seria descartado, pois não seria inviável estocar um caminhão de areia no Acervo de Cenários e Figurinos do Teatro Universitário. E, em terceiro lugar, a base para os atores atuarem não seria firme e corríamos o risco de sérios acidentes durante as cenas.
Assim, a produtora do espetáculo, Ana Régis, buscou parceria em um depósito de mate- riais de construção e conseguiu areia lacrada em sacos plásticos transparentes. Os sacos de areia que fossem danificados teriam de ser pagos. Os demais sacos permanecidos in- teiros poderiam ser devolvidos sem custo algum. Um achado e tanto!
Daí tínhamos um segundo problema para resolver: precisávamos neste "CÁRCERE 1" de um plano elevado que permitisse boa visibilidade para toda a extensão do público que permanecia assentado nos bancos de madeira.
Para evitar o pedido e o transporte de inúmeros sacos de areia para a GRUTA, pensa- mos em criar uma base falsa e por cima empilharmos somente algumas camadas de sa- cos de areia. Desta forma, instalamos um palco de madeira que era utilizado para o trei- no com máscaras teatrais, que foi gentilmente emprestado pelo Prof. Fernando Linares, que também leciona no TU/UFMG. Optamos primeiramente por esticar uma lona sobre o palco de madeira, para posteriormente serem colocados os sacos de areia sobre a lona e, assim, evitar possíveis danos ao palco.
Após a inserção da lona, foram devidamente inseridas duas camadas com os sacos de plástico transparente, cheios de areia e ainda lacrados.
A fim de conectar visualmente a cenografia do "CÁRCERE 1" com o canteiro de obras da construção do metrô, foi inserida uma última camada através dos mesmos sacos de areia, mas agora revestidos com sacos de linhagem, colocados disformemente, inteiros e rasgados. Dentro de cada saco de linhagem eram colocados dois sacos de areia.
Semelhante a um glacê que é colocado somente nas laterais e em cima do bolo, os sacos de areia revestidos com sacos de linhagem foram colocados somente nas laterais e por cima do monte, pois eram as áreas que ficavam visíveis para o público. Esta última ca- mada agregou um visual mais rústico à cela e estabeleceu um diálogo com toda a atmos- fera envelhecida do espaço (IMAGEM 56 - XXXVII).
A altura do palco de madeira, somada aos níveis de sacos de areia que foram sobrepos- tos, permitiu boa visibilidade das cenas ao público. Toda essa dinâmica possibilitou uma economia de tempo na montagem e desmontagem da cenografia, além da nítida econo- mia de recursos financeiros, pois ao final das apresentações, na desmontagem do cená- rio, foram poucos os sacos de areia danificados.
Após os experimentos realizados pela diretora do espetáculo com os atores, ficou esta- belecido que fossem articuladas mais duas celas no Salão Principal, para que fosse pos- sível acontecimentos cênicos eventualmente simultâneos.
Desta forma, foi instalado o "CÁRCERE 02" ao centro do salão (IMAGEM 63 -
PRANCHA XLII) e o "CÁRCERE 03" debaixo da Escadaria (IMAGEM 68 - PRANCHA XLVI). Ambos os nichos foram criados ao nível do chão, pois se encon-
travam bem diante do público.
Ambos os cárceres adicionais foram orquestrados de maneira bem mais sutil, pois insta- lamos somente dois ou três sacos de linhagem cheios de areia em cada ponto, a fim de reforçar a imagem do canteiro de obras e criar a conexão direta ao "CÁRCERE 1".
Através destas três celas, poderiam aparecer simultaneamente atores que interpretavam "Rosinha" e "Gildo Tabosa", uma dupla em cada nicho. Como também as cenas em que a personagem "Capitão Santos" torturava "Rosinha" e "Gildo Tabosa".
c) Houve também a inclusão de um "telhado" sobre a Laje na finalidade de proteger os a-
tores de possíveis variações climáticas, como, por exemplo, o risco de chuva. Esta estru- tura foi feita com placas de compensado e caibros de madeira e recebeu uma leve "ma- quiagem", através de camadas de tinta branca que foram aplicadas de maneira disforme na intenção de deixá-las sujas e manchadas. Este "Telhado" ficava visível aos olhos dos espectadores, quando acompanhavam do Salão Principal as cenas que ocorriam na Laje.
d) Outra aplicação de camadas sobre os elementos arquitetônicos foi a composição das
coisas e dos objetos que encontramos ao chegar na GRUTA. Assim, os restos de tijolo, as telhas de amianto, os caibros de madeira, os caixotes de madeira de transportar frutas, dentro outros materiais e objetos, fizeram parte de uma composição dentro do primeiro cômodo. Esta composição podia ser vista do Salão Principal, através do vão da ampla janela que ficava atrás do "CÁRCERE 1" e também imprimia profundidade ao Salão Principal (IMAGEM 60 - PRANCHA XL).
Todas essas intervenções e estruturas descritas acima foram retiradas do espaço após a tempo- rada de apresentações do espetáculo, e nenhuma delas promoveu alterações nos elementos estruturais do próprio espaço.