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Kapittel 4 – Teoretiske perspektiver

4.3 Aktør og struktur

O estudo da teoria de formação dos conceitos é algo complexo e pouco discutido na maioria das ciências, apesar de conhecimentos sobre o conceito serem necessários em todas elas.

Conceituar é construir uma teoria sobre um objeto que esta intimamente relacionada com a possibilidade de identificar e explicar o que é este objeto e porque ele se diferencia de qualquer outro. Segundo logos enciclopédia luso brasileira de filosofia (LOGOS,1972), conceito vem do latim concepturs, de concipere, resultado ou termo de uma concepção mental. Daí a definição de conceito como apreensão ou representação intelectual e abstrata da essência de um objeto.

A preocupação com o conceito das coisas e dos fatos tendo em vista a construção de sistemas de classificação e linguagem data do século XVII. Nesta época foram desenvolvidos trabalhos fundamentados muito mais na análise das coisas e de noções do que em palavras da linguagem.

Segundo Felber (1984) as primeiras investigações sobre a natureza dos conceitos surgem com as antigas escolas filosóficas gregas. As questões lançadas pro Platão em sua obra Bhaidron (teoria das ideias) podem ser consideradas o início das discussões sobre a teoria dos conceitos. Foi Aristóteles,

entretanto, que lançou me sua obra Organon os fundamentos da lógica, e com eles, as leis básicas do conceito, características, raciocínio, inferência, definição.

Os filósofos foram os primeiros a traçar uma preocupação com a definição dos conceitos desde a Grécia antiga, mas a partir do século XX é tema muito estudado pela psicologia, já que faz parte da cognição humana. A apresentação que aqui se realiza com respeito à noção de conceito é deliberadamente esquemática e geral, e deixa de lado numerosas teorias na história.

Segundo RAZ, ALEXY e BULYGIN (2007), na história da filosofia as noções de ideia e conceito encontram se intimamente ligados. Hoje, ao contrário, já se compreende que o conceito é mais bem delimitado e construído principiologicamente que as ideias, que têm uma conotação mais abstrata e sem pretensão universalizante.

A teoria platônica coloca as ideias ou conceitos num reino desvinculado do mundo empírico. Para Platão uma ideia -lembrando que ideias e conceitos são sinônimos- é um elemento abstrato e arquétipo que é colocado de maneira imperfeita nos objetos do mundo físico. De acordo com esta concepção, os homens chegam apenas a sombras ou cópias defeituosas das ideias. Esta é a noção básica de conceito, como elemento abstrato desconectado das relações reais e causais.

Para Aristóteles o lugar próprio dos conceitos esta na linguagem e no estado das coisas a que se referem. Em outras palavras os conceitos estão no mundo, flutuando entre as palavras que se usa e o mundo sensível ao que faz se menção. Se os conceitos ou ideias estão entre a linguagem e o estado das coisas a que referimos com ele, uma análise adequada imporá aprofundar tanto na análise da língua como do componente mundano ou empírico, que com o idioma como ferramenta, o objeto será classificado ou explicado segundo as características que apresentar.

Na teoria dos conceitos e linguagem de Frege65: a noção de significado

é composta por dois elementos, o sentido e a referência. Sendo que o primeiro é central na sua teoria.

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Friedrich Ludwig Gottlob Frege (1848 - 1925) foi um matemático, lógico e filósofo alemão, foi o principal criador da lógica matemática moderna.

O sentido é elemento abstrato que determina as propriedades que devem ter um objeto para se qualificar como tal. Consiste em um conjunto de características descritivas que servem aos usuários do conceito, para que possam determinar o referente.

O sentido inclui uma peculiar forma de ver ou caracterizar um objeto. E isso é o que se conhece como modo de apresentação. Por isso, na teoria fregiana, ele equivale ao conceito.

Apesar dos sentidos ou conceitos, serem entidades abstratas, cumprem um papel epistêmico dado que contem as propriedades que servem para localizar e determinar a que objeto se refere o conceito. Ou seja, os sentidos possuem um peso ou valor cognitivo, pois mediam o pensamento e a linguagem. Segundo Frege (1879; 1969), os objetos podem ter múltiplas formas ou modos de apresentação, são um conjunto de propriedades que o descrevem e que o pensamento consulta e através do qual chega a um referente que o levará a palavra apropriada para determinar o conceito, dando lhes um conteúdo mentalista.

O conceito fregeano tem vários problemas sendo que o principal é ser o sentido (conceito) um conjunto de propriedades associadas a um objeto, que parte do pressuposto que a posse do mesmo conceito por duas pessoas deve dar lugar a um mesmo referente, o que é impossível de se imaginar, já que mesmo que duas pessoas associem o mesmo tipo de propriedades a um conceito e essas propriedades determinarão diferentes referênciais. Outra falha importante na teoria é que se o conceito é um conjunto de critérios já definidos, e estes determinam o objeto, se os critérios modificam, muda o objeto. E por fim a teoria fregeana propõe que um conceito ou captar um significado implica encontrar se em certo estado psicológico. O conceito pode ser uma entidade abstrata, mas a atividade de captação é um ato do tipo mental, mas duas pessoas não podem ter captado o mesmo conceito e estar em estados mentais distintos ao mesmo tempo.

Para Locke (1693:1997) a mente é uma tábua rasa onde se imprimem, por meio das sensações, as representações dos estados das coisas que logo serão consultadas pelo intelecto. Ele é um dos primeiros a sustentar que os conceitos são representações mentais implica que são entidades especificamente psicológicas alojadas em um lugar particular. As ideias ou conceitos são classes

especiais de imagens mentais relacionadas de maneira estreita com as percepções, ou seja, esta diretamente ligada ao mundo exterior ou aquele que causa impressões. Põe em xeque que as ideias ou conceitos apenas representam objetos do mundo empírico.

Dahlberg (1978) apresenta a teoria analítica do conceito que destina se a servir de fundamento para análises conceituais de toda e qualquer iniciativa que diga respeito ao estudo e a padronização de termos. Ela implica em que cada conceito tem um referente (conjunto de objetos, um único objeto, uma atividade, um fato, um tópico) sobre o qual afirmações verificáveis podem ser feitas. Todas estas afirmações podem ser sumarizadas e ou sintetizadas por um termo que, então, representará um conceito em qualquer processo de comunicação. Ela é fundamentada no entendimento de que o homem é capaz de formular enunciados corretos sobre os itens de sua cognição direta e indireta desse mundo e através desses enunciados chega-se ao reconhecimento ou a separação das características dos conceitos elementos dos conceitos. Assim as características dos conceitos são seus elementos constituintes e sua soma total representa os próprios conceitos ou unidades de conhecimento, tal como definido pela teoria do conceito.

Existem três correntes teóricas principais na filosofia sobre os métodos de definição de conceitos. A primeira é chamada clássica que limita os conceitos a uma estrutura definicional, que analisa o conceito apenas pela definição verbal de seu surgimento, ou seja, interliga-se uma palavra ao conjunto de propriedades necessárias e suficientes que forma o determinado objeto conceituado. Nesta teoria os conceitos teriam uma arquitetura do tipo tudo ou nada. O conceito é tratado como algo acabado, que é apenas reproduzido de geração em geração, sem preocupação com a dinâmica e o desenvolvimento do conceito, que fica contraditoriamente estagnado em uma sociedade dinâmica. Outro grande problema desta corrente é que se por um lado parece existir uma multiplicidade de objetos que os agentes manejam e que não podem ser especificados como um conjunto de propriedades necessárias e suficientes, o que nesta corrente o tornaria não conceituável. Por outro, parece difícil poder descompor todo conceito em propriedades que façam referência a categorias perceptivas ou sensoriais como conhecimento, justiça ou bondade. Além do problema de às vezes existir o objeto e não haver uma definição verbal do mesmo.

No caso do conceito de paisagem, foi possível perceber que a definição verbal veio a posteriori, iniciando-se o processo com a produção de dicionários no século XVI, aprimorando-se a partir do século XIX, através da racionalização e do cientificismo da época. E não é possível encaixar o conceito de paisagem em propriedades rígidas, pois, ela é perceptiva.

A segunda teoria do protótipo ou caso paradigmático, segundo a qual existem múltiplas instâncias em que os agentes podem identificar com êxito que o que cai baixo a denotação do conceito, mas são incapazes de especificar em termos teóricos porque esse objeto pertence ao conceito em questão e não a outro. Segundo estes, os conceitos teriam uma estrutura tendencial ou estatística. Sustenta que todos os conceitos funcionam no estrito de casos paradigmáticos não parece ter correlato com os dados da experiência diária. Logo, conceitos desagregados dos paradigmas existentes tornam se ininteligíveis.

A terceira teoria é chamada de Neoclássica sustenta que os conceitos são definições parciais, pois o conceito apresenta apenas as propriedades necessárias dos objetos para defini-los deixando em aberto a possibilidade de inserção de propriedades segundo o contexto paradigmático. Esta teoria tem o grave problema de utilizar no conceito apenas as propriedades necessárias do objeto definido, que na maioria das vezes não são exclusivas de um só objeto, não especificando adequadamente sua conceituação e gerando confusões.

Como percebido, alem de pouco práticos os métodos filosóficos são muito abertos, não permitindo uma real definição do objeto a ser conceituado.

A análise psicológica é mais pragmática e conduz a um caminho de criação do conceito de forma mais bem delimitada permitindo assim verificar sua funcionalidade.

A perspectiva psicológica sobre os métodos de criação dos conceitos tem três correntes clássicas: o método por definição, onde existem três métodos principais que levam à criação de conceitos. O primeiro é o da definição, que analisa o conceito apenas pela definição verbal de seu surgimento, ou seja, é a palavra que o define. Nesse método, o conceito é tratado como algo acabado, que é apenas reproduzido de geração em geração, sem preocupação com a dinâmica e o desenvolvimento do conceito, que fica contraditoriamente estagnado em uma sociedade dinâmica.

No caso do conceito de paisagem, foi possível perceber que a definição verbal veio a posteriori, iniciando-se o processo com a produção de dicionários no século XVI, aprimorando-se a partir do século XIX, através da racionalização e do cientificismo da época.

O outro método é chamado de abstração e trabalha o papel da palavra na gênese do conceito. No entanto, ignora a necessidade de generalização do conceito para se afirmar socialmente em uma cultura, representada pela palavra que o define.

O terceiro método é o interacionista, onde se encontram os dois grandes teóricos da atualidade sobre a produção de conceitos: Piaget com o construtivismo e Vygotsky com o sócio-interacionismo.

O construtivismo piagetiano defende que os indivíduos constroem o conhecimento por suas próprias ações, através do contato com os objetos e situações práticas que conduzem o sujeito a assimilação do conceito, que é obtida pela ação do sujeito sobre o objeto que leva a consciência de sua existência e características. Isso ocorre em três estágios, segundo Piaget (1978), primeiro é a realização da ação do contato com o objeto, o segundo é a conceituação, feita a partir da interação com o objeto e relacionado a ele e o terceiro é a abstração refletida, onde ele é capaz de compreender o conceito do objeto de forma abstrata, sem interligar a uma imagem específica.

Nas décadas de 20 e 30 do século XX, surge uma nova corrente chamada sócio-interacionista, criada pelo psicólogo russo Lev Semovich Vygotsky66, que durante sua vida acadêmica desenvolveu um trabalho importante

na Rússia leninista, mas com sua morte e o estalinismo instaurado, foi esquecido por 60 anos.

Devido ao momento histórico em que se desenvolveram suas teorias, Vygotsky se baseou, teórica e filosoficamente, nos preceitos da teoria de Engels e Marx, especialmente na dialética e no materialismo histórico. Segundo Oliveira, (2001, p. 28), os principais preceitos são:

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Eles acreditam que a estrutura dos estágios descrita por Piaget seja correta, porém diferem na concepção de sua dinâmica evolutiva (tradução nossa). Enquanto Piaget defende que a estruturação do organismo precede o desenvolvimento, para os sociointeracionistas é o próprio processo de aprendizagem que gera e promove o desenvolvimento das estruturas mentais superiores (VYGOTSKY,1991).

a) O homem é um ser histórico que se constrói através de suas relações com o mundo natural e social. O processo de trabalho (transformação da natureza) é o processo privilegiado nessas relações homem mundo. b) A sociedade humana é uma totalidade em constante transformação. É um sistema dinâmico e contraditório que precisa ser compreendido como processo em mudança, em desenvolvimento.

c) As transformações qualitativas ocorrem por meio da chamada síntese dialética, onde a partir de elementos presentes numa determinada situação, fenômenos novos emergem. Essa é exatamente a concepção da síntese utilizada por Vygotsky em sua obra.

Atualmente, em estágio de redescobrimento, seu trabalho vem, cada vez mais, ganhando importância e interpretações, especialmente no campo da educação infantil, havendo participado de várias discussões teóricas, destacando- se as críticas que fez à teoria de seu contemporâneo, Piaget.

Trazer suas teorias para a análise das ciências sociais, especialmente geografia e direito, é algo novo, o que gera a necessidade de uma apresentação e discussão mais abrangentes.

Deve-se ressaltar que neste capítulo a partir deste ponto as ideias analisadas e difundidas são da teoria de Vygotsky apresentadas em seus livros.

Antes de ser iniciado o exame da teoria da formação dos conceitos mais especificamente, torna-se necessário refletir sobre um de seus elementos essenciais: a palavra. Sem ela, o conceito não sairia do mundo das ideias, chamado de mundo intrafísico.

A palavra é meio de formação do conceito, e, após, sua apresentação como tal se torna símbolo que o representa. A palavra é o ponto de encontro da linguagem e do pensamento, pois sem significado ela é um “som vazio”, uma vez que é lida e escrita, mas sem interligação a nada real, não sendo possível formar uma imagem que a explicite, que lhe dê significado. O significado da palavra é generalização de um conceito transmitido por signos de representatividade na linguagem específica. É necessário trabalhar a questão da generalização, que é forma de estabelecer a transmissão do significado de uma palavra, ou da significação de um conceito, pois este também a utiliza.

Interessa, no caso da presente pesquisa, a apreciação da palavra enquanto meio de formação do conceito por ter sido constatado, no capítulo 2, que as sociedades, antes do século XIX, não tinham um sentido específico para designar paisagem, vindo o termo a denominar diferentes objetos e representações e, algumas vezes, existindo mesmo a representação sem o termo

próprio para designá-la. Ainda neste capítulo, serão posteriormente discutidas as diferentes palavras utilizadas para designar paisagem, com os significados que a elas vêm sendo atribuídos pelas diferentes sociedades.

Uma contribuição de Vygotsky para a compreensão da formação do conceito se dá quando esclarece como a palavra adquire significação conceitual, explicando que, para análise da palavra, deve-se dividir o significado em dois componentes. Um deles é o significado propriamente dito, que “[...] refere-se ao sistema de relações objetivas que se formou no processo de desenvolvimento da palavra, consistindo num núcleo relativamente estável de compreensão da palavra, compartilhado por todas as pessoas que a utilizam” (OLIVEIRA, 2001, p. 50), ou seja, a generalização que possibilita a compreensão do elemento.

O outro é o sentido que se refere ao significado da palavra para cada indivíduo, composto por relações que dizem respeito ao contexto de uso da palavra e às vivências afetivas do indivíduo, isto é, a individualização do elemento filtrado por sua realidade. “Quando pensamos em um gato, por exemplo, não temos na mente obviamente o próprio gato. Trabalhamos com uma ideia, um conceito, uma imagem, uma palavra enfim, algum tipo de representação de signo que substitui o gato real sobre o qual pensamos” (OLIVEIRA, 2001, p. 35). Portanto, todo e qualquer pensamento é uma generalização, que é fruto do real associado ao cultural.

Daí se justifica, nesta pesquisa, o desdobramento da investigação do conceito de paisagem por um percurso histórico, discutindo-se as diferentes sociedades humanas e a emergência da representação e do conceito de paisagem no seio delas.

Retomando Vygotsky, com a separação desses dois tipos de componentes, ele demonstra que a palavra evolui, pois, além de seu significado, tem-se o sentido que lhe dá valor. As palavras não se limitam a exprimir o pensamento. É por elas que este acede à existência. Os pensamentos se movem, amadurecem, se desenvolvem, preenchem uma função, resolvem um problema.

Figura 29 - Gatos em várias perspectivas, comprovando que a mesma coisa pode ser vista de varias formas, mas mantém a estabilidade do sentido geral.

Ao mesmo tempo, tem-se a generalização, que mantém a estabilidade do sentido geral. No entanto, é preciso destacar que:

As expressões verbais não podem nascer completamente formadas, tem que se desenvolver gradualmente. Este complexo processo de transição do significado para o som tem também que se desenvolver e aperfeiçoar [...] um pormenor gramatical pode, em certas circunstâncias, modificar todo o propósito do que se diz (VYGOTSKY, 1991, p.108).

Mudar o significado de uma palavra representa mudar suas características especificas o que retira o reconhecimento da palavra pela comunidade. Por exemplo, tem-se o termo pays que, para os franceses de gerações passadas de zona não urbana, possuía o mesmo significado de paysage hoje. Entretanto, eles, ao contrário dos jovens da mesma região, não reconhecem o termo novo. O mais interessante é que os franceses da atualidade não dão o sentido de paysage ao termo pays.

Paulhan (apud VYGOTSKY, 1991), analisando a relação entre a palavra e os sentidos, mostra que a independência entre eles é muito maior do que a que existe entre a palavra e o significado. Há muito se sabe que as palavras podem mudar seu sentido. Recentemente, há quem afirme que o sentido pode modificar as palavras, ou melhor, que as ideias, por vezes, mudam de nome. Tal como o sentido de uma palavra encontra-se relacionado ao conjunto de palavras na sua totalidade, e não apenas aos seus sons isolados, também o sentido de uma frase relaciona-se à globalidade da frase e não às suas palavras tomadas isoladamente. Por conseguinte, uma palavra pode, muitas vezes, ser substituída por outra sem ocorrer nenhuma modificação do sentido. “As palavras e os seus sentidos são relativamente independentes uns dos outros” (VYGOTSKY, 1991, p. 124).

É nessa modificação e com o desenvolvimento cultural que o ser humano, enquanto ser vivo transforma-se em social por meio de um processo de internalização de comportamentos culturais desenvolvidos na sua sociedade.

No desenvolvimento infantil, os conceitos se formam a partir do encontro das ideias pessoais individuais – discurso interno – e aquelas impostas pela sociedade e cultura em que vive o sujeito. Para compreender a relação entre pensamento e palavra, deve-se analisar e compreender esse discurso interno que se forma através da “atividade social e coletiva da criança para a sua atividade mais individualizada” (VYGOTSKY, 1991, p. 112). Esse fenômeno é chamado de discurso egocêntrico, é definido como “atividade intelectual e volitiva-afetiva, pois engloba os motivos do discurso e o pensamento que se exprime por palavras” (VYGOTSKY, 1991, p. 111), possibilitando a transmissão da ideia individual para a sociedade, mas sempre compreendendo que, quanto maior é o contato indivíduo-grupo, mais o discurso egocêntrico se insere no discurso social.

Paulhan (1928, apud VYGOTSKY, 1991, p. 123) sintetiza essas proposições ao afirmar que:

O sentido de uma palavra é a soma de todos os acontecimentos psicológicos que essa palavra desperta na nossa consciência. É um todo complexo, fluido dinâmico que tem várias zonas de estabilidade desigual. O significado não é mais do que uma das zonas de sentido, a zona mais estável e precisa. Uma palavra extrai o seu sentido do contexto em que surge. Quando o contexto muda, o sentido também é alterado. O significado mantém-se estável através das mudanças de sentido. O significado de uma palavra tal como surge no dicionário não passa de uma pedra no edifício do sentido, não é mais do que a potencialidade que tem diversas realizações no discurso.

Para entender a palavra, portanto, não basta saber seu significado, deve-se compreender seu sentido, logo o pensamento a ela associado. A relação entre pensamento e palavra é um processo vivo, dialético, pois:

Mostra a história de maneira bastante notável e seus esforços, em