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5 Input data for modelling

5.3 Emission data

5.3.1 Air traffic emissions

A Escola dos Annales apresenta três fases distintas: a primeira que vai de 1920 a 1945, inaugurada pro Febvre e Bloch e caracterizada por refutar a história tradicional, a história política e a de eventos; a segunda, que apresenta o método serial e a concepção do tempo de longa duração, inaugurada por Braudel; e a terceira, que se inicia em 1968, quando Le Goff assume a direção da Revista, revitalizando a história das mentalidades, embora tenha recebido inúmeras críticas, inclusive a de fragmentação do movimento (Cf. DOSSE, 2003; REIS, 2000), do qual trataremos mais tarde.

A primeira fase, representada por seus fundadores, Lucien Febvre e Marc Bloch11, combatia a história historicizante que vinha sendo praticada na França até então, como já se afirmou anteriormente. Ainda combatia não só a história que se pretendia científica, ao buscar a veracidade dos fatos por meio de documentos considerados autênticos e verdadeiros, mas também a falta de diálogo entre a história e as outras disciplinas das

11 Apesar de serem Febvre e Bloch considerados os precursores da “revolução francesa historiográfica”, como denomina Burke (1992), não foram eles os primeiros a contestarem a história política e a de eventos. Os iluministas já o faziam quando fizeram uma história da sociedade, preocupando-se com “as leis e o comércio, a moral e os costumes”, temas presentes, por exemplo, em Voltaire. Com os seguidores de Ranke, porém, a história deu maior ênfase às fontes dos arquivos, e a história da sociedade foi marginalizada, método sistematizado por Langlois e Signobos. No início do século XX, porém, as críticas à história política já eram bastante prolíferas. Alguns historiadores, como James Harvey Robinson e Ernest Lavisse que escreveu a História da França em 10 volumes, já haviam inserido, em suas obras, temas como a cultura, artes, política das artes, etc. Para Burke (1992, p.21), portanto, “é inexato pensar que os historiadores profissionais desses período estivessem, exclusivamente, envolvidos com a narrativa dos acontecimentos políticos”.

ciências humanas, como a antropologia, a psicologia, a linguística, etc. (Cf. FEBVRE, 1952).

“Contra a tal história historicizante, Febvre e Bloch opunham uma assim chamada história nova, uma história problematizadora do social, preocupada com as massas anônimas, seus modos de viver, sentir e pensar”. (VAINFAS, 1997, p.130). Além disso, ainda se opunham à história que colocava o fator econômico como determinante do aspecto social e propunham uma história totalizante, construída a partir de fatos em série e através da interdisciplinaridade.

Os Annales da primeira fase defendiam uma concepção relativista do discurso histórico e apropriaram-se de outro saber: o estudo das mentalidades que provinha dos estudos da etnologia e da psicologia.

A primeira fase, então, foi caracterizada, principalmente, por um combate à história tradicional e uma proposta de se construir uma nova história. Foi uma fase de inovação que durou cerca de 30 anos. Entre 1930 e 1940, Febvre escreveu a maioria de “seus ataques aos especialistas canhestros e empiricistas, além de seus manifestos e programas em defesa de ‘um novo tipo de história’ associado aos Annales, postulando por uma pesquisa interdisciplinar, por uma história voltada para problemas, por uma história da sensibilidade etc.” (BURKE, 1992, p. 38). Bloch, por sua vez, defendia que os fenômenos históricos teriam de ser explicados por meio de seu tempo, e não em função do tempo passado.

A segunda fase é inaugurada por Braudel quando ele assumiu a direção da Revista depois da morte de Febvre, em 1956. Ele já era um historiador muito importante com a obra Mediterrâneo, onde transformou as noções de tempo – dividindo-o em tempo histórico, geográfico e social – e de espaço – “subvertendo as fronteiras tradicionais da história econômica quando deixa de lado as categorias de ‘agricultura’, comércio’, etc., e a substitui por ‘vida diária, o povo e as coisas, alimentos, vestuário, etc”...( BURKE, 1992, p. 60). Braudel acreditava que a contribuição especial do historiador às Ciências Sociais seria a consciência de que todas as ‘estruturas’ estariam sujeitas a mudanças, mesmo que lentas. Ele “era impaciente com fronteiras, separassem elas regiões ou ciências. Desejava ver as coisas em sua inteireza, integrar o econômico, o social o político e o cultural na história total” (idem, p. 36).

Com a influência da geografia vidalina, Braudel “aprofundou o estudo sobre as relações entre o meio ambiente e a vida material, chegando mesmo, no limite, a sugerir uma espécie de determinismo geográfico na estrutura e na dinâmica das sociedades”

(VAINFAS, 1997, p. 134). Em relação ao tempo, Braudel desenvolveu o conceito sobre os diversos tempos que cruzam a história das sociedades: o de longa duração – retrata a relação entre o homem e o meio geográfico –, o de média duração – a história das conjunturas econômicas, sociais e políticas – e o tempo de curta duração: o tempo dos acontecimentos. O homo economicus oferece-lhe, portanto, “uma temporalidade intermediária, conjuntural, cíclica, indispensável para reinsuflar os movimentos significativos entre as profundezas insondáveis e a espuma dos dias” (DOSSE, 2003, p. 215). Apesar de considerar a economia um pilar importante na história, Braudel situa o capitalismo no nível da troca, da circulação, diferente dos economistas marxistas, que o veem na produção, no mercado de trabalho.

Para Burke (1992), entretanto, foi com ele, inclusive, que o marxismo começou a fazer parte dos estudos do grupo dos Annales. A história geográfica e socioeconômica veiculada na Revista, nos anos 60, “faziam uso abundante dos métodos quantitativos, não só para estudar as flutuações de preços, as taxas de nascimento, casamento e mortalidade, mas também as tendências na distribuição da propriedade, na produtividade agrícola, etc” (BURKE, 1992, p. 77).

A era Braudel, dessa forma, caracterizou-se “pela produção de grandes obras de história total, histórias sintéticas, ainda que recortadas monograficamente, com grande ênfase nos aspectos socioeconômicos e suas relações com o meio geográfico” (VAINFAS, 1997, p.135). Por conta disso, a história das mentalidades ficou afastada neste período.

O desenvolvimento do movimento Annales, porém, não pode ser explicado apenas pelo carisma e a contribuição de Braudel12. Entre 1950 e 1970, a história assistiu ao nascimento da história quantitativa e, depois, da história serial, colocando Labrousse, um historiador econômico, em um dos lugares mais influentes no Annales.

Braudel também manteve uma acirrada disputa com a antropologia de Levi-Strauss e a ascensão dessa disciplina no meio universitário. “Observar, classificar, comparar, isolar são as grandes operações cirúrgicas praticadas por Fernand Braudel” (DOSSE, 2003, p.167), cuja proposta resume-se na palavra “reciprocamente”, uma vez que considera que tudo influi sobre tudo.

A história braudelina, para consolidar sua autonomia diante da antropologia pretendeu ser antes de tudo síntese – como propunha a antropologia –, mas com a

12 Para Dosse (2003, p. 182), Braudel é, antes de tudo, “um construtor de impérios, ourives da matéria de organização e preocupa-se, sobretudo, com a consolidação e a ampliação do território do historiador”.

superioridade dos aspectos espaço-temporais. A duração do tempo, então, foi a grande contribuição nesse sentido, pois não se apresentaria mais como um dado, mas como uma construção.

A terceira fase dos Annales introduziu o discurso da antropologia histórica, rendendo-se à influência da etnologia e abrindo-se, nos anos 1970, aos estudos das sensibilidades e da cultura material, ao mesmo tempo em que abandonara os aspectos econômicos braudelianos, sociais e a mudança.

Inaugurada sob a presidência de Le Goff, ex-aluno de Braudel, essa fase é caracterizada pela “redescoberta da história das mentalidades, tentativa de empregar métodos quantitativos na história cultural e reação contrária a tais métodos – quer tomem a forma de uma antropologia histórica, um retorno à política ou o ressurgimento da narrativa”. (BURKE, 1992, p.80). A expressão ‘do porão ao sótão’ diz respeito às investigações de alguns historiadores dos Annales que foram transferidos da base econômica para a superestrutura cultural.

As mentalidades ganharam forte impulso nessa fase, vista como objeto ideal que tem por fundamento “o nível inconsciente das práticas sociais, o pensamento coletivo e automático de uma época ou de um grupo social” (DOSSE, 2003, p.255). Le Goff contribuiu para a volta da história das mentalidades quando “sofisticou as generalizações de Febvre, elas mesma um pouco imprecisas, e discutiu o conflito entre as concepções do Clio e a dos mercadores” (BURKE, 1992, p.86). Sua maior contribuição para a história das mentalidades foi a publicação de La naissance du Purgatoire, uma história das mudanças de representações da vida depois da morte. Vários nomes fazem parte dessa terceira geração, como Ariès, Chartier, Vouvelle, Le Roy etc.

Além dessa descontinuidade13, a de uma história geoeconômica braudeliana para uma história das mentalidades, existem outras apontadas por Dosse (2003, p. 370-3): “o

13 Para Cardoso (1988), apesar de os membros do grupo durante as quatro décadas (entre 1929 e 1969) terem sido heterogêneos, é possível verificar alguns pontos comuns entre eles, como “1) a passagem da história- narração para a história-problema, implicando o uso de hipóteses explícitas pelos historiadores; 2) a crença no caráter científico da história, mesmo tratando-se de uma ciência em processo de constituição; 3) o contato e debate permanentes com as outras ciências sociais, incluindo a importação de problemáticas, métodos e técnicas de tais ciências para uso dos historiadores (inclusive grande número de técnicas de quantificação); 4) a ampliação dos horizontes da ciência histórica, que tem a pretensão de abarcar numa síntese estrutural global todos os aspectos da vida social: ‘civilização material’, poder e mentalidades coletivas; 5) a insistência nos aspectos sociais, coletivos e repetitivos de preferência aos geográficos, individuais e ‘episódicos’: daí a ênfase na História demográfica, econômica e social; 6) a utilização de todos os tipo de documentos disponíveis – vestígios arqueológicos, tradição oral (...) –, acabando com a excessiva fixação só em fontes escritas; 7) a construção de temporalidades múltiplas em lugar de limitar-se o historiador ao tempo simples e linear característico da historiografia tradicional; 8) o reconhecimento da ligação indissolúvel e necessária

homem não é mais o horizonte primeiro do trabalho histórico (...)”; “... passa-se de uma história, ciência da mudança para uma história quase imóvel...”; abandona-se “toda a dialética entre passado/presente e futuro”; e a mais importante “...situa-se na decomposição do saber histórico, o fim de toda perspectiva globalizante, não mais a história, mas as histórias”.

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