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3 Komparative analyser

3.3 Agronomiske og fenotypiske egenskaper

De acordo com Chambers (2002) 16, a mudança linguística não precisa ser estudada somente depois de seu acontecimento, pois pode ser observada em progresso. Em outras palavras, a mudança linguística pode ser observada em tempo aparente ou em tempo real. A pesquisa com o foco no tempo aparente visa à distribuição das variáveis linguísticas por faixas etárias. Acredita-se que as diferenças linguísticas observadas no comportamento linguístico dos falantes em uma dada comunidade e em um dado momento refletem um estágio da mudança da língua. A pesquisa com foco no tempo real busca solucionar questionamentos acerca da mudança linguística baseando-se em um recorte sincrônico de tempo.

A análise do tempo aparente leva os linguistas a compreender o que pode ter acontecido no tempo real. Paiva e Duarte (2003: 181), retomando Labov (1994), observam que “a combinação de evidências no tempo aparente e no tempo real é o método básico para o estudo da mudança em progresso”. Por fim, Labov (1994: 77) sugere que os dados do tempo aparente “sejam relacionados com os do tempo real, para se reconstruir a cronologia das várias etapas da mudança e para se correlacionar essa cronologia com as características sociolinguísticas de cada estágio”. 17

A mudança em progresso é aquela que ainda não foi completada; pode ser uma forma linguística, por exemplo, que co-exista com uma ou mais formas, antes de se estabelecer por completo em uma comunidade de fala. A análise da mudança em progresso nos traz soluções para os problemas que dizem respeito à mudança linguística.

O princípio uniformitário, exposto por Labov (1972: 275), postula que “as forças que atuam para produzir a mudança linguística no presente são do mesmo tipo e da mesma

16 “Central to the variationist program has been the revelation that language change need not be

observed ‘after the fact’ but can be viewed in progress.

17 “Once the data from apparent time have been correlated with real-time data, it is possible to

reconstruct a chronology of the various steps, and to correlate this chronology with the sociolinguistic characteristics of each stage.”

ordem de magnitude das que atuaram há cinco ou dez mil anos” 18. Entretanto, o princípio uniformitário não consiste em simplesmente transferir dados do presente para o passado, ou vice-versa. O autor observa que o uso do presente para explicar o passado depende não somente de novos métodos e dados, como também de localizar pontos de contato e similaridade entre o presente e o passado que justificariam a aplicação de novos dados (1994:20). 19

O estudo de tendência, segundo Paiva e Duarte (2003), se baseia na comparação de amostras aleatórias da mesma comunidade de fala, em dois momentos de tempo. O estudo de painel, por sua vez, consiste no recontato e na obtenção de uma amostra de fala de indivíduos gravados há algum tempo e separados por um período de tempo. O estudo de tendência analisa a comunidade enquanto o estudo de painel se volta para o indivíduo.

Entretanto, cada tipo de pesquisa pode apresentar algum tipo de restrição. Para Labov (1994: 84), um estudo de painel

“(...) detecta as condições em que o individuo muda ou fica estável: gradação por idade e mudança na comunidade. Entretanto, um estudo de painel por si só não irá diferenciar entre esses dois, ou entre estabilidade e mudança entre gerações, uma vez que ele não fornece uma visão da comunidade, exceto através do comportamento dos mesmos indivíduos” 20

Em contrapartida, o autor pondera que um estudo de tendência

“(...) detectará o comportamento instável dos indivíduos e distinguir as comunidades estáveis das instáveis (...) e, neste sentido, o estudo de tendência seria a melhor abordagem para coletar dados acerca da mudança

18 “(...) the forces operating to produce linguistic change today are of the same kind and order of

magnitude as those which operated in the past five or ten thousand years.” (Tradução nossa).

19 “The use of the present to explain the past then depends not only on new methods and new data, but

also on locating points of contact and similarity between the present and the past that would justify the application of the new data”. (Tradução nossa).

20 “(…) will detect conditions where the individual either changes or is stable: age-grading and

communal change. But a panel study by itself will not differentiate between these two, or between stability and generational change, since it provides no view of the community except through the behavior of the same individuals” (Tradução nossa).

linguística. Há somente uma limitação: ela não produz informações sobre o comportamento dos indivíduos através do tempo. Tal informação, fornecida pelos estudos de painel, é essencial para a interpretação de estudos em que pouco ou nenhum dado está disponível” 21

Paiva e Duarte (op. cit.) acreditam que a técnica ideal para acompanhar as fases da mudança linguística seria comparar as amostras distintas de uma mesma comunidade de fala (estudo de tendência) e dos mesmos indivíduos em dois pontos separados por um lapso de tempo (estudo de painel). A presente pesquisa terá como base o estudo de tendência, uma vez que foi escolhida uma comunidade de fala já estudada no passado em Madureira (2000, 2002) e pretende-se observar as mudanças de comportamento dos informantes ao longo dos anos que compreendem o período da coleta de dados da autora (década de 1980) e aquele da coleta dos dados para a análise deste estudo.

Apesar dos esclarecimentos acerca da mudança linguística, os linguistas ainda tentam desvendar a implementação da mudança linguística. Os modelos apresentados na seção seguinte buscam lançar luz sobre as indagações frequentes sobre a variação e a mudança linguística.