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Joachim I av Brandenburg

6. Agenter i Kristian 2’s tjeneste

Elegemos como lócus de pesquisa seis unidades prisionais do Estado de São Paulo, sendo cinco masculinas e uma feminina. A escolha do Estado de São Paulo justifica-se porque possui a maior população carcerária do País e desenvolve experiências com o trabalho educacional e laboratorial com presos desde a década de 1970, por meio da Funap, fundação responsável por essas atividades. Essas unidades também foram escolhidas por desempenharem

16 Neste trabalho, adotamos os estudos culturais como “[...]um certo modo de olhar (ou de abordar) os fenômenos sociais. Essa visada singular parte de uma concepção específica de cultura, que é vista como um espaço, ao mesmo tempo, antropológico e sociológico, um lugar caracterizado por diálogos, disputas e tensões; caracterizado por relações de poder (hegemonias) e suas contrapartidas contra-hegemônicas. ( GOMES; JÚNIOR,2001, p.7)

atividades educacionais, consideradas exitosas, por meio de (monitores) presos educadores, no desempenho de suas atividades ou em seu interior.

2.4 Os colaboradores

Os colaboradores desta investigação totalizaram 30 sujeitos, sendo 28 homens e duas mulheres de cinco penitenciárias masculinas e uma feminina, do Sistema Penitenciário Paulista, e três funcionários gestores, assessores e ex-dirigentes de regionais da Funap. Os critérios de escolha dos colaboradores foram: estar desenvolvendo alguma atividade educativa ou a ter desenvolvido nos últimos três anos e ser preso educador do ensino fundamental ou ensino médio. Os sujeitos monitores são identificados como educadores numerados em sequência. Todos os colaboradores assinaram o Termo de Consentimento, mas adotamos o critério de invisibilidade dos sujeitos, optando por não identificá-los e nem tampouco associá-los às respectivas unidades prisionais.

3 A organização da Tese

A Tese foi organizada em quatro capítulos. No primeiro, intitulado “Revisitando a história do sistema prisional”, revisamos algumas das dimensões históricas da instituição prisional, do nascimento até os dias atuais, na Europa e no Brasil, enfocando, com mais profundidade, o Sistema Penitenciário Paulista, em seus aspectos históricos e constitutivos. Foi organizado em quatro partes: a) As origens da prisão; b) O sistema prisional brasileiro; c) O sistema penitenciário federal; e d) A Funap e a educação no Sistema Prisional Paulista. Mergulhar na história da prisão nos trouxe aspectos desconhecidos da prática penal proporcionando uma melhor compreensão sobre o mundo vivido dos monitores presos e da prática de encarceramento (FOUCAULT), num movimento de idas e voltas, de permanências e rupturas. Mergulho que nos levou a compreender que o processo de encarceramento faz parte de toda uma tecnologia da correção humana, da vigilância, do comportamento e da individualização dos elementos do corpo social. A descrição densa nos possibilitou compreender o fio condutor das transformações da máquina carcerária.

No segundo capítulo, intitulado “Educação escolar em prisões no Brasil: uma revisão”, apresentamos e analisamos a constituição da educação escolar prisional como direito que transcende a condição de estar preso ou livre, por meio de marcos referenciais legais e as Diretrizes Nacionais para a oferta de educação para jovens e adultos em situação de privação

de liberdade nos estabelecimentos penais (2010). O objetivo foi o de confrontar avanços e retrocessos na construção de uma política pública, capaz de viabilizar a construção de um sistema de educação prisional. Dialogamos com outros pesquisadores ao elaborarmos o estado da arte da produção acadêmica acerca da temática da pesquisa. Diálogo que nos possibilitou apurar nossos olhares e convicções. Entramos em contato com as diversas áreas do conhecimento, com outras vertentes teóricas, ampliando nossa visão e ajudando a problematizar nosso objeto de pesquisa. Assim, o saber é construído num caminho de mão dupla, ora aprendemos, ora ensinamos.

No terceiro capítulo, intitulado “Histórias de vida... histórias da escola... história da prisão: quem são os presos educadores”, nosso objetivo foi registrar e refletir sobre a identidade docente dos presos educadores, buscando responder: Quem são esses “educadores”? Também buscamos descortinar contextos, histórias e memórias, por meio das narrativas dos presos monitores percebendo que identidade se constrói de maneira dinâmica e de múltiplas formas. Nesse sentido, a captação de dados nos permitiu humanizar a própria investigação. Foram histórias que reafirmaram o incabamento do ser humano e a sua capacidade de recriar-se perante os obstáculos, numa incessante busca de ser mais (FREIRE, 1987).

No quarto capítulo, intitulado “O que pensam, o que dizem: saberes, concepções e práticas nas vozes de educadores”, analisamos as concepções, os saberes e as práticas de educadores (as) presos (as) relacionadas à cidadania, à educação, à justiça, no contexto da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo. A escuta de sujeitos silenciados, por meio da história oral, requer reconhecer esses colaboradores como produtores de conhecimentos, que constroem saberes a partir de suas experiências vividas em espaços educativos que, apesar de estarem no interior de penitenciárias, alimentam sonhos e expectativas de futuro melhor.

Por fim, ao tecermos as considerações finais: “Lançando âncoras... içando velas...a

viagem continua”, retomamos as questões centrais da investigação sobre a educação em espaços prisionais e a experiência paulista ao utilizar os presos monitores, perpassando as questões pedagógicas, teóricas e política. Ao revelarmos alguns aspectos do exercício da docência no interior das prisões paulistas, que é praticada por presos educadores, tentamos contribuir para o registro dessa experiência educacional na memória da história da educação nas prisões, capturando, nas narrativas dos colaboradores, elementos que possam nos permitir a realização de uma reflexão sobre a educação nos espaços prisionais e as suas especificidades.

Esperamos que, ao lerem esta Tese, os leitores encontrem respostas a algumas inquietações e outras se façam, cada vez mais, inquietantes, provocando a busca por outras

respostas, de outros saberes, de outros olhares em um campo que, em construção, busca se afirmar, a cada nova reflexão, sobre o ser e o fazer docente no interior do cárcere. Como dizia Paulo Freire: “Não há saber mais ou saber menos, há saberes diferentes" (1987, p.68).