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4. Agent-based models to simulate fish diseases

4.2 Agent-based model

4.2.1 The fish agent

O auto-conceito é uma definição do si, do que o próprio acha que é (o que sou eu/quem sou

eu). Pode ser bastante específico relativamente à tarefa ou à situação e pode incluir uma apreciação

dessas qualidades ou defeitos. Embora a este conceito se possam associar determinadas tarefas, a

qualidade ou o sucesso da execução não é normalmente considerado.

À componente cognitiva associa-se uma componente afectiva, i.é, a auto-estima (se gosto ou

não do que sou). As duas componentes também derivam do sucesso ou insucesso das experiências.

É mais fácil e provável que eu me reconheça como músico se sei tocar um instrumento do que se for

o mais escolhido para jogar futebol. Os interesses vão sendo moldados pelos sucessos, na medida

em que é difícil aplicar-me em algo que não consigo fazer satisfatoriamente. Vou, por isso, constru-

indo um “eu” com base nessa experiência, mas há outros mecanismos (nomeadamente de identifi-

cação) que condicionam esse desenvolvimento. Querer ser artista como o pai ou o professor, define

o indivíduo como artista.No entanto, não diz se será um bom ou um mau artista. Também a auto-

tão bom como o meu pai”, por exemplo.

Em que diferem? O auto-conceito refere-se ao ser (por exemplo, quando digo que sou alto), a

auto-estima ao sentir (por exemplo, quando digo que gosto de ser alto) e a auto-eficácia ao poder

(por exemplo, quando digo que chego alto). O auto-conceito é reconhecido como tendo uma natu-

reza hierárquica. Esta hierarquiza um auto-conceito geral diferenciado dos auto-conceitos social,

físico, emocional e académico (Harter, 1990). O auto-conceito académico pode ainda ser divido

por cada disciplina. A relação entre o auto-conceito específico e a realização nessa disciplina será

mais forte do que entre esta e o auto-conceito académico. A relação entre desempenho e auto-

conceito geral será a menos relevante.

A auto-estima é consequência e não causa de nada: sentir-se bem consigo mesmo só acontece-

rá se fizer algo que seja bem feito ou bom. Aqui já se fala em auto-eficácia.

A auto-eficácia é específica de cada área e tem de ser criada para cada tarefa. Os juízos de

auto-conceito podem ser de um domínio específico, mas não de uma tarefa específica (Pajares,

1997). Como é uma expectativa de desempenho é natural que tenha uma correlação maior com esse

desempenho do que uma classificação geral sem ter em conta os pormenores do contexto em que é

aplicada a competência. Por exemplo, a eficácia do professor diminui nos cursos fora da sua área de

ensino (Ross et al, 1999). De acordo com Saalvik & Rankin, se a auto-eficácia e o auto-conceito

forem medidos ao mesmo nível de especificidade conseguem prever de igual forma o comporta-

mento (citado em Pajares & Schunk, 2001).

A relação entre a auto-eficácia e o desempenho é mais estreita na matemática do que na leitura

e na escrita. A dificuldade em avaliar essas competências pode explicar esse efeito. No trabalho

encontrou correlações elevadas entre a avaliação objectiva e a auto-avaliação das aptidões nas

áreas numéricas. Nestes casos é possível ter respostas totalmente correctas e a auto-avaliação é

bastante acertada. Quando as aptidões são definidas de forma mais vaga ou se referem a áreas em

que os resultados são menos exactos, as correlações baixam significativamente.

Se o auto-conceito não é necessário para a auto-eficácia (não ser capaz de fazer algo que não

é importante para a pessoa, não a afecta), já o contrário não é verdadeiro. Os juízos de confiança,

assim como os de valor, são componentes críticos. Aliás, o auto-conceito de um indivíduo engloba

a totalidade das crenças relativamente a si próprio.

Como se forma o auto-conceito? O auto-conceito é determinado pelas crenças e pelos actos

dos outros. Ou porque são imitados (James, 1896) ou porque funcionam, segundo Cooley, como o

espelho (looking-glass self) que reflecte o que somos (citado em Pajares & Schunk, 2001).

Como as crianças pequenas não são proficientes nas auto-avaliações precisas, usam os juízos

dos outros para criar os seus próprios juízos de confiança e de valor próprio. E assim nos tornamos

o tipo de pessoa que vemos reflectida nos olhos dos outros. Talvez aconteça o mesmo com os

neófitos em qualquer actividade, incluindo os professores. No caso do estagiário, de quem são os

olhos que espelham o professor em que se tornará? São os olhos dos alunos, dos colegas (incluindo

os orientadores), dos funcionários da escola, dos pais dos alunos, dos familiares e dos amigos que

se juntam aos do próprio para lhe dar a imagem de si como professor.

As comparações sociais são igualmente essenciais. Aumentam a confiança se a pessoa se vê

mais capaz do que os outros, mas diminuem-na se são os outros que são vistos como maios capa-

zes. As práticas escolares que enfatizam as avaliações estandardizadas, as práticas competitivas de

cia dos menos talentosos ou menos preparados academicamente. Estas práticas convertem a expe-

riência de escola numa educação na ineficácia (Bandura, 1997). A comparação é inevitável, mas

tem outro impacto em contextos de aprendizagem cooperativa e individualizada. Só reduzindo a

orientação competitiva se pode aumentar a confiança e melhorar o auto-conceito dos alunos.

As pessoas que consideram os alunos como criaturas jovens compostas de boas intenções que

devem ser amadas, estão na melhor posição para se tornarem professores perfeitos (James, 1896).

Os professores devem prestar tanta atenção à competência real do aluno como as suas crenças

acerca de si próprio. Isto porque estas são o melhor preditor da sua motivação e das escolhas futu-

ras. Deve identificar os juízos inadequados (porque se um aluno não tem confiança, não se envolve

e desiste) e intervir para os alterar e melhorar. Claro que a confiança só pode vir do saber que se tem

competência. As intervenções têm de levar a experiências autênticas de sucesso que aumentam a

competência e a confiança. Aumentar a confiança sem a competência (como no movimento da

auto-estima) é criar convencidos incompetentes. Talvez seja melhor investir na transformação das

escolas das salas de aula e das práticas de ensino, embora não perdendo de vista as crenças dos

Se tenho fé em que sou capaz de fazê-lo, adquirirei

seguramente a capacidade de o realizar, mesmo que

não a tivesse ao começar.

Mahatma Gandhi