O professor deve ter uma atitude observadora e inquiridora que lhe permita refletir sobre o que observa no seu processo de ensino-aprendizagem. Deste modo, as opções metodológicas devem ser tomadas tendo em consideração os alunos a que se destinam e o espaço em que será desenvolvida. Ao longo das práticas letivas podem ocorrer mudanças, quando estas forem verificadas como importantes, tendo o professor de desenvolver uma “(…) atitude de abertura à introdução de mudanças no quotidiano educativo.” (Ferreira & Santos, 1994, p. 48).
As metodologias, ou seja, o modo de proceder durante o estágio pedagógico teve como referência a semana de observação participante, uma vez que foi possível contactar com os alunos e conhecer as necessidades coletivas e individuais dos mesmos. Assim, teve-se como principal objetivo optar por metodologias ativas e participativas em que os alunos têm um papel ativo na sua aprendizagem e é lhes facultada a oportunidade de realizarem trocas de experiências com os colegas.
As metodologias ativas, segundo Ferreira e Santos (1994), são a mais adequadas às exigências da sociedade atual e com o papel da escola, ou seja, formar alunos que intervenham socialmente. Estas autoras referem que estas metodologias permitem que o aluno deixe de estar preocupado em transmitir o que anteriormente lhe tinha sido transmitido e comece a estar mais preocupado em mostrar o que sabe, o que permitirá uma melhoria na aprendizagem. O aluno é encarado como um ser em desenvolvimento com potencialidade, desejos e intenções “(…) onde as realizações cognitivas dão bem-estar e imprimem desejos.” (Ferreira & Santos, 1994, p. 49).
57 A aprendizagem é um processo individual, contínuo e dinâmico uma vez que só ocorre aprendizagem quando existe uma interação entre diferentes tipos de saberes, com a interação de todos os intervenientes no processo permite caminhar “(…) no sentido de uma maior complexidade de conhecimentos (Saber saber), habilidades (saber fazer) e comportamentos (saber ser).” (Lopes & Pereira, 2004, p.74).
Tendo em conta as características do processo complexo que é a aprendizagem, denotou-se importante considerar também as características dos alunos, o programa a desenvolver e a organização dos espaços e dos conteúdos, optou-se por privilegiar durante a realização do estágio pedagógico o método ativo, o método afirmativo e o método interrogativo.
O método é caminho para chegar a um determinado objetivo a alcançar, ou seja, é o modo como o professor gere a sala de aula no que diz respeito aos comportamentos dos alunos e à organização dos equipamentos e conhecimentos. O método permite que se estabeleça uma relação pedagógica entre os alunos e o professor (Lopes & Pereira, 2004).
O método ativo permite que os alunos sejam agentes ativos nas suas aprendizagens, em que todos são considerados importantes no processo de ensino-aprendizagem e entre eles ocorre um intercâmbio de ideias. O professor tem o papel de orientar e moderar as aprendizagens dos alunos, introduzindo na sua sala práticas que motivam e facilitam a aquisição e compreensão dos conhecimentos por parte dos alunos.
A aplicação deste método requer a realização de estratégias como a utilização de jogos pedagógicos que criam uma dinâmica no processo de aprendizagem, motiva e desperta os alunos e melhora a assimilação de novos conceitos. Os trabalhos de grupo também são estratégias utilizadas neste método e que faculta uma maior oportunidade dos alunos criarem um espírito de grupo e de cooperação, favorecendo o sentido de responsabilidade e de resolver problemas (Lopes & Pereira, 2010).
Segundo Lopes e Pereira (2004) o método afirmativo “consiste em afirmar um conhecimento ou uma capacidade”, ou seja, requer que o professor transfira um conhecimento aos seus alunos (p.154). Este método é constituído por outros dois métodos, o expositivo e o demonstrativo.
No desenrolar do estágio pedagógico foi aplicado o método demonstrativo, uma vez que este, embora se baseie na transmissão de conhecimentos também requer que o professor exemplifique os conceitos transmitidos e faculta a oportunidade de os alunos repetirem e apreenderem. Este método possibilita uma aproximação entre os alunos e o professor, pelo
facto de o professor conduzir os alunos na sua aprendizagem, considerando os conhecimentos que estes já sabem e aperfeiçoando as suas competências (Lopes & Pereira, 2004).
Este método para além de admitir o desenvolvimento de aptidões, também possibilita que os alunos tenham oportunidade de esclarecem as suas dúvidas. O método demonstrativo baseia-se no apelo à memória visual, o que se tornou uma técnica fulcral para o desenrolar do estágio pedagógico uma vez que, segundo Piaget, os alunos ainda não se encontravam na fase das operações concretas (Lopes & Pereira, 2010).
Outro método utilizado foi o método interrogativo que se caracteriza pela utilização de perguntas por parte do professor e que fornece aos alunos o papel de descobridores do que devem aprender, ou seja, permite a realização da autodescoberta (Lopes & Pereira, 2010). Na sala de aula cria-se um ambiente de pergunta e resposta entre o professor e os alunos permitindo a existência de uma troca de saberes e a oportunidade de os alunos descobrirem novos conceitos.
A utilização deste método autoriza que os alunos criem hábitos de analisar os acontecimentos e conhecimentos, fomenta um autocontrolo na aquisição de competências e desenvolve a capacidade de comunicar com os outros, expressando os seus saberes e dúvidas (Lopes & Pereira, 2010).
O método interrogativo, ou seja, o questionamento, segundo Gall (1987) citado por Vieira e Vieira (2005), comporta cinco razões pelas quais deve ser utilizado na sala de aula: motiva os alunos e torna-os envolvidos nas tarefas; facilita a atenção dos alunos no que deve ser aprendido; promove o pensamento dos alunos; pode tornar os alunos conscientes do que sabem, uma vez que ativa processos cognitivos e ajuda o professor a perceber que futuras práticas exercer e que conteúdos curriculares os alunos estão a compreender e interiorizar.
Durante o desenrolar do estágio pedagógico foi conjugada a utilização de um modelo de ensino que permite aos alunos trabalharem em equipas constituídas por alunos bons, médios e fracos. Este modelo denomina-se aprendizagem cooperativa e tem como característica essencial o facto de os alunos encontrarem-se interdependentes para a realização das tarefas, onde coordenam os seus esforços para atingir os objetivos (Arends, 2001).
Com a utilização deste método os bons alunos e os maus alunos são beneficiados mutuamente, na medida em que trabalham juntos em matérias escolares. Os bons alunos orientam os maus alunos e ”(…) retiram dividendos escolar já que ser orientador requer um pensamento mais aprofundado acerca das relações e do significado de um conteúdo particular.” (Arends, 2001, p.372).
59 Examinando os modelos expostos anteriormente destaca-se que no desenvolvimento do estágio privilegiou-se uma instrução direta cujo principal objetivo é que os alunos aprendam de uma forma compreensiva e acompanhem o seu desempenho ao longo do caminho que percorrem até atingir as suas MA ( Lopes & Silva, 2010). A instrução direta é um processo com várias etapas (ver figura 6) que serviram de orientação para a realização do estágio pedagógico.
Durante o estágio foram planificadas atividades relativas às áreas curriculares disciplinares que compõem o currículo, a área do português, a área da matemática e a área do estudo do meio. A planificação das atividades teve em consideração as características individuais dos alunos com o intuito de adequar as estratégias de ensino às estratégias de aprendizagem de cada aluno, realizando uma “(…) pedagogia diferenciada que valorize o sentido social das aprendizagens, que permita gerir as diferenças de um grupo, no seio do próprio grupo e, através das capacidades que cada membro desse grupo tem.” (Cadima, Gregório, Pires, Ortega & Horta, 1997, p.14).