6 BLUE WHITING ...... _
6.3 Biological Characteristics
6.3.2 Age composition of catches ........................................................................................................... l21
Optámos por entrevistar alguns educadores no sentido de confrontar as nossas percepções com as opiniões dos informadores do estudo. A princípio, a nossa pouca experiência em investigação, assim como os fracos conhecimentos teóricos nestas questões, levou-nos a optar, na primeira fase (2006), por elaborar um conjunto de perguntas estruturadas para guião das entrevistas. Pois, nesta altura, ainda não tínhamos um quadro conceptual bem estruturado, nem todas as questões da investigação bem delineadas. Contactámos cinco educadores e elucidámo-los acerca do tema do estudo e de que modo poderiam contribuir para o enriquecimento do mesmo. Procurámos seleccionar educadores que trabalhassem em estabelecimentos de áreas distintas, desde o meio rural ao urbano, englobando estabelecimentos públicos e privados, no sentido de abarcar uma maior diversidade de experiências. Entrevistámos também os educadores - ED1 e ED2 participantes na observação. Começámos as entrevistas por falar dos objectivos da investigação e garantir a sua confidencialidade. Quase todas foram realizadas no local de trabalho dos educadores, à excepção de uma que foi num café, também próximo da escola do educador, no sentido de facilitar a sua deslocação e colaboração. Com estas entrevistas pretendíamos recolher dados sobre: os motivos que levaram os educadores a escolherem o curso de educação de infância; se o curso foi a primeira opção no acesso ao ensino superior ou se foi um meio para entrar na universidade; conhecer o modo como os pais e os amigos reagiram à opção pelo curso; apurar se tiveram influência de outros familiares ou conhecidos sobre a escolha do curso; averiguar que tipo de relacionamento os educadores estabeleciam com os meninos e com as meninas da sala; conhecer os receios e dificuldades dos educadores face à profissão a aos pais das crianças da sala, especialmente, no que concerne a questões relacionadas com a pedofilia; obter dados acerca do relacionamento dos educadores com as colegas da sala (educadoras e auxiliares), com a directora e restante pessoal docente e não docente da escola; perceber se existiam diferenças na metodologia do educador e da educadora.
Com o desenrolar das entrevistas apercebemo-nos que o facto de não as gravarmos, assim como, de elas serem estruturadas, estava a contribuir para perdermos muitos dados ricos em informações pertinentes para o nosso estudo. Pois, tal como Ludke e André (1986) nos elucidam, quando o entrevistador segue um guião com perguntas feitas a todos os entrevistados de modo idêntico e na mesma ordem, temos
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uma situação muito próxima de um questionário, com a vantagem de se ter o entrevistador presente para algum esclarecimento. Foi aí que, num segundo momento (2008), com mais maturidade a este nível, optámos por fazer outro tipo de entrevistas aos educadores que ainda estavam na nossa lista, às três directoras das escolas (D1, D2, D3) onde realizámos a observação e às duas educadoras (EDA1, EDA2) colegas de sala dos educadores observados (ED1, ED3). Voltámos a entrevistar o ED1 e o ED2, pois o primeiro tinha sido entrevistado no final do primeiro ano de trabalho (2005-2006), ainda antes de iniciarmos as observações e, quando trabalhava com um grupo de cinco anos e, o segundo, no início do primeiro período do ano lectivo de 2006-2007, que coincidia com os primeiros dias de experiência profissional. Assim, a segunda entrevista do ED1 foi no início do segundo momento de observações, em Abril de 2008 e do ED2 no final do segundo momento de observações, em Maio de 2008, para averiguar quais as dificuldades sentidas ao longo daquele período de trabalho. Nesta altura, procurámos iniciar a entrevista por uma questão aberta, de modo a estimular a espontaneidade do entrevistado e deixar as questões mais fechadas (idade, habilitações, etc.) e de maior complexidade para a fase final da entrevista. A sua estruturada foi flexível para aprofundarmos as questões e os sujeitos responderem de acordo com a sua perspectiva pessoal. Em relação às entrevistas com os outros educadores, o objectivo foi idêntico às anteriores, contudo, a ordenação das perguntas foi aleatória e a formulação das questões era maleável, ou seja, numas entrevistas surgiram certas perguntas e noutras apareceram outras, pois conforme já focámos anteriormente, cada pergunta surgia na sequência da resposta anterior do informador, que muitas vezes, nos conduziam para itens não equacionados previamente. Neste sentido, certas questões só apareceram posteriormente, nomeadamente, saber a opinião dos educadores acerca dos obstáculos que ainda influenciam os homens na escolha da educação de infância como opção profissional e a questão da autoridade da figura masculina e feminina sobre as crianças, que só ocorreu no decorrer da observação do ED3. Para além dos participantes atrás mencionados, entrevistámos mais dois educadores que estavam a desempenhar funções na educação especial e nas expressões artísticas, sendo que os objectivos das questões anteriores se mantiveram. Contudo, procurámos averiguar porque deixaram a profissão e enveredaram por outros caminhos, embora dentro da educação e se essa opção estava relacionada com questões de realização pessoal ou valorização da profissão. As entrevistas a estes últimos educadores também se realizaram num café próximo da
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residência dos mesmos. Neste segundo momento já pedimos permissão para gravar as entrevistas, ao que todos os informadores concordaram, sem colocar obstáculos.
No que diz respeito às entrevistas com as educadoras que partilhavam a sala com os educadores observados, estas realizaram-se nos estabelecimentos onde as mesmas exerciam funções e, também, foram gravadas. Pretendíamos conhecer a opinião das mesmas acerca: da existência de diferenças ou não, no seu relacionamento e o dos educadores, com as crianças; inferir se elas, alguma vez, tiveram conhecimento de algum receio por parte dos pais acerca do educador pelo facto de ser homem; se consideravam que o relacionamento que os pais tinham com elas era diferente do relacionamento com o educador; conhecer a opinião das educadoras acerca da pedagogia e metodologias utilizadas por elas e pelo educador, se era coincidente ou divergente; compreender as representações que as educadoras tinham acerca do modo como os homens encaram a profissão de educador de infância e, por último, conhecer as opiniões das educadoras acerca da importância ou não de uma presença masculina nos estabelecimentos de educação pré-escolar.
No que concerne às entrevistas às directoras, estas realizaram-se nas escolas com gravação áudio. Pretendíamos conhecer: a opinião das mesmas acerca da presença de um elemento masculino na dinâmica da equipa pedagógica e da instituição em geral; inferir acerca do seus conhecimentos sobre as representações dos pais em relação ao educador a exercer funções na instituição; saber se, como directoras, tinham recebido alguma reclamação dos encarregados de educação acerca do educador da escola pelo facto de ser do género masculino; assim como, da existência ou não de diferenças entre o relacionamento dos pais com o educador e com a educadora da sala e entre o relacionamento do educador e da educadora com as crianças; depreender se existiam divergências na pedagogia e metodologia do educador e da educadora. Procurámos, ainda, esclarecer as questões das representações da autoridade masculina nos diferentes meios onde as escolas se inseriam.
Em todas as entrevistas procurámos adaptar cada nova questão em função da resposta ou da informação que os entrevistados acabavam de dar, a fim de a aprofundar, de melhor a compreender e, também, fazer um encadeamento lógico da informação. Deste modo, as questões foram sempre diversificadas, assim como a sua ordem, embora se pretendesse alcançar os mesmos objectivos. Em todas elas conversámos um pouco com os informadores antes da realização da mesma, no sentido de criar um ambiente de confiança e empatia, numa relação o mais informal possível. Procurámos ouvir os
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entrevistados sem os interromper respeitando as pausas. No final da entrevista foi concedida a possibilidade do entrevistado acrescentar algo que considerasse oportuno face ao que já tinha verbalizado. Verificámos que esta técnica foi muito rica em pormenores descritivos.
Após a gravação áudio, as entrevistas foram transcritas na íntegra, incluindo as expressões do discurso oral. Seguidamente, organizámos o texto em unidades de sentido que deram origem às respectivas categorias e subcategorias de análise, utilizadas na análise de conteúdo. Atribuímos códigos a todos os informadores, aos educadores: ED1E até ED9E; às educadoras: EDA1E e EDA2E e às directoras: D1E, D2E e D3E.
Também foi nossa pretensão entrevistar as crianças do grupo do ED3, da escola C, cujas idades variavam entre os 3 e os 6 anos, no sentido de obter alguns dados acerca da cultura do meio de onde elas provinham. Aspirávamos com isso, perceber as representações que elas tinham em relação aos estereótipos de género, começando pela figura materna e paterna e depois com a educadora e o educador. Assim como, pesquisar o tipo de relações e brincadeiras preferidas com a educadora e com o educador da sala. Para tal, tivemos algumas dificuldades, primeiro em encontrar a oportunidade das crianças estarem livres porque elas tinham muitas actividades orientadas, segundo, pretendíamos que elas não estivessem na presença do educador para não as influenciar nas respostas, pois, notávamos que elas se intimidavam perante a sua presença. Procurámos encontrar o momento oportuno. É claro que nenhuma criança ia prestar atenção ao que o adulto pergunta se estiver a correr ou a andar de escorrega. Por isso, aproveitámos algumas ocasiões quando as crianças estavam sentadas no recreio a descansar ou a brincar ao faz de conta, fazendo primeiro perguntas relacionadas com o que estavam a fazer e, só depois, encaminhando para aquilo que pretendíamos. Optámos por não gravar as conversas para não as inibir. Por outro lado, pela nossa experiência profissional, percepcionamos que a maioria das crianças gosta que se escreva o que elas dizem, pois, sentem-se importantes por valorizarmos o seu discurso. De início, tentámos seguir as sugestões de D’Amato, (1986, cit. por Graue e Walsh, 2003) quando refere que é útil entrevistar as crianças aos pares ou em trios por ser uma estratégia muito eficaz em crianças do pré-escolar. De facto, notámos que as crianças ficavam mais desinibidas com o suporte de um ou mais colegas em vez de sós com o adulto. Contudo, também verificámos que elas imitavam-se uns aos outros nas respostas e aí, pensámos que esta não era a melhor estratégia para aquelas crianças.
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Neste sentido, as anotações que realizámos destas questões adquiriram mais um estatuto de diário de bordo do que, propriamente, de uma entrevista.