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3 Theory

3.4 Aerodynamic Effect

A quarta classe (25%) volta-se para os instrumentos de avaliação das disciplinas, e não foi significante para nenhum grupo específico. Tomaram destaque as formas reduzidas: Portfolio+, Avaliac+, Metodolog+, Nota+, Instrumento+, Correção, Autoavali+, Escrit+.

Na SACI são utilizados na avaliação o portfólio de aprendizagem (escrito individual das vivências no decorrer da disciplina); autoavaliações do aprendizado e de desempenho das atividades programadas; projeto e relatório da intervenção. Para a POTI tem-se portfólio temático (escrita a respeito dos assuntos abordados por temas, com base em literatura científica), plano de ação e relatório da intervenção, autoavaliação e avaliação de desempenho.

A seguir, é vista uma padronização da avaliação na SACI:

“O portfólio é avaliado através de uma ficha de avaliação específica em que se que observam vários critérios e para auxiliar, tanto na escrita quanto na correção, os alunos e os tutores têm uma capacitação sobre avaliação e têm um texto orientador”.

(Docentes khi2 = 30, a palavra em negrito foi adicionada para melhor compreensão da UCE)

Relativo à disciplina POTI, não existe tal padronização, sobretudo em relação aos portfólios. Na leitura destes, foram observados alunos que gostariam de discorrer mais a respeito de suas vivências na POTI, porém alguns tutores tolhiam este desejo, informado que a escrita deveria se limitar aos temas abordados,

usando-se referencial teórico para respaldá-la. Tal método está mais aproximado ao modelo de relatório, anteriormente utilizado e atualmente substituído pelo portfólio temático. Observa-se assim que nem todos os tutores conhecem os métodos de avaliação e atribuem notas, conforme lhes convém. Na adoção de instrumentos avaliativos de ensino é necessária, portanto, a compreensão do método por todos os envolvidos.

Na opinião dos discentes, apesar de o portfólio permitir expressar opiniões, seria interessante também que as participações durante as aulas contassem como notas. Acreditam ser uma forma mais justa de avaliar porque alguns tendem a superestimar notas nas autoavaliações, relatando que se fizerem uma avaliação realista deles e do professor, a nota poderá baixar.

“Não contabiliza algumas atividades: notas de participação são pouco aplicadas; os alunos não são avaliados quanto à sua real participação nas aulas; o instrumento favorece o aprofundamento dos conhecimentos. O instrumento permite que eles façam críticas e elogios quando são necessários”.

(Discentes, khi2=17)

Nos planos de ensino, tanto para a SACI como para a POTI, referente ao período em que a oficina ocorreu, isto é, 2011.1, estava previsto que a avaliação fosse acordada entre tutores e alunos, mediante um contrato de convivência celebrado nos primeiros encontros. Estava escrito ainda que os alunos deveriam ser avaliados em função de sua assiduidade, pontualidade e desempenho das atividades nos testes cognitivos. Este último ponto foi substituído no programa atual por “avaliação do desempenho das atividades”, contemplando, portanto, a participação nas aulas, se assim o tutor compreender.

As mudanças e lacunas nos programas mostram que não há uma consolidação dos métodos avaliativos, de modo a que todos os grupos tutoriais sigam as avaliações igualmente, porém, evidencia-se a tentativa de acertar a partir da reconceituação de tais métodos.

Nos trechos adiante, há reconhecimento dos docentes de que é necessário chegar a um consenso de avaliação para a POTI.

“A primeira nota é sempre provisória e o aluno pode ter uma nova avaliação quando reformula e entrega na segunda e terceira vez. Como tivemos um forte investimento na mudança de metodologia da POTI, precisamos construir coletivamente, em oficina pedagógica, os critérios de avaliação para que se tornem mais claros e possam ser expostos por ocasião da abertura da disciplina”.

(Docentes, khi2=16)

Adiante, o grupo de preceptores mostra-se preocupado em os alunos não estarem conseguindo se autoavaliar, mencionando que o portfólio leva o aluno a refletir a respeito do que vivenciaram. Porém, destacamos que as autoavaliações bem elaboradas e aplicadas também podem conduzir o estudante à prática da crítica e da reflexão na medida em que proporciona a este um recordar o seu processo de aprendizagem e perceber as posturas positivas e as menos satisfatórias que tomou neste percurso.

“Os alunos não estão conseguindo se autoavaliar. A avaliação da SACI através de portfólio é rica, pois o aluno faz uma análise reflexiva da sua experiência”.

(Preceptores, khi2=14)

O estudo de Oliveira e Batista (2012) também mostra dificuldades de acadêmicos de Medicina na avaliação formativa de uma disciplina, em que eles se autoavaliam oralmente, avaliam um colega, um tutor e uma atividade desenvolvida. Apesar de os alunos destacarem a autoavaliação como um momento de perceber sua progressão durante o curso, estes citam a falta de sinceridade, o protecionismo entre eles (quando avaliam os colegas) e busca de benefícios pessoais. Os tutores entrevistados, por sua vez, mencionam a falta de confiança na avaliação realizada pelos alunos. Conforme os autores, os estudantes também apresentam dificuldades em receber críticas, entendendo-as como perseguição, decorrentes da falta de maturidade dos mesmos.

Os achados também se assemelham aos de Silva e Scapin (2011) em que o conceito de avaliação formativa não havia sido incorporado pelos estudantes avaliados (n=40). Estes possuíam medo no momento em que o professor os

avaliava e medo no momento de avaliar os colegas. Valorizavam a avaliação realizada pelo docente em caráter coletivo e, sobretudo, individual, mas consideravam a existência de muita subjetividade neste tipo de avaliação. Contraditoriamente ao encontrado por Oliveira e Batista (2012), aqui o momento avaliativo não foi entendido como um acerto de contas e sim, como um momento de aprendizagem.

É interessante citar que ao longo desta classe é notória a preocupação com a atribuição de notas, numa disciplina que busca metodologias ativas de ensino e inovadoras de avaliar.

Entretanto, realizar este tipo de avaliação pressupõe uma mudança de postura. Os estudantes estão culturalmente acostumados com avaliações estruturadas e objetivas, e os professores também lidam melhor com esse tipo de avaliação. Considerar os aspectos subjetivos da própria participação e da participação do outro na construção do conhecimento passa a ser o grande desafio.

Caso a etapa da avaliação não seja realizada adequadamente, todo este processo metodológico pode se perder, uma vez que é natural que os participantes se auto-organizem em áreas de conforto, minimizando as dificuldades e os “não saberes”, levando a uma autodefesa e descaracterizando a função epistemológica deste trabalho.

Essa mudança de paradigma na forma de ensinar e de aprender necessita de uma coerência entre os pressupostos epistemológicos que norteiam a proposta pedagógica com todo o processo avaliativo (SILVA; SCAPIN, 2011, p. 541-542).

Assim, o componente ensino do PET-Saúde da Família/UFRN vive uma transição em que busca novas formas de ensinar/aprender, mas não se liberta por completo do modelo acadêmico tradicional de avaliar. E mesmo que se tentasse modificar os métodos avaliativos, os grupos tutoriais esbarrariam nos aspectos burocráticos da universidade, cujo Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA) apresenta como obrigatória a atribuição de notas, estabelecendo prazos específicos para que estas sejam divulgadas on-line aos alunos, preservando-se a confidencialidade.

A resolução que aprova o regulamento dos cursos regulares de graduação da UFRN, capítulo I do título VIII, condiciona a aprovação em um componente curricular ao rendimento escolar do aluno, mensurado através da avaliação da aprendizagem e da assiduidade nas aulas teóricas e/ou práticas. Há flexibilidade em relação aos métodos de avaliação e à quantidade de avaliações (uma a três) a depender do caráter da disciplina, especificidades da turma e decisão do professor.

Porém, é colocado que pelo menos uma deverá ser escrita individualmente e entendido como rendimento escolar o resultado numérico da avaliação da aprendizagem do aluno, expresso em valores de zero a dez a ser, obrigatoriamente, divulgado no SIGAA (UFRN, 2009).