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AE Policies and Practices in Addressing Income Poverty

4.4 Presentation of Research Findings

4.4.6 AE Policies and Practices in Addressing National Challenges

4.4.6.1 AE Policies and Practices in Addressing Income Poverty

Kahneman e Deaton (2010), ao analisarem os dados de uma pesquisa realizada entre 2008 e 2009, nos EUA, inferiram que as pessoas se sentiriam mais felizes e satisfeitas caso sua renda anual fosse de US$ 75.000,00. Porém, reforçam que há inúmeros questionamentos sobre o valor do crescimento para os indivíduos e que, outras questões, como doenças, divórcio e solidão seriam percebidos como piores devido à insuficiência de recursos financeiros.

Através da publicação da ―A theory of human motivation”, em 1943, Abraham Maslow tentava explicar o comportamento humano, através do que denominou como sendo uma hierarquia de necessidades (figura 3). Na base da pirâmide estariam as necessidades que deveriam ser atendidas antes das necessidades do nível acima. Porém, não tão rígida, pois necessidades de níveis acima poderiam surgir antes de as situadas em níveis inferiores serem plenamente atingidas. Os níveis seriam interdependentes e justapostos.

Martinez e Paraguay (2003), ao citarem Pérez-Ramos, acrescentam que o modelo proposto por Maslow ajudaria a compreender o comportamento das pessoas. Em relação a situações de satisfação, entre elas as de trabalho, ao enfatizar a tendência humana em progredir além da escala hierárquica.

Figura 3 – Pirâmide da Hierarquia das Necessidades, segundo Abraham Maslow

Fonte:disponível em http://www.brunoamaral.com/wp-content/uploads/2007/08/800px- hierarquia_das_necessidades_de_maslow.png

Para Neef et al (1998), as necessidades humanas não seriam hierárquicas, infinitas, não mudam constantemente, assim como não seriam diferentes conforme a cultura, ambiente e período histórico em que os indivíduos estão envolvidos. A única hierarquia que existiria seria a necessidade de os indivíduos se manterem vivos. Na realidade cita a distinção entre necessidades e satisfatores. Existiriam duas categorias de necessidades as existenciais (ser, ter, fazer e estar) e as axiológicas (subsistência, proteção, afeto, entendimento, participação, ociosidade, criação, identidade e liberdade)

e essas necessidades seriam inter-relacionadas e inter-atuantes. Não indicam apenas privações, mas, também e concomitantemente, o potencial humano individual e coletivo. Seriam, pois, inerentes a todo indivíduo independente de classe social ou sociedade em que esteja inserido.

Desse modo, o que mudaria entre os indivíduos e sociedades seriam os satisfatores que utilizariam para suprir suas necessidades. Cada indivíduo ou grupos de pessoas de culturas diversas e em diferentes momentos históricos indicariam o satisfator que julgam melhor para suprir o conjunto de suas necessidades que variariam consideravelmente.

Para Amartya Sen28 deve-se ir além do pensamento utilitário para satisfazer prazeres ou desejos dos indivíduos, pois mesmo que pessoas desempregadas há muito tempo ou irremediavelmente pobres aprendam a aceitar e a se acomodar alegremente a seus estilos de vida carentes, essa alegria não tira a privação real de liberdade da qual padecem.

A limitação de renda não seria o único fator que impediria as pessoas de poderem ou não fazer ou concretizar algo, pois as características físicas e sociais adquiridas afetariam significativamente suas vidas. Na realidade, segundo ele, a incapacidade para se adquirir bens - e não os bens propriamente ditos - é que contribuiria para a privação de alimentos e com o aumento da desigualdade social.

Destaca que, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento, os indivíduos apresentariam iniqüidades em relação à sua condição de saúde, ou seja: não haveria um paralelo entre crescimento econômico baseado na

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renda e melhores condições de saúde. As realidades em ambas as sociedades seriam muito mais complexas.

Na realidade no interior de cada país, cidade ou até mesmo bairro as iniqüidades em saúde e diferenças socioeconômicas ocorreriam. Na cidade de São Paulo há bairros que possuem regiões com IDH (0,972) maior do que o país que se encontra no topo da medida (Noruega com IDH=0,965). Em contrapartida, ainda na cidade de São Paulo, habitantes da Vila Nova União, na zona Leste, residem em um bairro com IDH igual a 0,689 29.

Ainda, na cidade de São Paulo, os habitantes do Tatuapé residem em um bairro onde a expectativa de vida seria em média de 80 anos, bem maior do que a média prevista para o bairro Vila Nova União (64 anos). Nesse caso, a diferença (16 anos) é maior do que a apresentada por Marmot (2006) ao expor os dados de Glasgow, na Escócia, onde, em 2004, as pessoas que moravam em distritos carentes apresentavam expectativa de vida menor, em 12 anos, quando comparados com residentes em distritos considerados ricos.

Ao apresentar os conceitos de capacidade e funcionamentos, Sen defende que, para o primeiro, a liberdade é fundamental, pois propiciaria a realização de seus funcionamentos. Ou melhor, estes seriam entendidos como as diferentes condições de vida a que os indivíduos estão expostos, ou seja, o que conseguem ser e fazer. O modo como deseja viver, o que pretende adquirir, o que irá fazer, são escolhas do individuo que Sen chama de funcionamentos. Porém, para que este possa ser concretizado, o indivíduo precisaria ter condições, não só econômicas, para atender suas necessidades

29 http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2025/atlas-mostra-quais-sao-os-melhores-os-piores-bairros-

e concretizar seus desejos e, estas condições, seriam suas capacidades (SEN, 2000, 2001; VERDI, 2002).

Hammill (2009) afirma que se as medidas atuais de pobreza fossem complementadas com as análises subjetivas, um conjunto maior de informações seria obtido.

Tal afirmação é reforçada ao analisarmos os resultados do estudo elaborado por Litwin e Sapir (2009), que constatou que a auto-avaliação da situação econômica feita por idosos de 12 países (Survey of Health, Ageing and Retirement in Europe - SHARE) era um indicador robusto de suas capacidades financeiras, sendo possível sua utilização por profissionais, neste caso da saúde, para obter outras informações significativas junto a essa população. Entretanto, ressaltam que os idosos mais velhos (80 e mais) podem subestimar suas dificuldades financeiras, ou seja: superestimariam seu nível de satisfação com a renda de que dispõem 57z. Outros estudos identificaram a

mesma tendência de idosos mais velhos superestimarem seu nível de satisfação com a renda disponível (HOWELL e HOWELL, 2008; KAHNEMAN e DEATON, 2010).

Blazer et al (2007) ao estudarem a percepção de necessidades básicas insatisfeitas de idosos com 64 anos e mais pertencentes ao estudo longitudinal EPESE (Established Populations for Epidemiologic Studies of the Elderly) identificaram que este seria um importante preditor quanto ao surgimento de sintomas depressivos. Idosos que percebiam insuficiência de renda apresentaram maior risco de debilidade em sua saúde mental. Dois anos antes já haviam publicado um artigo onde constataram a importância da análise da

percepção de suficiência de renda como ação preditora de mortalidade (BLAZER et al, 2005).

Muitos estudos estão sendo desenvolvidos com o intuito de ampliar o conhecimento e fornecer informação especializada, assim como indicadores, sobre as diversas esferas da vida da população idosa que, como já citado, apresenta altas taxas de crescimento. Entre eles há o Estudo SABE (Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento), cujos dados sobre a percepção de suficiência de renda dos idosos serão analisados nesse trabalho.