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1.1 Introdução e História da Quiropráctica
Ao longo do tempo tem-se vindo a verificar uma crescente preocupação com o bem- estar dos animais em particular e que visam o bem-estar absoluto. No entanto, esta procura frenética e os estilos de vida a ritmo galopante, conduziram à aplicação e à utilização de soluções de efeitos imediatos, o que resultou num aumento da prescrição de fármacos e o recurso a métodos de investigação cada vez mais sofisticados e em que se observa uma diminuição do tempo de contacto directo com os pacientes, dado que, os próprios exames complementares a realizar, são, na sua maioria, efectuados por aparelhos electrónicos.
Com a crescente consciencialização, a nível mundial, da importância do conceito de bem-estar integrado com equilíbrio interno, natural ao organismo e sem catalisadores químicos que apenas mascaram e danificam o próprio organismo, agindo como agentes tóxicos, houve, como dito anteriormente, uma busca de terapias e abordagens mais naturais ao organismo. De entre essas abordagens, consta a Quiropráctica, uma técnica que, inclusivamente, veio reavivar a importância do contacto com o paciente, da focalização e atenção no mesmo e nas suas manifestações físicas da doença. A Quiropráctica é uma prática dos cuidados de saúde de contacto primário que não requer medicamentos nem intervenções invasivas. Trata-se de uma forma de Medicina Complementar que surgiu em 1895 quando Harvey Liliard, depois de estar a trabalhar numa posição incorrecta, ter ouvido o seu pescoço estalar e, dias mais tarde, ter perdido a audição. Visitou Daniel David Palmer, um curioso sobre todos os temas relacionados com saúde e que tinha um consultório onde exercia tratamentos magnéticos, que lhe examinou a coluna e encontrou um alto no sítio onde ele tinha sentido o estalo. Assumindo que esse alto correspondia a uma das vértebras fora da sua posição anatómica normal, Palmer convenceu Harvey Liliard a deixá-lo levar essa vértebra à sua posição original. Aplicou uma força nesse alto, ouviu-se outro estalido e o alto desapareceu. Uns dias mais tarde, Harvey recuperou a audição. Assim nascia a Quiropráctica, palavra que vem do grego Cheir (mão) e praktike (prática, exercício). Daniel David Palmer, aparentemente, sempre demonstrou um insaciável desejo de conhecer a causa da doença, ou seja, uma causa para todas as doenças. Assim, interessou-se pela relação entre as vértebras e as doenças, depois de ter descoberto que os egípcios já faziam essa mesma associação, bem como Hipócrates que utilizava a tracção e a manipulação para aliviar disfunções. Palmer reivindicava a redescoberta
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da manipulação vertebral e o facto de ter sido o primeiro a usar a flexibilização transversal para recolocar ossos. No tratamento de dois casos completamente diferentes concluiu que, se duas doenças tão distintas tinham sido causadas por vértebras deslocadas e por pressão sobre os nervos, talvez as outras doenças pudessem ter a mesma origem. Assim, começou a desenvolver a teoria de que todas as doenças advinham de excesso ou insuficiência de pressão nos nervos e tinham a sua origem na coluna vertebral (Parker, 2008; Parker, 2009).
Descobriu, então, a relação entre as forças vitais, o sistema nervoso, as vértebras e a expressão da saúde, concluindo que existe uma inteligência inata (o poder recuperador e natural do corpo) que se esforça constantemente por manter o corpo organizado. Além disso, descobriu a importância do sistema nervoso nesta inteligência inata, que é o meio para juntar e transmitir a informação necessária, de maneira a assegurar a função correcta das várias partes do corpo.
Assim, pode definir-se a Quiropráctica como uma forma de Medicina Complementar que enfatiza o “diagnóstico, tratamento e prevenção de distúrbios mecânicos do sistema músculo-esquelético, principalmente os da coluna vertebral, assumindo que esses distúrbios afectam a saúde geral através do sistema nervoso”. A sua prática baseia-se na relação entre a estrutura, principalmente da coluna vertebral, e a função coordenada pelo sistema nervoso e como essa relação afecta a preservação e restauração da saúde (Reizer, 2002).
Segundo Leach (2004) é um sistema terapêutico que cura doenças por ajustamentos e manipulação de várias partes do corpo, particularmente a coluna vertebral, baseado na teoria de que todas as doenças são associadas a disfunções nervosas, geralmente resultantes de desalinhamentos da coluna. É, portanto, uma forma de tratamento manual que usa força controlada, aplicada a articulações específicas e/ou regiões anatómicas, para induzir uma resposta terapêutica pela introdução de alterações ou modificações na estrutura da articulação, função muscular e reflexos neurológicos. Em todas as teorias e diferentes abordagens dentro da Quiropráctica, há o princípio comum de que a disfunção articular afecta o normal equilíbrio neurológico encontrado num indivíduo saudável.
Esta técnica não está relacionada com doenças nos ossos, e não se destina ao tratamento de doenças ou de quaisquer sintomas”, mas com distúrbios nas partes móveis adjacentes, visando a correcção das alterações dos mecanismos das junções e articulações, principalmente da coluna vertebral. Tem como base o princípio de que qualquer interferência no sistema nervoso enfraquece o normal funcionamento do corpo, debilita a saúde em geral e diminui a resistência à doença e todos os seres
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vivos têm a capacidade inata para controlar e regular a sua fisiologia interna sem recursos a intervenções externas. Para que tal auto-regulação possa ser possível, os nervos têm de estar libertos de qualquer interferência para que a sua inteligência inata se possa expressar livremente. Desta forma, a Quiropráctica recorre à intervenção manual para possibilitar a restauração da normal posição das vértebras da coluna com o objectivo de recuperar a actividade e a capacidade de resposta do sistema nervoso, através da restauração do tónus neurológico. São as posições incorrectas das vértebras que estão na origem das irritações do sistema nervoso (também conhecidas como subluxações vertebrais).
É frequentemente utilizado o termo “subluxação” mas com um significado diferente do que é utilizado em Medicina Convencional. Para o quiroprático, o osso, que parece estar fora do alinhamento relativo ao osso inferior/anterior, é um desalinhamento que pode ser detectado por exame visual, palpação ou radiografia. Esta situação vai induzir anomalias de movimento, as quais podem derivar de:
- ausência de movimentos em harmonia com os ossos adjacentes; - pressão anómala do músculo sobre o osso afectado;
- ausência de movimento;
- movimentos anómalos numa articulação adjacente.
A coluna vertebral, principal objecto de estudo da Quiropráctica, é composta por um conjunto de ossos articulados entre si e denominados vértebras. Cada vértebra encontra-se ligada à anterior e à posterior por uma “unidade motora intervertebral”, que é muito mais do que uma simples articulação. São as partes constituintes desta unidade motora que permitem o movimento entre pares de vértebras, tratando-se de articulações triplas:
- entre cada corpo de cada vértebra existe um disco intervertebral, cartilaginoso com função de amortecimento de choques, permitindo toda a flexibilidade característica da coluna vertebral;
- as articulações posteriores são constituídas por cartilagens que, em conjunto com o disco intervertebral, determinam a quantidade de movimento que é possível em cada direcção. Encontram-se unidas por membranas que segregam a sinóvia, ou fluido sinovial, lubrificante que permite o deslizamento entre cartilagens articulares.
Uma subluxação traduz um desarranjo funcional destas unidades motoras, podendo manifestar-se em:
34 Mobilidade excessiva;
Mobilidade restrita (fixação), podendo esta ser parcial (de um só lado) ou total (segmento todo bloqueado).
As subluxações de mobilidade restrita são muito mais fáceis de corrigir e são sobre estas que actua a Quiropráctica (Ebrall, 2010).
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