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A evolução tecnológica pressionada pela competitividade e pela necessidade de produção de alimentos a custos baixos modificou a suinocultura moderna de modo que esta passasse a ser realizada nos moldes industriais. O sistema de produção atual permite que as granjas suinícolas garantam uma oferta constante e padronizada de suínos para abate assemelhando o fluxo produtivo a uma linha de produção incessante.

Adiante, segue uma descrição breve do sistema de produção na suinocultura industrial e para efeito desta pesquisa o sistema será dividido em três etapas: reprodução, recria de leitões e terminação.

Tecnicamente e setorialmente existem inúmeras denominações para descrever as estruturas envolvidas na produção e os sistemas empregados na suinocultura moderna e que variam em função da região e da empresa. O intuito da presente pesquisa não é realizar definições conceituais acerca das técnicas modernas aplicadas à suinocultura e, portanto, a descrição que segue abordará em linhas gerais a essência do sistema da suinocultura moderna para uma empresa e que se assemelha aos demais sistemas encontrados e outras partes do Brasil e do mundo.

3.1.1. Reprodução e o fluxo produtivo das granjas

A reprodução é a etapa onde os leitões nascem e recebem os primeiros cuidados para posteriormente serem transformados em animais para abate. Esta etapa é realizada em três estruturas distintas dentro de uma granja sendo: central de inseminação artificial, gestação e maternidade.

Na central de inseminação, apresentam-se os reprodutores machos e é onde realiza-se a coleta do sêmen para preparação das doses que devem atender a demanda semanal para cobertura das reprodutoras fêmeas, as matrizes do plantel. As doses de sêmen são

encaminhadas diariamente para a gestação onde as matrizes são cobertas e onde elas aguardarão até aproximadamente três dias que antecedem a data do parto. A gestação da porca dura em média 114 dias, portanto em condições ideais, as fêmeas devem ser transferidas para a maternidade em 111 dias após a data da cobertura.

Na maternidade é que as fêmeas darão a luz e amamentarão os leitões até que os mesmos completem em média 25 dias de idade (21 a 28 dias) para serem então desmamados. Na ocasião do desmame, os leitões são encaminhados para a creche e as fêmeas são novamente transferidas para a gestação. Do terceiro ao quinto dia após o desmame as fêmeas começam novamente a entrar em cio e, portanto, podem ser cobertas outra vez para iniciar o novo ciclo, melhor representado na figura 2. De modo geral, a cobertura nas fêmeas em produção é realizada em até seis dias após o desmame.

Figura 2. Ciclo reprodutivo das matrizes suínas.

O planejamento e o manejo da reprodução é que define o fluxo produtivo de uma granja e consequentemente a oferta de animais para abate. Na imensa maioria das granjas industriais o plantel de matrizes é dividido em lotes semanais para facilitar a programação e o controle do trafego das fêmeas entre as estruturas da granja, aumentar a eficiência reprodutiva e também garantir boas práticas sanitárias.

Como pode ser observado nas descrições e na figura anterior, a duração total de um ciclo reprodutivo é de aproximadamente 145 dias (114 + 25 + 6) e, como os lotes são semanais, define-se que a granja é dividida em 21 lotes de fêmeas (145 ÷ 7 = 20,71). Para

efeito de planejamento da produção agropecuária, convenciona-se que as fêmeas em granjas de reprodução são sempre divididas em 21 lotes, dessa forma o objetivo de parições da granja é calculado dividindo o número total de matrizes em produção por 21. Logo, em uma empresa que possui um plantel associado de 6.000 matrizes suínas, o número de partos semanais almejados é de 285,7. Para esclarecer este fluxo, segue abaixo conjunto de fórmulas e definições das premissas para o planejamento da granja.

Em que,

NP: número de partos por semana;

Nº Matrizes: número de fêmeas em produção no plantel.

Em que,

NC: número de coberturas por semana (quantidade de fêmeas inseminadas);

TP(%): estimativa da taxa de parição da granja, ou seja, qual a porcentagem das fêmeas cobertas que efetivamente parem após 114 ± 2 dias (perdas ocorrem por mortes, fecundação falha ou abortos).

Em que,

LDS: número leitões desmamados por semana;

NVF: média de leitões nascidos vivos por fêmea em cada parto; Mmat(%): taxa de mortalidade de leitões na maternidade.

Na empresa estudada pode-se estimar os índices em 90% para TP(%), 11,8 para NVF e 8% para Mmat (%). Dessa forma infere-se que neste sistema, serão necessárias aproximadamente 317 coberturas por semana e serão desmamados (transferidos para a etapa da creche) aproximadamente 3.100 leitões. Com base nas fórmulas apresentadas nota-se que as instalações de gestação, maternidade, creche e terminação, bem como o número de machos reprodutores e a coleta de sêmen, devem estar adequados para atender as necessidades deste fluxo.

3.1.2. Recria de leitões

A recria de leitões, também conhecida como creche, é a fase que sucede o desmame e possui duração de aproximadamente 49 dias. Nesta fase os animais se adaptarão definitivamente com a alimentação a base de ração após o estresse decorrido da ausência do leite materno. O peso da entrada dos leitões da creche situa-se em torno de 6 kg e na ocasião da transferência para a terminação esse valor sobe para 26 kg.

3.1.3. Terminação

A terminação é a fase posterior a creche e apresenta uma duração mínima de 13 semanas (91 dias). Neste período, os animais saltam de 26 kg de peso vivo para 102 kg. Alternativamente, caso haja disponibilidade de instalações, os animais podem ser mantidos em até três semanas seguintes.

Baseados nos dados da empresa, considera-se para efeito de planejamento que não existe a possibilidade de serem mantidos os animais a partir da 16º semana de terminação devido ao peso limite para processamento (120 kg) e a falta de instalações para manter os animais. Abaixo segue figura 3 ilustrando a curva de crescimento dos animais na etapa da terminação.

Figura 3. Curva de crescimento dos animais em terminação 0 20 40 60 80 100 120 140 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Kg Semanas Peso Vivo