CHAPTER 5: APPLICATION SYSTEMS – DESIGN IMPLICATIONS
5.3 A PPLICATION S YSTEM A DAPTATION
5.3.4 Adapting to the groupware aspect
3.1.2.1 Sistemas Abertos e Sistemas Fechados
A visão sistêmica dá um “salto quântico em relação à mecanicista, ao demonstrar que a organização, como qualquer organismo, não vive isolada, mas insere-se numa relação de interdependência com o ambiente” (ZIEMER, p. 17, 1996).
Vale ressaltar que a estrutura organizacional influencia e recebe influência do processo administrativo, isto porque, como todo instrumento administrativo é um sistema. Oliveira (2011, p. 7) delimita que “sistema é a consolidação de partes integrantes e interdependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função na empresa”, aduz ainda que os componentes do sistema são: os objetivos, que é o propósito da existência do sistema; as entradas que são os recursos para sua operação; o processo de transformação do sistema, onde o insumo da entrada é transformado em produto na saída; as saídas do sistema são os resultados do processo de transformação da estrutura organizacional; o controle ou a avaliação onde se verifica se as saídas estão em consonância com os objetivos da organização e a retroalimentação onde a reintrodução de uma saída em forma de informação, tornando-se um controle para se reduzir as divergências apresentadas. Conforme figura abaixo transcrita, que representa o sistema aberto:
Gráfico 5 - Sistema Aberto
Fonte: Oliveira (2011, p. 9)
Tal entendimento é também partilhado por Park; Bonis e Abud (1997) que definem sistema como um complexo de elementos em interação de natureza ordenada, não fortuita e que troca matéria e energia com o meio externo e que é composto por quatro elementos básicos que são: os objetos; os atributos do sistema e de seus objetos; as relações de interdependência e o meio ambiente.
O sistema é um conjunto de elementos dinamicamente relacionados entre si, visando atingir um objetivo, onde existem entradas para receber insumos e saídas onde serão liberados resultados e então, através desses produtos o sistema é retroalimentado, por feedback, de acordo com suas necessidades, estabelecendo um ciclo (PARK; BONIS; ABUD, 1997), conforme representado pelo gráfico abaixo:
Gráfico 6 - Sistema Aberto.
Ziemer (1996) conceitua sistema aberto como aquele que mantém permutas com o meio ambiente, em um estado de contínua interação e mútua interdependência. É um sistema auto regulável, visto que se auto corrige constantemente para se adaptar as alterações do ambiente.
Uma organização é um sistema criado pelo homem, que mantém contato com o meio ambiente, influenciando e recebendo influências e como tal é um sistema integrado por diversas unidades relacionadas entre si, que trabalham em harmonia para que sejam alcançados os objetivos almejados pela organização e pelos seus participantes.
É importante referir que as instituições que funcionam como sistema aberto, relacionando-se com o contexto externo, segundo Ziemer (1996) geram os níveis mais altos de organização, pois eleva o nível de comunicação e capacidade de lidar com os conflitos; mantém as equipes motivadas, eficientes e produtivas; facilita a compreensão da não linearidade dos eventos e dos paradoxos humanos e institucionais; busca impedir o fechamento ou isolamento e mantém a instituição coesa, apesar das diversas trocas e interações tanto com o meio interno quanto externo.
Luhmann (2011) critica os sistemas abertos por considerar ser uma teoria de alta generalidade, visto que deixa em aberto a questão a respeito do tipo de relação de intercâmbio que poderá ocorrer entre o sistema e o meio, da relação mais específica entre sistema e sistema no meio, dificultando a percepção das dependências, como por exemplo, entre o sistema político em relação ao bom funcionamento da economia.
Por tal razão, Luhmann (2011) desenvolveu sua teoria sistêmica para buscar a redução da complexidade do mundo, apesar da complexidade e abstração de sua teoria, expondo que um sistema é complexo quando não tem mais possibilidades de responder a todas as suas próprias demandas e nem as de relações entre outros elementos, tendo que selecionar algumas delas para poder continuar operando. Dentro deste processo a tendência é que o sistema se torne mais complexo, levando a sua mudança interna, a sua autodiferenciação em subsistemas, estimulando ainda a complexidade de outros sistemas. Os subsistemas que foram criados dentro do sistema têm o seu próprio entorno e complexidade.
A evolução do sistema não acontece de forma isolada, pois depende das irritações do ambiente, que acarreta a mudança de suas estruturas e que foi
chamada por Luhmann (2011) de sistemas autopoiéticos, autorefereciais e fechados, isto porque o ambiente não opera no sistema, criando assim sua complexidade, que obriga a seleção e a possibilidade da contingência, que ocorre quando as possibilidades ofertadas são diferentes das esperadas, ocasionando o risco de desapontamento. O gráfico abaixo transcrito representa o sistema fechado:
Gráfico 7- Sistema Fechado
Fonte: Luhmann (2011). Elaboração própria (2013).
As instituições do âmbito jurídico fazem parte do sistema de direito e dentro da proposta teórica de Luhmann (2011). A expansão dos subsistemas dentro do sistema jurídico, afeta a capacidade seletiva de outros sistemas, visto que aumentar de tamanho significa aumentar a seletividade e a eleição de alternativas, que sejam viáveis aos novos pleitos da sociedade (VIDAL, 2012c).
Já a pesquisa Redescobrindo o Assistido no Pará (2012) tratou a Defensoria Pública do Pará como uma organização jurídica pública, que se encontra dentro de um contexto de complexidade organizada, pois a sociedade não funciona de forma linear e sim como forma de interrelações sistêmicas que formam um sistema, concluindo que na sociedade o todo é mais do que a soma das partes, sendo consequentemente, uma nova forma de pensar o mundo. A pesquisa utilizou uma estratégia de investigação composta pelos níveis externo e interno, que se encontram intimamente ligados. O nível externo diz respeito às mudanças oriundas
no ambiente da Defensoria Pública, como a aprovação de novas leis ou resoluções. Já o nível interno se refere às consequências dessas mudanças e a tomada de decisões internas.
O entendimento da complexidade da instituição Defensoria Pública constitui- se em compreender uma série de mudanças, principalmente no sentido de percebê- la como um sistema que faz parte de um sistema maior que é denominado de sistema jurídico e que possui ligação com um ambiente (GOMES; VIDAL, 2012)
Diante dos conceitos e concepções apresentadas e segundo nosso entendimento, delimitamos a Defensoria Pública como um sistema misto, que envolve tanto o sistema aberto, conforme preceituado por Oliveira (2011), Park; Bonis e Abud (1997), como fechado conforme aduz Luhmann (2011), isto porque possui contato e recebe influências do ambiente, mas também possui sua legislação própria, resoluções e normativas internas, que delimitam o funcionamento de sua estrutura organizacional, pois senão não teria missão institucional constitucional e muito menos atos de administração pública determinados em Lei. Apresentamos a figura abaixo que representa o sistema misto da Defensoria Pública do Estado do Pará:
Gráfico 8 - Sistema Misto da DPPA
Fonte: Oliveira (2011), Park; Bonis e Abud (1997), Luhmann (2011). Elaboração própria (2013).
Vale frisar que dentro de uma instituição como a Defensoria Pública do Estado do Pará, os objetivos a serem alcançados e os recursos a serem utilizados são determinantes para que se compreenda que a sociedade é feita de organizações, que são os locais de atendimento das necessidades humanas, como também, onde se disputam as relações de poder e demonstram as características de sua estrutura organizacional.
3.2 RELAÇÕES DE PODER