7. FRAMEWORK AND MODELLING CONCEPTS
7.2. E RICSSON ’ S SERVICE CREATION ARCHITECTURES
7.2.2. ActorFrame
Uma vez obtida a estimativa do risco é necessário verificar a sua aceitabilidade/tolerabilidade. Esta pode ser verificada, no caso de uma análise qualitativa, através de matrizes de risco, cada vez mais aplicadas em projectos de túneis, um pouco por todo o mundo (Schubert, 2004). No Quadro 3.12 ilustra-se o caso da matriz de risco utilizada no túnel Nosoud, no Irão. A escala de cores está definida no Quadro 3.13.
Quadro 3.12. Matriz risco para o túnel Nosoud (Shahriar et al., 2008, adaptado).
Consequência
Catastrófico Crítico Grave Moderado Insignificante
V e ro si m ilh an ça Frequente 25 20 15 10 5 Esperado 20 16 12 8 4 Provável 15 12 9 6 3 Remoto 10 8 6 4 2 Improvável 5 4 3 2 1
A matriz apresentada é entendida como uma base para a decisão sobre a aceitabilidade de cada risco considerado. O exemplo está em consonância com a prática geral, mas é importante notar que o sistema de classificação de risco deve ser definido particularmente para cada obra, tendo em conta a respectiva política de riscoestabelecida.
Segundo Eskesen et al. (2004), o risco deve ser dividido em 4 classes: inaceitável, não desejável, aceitável e negligenciável. As acções a serem realizadas para cada risco dependem do resultado dessa classificação. Se o risco for inaceitável deve ser reduzido, pelo menos, para não desejável, independentemente dos custos envolvidos na sua mitigação. Para os riscos não desejáveis, devem ser identificadas medidas de mitigação. As medidas devem ser implementadas, desde que os seus custos não sejam desproporcionais à redução de risco obtida (princípio ALARP). Se o risco for aceitável deve ser gerido ao longo da obra pelo que não é necessário considerar a sua mitigação. Se for negligenciável, não são necessárias considerações sobre os perigos em causa. No Quadro 3.13 são apresentadas os diferentes níveis de risco, respectivo índice e critérios de aceitabilidade/tolerabilidade considerados no projecto do túnel Nosoud.
Quadro 3.13. Índices de risco para o túnel Nosoud (Shahriar et al., 2008, adaptado).
Nível de risco Índice Descrição
Baixo 1-4 Risco é tolerável. Não é necessária qualquer mitigação.
Médio 5-9 Risco é moderadamente tolerável. Pode ser necessária mitigação.
Alto 10-15 Risco está na fronteira da tolerabilidade. Devem ser identificadas e
implementas medidas de mitigação para reduzir o risco.
Muito alto 16-25 Risco é intolerável. Devem ser implementadas medidas de mitigação
para reduzir o risco.
Ao controlar a magnitude dos riscos decorrentes dos perigos individuais, o risco total envolvido no projecto é controlado sem levar em conta uma estimativa do risco total. Esta é uma condição prévia adoptada a fim de reduzir a verosimilhança de ocorrência, para que nesta abordagem não se subdivida indevidamente um perigo; e.g., ao considerar trechos de 100 m de túnel, separadamente. Por outro lado, se a análise do risco foi efectuada segundo uma abordagem quantitativa, a aceitabilidade/tolerabilidade dos riscos calculados pode ser verificada através do princípio ALARP (Figura 3.8).
Contributo para a gestão do risco geotécnico na construção de túneis
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Um limite acima do qual o risco é considerado inaceitável e, portanto, deve ser reduzido, independentemente do seu custo (limite de tolerabilidade);
Um limite abaixo do qual não é necessário considerar uma redução adicional do risco (limite de aceitabilidade);
Um espaço entre os dois limites onde as medidas mitigadoras devem ser consideradas de acordo com as circunstâncias, específicas, função dos objectivos fixados na política de risco, i.e., os riscos são toleráveis se a sua redução for impraticável ou se os custos associados a esta redução forem fortemente desproporcionados relativamente aos benefícios daí decorrentes (região ALARP).
Figura 3.8. Adopção do princípio ALARP na definição de critérios de aceitabilidade e tolerabilidade do risco (Leca & Eskesen, 2006, adaptado).
Quer este princípio, quer a matriz risco, devem ser aplicados antes da proposta das medidas mitigadoras, para avaliar o nível dos riscos e quais os que devem ser realmente mitigados. Para além disso e após a execução dessas medidas, serve para verificar se a sua redução foi realmente eficaz, e.g., se a redução do risco que era inaceitável, o levou para a região ALARP, por outras palavras, se o risco residual é ou não, aceitável/tolerável, tornando-se deste modo um processo cíclico.
Assim sendo, os riscos de elevada magnitude devem ser tratados, primeiramente, uma vez que aumentam as possibilidades de sucesso do projecto e minimizam a incerteza associada. Os de baixa magnitude poderão ser desconsiderados num contexto de gestão, de modo a reduzir os recursos necessários e despendidos. Uma vez propostas as medidas de mitigação
Região aceitável Região ALARP Região inaceitável
Risco elevado
Risco insignificante
Risco é intolerável e deve ser reduzido
independentemente dos custos.
Risco deve ser reduzido enquanto os
custos forem razoáveis em
comparação com a redução do risco realizada.
e reduzido o risco, é importante identificar se essas medidas introduziram novos riscos para o projecto e se prejudicam o desempenho do sistema; se esse for o caso, são necessárias novas medidas. Como os recursos das empresas são limitados, os recursos para controlar os riscos são, também eles, limitados. A partir desta perspectiva, considera-se que uma solução é favorável apenas se os seus riscos são mais que compensados pelos seus benefícios (Flores, 2006). Em geral, devem ser analisadas a eficácia, viabilidade e custos das medidas mitigadoras. No processo de gestão do risco proposto por Staveren (2006), esta etapa de apreciação corresponde ao quinto passo do GeoQ realizado após tomadas as acções mais apropriadas para mitigar o risco.
Staveren (op. cit.) propõe que a apreciação do risco se desenvolva em duas etapas. A primeira é um processo de verificação do processo de gestão de risco aplicado até ao momento. A segunda é uma análise cuidadosa dos resultados das medidas de remediação de risco. Toma-se como exemplo o risco potencial de assentamentos à superfície induzidos pela abertura de um túnel. Durante esta etapa de avaliação, os assentamentos previstos devem ser comparados com a extrapolação dos resultados da monitorização desses assentamentos. Evidentemente, quanto maior for a diferença entre o risco inicial e o residual, em termos de verosimilhança e de consequências, mais eficazes serão as medidas de mitigação aplicadas.
Após esta etapa atinge-se, provavelmente, o final de uma fase particular do projecto de construção. É então necessário preparar todas as informações sobre os riscos, para serem utilizadas na próxima fase da obra, daí que todas as informações relevantes de risco tenham de ser mobilizadas. É aqui que chegamos à sexta e última etapa do processo GeoQ (Staveren, 2006). Nela, os resultados da avaliação de risco devem também eles ser registados num RR, e incluir planos de mitigação de risco geotécnico, estudos adicionais de campo/laboratório, e eventuais inspecções e acompanhamentos. Deste modo, ao analisar o grau de risco das actividades e eventos futuros, será possível identificar e descriminar quais os eventos que poderão ter maior influência na obra.