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Activitat segrestadora del radical DPPH .1 Espectre UV-Vis del DPPH

(atual Zimbábue), onde os colonos brancos haviam obtido em 1923 o direito de gerenciar os seus próprios assuntos internos, ao seu vizinho, o protetorado de Bechuanaland (atual Botsuana), no qual os dikgosi (“chefes” em língua colo- nial) detinham considerável poder na administração dos assuntos cotidianos do seu povo1. Toda tentativa de generalização concernente ao regime colonial

britânico na África se torna ainda mais delicada em função da facilidade em se encontrar, no mesmo território, múltiplos sistemas administrativos, lado a lado, em funcionamento. Desta forma, a população africana espalhada pelo proteto- rado de Bechuanaland era administrada, segundo a sua localização, através de uma das quatro seguintes maneiras: a administração indireta (indirect rule) por intermédio de um kgosi tswana, nas oito reservas “tribais”; a administração por sociedade comercial detentora da concessão Tati; a administração direta de um magistrado britânico, nas terras da Coroa; e, enfim, a administração dos juízes de paz, membros da comunidade dos colonos, nos diversos blocks, terras reservadas aos agricultores brancos. Na Nigéria, apesar do amálgama realizado em 1914 por sir Frederick Lugard, a administração indireta, aplicada no norte e no sul do país, apresentava na prática sensíveis diferenças. Neste contexto, as provín- cias setentrionais resistiram com sucesso, até o fim do período considerado, à submissão frente à autoridade central de Lagos2.

A administração do Congo belga não tinha perfil mais uniforme se compa- rada àquela da Nigéria, pois era preciso considerar a diversidade de estruturas sociais existente no interior das suas fronteiras, bem como as muito específicas necessidades das grandes plantações e concessões minerais onde modalida- des especiais foram obrigatoriamente implantadas para o enquadramento dos africanos, transformados, da noite para o dia, de cultivadores individuais em operários assalariados. Um sistema administrativo aplicável junto a camponeses trabalhando por sua própria conta não convinha, evidentemente, a operários empregados em plantações de palmeiras -dendê, pertencentes ao grupo Lever ou ainda nas minas de cobre do Katanga. A administração indireta, à moda belga, tampouco tinha o seu próprio espaço nas novas aglomerações urbanas, como Léopoldville (atual Kinshasa), centro administrativo e de pequenas indús- trias, ou Élisabethville (atual Lubumbashi), cidade gerida por uma companhia mineira. Estas cidades viriam, ambas, a conhecer uma rápida expansão no curso da Segunda Guerra Mundial. Aparentemente similares, as províncias de Ruanda

1 No tocante aos métodos empregados pelos britânicos para administrar as comunidades africanas, con- sultar M. HAILEY, 1951, obra indispensável.

e de Urundi apresentavam, todavia, diferenças. Em Urundi, “a autoridade dos chefes não fora jamais seriamente questionada pela administração. Com efeito, certos chefes conseguiram arrogar -se poderes absolutos em suas província. Eles depositavam ou não o imposto, unicamente de acordo com sua vontade3”. No

Ruanda, em contrário, R. Lemarchand mostra que “a embaraçosa trindade de chefes − chefe de terras, chefe de rebanho e chefe de guerra − fora substituída pela autoridade de um chefe único e a Coroa se tornara, por conseguinte, muito mais importante em relação ao Urundi4”. No Congo belga, grande número de

chefes tradicionais haviam sido destituídos e substituídos pelos “chefes dos bran- cos”, segundo a memorável expressão do governador -geral Pierre Ryckmans. Os belgas não aplicavam menos administração direta no sistema, comparativamente ao que eles haviam implementado no Congo e no território sob mandato.

Além das numerosas diferenças discerníveis entre as administrações das duas potências coloniais, sem citar aquelas existentes no interior dos próprios terri- tórios, os dois sistemas foram submetidos, entre 1935 e 1945, a consideráveis tensões de profundas repercussões, não somente no tangente às modalidades de administração colonial mas, igualmente, no tocante às reações, por parte dos africanos, às quais esta administração se aplicava. Mudanças muito considerá- veis foram desencadeadas pela grande crise econômica cujas ondas de choque se propagaram em toda a África a partir de 1933. Muito rapidamente, eclodiria a Segunda Guerra Mundial que seria, de diversas maneiras, uma experiência traumática, tanto para os governantes, quanto para os governados da África britânica e, com maior gravidade, da África belga. No referente a esta última, após a conquista da Bélgica pelos nazistas, o Congo tornar -se -ia, na prática, um Estado -colônia independente.

A abordagem da história da África britânica e belga, em 1935 e 1945, requer, de forma imprescindível, a renúncia à tentação em se estabelecer uma nítida distinção entre os sistemas administrativos das potências e entre as suas respec- tivas estratégias de exploração. Antes, é mister proceder à triagem dos diversos instrumentos administrativos e de desenvolvimento que ambas adotaram, com o intuito de destacar, posteriormente, o leque completo de fórmulas, políticas e econômicas, aplicadas pelos governantes aos governados. A variedade de fórmu- las empregadas comportava: desde a incipiente iniciativa, econômica e política, concedida ao africano, por exemplo na Rodésia do Sul, até a importante par-

3 R. LEMARCHAND, 1970, p. 70. 4 Ibid., p. 79.

ticipação dos africanos no processo político e econômico, observada na Costa- -do -Ouro, assim considerada, ao menos segundo os padrões coloniais da época.

O exposto acima é da competência, principalmente, das superestruturas do regime colonial, entretanto, o essencial consiste em saber como os diferentes tipos de administração, tanto britânicos quanto belgas, teriam afetado as condições de vida − sociais, econômicas, políticas e culturais − dos africanos, aos quais estas diferentes modalidades administrativas se aplicavam. É aqui que os dois grandes acontecimentos planetários, a saber, a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, com as suas dramáticas consequências para os africanos, surgem como reveladores, permitindo -nos compreender, em seus diversos aspectos, o impacto do regime colonial e as variadas reações por ele suscitadas no momento da sua imposição. A Segunda Guerra Mundial, muito negligenciada no conjunto da historiografia da época colonial na África, começou recentemente a receber a sua devida atenção5. Até bem pouco, era frequente admitir que a Segunda

Guerra Mundial teria marcado um ponto de inflexão na história colonial da África, pois seria o momento durante o qual os franceses e, com maior ênfase, os britânicos teriam começado a projetar seriamente a devolução do poder polí- tico em mãos dos seus sujeitos africanos. Estes últimos teriam passado, nestes anos de guerra, de uma atitude de aceitação passiva a uma rejeição de mais em mais nitidamente expressa da tutela colonial. Contudo, até os dias atuais, alguns especialistas sustentam que a Depressão estaria, tanto quanto a própria Guerra, na raiz das mudanças que conduziriam à “descolonização” e na base da rápida transferência do poder aos africanos, ocorrida nas colônias britânicas, belgas e francesas6. Em decorrência do desmoronamento do mercado mundial que

sobreveio antes da guerra, as potências coloniais encontraram dificuldades em prover, aos seus sujeitos, as mercadorias necessárias, enquanto a crise solapava a sua confiança na missão imperial. Tanto no seio quanto fora dos ministérios das colônias das diversas potências metropolitanas, reformistas puderam, desde o pré -guerra, participar na formulação da política colonial. O que a Segunda Guerra Mundial acrescentaria não seria tanto a iniciativa por reformas mas, o impulso necessário a reformas já previstas ou iniciadas. Assim, na África francó- fona, as reformas de Brazzaville haviam bebido na fonte daquelas introduzidas,

5 Consultar, particularmente, a edição especial do Journal of African History, vol. 26 -4, 1985; D. KILLIN- GRAY e R. RATHBONE, 1986.

6 Os historiadores franceses estudaram de forma especial o papel da Depressão na história colonial da África. Consultar, em particular, a edição especial da Revue française d´histoire d´outre -mer, vol. 63, n. 232 -233, 1978. Ver, igualmente, o Journal of African History, número supracitado, nota 5, para comparar repercussões na África, da Depressão e aquelas concernentes à Guerra.

em 1937, pelo governo da Frente Popular. Outrossim, na África Ocidental bri- tânica, as reformas econômicas e sociais previstas pelo Colonial Development and

Welfare Act [lei relativa ao desenvolvimento e ao bem -estar social das colônias],

de 1940, e as reformas constitucionais elaboradas no curso da Segunda Guerra Mundial têm, todas, antecedentes no período do pré -guerra. Inversamente, ao diminuir brutalmente o poder de compra dos africanos nas cidades e meio rural, a Depressão alimentara um crescente descontentamento popular em relação ao poder colonial, insatisfação esta, traduzida em numerosas regiões por agitação, levantes e manifestações, dentre os quais o confronto mais espetacular, do ponto de vista político ou econômico, ocorreria em 1937, por ocasião da recusa em se vender cacau na Costa -do -Ouro. Outros especialistas, não interpretando as reformas do British Colonial Office como um ato de antecipação política mas, como uma simples resposta à crescente pressão dos nacionalistas, sublinham a importância, a partir de 1936, da “crise abissínia” que revoltara os intelectuais africanos e reforçara a sua exigência de participação em seus próprios assuntos.

O leque de estruturas políticas e econômicas nos