4. CASE STUDY: ADROH PEASANTS´ EXPERIENCES WITH ORGANIC PRODUCTION
4.1 B ACKGROUND
Esse capítulo discorreu sobre o conceito, características, usos e aplicações, vantagem competitiva e inovação, ciclo de vida e desafios relacionados ao Big Data.
Os autores consideram que o Big Data é: um novo termo; fenômeno; dados; conjunto de dados; banco de dados; tecnologia analítica. Para efeito deste trabalho o Big Data é considerado fenômeno. Considera-se como fenômeno, pois, em nosso entendimento está voltado ao valor comercial que pode ser agregado às corporações pela produção de insights com base em grandes volumes de dados não estruturados e complexos, gerados a partir de diversas fontes, em especial, oriundas da Internet, transações comerciais, vídeos, áudio, e-mails, textos, postagens em redes sociais, cuja análise não pode ser realizada por meio de técnicas convencionais.
As características do Big Data se resumem a volume, velocidade e variedade. O volume diz respeito a grande quantidade de dados produzidos, notadamente por sensores, celulares, redes sociais, Internet, dispositivos diversos espalhados pelo ambiente. A velocidade refere-se à frequência com que os dados são produzidos e devem ser analisados tornando-os utilizáveis em tempo real. Por fim, a variedade contempla questões relacionadas à amplitude de diferentes fontes e formatos de dados, geralmente não estruturados, que requer grande esforço para tratamento e análise em face da heterogeneidade.
Os usos e aplicações do Big Data são variados e com oportunidades negociais e de revisão de processos em vários segmentos de mercado e governo como finanças, telecomunicações, serviços em geral, transporte e logística, comércio varejista e atacadista, indústria e setor público. A Internet das Coisas apresenta-se como importante vetor de produção de dados em face de haver um grande número de dispositivos, objetos e sensores espalhados pelo ambiente moderno que são conectados por infraestrutura e permitem a oferta de serviços com valor agregado. Esses dispositivos interagem com o ambiente e pessoas, e a tendência é de que o volume de dados gerados aumente de modo considerável no futuro.
A plena e correta exploração do Big Data implica no tratamento de desafios que são postos em seu ciclo de vida. Dentre as várias fases desse ciclo, é de interesse central desse trabalho as questões relacionadas à privacidade. A privacidade pode ser conceituada como direito fundamental das pessoas, essencial à autonomia e à proteção da dignidade humana, configurando-se como base para outros direitos. A privacidade protege o indivíduo de uma série de problemas sociais como a lesão à reputação que pode surgir a partir da coleta, armazenamento, uso, processamento, compartilhamento e divulgação de informações pessoais. A privacidade do indivíduo é a habilidade em controlar quando, como e a que ponto as informações de um sujeito são transmitidas para outros.
No contexto que envolve o Big Data, a privacidade das informações ganha relevo por conta do uso crescente de dados pessoais e reservados por organizações e da violação de dados pela ausência ou inobservância de mecanismos efetivos. A privacidade de dados pessoais pode ser definida como a habilidade de entender, escolher e controlar quais informações pessoais são compartilhadas com quem e por quanto tempo. A privacidade dos dados não se confunde com segurança de dados. A segurança protege os dados do acesso não autorizado e a privacidade está voltada para o uso de informações pessoais reveladoras de um indivíduo. O contexto no qual se situa a problemática que envolve a privacidade neste trabalho tem como quadro o surgimento da Web 2.0, computação em nuvem, Internet das Coisas e Big Data, cenário onde ocorre a coleta de grande quantidade de dados pessoais.
Os dados pessoais são quaisquer informações relativas a um indivíduo identificado ou identificável, ou seja, a pessoa a quem os dados se referem ou sujeito do dado. Como exemplo de dados pessoais, é possível citar o conteúdo gerado pelo próprio indivíduo relacionados a atividade ou comportamento, dados sociais como contatos e amigos em redes sociais, dados de localização como endereço, demográficos como idade, gênero, e dados de natureza oficial como nome, documento de identidade, registros policiais. Já os dados impessoais são considerados aqueles que não são passíveis de serem utilizados para a identificação do indivíduo como, por exemplo, aqueles relacionados a quais websites que foram visitados, o que é comprado on-line e como aquilo que é comprado é pago. O cruzamento de dados impessoais pode revelar algumas informações pessoais reservadas, que podem vir a se tornar públicas. Alguns dados tornam-se públicos a partir do momento em que são divulgados pelo próprio indivíduo como endereço, número de telefone, documento de identidade, preferências pessoais, religiosas, políticas. Nesse contexto, o próprio indivíduo ou sujeito dos dados abre mão de forma voluntária de eventual privacidade, por meio de exposição descuidada ou não, não havendo, dessa forma, invasão à
privacidade, entretanto essas informações podem ser utilizadas para fins que não atendam os seus interesses pessoais.
Além da coleta de dados de modo voluntário, é possível que os dados possam ser obtidos por meio da observação como de localização quando da utilização de serviços de celulares ou inferidos com base na análise de dados pessoais divulgados on-line. Alguns eventos podem oferecer riscos a eventual identificação pessoal como serviços financeiros, concessão de crédito, cobertura de seguro, entrega de produtos e serviços, serviços móveis e de celular, serviços de localização, benefícios e serviços governamentais.
Em nosso entendimento, o Big Data é um fenômeno que deve ser explorado com responsabilidade pelas organizações de maneira que o seu potencial prometido alcance novos patamares de inovação e aumento da vantagem competitiva no mercado que, atualmente, carece de encontrar novas formas de colocação de produtos, serviços e revisão de processos de modo a aumentar a eficiência operacional. Essa responsabilidade, para a extração do pleno potencial, passa, necessariamente, pelo tratamento de vários desafios impostos pelo Big Data, cujo destaque neste trabalho é a preservação da privacidade dos indivíduos. Essa tarefa, relativa à preservação da privacidade, torna-se mais complexa com o advento do fenômeno dos grandes dados, em função do fato de que os dados são negociados, computados, observados, detectados e oriundos de diversas fontes, propiciando uma vasta gama de combinações que, mesmo não sendo caracterizados como dados pessoais, podem revelar informações sensíveis e, por vezes, não deveriam vir a público.