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O turismo para muitas regiões, é visto como uma tábua de salvação, uma grande oportunidade para alcançar o desenvolvimento desejado. No entanto, esta interacção só resulta caso existam vantagens planeadas e devidamente consideradas, para todos os intervenientes no processo. O turismo cria uma relação, a vários níveis, entre a comunidade visitada e os visitantes que a procuram. Neste processo e nesta relação, deve-se ter em conta os impactos sofridos pelas comunidades acolhedoras, pois “O turismo só deve ser

encorajado na medida em que proporcionar à população hospedeira uma vantagem de ordem económica, antes de tudo, sob a forma de lucros e empregos – que a mesma terá desejado, onde esta vantagem seja de natureza duradoura e não traga prejuízos aos outros aspectos da qualidade de vida. As implicações de um projecto (custos e benefícios económicos, compatibilidades sociais e ecológicas) devem ser bem esclarecidas antes da execução.” (Krippendorf, 1989, p186).

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Como em quase todas as outras actividades económicas, as vantagens competitivas estão cada vez menos assentes nos activos materiais e cada vez mais assentes no conhecimento, nos saberes e portanto dependem dos grandes pacotes do saber, que são os recursos humanos, bem formados e qualificados. Os recursos humanos constituem um factor fundamental para o desenvolvimento turístico, o aumento das suas qualificações, permitem uma valorização qualitativa das suas capacidades profissionais. Dotando estes recursos de fundamentações cientificas e tecnológicas, permitirá o desenvolvimento cientifico e tecnológico do próprio turismo.

Paralelamente a existência de boas e modernas infra-estruturas, bons e eficientes equipamentos, dotados de software cientificamente evoluído, permitirá um acolhimento altamente qualificado e capaz de suportar as exigências dos mercados especializados, “...

considerando que a competitividade supõe a capacidade de alcançar benefícios superiores à média num ou em vários nichos de mercado e de gerar uma procura para as suas novas ofertas. ... um produto ou empresa é competitivo quando mantém uma alta capacidade de inovação e constantemente garante a qualidade dos seus produtos ou serviços.” (Cunha, 1997, p218).

O turismo encontra-se a mudar muito rapidamente, sendo essencial a criação de posturas pró-activas e não reactivas, por parte dos seus agentes, que permitam capitalizar a seu favor, e em devido tempo, as novas oportunidades de negócio que podem advir das constantes flutuações de mercado. Torna-se cada vez mais importante que, para além das acções, se faça uma aposta na criação de políticas polarizadas e coerentes, estruturadas por forma a desenvolverem a sustentabilização da oferta. É importante que se promovam “...

novas unidades e formas de turismo com ofertas diversas em relação àquelas que se encontram actualmente definidas na legislação, ordenamento sistematizado e coerente do território, formação de recursos humanos, consolidação do investimento nas áreas de maior ocupação turística, e estimulo a novas formas de investimento que permitam a expansão sustentada e sustentável do tecido empresarial, nomeadamente ao nível de áreas menos desenvolvidas.” (Costa, 2001, Europarque).

Poderá estar aqui uma base de estudo muito importante, cientificamente poderá assentar na definição dos targets nacionais, nas tipologias de ordenamento do território “O

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mundo está cheio de cemitérios turísticos, em consequência de erros cometidos e, sobretudo, da falta de visão estratégica e de planeamento.” (Neto, 2001, Europarque). A

clarificação das necessidades de equipamentos e infra-estruturas que devem sustentar o processo de desenvolvimento da oferta turística, a clarificação e concertação dos sistemas de incentivo, a promoção de uma política de investigação e formação, o estimulo das parcerias nacionais e internacionais, irão resultar num crescimento em banda larga.

O serviço prestado, é um factor preponderante na qualidade intrínseca da oferta no turismo. Não tem sido objecto de grandes estudos, mas é a sua essência que motiva e satisfaz, “Qualidade não pode ser nem nos interessa que o seja, equivalente a processos

de normalização e de estandardização que só favorecem os grandes operadores internacionais com os quais iríamos ter dificuldades acrescidas de competição. A qualidade na área do turismo tem de passar muito mais pela certificação dos processos do que pela certificação dos produtos, que pode conduzir à estandardização... o conceito de qualidade tem de ser entendido como sendo suportado numa plataforma de afirmação da sua diferença, na diferenciação de produtos e na sua autenticidade e personalidade próprias.” (Costa, 2001, Europarque). Se não se conseguir ter uma

educação pró-turismo, jamais se consegue garantir a abertura de uma sensibilidade própria para a complexa ciência do turismo.

“O turismo deverá ser considerado e alicerçado num tripé constituído simultaneamente como negócio, industria (service, product, industry) e fenómeno cientifico, visando um novo senso comum como estratégia epistemológica, isto é, enquanto ciência e num quadro de qualificação a todos os níveis.” (Martins, 2001,

Publituris).

É fundamental que o espaço de oferta venha a ser hierarquizado, priorizado e estruturado, de forma a que se defina quais os honey-pots existentes em cada região. Sendo estes o grande motor de atracção de visitantes, permitirão a definição das marcas e submarcas de um destino. “Note-se que ao avançar-se neste sentido, toda a lógica do

turismo fica sujeita a alterações, na medida em que a mesma fica subjacente a uma lógica de produto-espaço, que é bem diferente da realidade actualmente existente, pautada por uma lógica de espaço-produto.” (Costa, 2001, Europarque). Como tal, é

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_______________________________________________________________________________________ Paulo Almeida Página 54 importante “Informação de base necessária à elaboração de modelos de impacto

económico do turismo (aos níveis nacional e supranacional), para a preparação de uma análise orientada para o mercado turístico.” (CST, 1999, p3).

Com uma definição sóbria dos clusters da oferta, tornar-se-á mais fácil “...

esclarecer um dos maiores imbróglios em que a comunidade científica do turismo se encontra mergulhada, e que diz respeito à definição de turismo propriamente dito, da sua circunscrição em termos de actividades económicas que lhe estão associadas, da base económica em que o sistema turismo se suporta, e a definição das actividades não lucrativas que integram a oferta do turismo.” (Costa, 2001, Europarque).

Regra geral, no turismo é o consumidor que se desloca ao lugar onde está o produto/serviço para o consumir, e isso exige decisões prévias e um investimento sustentado e ordenado. É decisivo que vamos caminhando a passos largos para a globalização da economia, é importante que os recursos e a oferta estejam nas nossas mãos, porque se é um facto que o turismo pode ser negociado via outros agentes, contrariamente aos outros sectores, tem de ser consumido na origem da produção.

“Termos que construir padrões de qualidade sectorial e regional para valorizar- mos e impormos a nossa oferta cada vez mais de forma autónoma, garantida, certificada, para sermos nós a vender e não a ser comprados por qualquer preço por hiper-operadores.” (Neto, 2001, Europarque). O novo turismo, deve fomentar a

inteligência, a sensibilidade para com os valores, o empreendorismo humano, a revisitação de um passado presente e a momentaniedade dos momentos de reconforto.

Numa realidade simplista, a actividade turística depende de actividades, empresas e instituições, relacionadas a montante, a jusante e na órbita da sua própria esfera de oferta, actuando de forma interligada. No entanto, nunca deverá ser posto em causa um desenvolvimento harmonioso às populações directamente afectadas. “Um desenvolvimento

harmonioso do turismo exige o respeito absoluto à hierarquia dos objectivos: é indispensável que os propósitos do primeiro nível – portanto, os interesses do conjunto de viajantes e viajados – tenham prioridade sobre aqueles de outros níveis, isto é, das diversas categorias profissionais. ... Em caso de incompatibilidades ou duvidas, é

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importante colocar os interesses dos autóctones acima daqueles que reclamam as pessoas oriundas do exterior.”(Krippendorf, 1989).

Um dos problemas que tem seguido o turismo nacional, tem sido a sua quantificação, ao nível da capacidade de oferta e capacidade de execução económica dessa mesma oferta. Esta necessidade levou à implementação da Conta Satélite do Turismo. É um documento importante para a definição de regras, quanto à organização das contas do turismo a nível nacional, nos sectores público e privado, determinando o seu impacto económico, a sua contribuição directa para as contas do país e o seu peso no PIB.

Esta informação e indicadores “Deveriam ser de natureza estatística e ser

produzidos regularmente, não somente sob forma de estimativas pontuais, mas num quadro de um processo estatístico contínuo, combinando a compilação de estimativas de referência com uma utilização mais flexível dos indicadores, tendo como objectivo reforçar a utilidade dos resultados.” (CST, 1999, p1). Para que se possa estabelecer uma

comparação a nível internacional, determinando o respectivo peso do turismo de cada país,

“As estimativas deveriam ser baseadas em fontes estatísticas credíveis, em que os visitantes e os produtores de serviços sejam tidos em consideração... Os dados deveriam ser comparáveis no tempo dentro do mesmo país, entre países e com outros domínios da actividade económica.” (Ibidem).

A Conta Satélite do Turismo, procura determinar a real procura gerada pelo turismo, nas suas diferentes formas, compilando as funções de produção e a inter-relação entre actividades económicas, afim de constituir uma base de análise de impacto, “...

classificada em função das características dos próprios visitantes e das suas deslocações, dos bens e serviços adquiridos; .... a descrição da natureza do emprego e dos postos de trabalho, da formação de capital e do investimento não financeiro; as importações e exportações, tal como o seu impacto sobre a balança de pagamentos; os efeitos sobre as receitas públicas, a criação de rendimentos pessoais e de rendimentos das empresas, etc.” (CST, 1999; p2). A CST procura estabelecer a relação económica entre o destino e o

turista, pois “... o consumo do turismo não se limita a um conjunto de bens e serviços

pré-definidos. A particularidade importante do turismo não é tanto o que é adquirido mas a situação provisória na qual se encontra o consumidor: está fora do seu ambiente

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habitual, e é esta a característica que o identifica como sendo diferente de qualquer outro consumidor.” (Ibidem).