3 Fire livshistorier om å bli samisk kunstner
3.2 Aage Gaup
Para entender os tipos de troca de informação é primordial compreender um pouco sobre cultura e comportamento informacional. Ambos os termos são base para diferentes elementos e processos que são institucionalizados e viabilizam o compartilhamento ou a colaboração no ambiente organizacional. Na estrutura do comportamento informacional está a cultura informacional que possibilita as trocas e experiências, a assimilação, o reconhecimento e a prática dos padrões de comportamento.
O termo cultura informacional é definido por Davenport (1998) como ―[...] o padrão de comportamentos e atitudes que expressam a orientação informacional de uma empresa‖ (DAVENPORT, 1998, p. 110). Choo et al. (2008) destacam a cultura informacional como um conceito amplo e integrado de valores, normas, crenças e princípios que formam e estruturam a ideologia que sustenta a organização. Woida e Valentim (2008) destacam que a cultura informacional induz os atores da relação social a atuarem na mesma orientação e rumo aos mesmos objetivos da organização no que se refere à produção e uso da informação e do conhecimento. Nesse sentido, todos os valores, as crenças e as atitudes individuais atribuídos às ações frente à informação neste contexto são indicadores da cultura de informação no ambiente organizacional, que são moldados pelas interações dentro e entre as diversas camadas da cultura da empresa (OLIVER, 2003).
Nesse sentido, pode-se considerar que a cultura informacional é composta por processos, ações e elementos assimilados, reconhecidos e aplicados de forma institucional por meio do estímulo, reforço e prática de normas, regras, princípios, valores e crenças que promovem a dinamização das relações por meio da ação positiva, da integração e das trocas de experiências entre os membros da organização.
Já o comportamento informacional pode ser considerado como um componente essencial da estruturação da cultura informacional. Nesse sentido, o termo comportamento
informacional pode ser compreendido como a forma ―como os indivíduos lidam com a informação‖ (DAVENPORT, 1998, p. 110), ou seja, a forma como os indivíduos necessitam, buscam e utilizam a informação em contextos variados (PETTIGREW et al., 2001).
Wilson (2000) apresenta um conceito bastante completo para comportamento informacional. Segundo ele, comportamento informacional é ―a totalidade do comportamento humano em relação às fontes e canais de informação, incluindo a busca ativa e passiva e o uso da informação, além do uso da informação‖ (WILSON, 2000, p. 49). Com essa visão, o autor expõe como formas de comportamento informacional todos os tipos de comunicação, desde a face a face, bem como o que ele denomina como ―recepção passiva‖, em que o indivíduo não tem intenção de agir sobre as informações prestadas. Case (2007) corrobora Wilson na definição do termo, apenas acrescentando ao termo ‗passiva‘ o conceito de ‗não intencional‘ para dar o sentido de que a ação passiva também pode ser ou envolver a busca, mas como ato de ‗evitar ativamente a informação‘.
Nesses termos, vislumbra-se o comportamento informacional como um complexo de ações que englobam a busca e o uso, tanto ativo quanto passivo de informação, sendo um comportamento intimamente relacionado com as ações desenvolvidas pelo indivíduo para encontrar e utilizar a informação desejada.
Sob essa perspectiva, a partir da década de 80, o campo de estudo sobre o comportamento e necessidades informacionais passa a enfatizar o estudo dos usuários, surgindo diversos modelos que visam estruturar modelos funcionais sobre o comportamento humano diante das necessidades e do uso da informação. Dessa forma, destacar-se-á alguns desses modelos como forma de colaborar a construção do referencial teórico.
A- Modelo de comportamento de busca da informação (WILSON, 1981): Considerado como macro-modelo de busca de informação, esse modelo indica como a necessidade de informação pode surgir ou impedir a busca de informações, por meio de duas proposições principais: a primeira ressalta que a informação não é uma necessidade primária, mas sim, uma necessidade secundária oriunda das necessidades mais básicas (de cunho fisiológico, cognitivo ou afetivo). E a segunda trata que, no esforço para descobrir informações para satisfazer uma necessidade, o indivíduo observa o contexto da necessidade e busca reunir às barreiras que são oriundas destes contextos. O ponto fraco do modelo é que não há nenhuma consideração sobre os efeitos que o contexto exerce sobre a pessoa ou sobre a percepção de barreiras ou diferentes motivações dos indivíduos para buscar informações.
Figura 2: Modelo de comportamento de busca da informação (WILSON, 1981).
Fonte: Wilson, 1981.
B- Teoria Sense-Making (DERVIN, 1983): A teoria sense-making de Dervin (1983) busca compreender a necessidade de informação como algo subjetivo, situacional e holístico (MARTÍNEZ-SILVEIRA; ODDONE, 2007), destacando que a necessidade informacional surge, cresce e, por sua vez, é satisfeita. Para isso, a autora utiliza da metáfora da ponte, baseando-se na construção de um triângulo composto por alguns elementos constitutivos: a situação (contexto em que surge o problema informacional), a lacuna (diferença entre a situação real e a desejada - incerteza), o resultado (a consequência do processo de sense-making), e a ponte (meios de preencher a lacuna entre a situação e a evolução). Assim, a ponte, constitui o meio que possibilita o preenchimento da lacuna entre a situação e o resultado, destacando que ―toda necessidade de informação surge da descontinuidade no conhecimento provocada por uma lacuna‖ (MARTÍNEZ- SILVEIRA; ODDONE, 2007, p. 123). Assim, a todo momento as pessoas estão tentando preencher essas lacunas informacionais, seja por meio de pesquisa, conversas, etc. como sugerido por Dervin (1983). A evolução do processo é o fechamento das lacunas, relacionado pela autora como o encerramento de um processo para dar início a outro.
Figura 3: Estrutura da Teoria Sense-Making (DERVIN, 1983).
Fonte: Extraído de Dervin, 1983.
C- Modelo comportamental de busca de informações estratégicas (ELLIS, 1989): Esse modelo de comportamento humano de busca de informações é base estrutural para navegadores da Internet. Sua estrutura estabelece uma série de categorias de atividades de busca de informações. São elas: começar (início da atividade de busca); encadear (dar continuidade à busca); browsing (ou rastrear, como busca direcionada em locais potenciais); diferenciar (filtrar e selecionar); monitorar (rever as fontes identificadas essenciais); extrair (trabalhar as fontes de interesse); verificar (conferir a veracidade das informações) e finalizar (ELLIS, 1989). Assim, a autora destaca que ―as inter-relações ou interações entre essas categorias em qualquer padrão individual de busca informacional dependerão das circunstâncias específicas da busca em questão naquele momento particular‖ (ELLIS, 1989, p. 178).
Figura 4: Fases do comportamento na busca informacional (ELLIS, 1989).
Fonte: Ellis, 1989.
D- Etapas do comportamento de busca de informações (KULTHAU, 1991): a proposta de Kulthau (1991) pode ser considerada como uma expansão do modelo indicado por Ellis por meio da associação de sentimentos, pensamentos e atitudes dentro de uma perspectiva fenomenológica. Nessa proposta, Kulthau sugere outras etapas para o processo de busca de informação, destacando-se a iniciação, a seleção, a exploração, a formulação, a coleta e a apresentação. Neste modelo, Kulthau sugere que o estado emocional do indivíduo dentro do processo de busca de informação inicia-se com incerteza, a confusão, a ambiguidade. À medida que o processo se desenvolve e a necessidade de informação vai
sendo suprida, o sentimento de incerteza vai sendo substituído pelo sentimento de confiança e satisfação, sendo um sinal de que o indivíduo está obtendo sucesso em sua busca.
E- Modelo de comportamento informacional revisado (WILSON e WALSH, 1997): Como um aperfeiçoamento das propostas anteriores, Wilson e Walsh (1997) propõem um modelo de comportamento informacional inserindo na estrutura do modelo uma fase intermediária que engloba a consciência da necessidade informacional e a atitude requerida para satisfazê-la. Esse modelo é inspirado nas necessidades fisiológicas, cognitivas e afetivas de cada indivíduo a partir de uma análise de diversas teorias relacionadas ao uso da informação. Para eles, o contexto dessas necessidades é configurado pelo próprio indivíduo, pelas demandas de seu papel na sociedade e pelo meio ambiente em que sua vida e seu trabalho estão estabelecidos, bem como pelas barreiras que impedem o indivíduo de alcançar o que necessita. Para isso, os autores incorporaram conceitos relacionados à teoria do risco / recompensa para destacar como e por que o que eles denominam de ―variáveis intervenientes‖ podem desencadear ou obstruir as iniciativas de busca de informação. Eles acreditam que a eficiência pode afetar o modo como o indivíduo responde a uma situação ou à necessidade de informação em si, bem como no tempo que ele dedica para fazer a busca e no empenho e esforço dedicados para isso. Nesse sentido, os autores destacam a possibilidade de o indivíduo falhar no uso da informação, mesmo que ele compreenda a sua utilidade. Deve-se isso à insegurança do indivíduo em lidar com a posse da informação.
Figura 5: Modelo de comportamento informacional (WILSON; WALSH, 1997).
Assim, analisando os modelos citados anteriormente, é possível perceber a existência de vertentes diferenciadas no campo do comportamento informacional, demonstrando que a área é especialmente preocupada com a variedade dos processos adotados e empregados pelas pessoas para obter acesso a recursos de informação.
A partir do que foi exposto, é possível estabelecer uma relação entre dois pontos. A primeira relação é com os conceitos anteriormente tratados, ou seja, compartilhamento da informação e comportamento informacional. Sob esse prisma, podemos considerar que o compartilhamento da informação é um processo pertencente à GC e que sofre influências diretas de inúmeros fatores que integram o modelo e o processo que compreende o comportamento informacional. Assim, as variáveis que Wilson e Walsh (1997) apresentam em seu modelo como sendo psicológicas, sociais, ambientais, demográficos, interpessoais, etc., podem interferir tanto no comportamento informacional como no processo de compartilhamento da informação, tornando essas trocas dinâmicas.
Paralelamente a isso e sob a mesma influência, está a interação entre o comportamento informacional e os sistemas colaborativos, já que estes últimos podem ser considerados como uma ferramenta para concretização do comportamento informacional, mas que também estão sujeitos às variáveis externas que podem facilitar ou não as trocas informacionais de acordo com o contexto.
Por esse motivo, o estudo desses fatores que influenciam diretamente tanto o comportamento quanto as trocas de informação pode ser considerado como uma tarefa importante para compreender o funcionamento do processo de compartilhamento informações e colaboração entre os indivíduos. Sob essa vertente é que, na próxima seção, serão identificados, por meio da revisão de literatura, os principais fatores que influenciam as trocas de informação no ambiente organizacional.