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Mediante a leitura da página através dos seus dados que a caracterizam, partimos para a segunda análise que realizou-se na codificação dos conteúdos remetidos pela página ao usuário e também os conteúdos que são exibidos na sua própria página através dos vídeos e imagens compartilhados de outras páginas, ou publicados na página em questão sem mencionar a autoria. O recorte do texto feito através da palavra, personagem e documento. Dessa forma, analisamos as ocorrências palavras – chave (assuntos relacionados) juntamente com os documentos (fonte original) aos personagens (sujeitos políticos). Os conteúdos falam a respeito do ex-presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, e da atual presidente Dilma Rousseff, que estava concorrendo à sua reeleição em 2014, ambos pertencentes ao mesmo partido, o Partido dos Trabalhadores (PT); e sobre Aécio Neves e Eduardo Campos, candidatos da oposição à presidência da república. No entanto, identificamos as palavras- chave de assuntos que apareciam se referindo a um dos nomes citados acima, em que iremos

denomina-los em nossa análise de “sujeitos políticos”. No quadro a baixo, iremos chamá-los apenas pelo primeiro nome.

Tabela 2 – Relações entre as palavras-chave e os documentos com os sujeitos políticos

Assuntos relacionados Sujeitos políticos Fonte original L u la Dilm a Aéc io E d u ar d o Mensalão 1,2,3, 4

1,2,3,4 Revista veja (1,2,3) e folhapolitica.org (4)

Lava jato 1,2,3,

4

1,2,3,4 Revista veja (1,2,3) e folhapolitica.org (4)

Petrobrás 1,2,3,

4

1,2,3,4, 5

Revista veja (1,2,3), folhapolitica.org (4) Globo (5)

Alberto Youseff 1,

2,3,4

1, 2, 3, 4

Revista veja (1, 2, 3) e folhapolitica.org (4)

PT 1 Autoria da página

CPI da Petrobrás 1 Globo e Revista Veja

Legalização do aborto 1 Página não menciona autoria

Corrupção 1 1, 2 Página não menciona autoria (1)

Autoria da página (2)

Debate presidencial 1, 3 2,3 Canal da direita (1) UOL (2)

Autoria da página (3)

Ibope 1 1 Infomoney

Neymar 1 Aécio neves

Irmã de Lula 1 Política na rede.com

Vereador do PT 1 Youtube

Homenagem 1 Página não menciona autoria

Total de assuntos relacionados

17 25 6 1

Fonte: Autor

A frequência dos conteúdos mensalão, lava-jato, Petrobrás, Youssefe aparecem em quatro matérias — três da Revista Veja e uma da folhapolitica.org —, com a exceção da palavra Petrobrás, relacionada uma vez a mais à Dilma pela Rede Globo. É importante

salientar que o número de aparições corresponde ao número de publicações que abordam esses assuntos relacionados às mesmas pessoas, e não a frases do conteúdo das publicações. Portanto, as cinco palavras acima apareceram nas cinco matérias, caracterizando que as mesmas tratavam do mesmo assunto. Segundo Bastos et. al. (2015), nas eleições de 2014 os candidatos da oposição, que estavam concorrendo com a Dilma, utilizaram – se dos escândalos acontecidos no governo do PT como um recurso nas suas campanhas.

Nos assuntos relacionados ao mensalão, “esquema de compra de votos de parlamentares, deflagrado no primeiro mandato do governo de Luís Inácio Lula da Silva” (INFOESCOLA), nas quatro publicações que remetem ao assunto, como podemos ver, são mencionados Lula e Dilma. Essa ocorrência está relacionada ao fato de ambos serem do mesmo partido, sendo Dilma sucessora de Lula, o qual governou durante oito anos o Brasil, de 2003 a 2010; e Dilma, de 2011 a 2014, em seu primeiro mandato, e que estava concorrendo à sua reeleição na época. Durante o governo de Lula, Dilma era ministra de Minas e Energia em 2002; após o mensalão, Dilma substituiu José Dirceu, envolvido no escândalo, na chefia da Casa Civil em 200519.

O termo lava-jato refere-se à Operação Lava-Jato, que “desmontou um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que, segundo as autoridades policiais, movimentou cerca de R$ 10 bilhões” (GLOBO). Petrobrás20

e Alberto Youssef, doleiro e empresário.

Mediante os dados expostos acima, foi possível visualizar as ocorrências das publicações de assuntos semelhantes feitas pela página. Vale lembrar que a publicação da Revista Veja se repete por três vezes, todas aconteceram no mês de outubro de 2014, retratando a corrupção ocorrida no governo Lula, do qual Dilma também fez parte. Isso, consequentemente, refletiu no governo de sua sucessora, pois a matéria se refere a escândalos relacionando os dois governos. Partindo do pressuposto de que a página compartilhou essa informação por três vezes no mesmo mês das eleições, com 27%, essa fonte original foi a que a página mais utilizou. Dessa forma, podemos inferir que há um interesse maior em enfatizar a notícia em questão. Segundo Recuero (2012a p. 8) baseada na visão de Kleinberg & Easley (2010), esse fenômeno é conhecido como cascata.

Cascatas são, assim, efeitos das redes sociais online enquanto mídia. São geradas pela ação individual dos atores e evidenciam o potencial informativo dessas redes,

19Informação disponível em: <http://www.e-biografias.net/dilma_rousseff/>.

20 A Petrobras é uma empresa sociedade anônima de capital aberto, cujo acionista majoritário é o governo

brasileiro, atua como uma empresa integrada de energia nos seguintes setores: exploração e produção, refino, comercialização, transporte, petroquímica, distribuição de derivados, gás natural, energia elétrica, gás-química e biocombustíveis. Informação disponível em: < http://www.petrobras.com.br/pt/>.

uma vez que o coletivo funciona como um meio capaz de difundir rapidamente e globalmente uma determinada informação. Esse potencial é fruto do efeito da estrutura da rede e de sua organização. Trata-se de um efeito extremamente relevante, pois é complexo e dinâmico e dependente das motivações e percepções individuais dos atores, que coletivamente influenciam essa difusão. Cascatas são iniciadas e replicadas rapidamente, competindo com meios tradicionais e, inclusive, gerando práticas jornalísticas diferenciadas [...]. As cascatas também podem influenciar negativamente a circulação de informação, na medida em que podem dar mais visibilidade para determinados tipos e menor para outros que podem ser considerados mais relevantes.

Portanto, como o próprio nome da página diz, o objetivo é sua oposição ao governo de Dilma. Deduzimos que o interesse é publicar informações que sejam contra esse governo; porém, na descrição da página lemos: “Acompanhe as principais notícias envolvendo o governo atual e os candidatos de oposição à Presidência da República em 2014”. Verificamos que, durante os três meses da campanha, das 18 publicações, oito foram no dia 24 e 25; três, nos dias 23, 20 e 17 de outubro; e as outras sete distribuídas nos demais meses. Dentre as oito postagens dos dias 24 e 25, três são da Revista Veja e uma da politicanarede.org. Mediante esse fluxo de informação, supomos que, diferentemente do objetivo da página, que é informar o cidadão sobre notícias do governo atual e dos candidatos da oposição, esse canal, caracterizado como jornalismo cidadão, utiliza a página do Facebook para influenciar a opinião do seu público ao publicar, estrategicamente, uma informação negativa referente ao governo atual da época, dois dias antes das eleições do segundo turno.

Os assuntos PT, CPI da Petrobrás e legalização do aborto possuem cada um apenas uma publicação a respeito de Dilma, relacionando-a ao seu partido e às investigações realizadas no seu governo através da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), no qual “é um organismo de investigação e apuração de denúncias que visa proteger os interesses da coletividade” (BRASILESCOLA).

A legalização do aborto, defendida pela presidenta21, entra em conflito com questões religiosas que não concordam com a prática do aborto. A palavra corrupção possui uma publicação relacionada à Lula e duas a Dilma, referindo-se aos escândalos ocorridos nos seus respectivos governos. O assunto debate presidencial possui duas publicações falando sobre Dilma e duas sobre Aécio. O IBOPE, que retrata a posição dos candidatos, é retratado apenas uma vez através da publicação da Infomoney (fonte original).

Nos assuntos relacionados a Aécio Neves estão pessoas como Neymar, cuja fonte original é a página de Aécio Neves, a irmã de Lula (politicanarede.com) e um vereador do PT

21Informação disponível em: <http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/nacional/dilma- rousseff-defende-legalizacao-do-aborto-1.737276>.

por meio do YouTube, os quais declararam seu apoio a Aécio Neves. Vale ressaltar que nenhuma dessas fontes é de jornalismo oficial: a primeira é uma página no Facebook do referido candidato; a segunda é um site de jornalismo independente, onde é sociedade que transmite a notícia; e o terceiro é um site de redes sociais, assim como o Facebook, sendo que as ferramentas utilizadas são os vídeos. Podemos perceber que nenhuma dessas informações é proveniente de fontes de jornalismo profissional.