• No results found

a. Fiskets gang

In document RICHARD . HANSEN (sider 69-90)

O trabalho de campo da primeira etapa, realizado no período de agosto a dezembro de 2011, nos 39 municípios da RMSP, começou quando o sujeito identificado, segundo os critérios de inclusão, aceitou o convite para participar do projeto, sendo a função de localização do sujeito alvo e agendamento de entrevista uma das especificidades para a ida a campo, realizada unicamente pela autora durante toda a primeira etapa do estudo.122

2.4.1 Especificidades da ida a campo

Deste trabalho, destacam-se, em um primeiro momento, as especificidades que caracterizaram a identificação do sujeito alvo (de maneira geral, independente da categoria) como representante do conselho municipal e o desenho da sequência dinâmica da ida a campo.123

Em virtude das particularidades, foram elencadas sete orientações para organizar o cronograma de atividades, o que significou (1) estabelecer orientações para o trabalho de campo, formar e treinar a equipe de entrevistadores ao longo das fases de pré-teste, antes, durante e pós-campo, sobre como preencher os instrumentos de pesquisa, arquivar os registros da

122 A ligação telefônica foi via de contato eleita. A autora elaborou uma lista de identificação de sujeitos (conhecidos) e

orientou os entrevistadores a localizarem e agendarem a entrevista (pré-teste). A maioria não foi bem-sucedida nessa tentativa, alegando, por exemplo, falta de tempo para fazer diversas ligações para o mesmo sujeito (em diferentes horários) até localizá-lo, e que, dos contatados por e.mail um alegou que não recebeu o convite, os demais que não viram ou não entenderam ou simplesmente ignoraram a mensagem (Fonte: Diário de Campo, abr. 2011).

123 Tais especificidades começaram a ser desenhadas quando uma pessoa (coordenava ações de saúde na área do

idoso) se recusou a participar do estudo alegando que “se fosse como conselheiro falaria” (sem saber que ainda estávamos na fase de pré-testes). Mas essa informação só fez sentido e foi resgatada quando a autora, após ter sua ligação transferida várias vezes, dentro de uma mesma Secretaria, foi orientada a aguardar (parecia que seria atendida, esperava que uma pessoa do segmento gestor se voluntariasse para participar do estudo). “Aguardei minutos

eternos, até a ligação cair”. Nesse dado momento, ligou novamente e estrategicamente informou sobre o estudo, frisando que o entrevistado seria “um representante do CMS do segmento gestor”. Surprendentemente a ligação foi transferida para o presidente do Conselho, o secretário da Saúde, que aceitou participar (Fonte: Diário de Campo, ago. 2011).

gravação de voz e do diário de campo;124 (2) mapear o campo, ordenar o fluxo

de entrevistas feitas e pendentes por localidade, acompanhar a execução e a qualidade das atividades desenvolvidas pela equipe dentro dos prazos estabelecidos e apresentar os resultados parciais compartilhando tecnologias sociais;125 (3) supervisionar a pesquisa, ou seja, conferir a assinatura do termo

de compromisso, fazer a crítica de cada entrevista, revendo se as questões foram total e corretamente preenchidas, catalogar o recebimento do Questionário misto e da gravação de voz, encaminhar as gravações para transcrição, registrar as respostas transcritas (apêndice 4); verificar por amostragem o trabalho de campo (consistência das informações) e acompanhar a planilha de custos com reembolso de transporte. Junto ao sujeito alvo, no agendamento da entrevista, houve as seguintes atividades: (4) evidenciar a necessidade de se ter um local adequado para garantir a qualidade da gravação de voz;126 se o sujeito consentir, (5) enviar convite, via

correio eletrônico, formalizando a participação na pesquisa (confirmando data, horário e local). (6) chegar ao local previamente combinado com tempo excedente para evitar atrasos;127 (7) oferecer ao sujeito uma segunda via do

TCLE e lê-lo em voz alta.128

124 A reserva de um momento pós-campo é importantíssima para guardar a pasta com material impresso e o gravador

em local seguro, ou transferir rapidamente os arquivos gravados para um computador ou pendrive. Destacamos dois relatos: “O meu gravador ficou em minha mochila em um dia de muita chuva. Molhou. Não ligava mais. Mandei para a

assistência técnica e, felizmente, não era nada grave. Mas isto atrasou em muitos dias a transcrição das gravações e quase as perdi tudo” (Fonte: Diário de Campo, out. 2011); “Chegando à minha casa, ao descarregar o gravador com as

entrevistas notei que a terceira não fora gravada, devido a algum problema técnico do gravador despercebido no momento do encontro”. Felizmente, o fato não prejudicou a coleta de dados na localidade, pois esta terceira entrevista foi desconsiderada segundo os critérios de exclusão (Fonte: Diário de Campo, ago. 2011).

125 A quantidade de membros da equipe que ia a campo dependia dos agendamentos, na maioria das vezes eram

deslocados 4 (quatro) entrevistadores (no mínimo um e no máximo sete), para a localidade. Com previsão de horários, a saída de São Paulo era às 6 horas, chegando à primeira localidade por volta das 7h30min para cerca de 3 (três) entrevistas (ainda no período matutino); quem estava dirigindo o veículo de transporte tinha que chegar à última cidade entre 9h e 10h. Alguns voltavam de trem e outros com o motorista-entrevistador (Fonte: Diário de Campo, ago. 2011).

126 As entrevistas se deram em ambientes diversos e inusitados, desde salas privativas e preparadas especialmente

para nos receber, até locais públicos, com muito ruído e interferências de terceiros, como padaria, corredor e biblioteca – “ambiente muito silencioso, não podia falar alto, o que incomodou em alguns momentos, pois não se ouvia com

clareza o que se dizia”. Todos os locais foram considerados seguros no que tange à integridade dos sujeitos e dos entrevistadores, em que pese constituírem lugares públicos e com pessoas dispostas a contribuir com a pesquisa (Fonte: Diário de Campo, abr. 2011).

127 Os sujeitos foram entrevistados, geralmente, no local de trabalho, como a SMS. Nestes locais foi difícil encontrar

aqueles que não tinham uma sala fixa, e a informação era que: “só poderá atender quando estiver por perto”, ou “ligue

mais tarde, mais algumas vezes aí conseguirá encontrá-la” (Fonte: Diário de Campo, mai. 2011), ou automaticamente era dito “ela não se encontra neste momento”. Nesses casos a solução era esperar, e quando finalmente alguém localizava o sujeito alvo, via ramal – este “reclamava” por estar aguardando há algum tempo – ou, para viabilizar o encontro, solicitar previamente o número do celular do sujeito alvo. Lembrando que para chegar a esses locais perguntávamos aos moradores indicações e distância, por vezes, íamos a pé, enfrentando logo cedo: sol, ladeiras, calçadas irregulares, paisagem urbana com muitas indústrias, poluição e trânsito. (Fonte: Diário de Campo, ago. 2011). Observamos hospitalidade por parte da maioria (moradores e entrevistados), e desrespeito de alguns conselheiros, que “esqueceram o compromisso”, gerando horas de espera; alguns pareciam tensos, outros solícitos, contribuíam indicando novos contatos, explicando e adicionando experiências profissionais e pessoais para melhor entendimento de suas opiniões, atrasando ou até mesmo inviabilizando as entrevistas subsequentes (Fonte: Diário de Campo, dez. 2011).

128 A autora buscou com a estratégia explicitar um processo no qual a partir do conhecimento daquilo que o projeto

Para a ida a campo foram disponibilizados os seguintes materiais: (1) UnB: Parecer CEP-FM 059/2009 (anexo 1); (2) Carta Ofício do Ministério da Saúde (anexo 4); (3) Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (apêndice 2); (4) Questionário misto (apêndice 3); (5) Convite para Entrevista: Pesquisa Quem Cuidará de nós em 2030? (apêndice 5); (6) Crachá de identificação e pasta para protejer material impresso (apêndice 6); (7) Orientações para o Trabalho de Campo (apêndice 7); (8) Gravador MP3; (9) Impressora; (10) Microcomputador; (11) Internet; (12) Linha telefônica.

Gráfico 1

Distribuição das Regiões de Saúde por CMI e CMS e seus respectivos representantes, DRS1: Grande São Paulo. RMSP. 2011 (n=109).

Da ida a campo, particulariza-se, em um segundo momento, a seleção de 109 sujeitos, a saber: 39 (36%) representantes da SMS no CMS, 37 (34%) representantes dos usuários no CMS e 33 (30%) representantes dos idosos no CMI (gráfico 1 - supra); pois embora tenham sido entrevistados cento e treze (113) conselheiros, quatro (4) foram excluídos, por corresponderem a segmentos duplamente representados na localidade, sendo três representantes dos usuários (um de Salesópolis, outro de Barueri e um terceiro de Guarulhos) e um da Secretaria de Saúde (de Embu das Artes).129 Ao término da primeira

primeiro, alguns sujeitos poderiam ter dificuldade para ler e/ou entender o que estava escrito no termo e, segundo, porque o pesquisador assinava o termo (“sacramentando o dito”) antes do convidado (Fonte: Diário de Campo, dez. 2011).

129 Em Barueri, ao témino da entrevista com o representante da Secretaria, constatou-se que a representante dos

etapa, as transcrições das entrevitas gravadas se transformaram em matéria- prima para a formulação dos instrumentos de pesquisa do Método Delphi Eletrônico, que seguiremos apresentando.130

In document RICHARD . HANSEN (sider 69-90)