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A fantasy of knowing

In document Seeing Ourselves (sider 72-77)

A Internet é definida como sendo um conjunto de interligações em rede e os serviços disponibilizados que permite aceder a milhões de documentos, recursos, bases de dados suportados em servidores na rede (NUNES, [s.d.]; OHIRA, et al., 2003). Alguns dos serviços disponíveis são, por exemplo, o correio electrónico, o acesso remoto a outras máquinas, a transferência de ficheiros (FTP) e a World Wide Web (NUNES, [s.d.]). O mesmo autor esclarece ainda que a Web é um sistema de informa- ção mais recente que emprega a Internet como meio de transmissão. TOMAÉL (2001) considera que a Web oferece um leque alargado de novas fontes de informação e que os motores de busca, os repositórios de informação, os apontadores e as bibliotecas digitais necessitam ser analisados e estudados pela Ciência da Informação.

Autores como TOMAÉL (2001), NUNÉZ GUDÁS (2002) e OHIRA (2003) estão de acordo ao considerarem que a Web revolucionou os métodos de produção, armazena- mento, processamento e difusão da informação e, com o advento das novas tecnolo- gias, alguns autores, como PONTE (2000), têm-se debruçado sobre o tema da gestão e difusão da informação. Surgiram assim, questões que se prendem com a autenticida-

de, integridade, conservação, acesso e princípios de organização da informação e do conhecimento que são agora abordadas no contexto dos novos suportes de informação (PONTE, 2000 in OHIRA, et al., 2003). Assim, há que redefinir o papel das bibliote- cas e centros de documentação na relação com os clientes (PONTE, 2000) já que os serviços de recuperação de informação disponibilizados sob a forma de recursos elec- trónicos na Web são cada vez mais utilizados (OHIRA, et al., 2003).

NIELSEN (1996 e 1999) acrescenta que, em virtude do crescimento do número de páginas Web, cada vez mais os utilizadores procuram aceder à informação conside- rando não só o conteúdo dos sites mas também a sua qualidade (SALLES, 1997 in OHIRA, et al., 2003) pois, sendo a Web um sistema aberto, qualquer pessoa pode dis- ponibilizar informação (TOMAÉL, 2001; NÚNEZ GUDÁS, 2002; GARCIA DE LEÓN, et al., 2002). Em resposta à crescente exigência dos utilizadores, torna-se necessário utilizar instrumentos que permitam a recuperação de informação com qua- lidade. Neste sentido, os sites aparecem mais organizados e utilizam aplicações e fer- ramentas mais específicas de pesquisa e recuperação de informação (TOMAÉL, 2001; NUNÉZ GUDÁS, 2002; OHIRA, et al., 2003).

Enquanto TOMAÉL (2001) e GARCIA DE LEÓN e GARRIDO DÍAZ (2002) aler- tam para o papel dos profissionais da informação na tentativa de garantir alguma organização no caos que é a Web, criando métodos e ferramentas que permitam con- trolar a qualidade da informação disponibilizada, NÚNEZ GUDÁS (2002) considera que, devido à natureza da estrutura da rede e dos seus sistemas legais, dificilmente se conseguirá influenciar, regular ou mesmo mudar significativamente o estado caótico dos recursos na Web. Mas GARCIA DE LEÓN e GARRIDO DÍAZ (2002) acrescen- tam que com a normalização internacional de páginas Web será possível aperfeiçoar a qualidade desses recursos. Um exemplo de normalização foi desenvolvido pelo W3C (World Wide Web Consortium), consórcio que tem vindo a desenvolver protocolos que promovem e asseguram a interoperabilidade bem como padrões de acessibilidade (W3C, 2007).

Assim, a questão da qualidade das fontes de informação é bastante relevante e BRANDT (1996) evidencia a importância da avaliação da informação disponível na

Web para quem a utiliza bastante para pesquisa e a indubitável instabilidade da sua qualidade. KOEHLER (1999) considera que a longevidade da informação nas páginas

respeito à localização de um documento no mesmo URL ao longo do tempo ou sua deslocação para novo URL. A constância refere-se à solidez e veracidade dos conteú- dos com o passar do tempo (TOMAÉL, 2001) questão bastante importante, por exem- plo, quando se aborda a área das ciências da saúde.

NIELSEN (1996 e 1999) destaca algumas práticas menos correctas na construção de páginas Web e sua apresentação tais como a existência de frames, a utilização gratuita de novas tecnologias, principalmente se estas ainda se encontram na versão beta, páginas muito longas que implicam a utilização do scroll, excesso de animações, URLs complexos, informação desactualizada e páginas que demoram muito a carre- gar.

McLACHLAN (1999) e HENDERSON (2005) consideram que a clareza e organiza- ção da informação bem como a coerência com o tipo de utilizador a que se destina e a actualização e revisão constantes são imprescindíveis na avaliação dos conteúdos de uma fonte de informação. UNIVERSITY OF FLORIDA (2005), HENDERSON (2005) e STOKER e COOKE (1995) acrescentam a necessidade de identificação dos autores e sua credibilidade e a qualidade das páginas para as quais existem ligações. TOMAÉL (2001) reforça estas condições, fornecendo pistas para que se possa verifi- car a responsabilidade intelectual da fonte, quem a publica e difunde bem como a data de publicação e actualização do site. A actualização e revisão dos sites e dos seus con- teúdos também são elementos fundamentais a ter em consideração na avaliação das fontes, segundo STOKER e COOKE (1995) e KIRK (2004). No entanto, a realidade mostra que a maioria das fontes mais generalistas não disponibiliza informação sobre autoria, responsabilidade ou vínculo institucional que poderiam dar alguma credibili- dade ao conteúdo que veiculam, bem como os objectivos e motivos da sua criação (TOMAÉL, 2001).

No que respeita à interface, mecanismos de acesso e facilidade de manipulação, STOKER e COOKE (1995) consideram que são elementos que permitem a organiza- ção da informação na fonte e que passam pela análise da possibilidade de acesso em níveis distintos, pela amigabilidade da própria interface e pela clareza dos processos de navegação. No entanto, de acordo com TOMAÉL (2001), nem todas as fontes actualmente disponíveis na Web utilizam o hipertexto e a hipermédia, ou seja, nem todos os conteúdos disponíveis foram originalmente criados para a Web e

HENDERSON (2005) reforça esta ideia ao considerar importante que se saiba qual a origem da fonte, isto é, se foi desenvolvida para a Web ou para outro formato.

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