Segundo Amaral et al. (2005) as pessoas que fazem parte equipe de IC precisam ter competência para realizar as atividades do processo de IC. As competências recomendadas são descrias um conjunto de habilidade, conhecimento e atitude.
Os papéis da equipe de IC destacados pelos autores supracitados são apresentados no Quadro 7.
Papel Responsabilidade
Gestor Responsável por definir as necessidades de informações a serem monitoradas no processo de IC. Quem toma decisões dentro da empresa também é chamado de gestor e poderá receber relatórios provenientes do monitoramento das informações. Coordenador É o responsável pela equipe. Suas atividades vão desde a organização de equipes de
trabalho até o controle da realização de tarefas, passando pela alocação dos recursos necessário à realização das atividades e pelo planejamento das ações e diretrizes do grupo.
Analista É a figura central para a IC, podendo ser considerado a pedra angular de todo o esforço de inteligência. O papel essencial do analista é o de transformar informações coletadas em inteligência útil à tomada de decisão. Para isso, são requeridas uma série de competências que vão desde a capacidade de entrevistar pessoas, até a capacidade de prever tendências e observar as implicações estratégicas dos acontecimentos expressos pelos dados.
Coletor O coletor busca a matéria-prima através da qual a inteligência será produzida, sendo, portanto, uma função absolutamente estratégica em qualquer equipe de IC. Este profissional também deve possuir uma série de competências, tais como fortes conhecimentos em tecnologia da informação e em coleta de dados em diversas fontes.
Quadro 7– Papéis da equipe de inteligência competitiva Fonte: Adaptato de Amaral et al. (2005)
Foi acrescentado o papel de gestor com a finalidade da gestão do processo de IC (ABREU et al., 2008). Embora cada integrante possa exercer mais de um papel, Amaral et al. (2005) ressalta que nenhum indivíduo possui todos os atributos relacionados aos papéis de IC. Portanto é necessário que seja um trabalho realizado em equipe.
Entretanto a definição dos papéis e responsabilidades em uma rede de inteligência, por si só não garantem o sucesso do processo. Haja visto que é necessário competência da equipe para desempenhar as demandas de um processo de IC.
Segundo Ruzzarin (2002) a competência pode ser definida por conhecimentos (saber), habilidades (saber fazer) e atitudes (saber ser).
Amaral (2006) destaca seis competências necessarias em IC: relacionamento interpessoal, capacidade analítica, coleta de informações, comunicação, trabalho em equipe, organização e gerenciamento de processos.
Por exemplo a competência, capacidade analítica, implica em avaliar e interpretar sistematicamene os dados, com o objetivo de encontrar fatos relevantes,
estabelecer relações que levem a conclusões úteis a tomada de decisão (AMARAL, 2006, 2010).
Quadro 8 – Competência capacidade analítica Fonte: Amaral (2006)
Um conjunto de competências (que implica nos atributos de conhecimento, habilidade e atitudes) necessárias para uma equipes de IC em determinado contexto de atuação, podem não ser aplicável a outra equipe de IC em outro contexto. Tendo em vista que as equipes de IC e seus contextos de atuação possuem especificidades.
A partir desta constatação Amaral et al. (2008) propõe um modelo de mapeamento de competências que permite adaptar as listas de atributos e competências a essas realidades particulares, permitindo um mapeamento mais preciso e funcional. E ainda, pode ser utilizado para a criação e desenvolvimento de equipes de IC, sob a ótica da melhoria contínua. Esse modelo é apoiado por uma ferramenta computacional, uma base de referência para apoiar o mapeamento de competências em IC, um glossário de atributos de competência de IC. Esse modelo
leva em consideração a missão, visão, valores e estratégias peculiares de cada empresa (AMARAL; GARCIA; ALLIPRANDINI, 2008)
Na visão de Valentim et al. (2003) e Marcial (2006), um profissional que pretenda atuar na área de IC, deve possuir habilidades e conhecimentos relacionados às seguintes capacidades: comunicação, observação, criatividade, perspicácia, intuição, senso crítico, persistência, astúcia, autodidatismo, capacidade de síntese e análise, empreendedorismo, espírito investigativo, fluência oral e escrita, comportamento ético, saber agregar valor e planejar, conhecimento de ferramentas de tecnologia de informação e comunicação, fontes de informação, métodos de acesso a dados e informações, conhecimento do setor industrial e sua terminologia específica, além do ambiente, da estrutura e a cultura organizacional.
Gomes e Braga (2004) ao discorrer sobre o que é necessário a um profissional que pretende atuar IC, destacam que este profissional deve: estar presente e por dentro de todas as atividades executadas na organização; estar atento às tecnologias da informação; entender do ramo de atuação da organização; antecipar à demanda do mercado; oferecer suporte à tomada de decisão; ser pro- átivo; encontrar informações e trazê-la para o ambiente organizacional.
Segundo Santos e Serzedello (2006) o profissional que vai atuar no processo de IC deve dominar o negócio da organização, conhecer o mercado, os clientes, os fornecedores, os hábitos e costumes que formam a cultura da organização, além de estar apto a antecipar as necessidades da organização. Cada integrante da equipe de IC deve ter claro, qual é o seu papel, e quais são as atividades que precisa desempenhar no processo.
Ao definir equipes para atuar em processos de IC Cardoso Júnior (2005) e Abreu et al. (2008) chamam a atenção para a importância da criação de redes de contato pessoal, que podem ser utilizadas para apoiar diferentes etapas do processo de IC. O estabelecimento destas redes podem ser um excelente canal de comunicação para atender demandas de coleta de informações de fontes primárias e informações qualitativas, além de ser uma fonte de conhecimentos específicos sobre determinados assuntos. E ainda uma forma de disseminar mais rapidamente as informações.
Diante do exposto, observa-se que são muitos os conhecimentos, as habilidades e as atitudes necessárias para atuação dos profissionais na área de inteligência. Portanto, cabe destacar que não é um trabalho a ser desempenhado por uma pessoa, exige a estruturação de uma equipe multidisciplinar, com o propósito de reunir um maior número de competências no grupo. E ainda, a composição da equipe de IC, deve considerar as particularidades de cada empresa. A metodologia apresentada em Abreu et al. (2008) pressupõe a atividade de inteligência suportada por uma rede de especialistas, no sentido de reunir um número maior de competências.
Cabe a equipe responsável pelo processo de IC na empresa, gerar os produtos de IC ou produtos de inteligência, que são apresentados na sequência.