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Os parques são ambientes de inovação iminentemente urbanos. De acordo com a IASP (2013), apenas 5,9% dos parques no mundo estão instalados fora das cidades, sendo que a maioria deles, 45,4% localizam-se em cidades com menos de 500 mil habitantes, o que parece demonstrar a estratégia dos parques de estar em ambientes cuja qualidade de vida é maior em função da menor pressão nos serviços públicos e restrições comuns em grandes centros.

Outro aspecto relevante é que 65,5% dos parques estão implantados em áreas não relacionadas à universidades (IASP, 2013). De acordo com Massey, Quintas e Wield (1992) a proximidade à universidade relacionada ao Parque não se traduz em fortalecimento de relacionamentos formais, mas sim no fortalecimento de contatos informais, o que pode ser relevante para a inovação das empresas residentes. Os mesmos autores apontam que as atividades produtivas não deveriam ser excluídas do rol de atividades permitidas pelos parques, uma vez que dentro de um modelo de inovação aberto e integrador, a produção é parte indispensável no processo.

Desta forma, espaços universitários nem sempre estão preparados para integrar a produção e deixam de ser locais atrativos para este tipo de empreendimento, a não ser que o que se queira implantar não seja um parque tecnológico, mas um parque de pesquisa ou científico, cujas definições foram apresentadas em tópicos anteriores. Ainda, a existência de restrições para a entrada de atividades produtivas no parque pode-se deparar com a dificuldade de separar

pesquisa e produção quando se trata do desenvolvimento de setores com forte intensidade tecnológica, como a biotecnologia.

Um parque tecnológico, por ser ambiente que visa à interação entre diversos atores e por buscar abrigar empresas de tecnologia avançada, necessita disponibilizar estruturas físicas e serviços que facilitem a atividade inovadora e forneça, ou abrigue, as atividades de suporte necessárias.

Os parques tecnológicos recebem empresas em níveis de desenvolvimento diferentes e promovem a geração de novos empreendimentos. Neste contexto Zouain e Plonski (2006) apresentam os estágios de crescimento dos negócios (círculo externo) sua relação com os tipos de instalação, o tempo de permanência nas mesmas, e o tipo de serviço oferecido pelo parque (figura 7).

Figura 7 – Estágios do crescimento dos negócios e relacionamento com infraestruturas e serviços dos parques

Fonte: Zouain e Plonski (2006, p. 96)

Uma experiência empírica de oferecimento de infraestruturas físicas para os vários níveis de desenvolvimento empresarial é o caso do Parque Tecnológico da Andalucia

(Málaga/Espanha). O empreendimento foi estruturado com o pressuposto do de atendimento ao modelo contínuo de desenvolvimento empresarial e oferece pré-incubadoras (que auxiliam na transformação de ideias em negócios), incubadoras de empresas, ninhos (centros empresaiais para aluguel pelas empresas), contenedores (galpões sem acabamento, para aluguel e customização pelas empresas), e terrenos (PTA, 2011) (figura 8).

Figura 8 – Infraestruturas oferecidas pelo Parque Tecnológico de Andalucia

Fonte: Adaptado de PTA (2011)

Diagnóstico da IASP (2013) sobre as infraestrutuas físicas instaladas em parques apontam que as mais comuns são incubadoras de empresas, seguidas por institutos de pesquisa, atividades de lazer e unidades de universidades, conforme figura 9.

Figura 9 - Elementos físicos presentes nos Parques Fonte: IASP (2013)

Tal pesquisa relatou algo interessante, que é a forte presença de atividades de lazer, serviços sociais e unidades residenciais nos parques (IASP, 2013), o que reflete a tendência dos parques tecnológicos de não se configurarem como “ilhas” isoladas de tecnologia, mas sim partes de locais onde se pode trabalhar, viver e divertir.

Pré-

incubadora Incubadora Ninhos Contenedores Terrenos

91,60% 80,70% 42,90% 21,80% 59,70% 42,90% 25,20% 0% 25% 50% 75% 100% Incubadoras Institutos de Pesquisa

Universidades Residências Atividades de

lazer

Podem-se identificar, genericamente, as seguintes estruturas físicas presentes em parques tecnológicos (FIGLIOLI, 2007, p. 36):

- Infra-estruturas básicas: podem ser compostas por terrenos, rede de água, energia, telecomunicações (telefonia, rede de fibra ótica, sistema wi-fi, etc.), esgoto, gás, rede viária e sinalização, áreas de estacionamento, passeios, redes de recolha, tratamento e controle de resíduos, equipamentos de eliminação de resíduos, iluminação exterior, guaritas de segurança, entre outros. - Edifícios institucionais e de negócios: podem ter a seguinte natureza: (a) para uso institucional, para o alojamento da organização gestora do parque, centro empresarial com salas de reunião, de treinamento e anfiteatro, por exemplo; (b) para locação ou venda às empresas que queiram se instalar no parque;

- Infra-estruturas tecnológicas: como incubadoras de empresas de base tecnológica, centros tecnológicos e laboratórios de P&D, entre outros.

- Áreas verdes e sociais: áreas destinadas ao convívio social e a serviços prestados ao indivíduo, que pode ser composta por áreas de esporte e lazer, academias, creches, restaurantes, cafés, parques ecológicos, etc.

Além das estruturas físicas, os parques oferecem um conjunto de serviços de gestão e tecnológicos visando à catalisação do processo de inovação das empresas residentes. De maneira geral, os serviços encontrados em parques são: treinamento e consultoria tecnológica e gerencial, acompanhamento do desenvolvimento de projetos, serviços de proteção intelectual e transferência de tecnologia (FIGLIOLI, 2007).

Magalhães (2009), propôs um modelo conceitual de estrutura de serviços de inovação de parques tecnológicos oferecidos para pequenas e médias empresas (PME) de forma aprimorar a interação universidade-empresa-centros de pesquisa. Tais serviços cobrem tanto serviços do conhecimento, quanto serviços voltados à infraestrutura e visibilidade, e um serviço de interface, visando identificar o nível de satisfação dos clientes quanto aos mesmos. O modelo, seus componentes e descrição resumida de cada um deles segue no Quadro 16.

Quadro 16 - Modelo de estrutura de serviços de inovação para parques tecnológicos proposto por Magalhães (2009)

Grupo Serviço Descrição

Serv iço s do co nh ec

imento Acesso, disseminação e

compartilhamento do conhecimento

Rede de relacionamentos (networking)

Estabelecer redes de relacionamentos de qualidade, estabelecendo de forma sistemática e contínua a troca de informações junto às PME e os principais parceiros, para garantir a qualidade do serviço

Seminários, conferências e workshops

Eventos com temas sobre: inovação, gestão, tecnologia, estabelecimento e fortalecimento da rede de relacionamento.

Treinamento Realização de treinamentos Demonstração

tecnológica Eventos de demonstração tecnológica Propriedade

Intelectual e Desenvolvimento

Propriedade intelectual Atender demandas relacionadas a Direito de Propriedade Intelectual Comercialização Apoio à transferência tecnológica (identificação e

Grupo Serviço Descrição

Tecnológico tecnológica descrição da tecnologia a ser transferida, prospecção de parceiros, apoio nos aspectos legais e negociação) Parceria tecnológica Apoio na parceria tecnológica (identificação de necessidades tecnológicas, prospecção de parceiros,

apoio nos aspectos legais e negociação) Desenvolvimento

tecnológico Apoio na busca de soluções para o processo de desenvolvimento tecnológico Tendências tecnológicas Realização de estudos de tendências tecnológicas e manutenção banco de estudos já realizados Planos de negócio, propostas de investimento e melhoria da gestão Planos de Negócios (PN) e propostas de investimentos (PI) Desenvolvimento de PN e PI Levantamento de fundos, cooperação e alianças estratégicas

Apoio no levantamento de fundos, cooperação e alianças estratégicas

Melhoria da gestão do

negócio Atender às empresas nas demandas por melhorias dos processos de gestão do negócio

In fra estr utura e vis ibi li da de Provisão, manutenção e controle dos serviços comuns em infraestrutura leve e infraestrutura pesada Serviços comuns em infraestrutura pesada

Serviços comuns de provisão, manutenção e controle das instalações físicas do parque (edificações, instalações elétricas, redes de água, vias de acesso, etc.)

Serviços comuns em infraestrutura leve

Serviços comuns de provisão, manutenção e controle da infraestrutura leve (limpeza, segurança,

estacionamento, secretaria geral, correspondência, alimentação, internet, utilização das salas de reunião e áreas para apresentação, etc)

Expansão e melhoria da visibilidade do parque Projetos e estudos de construção e ampliação

Elaboração de estudos e projetos para construção de novas edificações e ampliação do parque

Estudos e projetos em construção e melhoria da visibilidade do parque

Elaboração de estudos e projetos para construção e melhoria da visibilidade do parque junto à

comunidade.

Interface com cliente Melhoria da satisfação

dos clientes (PME).

Elaboração dos indicadores de prestação dos serviços e de questionário de avaliação da satifação dos clientes, coleta e controle dos indicadores, exposição dos resultados.

Fonte: Adaptado de Magalhães (2009, p. 191-196)

Battelle (2007), ao pesquisar os parques norte-americanos aponta que estes promovem acesso a uma variedade de serviços de apoio das universidades parceiras, tais como recreação, cuidados com animais, manuseio e destinação de materiais perigosos, serviços de informação (biblioteca), estacionamento, e sistema de transporte.

2.4.2.1 Considerações sobre as estruturas físicas e serviços

Nesta pesquisa entende-se que os parques tecnológicos devem estar preparados para atender empresas de todos os portes, desta forma, devem oferecer estruturas físicas especializadas por meio da organização gestora ou de outras organizações residentes no parque. Neste sentido, se

existir setor de vocação definido como foco de atuação do parque, as estruturas físicas devem refletir as demandas de tal setor.

Ao elaborar o modelo de negócio do parque, serão consideradas os serviços oferecidos pela organização gestora (inclusive serviços de infraestrutura leve ou pesada) e as estruturas físicas de propriedade da mesma, pois são estes que podem gerar receitas para o empreendimento.

As demais estruturas que podem ser utilizadas pelas empresas residentes serão consideradas como complementares e/ou atratoras de empresas. Neste sentido de complementaridade, devem ser consideradas também as infraestruturas tecnológicas e serviços das organizações parceiras, residentes ou não no empreendimento, que podem ser acessados pelas empresas residentes dos parques.