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Uma vez estabelecida a seleção dos casos para a pesquisa, a fase seguinte correspondeu ao estabelecimento dos limites para o estudo, o que ocorre por meio da determinação de como foi feita a coleta de informações (CRESWELL, 2010).

Os dados desta pesquisa foram coletados a partir de fontes secundárias e primárias. As fontes secundárias foram obtidas na pesquisa bibliográfica mediante o uso de livros, revistas eletrônicas nacionais e journals internacionais, sites e artigos acadêmicos.

Como fonte de coleta de informações em periódicos científicos foram utilizadas as bases de dados SPELL, CAPES, Web of Science e Scopus. Os principais journals internacionais e revistas nacionais que contribuiram efetivamente para a fundamentação teórica contida nesse trabalho foram: Journal of Business Strategy, MIT Sloan Management Review, Journal of Product Innovation Management, Journal of Industrial Engineering and Management, Research Technology Management, Industrial Research Institute, Technovation, Organization Science, Academy of Management Journal, Economics and management, Journal of International Business Studies, Engineering Management Journal, Journal of Management Studies, Journal of Business Research, Strategic Business, Harvard Business Review, IEEE Transactions on Engineering Management, Brazilian Business Review, Hamburg University of Technology, Z Manag, South Asian Journal of Global Business Research, RAC, RAE e RAI.

A partir das informações encontradas por meio da pesquisa bibliográfica foi possível identificar e elencar quais são os fatores considerados na literatura como habilitadores da inovação. Mais de 40 estudos nacionais e estrangeiros foram lidos com o intuito de perceber aqueles que são apontados pelos autores como elementos que facilitam o processo de inovação.

A fim de descobrir os habilitadores relativos às temáticas inovação e inovação para a base da pirâmide de forma mais abrangente, foram feitas duas investigações em momentos diferentes. Primeiro, buscou-se identificar na literatura os elementos considerados como impulsionadores da inovação para a base da pirâmide, o que foi feito por meio da leitura de 42 artigos. Desse modo, foi possível reconhecer os que predominavam nos estudos e eram comuns entre eles, ou seja, encontravam-se repetidamente entre os estudos, totalizando 10 habilitadores da inovação para a base da pirâmide.

Logo após essa primeira investigação, procedeu-se a busca pelos elementos facilitadores que estavam presentes na literatura sobre inovação de um modo geral, ou seja, que não se restringisse à inovação para a base da pirâmide. Foi necessário, então, realizar a leitura de oito estudos, os quais permitiram identificar a existência de 54 habilitadores da inovação. Após serem analisados, nove destes foram classificados como habilitadores externos da inovação e 45 como habilitadores internos da inovação. Estes últimos ainda foram agrupados em categorias que permitissem uma melhor compreensão de como cada habilitador pode funcionar e a qual aspecto está relacionado, chegando-se à definição de quatro categorias de habilitadores internos: aspectos organizacionais, elemento humano, recursos e aspectos gerenciais.

Outros dados também foram coletados por meio de fontes secundárias. As fontes secundárias foram utilizadas de modo que pudessem fornecer informações adicionais sobre as empresas analisadas e suas respectivas ações inovativas voltadas para a base da pirâmide, visando preencher lacunas reais e omissões no conhecimento (STEWART; KAMINS, 1993). Esses dados corresponderam a informações encontradas nos sites das empresas e em outros relacionados a elas e suas inovações, visando o esclarecimento de alguns pontos não mencionados pelos entrevistados que levaram a empresa a inovar e gerir a inovação direcionada a base da pirâmide.

Os dados primários foram coletados, principalmente, por meio de entrevista semiestruturada, envolvendo questões abertas com o objetivo de gerar percepções e opiniões dos participantes (CRESWELL, 2010), e observação direta no momento das visitas as empresas.

Na entrevista semiestruturada as perguntas são formuladas de forma mais flexível, permitindo que o pesquisador e o entrevistado insiram novas ideias no decorrer do processo, a partir da adequação do pesquisador à situação, da visão do entrevistado e do entendimento do que ele está falando (MERRIAM, 2009; FRASER; GONDIM, 2004).

Desse modo, foi utilizado um roteiro (Apêndice B), o qual incluiu perguntas organizadas em quatro etapas, de modo a contemplar aos temas centrais desta pesquisa. A primeira etapa disse respeito à caracterização do perfil da empresa, buscando-se identificar o seu tempo de atuação no mercado, como ela surgiu, quais seus principais produtos, como ocorre o processo de inovação, o que a motivou a inovar e se inserir no mercado da base da pirâmide, entre outros questionamentos. A segunda etapa abrangeu perguntas com o intuito de investigar quais as inovações introduzidas pela empresa para atender aos consumidores de baixa renda, procurando entender os fatores e aspectos que envolvem o processo inovativo. A terceira etapa contemplou a compreensão das estratégias de inovação que são direcionadas pela empresa para a atuação na base da pirâmide. E a quarta etapa compreendeu o entendimento dos fatores externos e internos à organização que influenciaram (ou habilitaram) o sucesso do processo inovativo.

O Quadro 13 apresenta a relação das questões utilizadas no roteiro de entrevista com os objetivos geral e específicos estabelecidos nesse estudo, bem como com a literatura associada a cada grupo de questionamento.

Quadro 13 - Relação das questões com os objetivos específicos

OBJETIVO GERAL

OBJETIVOS

ESPECÍFICOS QUESTÕES AUTORES

Ana lis a r co mo empresa s bra sileira s têm des env o lv ido ino v a çõ es e m pro du to s pa ra a ba se da pirâ mid e. Investigar as inovações introduzidas no mercado para atender à base da pirâmide 1 - 13

LI; ATUAHENE-GIMA, 2001; LONDON; HART, 2004; PRAHALAD; HART, 2002; NAKATA, 2012; ZESCHKY, WIDENMAYER, GASSMANNHART, 2011; SCHAFER; PARKS; RAI, 2011; PRAHALAD,

2010; RAY; RAY, 2011; COOPER;

KLEINSCHMIDT, 2011; COOPER, 1994;

ABERNATHY; CLARK, 1985; CARVALHO; REIS;

CAVALCANTE, 2011; CRAWFORD;

BENEDETTO, 2010; WRIGHT; SPERS, 2011; MURPHY; PERROT; RIVERA-SANTOS, 2012;

LIM; HAN; ITO, 2013; AOYAMA;

PARTHASARATHY, 2013; SILVESTRE; SILVA NETO, 2014; PRAHALAD, 2012; VENN; BERG,

2011; HALME; LINDEMAN; LINNA, 2012;

NAKATA; WEIDNER, 2012; CHOLEZ ET. AL, 2012; PERVEZ; MARITZ; WAAL, 2013; VENN; BERG, 2013; BARKI; BOTELHO; PARENTE, 2013; ANDERSON; MARKIDES, 2007; CHRISTENSEN, 2002; ANDERSON; BILLOU, 2007; BOOZ; ALLEN; HAMILTON, 1982; BHUIYAN, 2011; RADJOU;

PRABHU, 2013; ECONOMIST, 2010; BHATTI, 2012; PUFFAL, 2014 Descrever as estratégias de inovação para a base da pirâmide 14 - 23

BOWONDER ET AL.,2010; COOPER; EDGETT, 2010; COOPER; EDGETT, 2009; BHUIYAN, 2011; UTTERBACK; ABERNATHY, 1975; GILBERT, 1994; FREEMAN; SOETE, 2008; TOLDO; NETO; RODRIGUES, 2007; MORGAN; BERTHON, 2008;

HE; WONG, 2004; LYNN; AKGÜN, 1998;

ROTHAERMEL; HESS, 2010; SANCHES;

MACHADO, 2014 Identificar os habilitadores da inovação para a base da pirâmide 24 - 31

SOUSA; BRUNO-FARIA, 2013; CARAYANNIS; GONZALES, 2003; VAN DE VEN; ANGLE; POOLE, 2000; CARVALHO; REIS; CAVALCANTE, 2011; MONTEIRO; MACHADO, 2013; BARBIERI, 2003; VASCONCELLOS; PAROLIN, 2006; LEITE; DUTRA; ANTUNES, 2006; BRESSAN, 2013

Fonte: Elaboração Própria (2015)

As entrevistas foram realizadas pessoalmente pela pesquisadora entre os meses de agosto e outubro de 2015, e em janeiro de 2016, nas próprias empresas em que os entrevistados trabalham. Essas entrevistas foram gravadas mediante autorização dos entrevistados, em que cada entrevista teve duração aproximada de uma hora e meia, totalizando cerca de cinco horas de tempo de entrevistas.

Além disso, a observação direta foi utilizada como forma de ampliar o conhecimento relativo ao contexto em que o fenômeno analisado ocorre, identificando comportamentos e interações entre as atividades e entre os participantes que incidem sobre o processo de inovação direcionado a base da pirâmide (MERRIAM, 2009). A observação foi realizada nos dias em que foram feitas as entrevistas nas empresas analisadas, e, para garantir a qualidade e o direcionamento adequado do que estava sendo observado, utilizou-se um roteiro de observação, o qual consta no Apêndice C e foi empregado de igual modo nos três casos analisados. O resultado das observações diretas foram relevantes, principalmente, para o entendimento dos habilitadores que facilitaram o processo inovativo de cada empresa.

Adicionalmente, no momento em que ocorreram as entrevistas, foram solicitados documentos internos que possibilitasse uma melhor compreensão da temática abordada na pesquisa. Entretanto, apenas a Empresa 3 disponibilizou registros sobre os produtos desenvolvidos pela empresa. Ainda assim, tais registros pouco contribuíram com o processo de análise, pois os mesmos não apresentaram dados relevantes para o aprofundamento da pesquisa.

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