Se uma das características que faz de Agosto um mês atípico para o jornalismo é a ausência ou a maior dificuldade sentida no contacto com as fontes, importa que se verifique até que ponto tamanha realidade encontra eco na Renascença e que tipos de informadores foram, por sua vez, privilegiados.
De acordo com os dados recolhidos10, o tipo de fonte de informação mais recorrente ao
longo de Agosto foram os Média e as Agências de notícias, mencionados em 81 (o equivalente a cerca de 18%) das peças noticiosas referentes a este mês. Num segundo plano, surgiram os porta-vozes Institucionais (por exemplo: sindicatos, instituições de solidariedade, ONG’s ou
10 Constate-se que a soma das percentagens das diversas fontes de informação também perfará uma soma superior a 100%, visto que algumas das peças poderiam recorrer a mais do que apenas um dos tipos apontados. Deste modo, identifica-se o número de peças que recorreram a um determinado tipo de fonte.
representantes da Igreja Católica), consultados ou citados em 62 notícias (cerca de 14%), seguidos das fontes Oficiais e dos informadores Testemunhais (figurando cada grupo numa soma de 61 peças de Agosto, equivalentes a 13,8%). Por outro lado, o tipo de fontes menos consultado foram as figuras Notáveis, que marcaram presença em apenas 15 notícias (cerca de 3%) durante todo o mês.
Os valores de Outubro corroboram, por seu turno, a aparente importância atribuída pelos profissionais da Renascença às fontes Institucionais. Estas surgiram, agora, num total de 75 notícias (perto de 19%), voltando a assumir-se como os actores sociais mais frequentemente consultados pelos jornalistas, a par das fontes Oficiais (invocadas em 74 peças e em 18,6% dos casos), que surgiram neste mês com uma predominância relativamente maior do que em Agosto. Em comparação com o período de Verão, Outubro revelou ainda uma utilização assinalavelmente maior das fontes Notáveis (políticos ou outras figuras públicas que partilham comentários ou interpretações pessoais para uma determinada situação), que apareceram em antena num total de 45 notícias (perto de 11%). Por outro lado, constatou-se que os Média e as Agências Noticiosas perderam parte do seu predomínio nos noticiários de Outubro (40 notícias ou cerca de 10%), situação que também se verificou, com outra intensidade, no uso dos informadores Testemunhais (forças de segurança que relatavam acontecimentos directamente do local), cuja presença foi inexpressiva neste mês (apenas sete notícias, ou 1,8% do total).
No seguimento do que já foi possível constatar pela observação dos temas mais tratados em Agosto, podemos atribuir a forte presença das fontes Testemunhais (grande parte delas composta por elementos de equipas de combate a incêndios) quer às características sazonais do período, quer ao facilitado acesso com que se podia chegar a estes actores sociais, que prestavam declarações no decorrer do seu dia de trabalho. De facto, o contacto com as fontes de informação que prestam serviços de saúde ou que se relacionam com o dia-a-dia da comunidade «têm sempre alguém de serviço, [e] há sempre alguém com quem se consegue» obter informação, independentemente da fase do ano, refere Pedro Leal. Deste modo, e mesmo num período como Agosto, «temos as fontes todas dos serviços de protecção civil activas», acrescenta o director-adjunto, explicando que «essas falam porque estão no terreno».
com Outubro. «Se quisermos falar com uma fonte de um partido ou outro, temos os assessores. Mas aquela fonte – o deputado ou o ministro que realmente nos interessa – pode não estar disponível para nos atender», refere Pedro Leal. «É fruto do período. São férias, portanto o número de fontes diminui um pouco», conclui. Ao menor número de informadores aparenta corresponder – como já foi observado – um aumento no uso de Outros Média e Agências enquanto fontes de informação, o que parece ir ao encontro do maior número de peças sobre assuntos mundiais difundidas durante Agosto que, por norma, eram efectuadas com base nos dados de órgãos de informação internacionais. De acordo com Sérgio Costa, existe ainda um conjunto particular de informadores que, no período de Verão, pode ganhar particular ênfase: trata-se das fontes de informação que foram «cultivadas previamente», cuja importância assenta na «relação de proximidade que foi construída durante algum tempo». De acordo com o editor, é também a este tipo de fontes de informação que os profissionais podem recorrer na tentativa de encontrar novas temáticas para explorar no período de Agosto, no que constitui outra das estratégias adoptadas pela redacção da Renascença neste período do ano.
De regresso aos noticiários matinais de Agosto e Outubro, existe um último aspecto digno de nota: o elevado número de notícias às quais não foi atribuída, explicitamente, uma fonte de informação concreta. Embora esta parecesse ser uma prática relativamente presente nos noticiários matinais da Renascença, a sua maior preponderância no período de Verão poderá ser explicada pelo maior número de peças breves no mês de Agosto, formato onde nem sempre se deixa totalmente esclarecida a origem da informação. De qualquer modo, a análise às fontes permite constatar interessantes diferenças no seu uso, consoante o período do ano analisado.
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