3 Aktiviteter og resultater
3.2 Økt inkludering
Ao longo de todo este percurso, a visão de criança que construí e em que acredito é de alguém competente, com capacidades, com agência e que se relaciona comigo, com os outros e com o Mundo para o conhecer e compreender. A criança evidencia a sua curiosidade natural mas é na companhia do adulto que se “responsabilize por escolher, experimentar, discutir, mudar e refletir (…) apto a concentrar-se mais na organização da oportunidade do que na ansiedade de conseguir resultados” (Malavasi & Zoccatelli, 2013, p. 8) que se desenvolve e constrói conhecimentos.
No decorrer de toda a intervenção pedagógica compreendi que o conhecimento se desenrola em grupo, na partilha e confronto de ideias e discussão de teorias. Assim deve-se valorizar na ação os processos de escuta, negociação e a participação das crianças. Com um olhar atento, o adulto participará para criar e favorecer condições que respondam aos interesses e necessidades das crianças. Através desta observação e escuta, o adulto desenvolve a própria aprendizagem sobre o ambiente educativo que o rodeia. A aprendizagem é fruto das experiências educativas ligadas à vida. O inesperado surge no quotidiano pedagógico, resultado de uma escuta e atenção dirigida às experiências das crianças e, por isso, é natural surgir novas curiosidades e questões.
Ao longo da intervenção pedagógica procurei observar e escutar as crianças, recorrendo à recolha de dados (registos escritos, fotográficos e áudio). A prática revelou que mais importante do que registar tudo é saber-se o que observar, escutar, definindo a minha intencionalidade para a ação favorecendo, também a seleção e análise da documentação pedagógica.
A observação e a escuta centraram-se na criança, nas suas experiências e realizações e nas várias dimensões pedagógicas da educação de infância.
Uma das primeiras dimensões observada foi o espaço e os materiais pedagógicos e, sem dúvida, pude experienciar a tomada de decisões quanto à disposição do mobiliário e dos materiais, para ampliar e tornar o espaço mais funcional, para organizar algumas atividades e também, para que fossem destacados os trabalhos das crianças. Em colaboração com a educadora, tornou-se a área da biblioteca mais funcional, acrescentado novo material e retirando outro para aumentar as oportunidades de exploração e organizou-se os materiais da área das
construções. Todo este processo foi acompanhado pela observação das necessidades e interações para responder à funcionalidade de trabalho das crianças e dos adultos.
Os tempos pedagógicos, tal como o espaço e os materiais, suportam a nossa prática centrada na criança. A transversalidade do projeto desenvolvido revelou uma relação com os vários tempos pedagógicos, uma vez que os interesses das crianças eram evidenciados nesses momentos.
Durante o meu estágio foi importante traçar objetivos de intervenção e investigação, tornando-me mais reflexiva sobre a ação prática. Compreendi efetivamente que a documentação pedagógica é importante para escutar e responder aos interesses das crianças, no desenvolvimento de várias propostas de atividade, através da organização e análise dos registos. Reconheci a competência da criança, através daquilo que está a aprender, recorrendo a estratégias que me possibilitaram diversificar as linguagens (visual, jogo dramático e simbólico, musical, dança, oral e escrito) no desenvolvimento das experiências.
A documentação pedagógica permitiu tornar visível a participação e as aprendizagens das crianças, e tomar decisões no âmbito da planificação das atividades e refletir e a avaliar a progressão dos projetos. É um instrumento importante de apoio aos processos de ensino e aprendizagem da criança uma vez que torna visível a ação das crianças e do s adultos, de que forma influencia o ambiente educativo, permitindo a sua reflexão e avaliação.
A documentação pedagógica foi devolvida às crianças e comunidade, com o acompanhamento das educadoras cooperantes, tanto no contexto de creche como no contexto de jardim de infância. Através da sua análise foi possível compreender o envolvimento, o entusiasmo e o bem-estar e constante interesse pelas diferentes formas de expressão. As crianças identificam-se, descrevem o que fazem, narram as suas experiências e aprendizagens, interpretam e associam as aprendizagens em diferentes momentos pedagógicos.
Ao longo do estágio compreendi que as interações são centrais às pedagogias participativas. Com a relação das dimensões pedagógicas, compreendi assim que a organização do tempo e do espaço é essencial para privilegiar a participação e a agência da criança e do adulto, permitindo interações de qualidade com os adultos e comunidade.
Observar, planificar, agir e avaliar foi das práticas em que mais cresci ao nível profissional. A observação contínua de qualquer trabalho desenvolvido com as crianças na procura de conhecimento sobre a criança, os seus interesses, motivações e relações foi determinante. Aprendi que observar é muito mais que um olhar, é interagir com as crianças, é um olhar
interrogativo da prática, reconhecer os sinais verbais e não-verbais da criança para exprimir as suas motivações, propósitos, desejos. As experiências de aprendizagem construídas pelas atividades e projetos são sustentadas pelas interações e vivências do espaço e do tempo pedagógico (Oliveira-Formosinho, 2011). As atividades com continuidade e interatividade desenvolvidas em ambas as valências permitiram-me conquistar ganhos ao nível da aprendizagem experiencial, pois foi importante relacionar a prática com a teoria, para responder e apoiar o grupo de crianças. A planificação surge assim de forma intencional e refletida previamente, sendo também flexível.
Este estágio fez-me repensar muitas questões, permitiu que alargasse os meus horizontes, e que valorizasse acima de tudo as crianças, nos seus interesses e descobertas. O mais importante na educação de infância é dar voz às crianças (Malaguzzi, 1999), deixar que elas se envolvam ativa e naturalmente na construção e desenvolvimento do seu conhecimento, e que sintam o apoio e confiança de quem trabalha com elas. Todo este percurso junto com todas as descobertas, com a articulação da teoria com a prática, fez-me compreender que ainda tenho muito para aprender. Uma educadora depara-se todos os dias com diversas situações, distintas e proporcionadas por crianças diferentes, e tem de conseguir criar e desenvolver estratégias para dar novas respostas. Tornei-me assim, mais reflexiva da minha prática.
Valorizei, efetivamente, a organização de pequenos grupos e a sua heterogeneidade, pois verifiquei que existe um maior enriquecimento social, pessoal e cultural, evidenciando-se um espirito de equipa. O trabalho em equipa, a comunicação e contacto próximo com a família e a comunidade foram, sem dúvida, essenciais para o meu crescimento pessoal. Esta relação privilegiou a entreajuda, a criação de um clima de confiança. E a documentação constituiu, também, uma forma de comunicar e articular a família com o contexto. Através dela, os pais acompanharam as suas jornadas de aprendizagem e envolveram-se ativamente neste projeto.
Em suma, foi uma grande conquista trabalhar com as educadoras, pais e crianças e desenvolver este projeto com elas pois todo o interesse e curiosidade e toda a vontade de se envolverem nas atividades bem como os desafios foram gratificantes.
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ANEXO A- Organização da sala de atividades de Jardim de Infância
LEGENDA:
1 – Área do faz de conta; 2 – Área dos jogos e construções; 3 – Área da mediateca; 4 – Área das expressões; 5 – Área das ciências e experiências; 6- Área de trabalho; 7- Armário; 8- Quadro Branco; 9 – Porta; 10 – Janela.
a) Área do faz de conta: área do quarto e área da cozinha
b) Área dos jogos e construções
c) Área da mediateca
d) Área das expressões
f) Área de trabalho
ANEXO B – Rotina pedagógica do contexto de Jardim de Infância
Horário Momento pedagógico
09h.00m. – 10h.00m Acolhimento
10h.00m. – 10h.30m Lanche da manhã
10h.30m. – 11h.00m Recreio
11h.00m. – 12h.00m Planificação – atividades e projetos – reflexão
12h.00m. – 13h.30m Almoço
13h.30m. – 14h.30m Momento (inter)cultural – hora de… 14h.30m. – 15h.00m Momento de trabalho em pequenos
grupos
15h.00m. – 15h.30m Conselho
ANEXO E: Apresentação final- Os animais vão ao circo Arco Íris
Os animais vão ao circo Nº1: Bailarinas
Nº2: Trapezistas Nº3: Palhaços
Nº5: Mágicos
Nº6: Artistas e Animais numa dança comum Nº4: Malabaristas