5.1.1. Pesquisa bibliográfica e documental
Na missão de contribuir na produção de conhecimento, o presente trabalho lança mão de “novas” (ou alternativas) reflexões acerca de relações produtivas no meio rural, numa perspectiva de se verificar outra racionalidade social e econômica possível. Para tanto, tal trabalho de pesquisa parte de uma contextualização teórica pré-existente, que serve como base ou referência para a proposição de um novo ou complementar conhecimento acerca de referido assunto aqui lançado à discussão. Nisto, o ponto de partida deste trabalho se dá a partir de uma pesquisa documental e bibliográfica.
Conforme Lakatos & Marconi (2007), a pesquisa bibliográfica (ou de fonte secundária) tem como objetivo colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que já foi escrito sobre determinado assunto, permitindo que ele não somente se situe sobre determinados problemas já conhecidos, mas que possa explorar novas áreas, novas visões e percepções, fenômenos ainda não solucionados ou esclarecidos por explorações anteriores.
A pesquisa documental (ou de fonte primária), por sua sorte, relaciona-se a todos os materiais ainda não elaborados, escritos ou não, que podem servir de fonte de dados ou de informação para a pesquisa a que se propõe realizar (LAKATOS & MARCONI, 2007).
Ademais, a importância desse momento da pesquisa é esclarecida por Alves-Mazzotti (2002), quando afirma que:
A produção do conhecimento não é um empreendimento isolado. É uma construção coletiva da comunidade científica, um processo continuado de busca, no qual cada nova investigação se insere, complementando ou contestando contribuições anteriormente dadas ao estudo do tema. A proposição adequada de um problema de pesquisa exige, portanto, que o pesquisador se situe nesse processo, analisando criticamente o estado atual do conhecimento em sua área de interesse, comparando e contrastando abordagens teórico- metodológicas utilizadas e avaliando o peso e a confiabilidade de resultado de pesquisa, de modo a identificar pontos de consenso, bem como controvérsias, regiões de sombra e lacunas que merecem ser esclarecidas. (ALVES-MAZZOTTI, 2002, p. 27)
Apresentada sua importância no desenvolvimento do trabalho, referido momento da pesquisa se iniciou tão logo fora definido o tema proposto a ser
discutido. Durante aproximadamente seis meses foram levantadas bibliografias relacionadas às formas alternativas de produção e que dialogassem com a questão ambiental, com um enfoque especial no ambiente rural.
Como produto natural desse levantamento, a manifestação de temas relacionados à Agroecologia, bem como à Economia Solidária, se apresentaram como categorias de destaque, uma vez que experimentam e apontam novos relacionares produtivos, de consumo e também de sociabilização entre os homens, e destes com o meio ambiente.
Dessa forma, na busca de conceitos essenciais para a discussão, a pesquisa teve como norteadores as palavras-chave: economia ecológica, economia
solidária, agroecologia e desenvolvimento local, entendidas como principais
categorias para a investigação dentro dessa discussão proposta.
Diante do exposto, contribuíram e embasaram teoricamente e destacadamente as discussões deste trabalho os autores Andrei Cechin, Geogerscu-Roegen e Clóvis Cavalcanti, abordando a temática da Economia
Ecológica; Stepehn Gliessman e Miguel Altieri, abordando Agroecologia e Paul
Singer, Fabiano Vieira e demais autores, acerca da Economia Solidária.
Ademais, outros autores contribuíram na mesma importância nas discussões acerca de economia e meio ambiente como, Henrique Leff e Fritjof Capra, entre outros, nas mais diversas temáticas que interagem e integram a discussão aqui desenvolvida.
Uma vez realizada a escolha do objeto empírico de estudo – o assentamento Santa Rita, localizado no Maciço de Baturité-Ce –, partiu-se para a pesquisa documental. Para o estudo de caso, tomou-se como referência inicial o
Perfil Básico Municipal 2010 – Aratuba34, valendo-se a posteriori de suas atualizações nos anos base 2011 e 2012. Buscou-se ainda informações em periódicos e pequenos jornais e folhetos informativos locais da região do Maciço de Baturité, sobretudo de ONGs e movimentos sociais e ainda, no Plano de Desenvolvimento do Assentamento, elaborado pela Associação de Cooperação Agrícola do Estado do Ceará – ACACE, em parceria com o Instituto Agropolos do Ceará e com a Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará – SDA.
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5.1.2. Elaboração e ajustes dos roteiros de entrevista e questionário
De acordo com Zanella (2009):
Associada com a técnica da observação, a entrevista possibilita obter maior informação, pois além da fala, dos depoimentos, você pode perceber a linguagem gestual do respondente. Assim, além de você observar o que diz o respondente, você percebe como ele diz. Por isso, exige do pesquisador um olhar atento a todas as manifestações do entrevistado, desde a linguagem oral até a linguagem gestual. (ZANELLA, 2009, p. 115)
Cônscio da amplitude de informações que a entrevista pode coletar, os roteiros de referido instrumento foram elaborados a partir de dados iniciais coletados
in loco, em visitas e observações prévias no objeto de estudo específico da
pesquisa, e posteriormente discutidas e orientadas a propósito das necessidades encontradas para se alcançar os objetivos lançados nesta pesquisa.
Nos meses de agosto e setembro de 2011, realizaram-se discussões acerca das percepções prévias obtidas no assentamento Santa Rita, corroborando para a elaboração dos roteiros de entrevistas semiestruturados (questionário) iniciais, a fim de realizar entrevistas-piloto. Em seguida, após novas discussões, chegou-se a um roteiro final de entrevista, ao qual contemplava os parâmetros propostos na metodologia adotada (a ser apresentada mais adiante neste trabalho). Com efeito, foram visitadas 10 (dez) famílias, representando a totalidade dos assentados, atuais e atuantes das práticas agrícolas ecológicas e, na perspectiva da economia solidária de referido assentamento.
Cabe acrescentar que tais entrevistas foram focadas não somente no agricultor(a) (chefe de família), mas também nos demais membros, a fim de se obter o máximo de percepção dos envolvidos no problema investigado.
5.1.3. Pesquisa de campo
5.1.3.1. Diagnóstico preliminar de campo
As primeiras visitas a campo foram realizadas nos meses de maio e junho de 2011, tendo como principais objetivos:
· Levantar dados preliminares acerca de manifestações relevantes de práticas agroecológicas e de economia solidária no assentamento;
· Levantar dados e informações históricas acerca da luta e posse pela terra na região e também especificamente no assentamento;
· Conhecer e se ambientar com os membros do assentamento, bem como suas relações de produção e consumo na região e fora dela;
· Identificar relevâncias e potencialidades produtivas, bem como os limites sociais, econômicos e de ordem ambiental (limites da natureza), impostos ao desenvolvimento do assentamento; e
· Traçar um plano metodológico para posteriores visitas a fim de prover a viabilização da pesquisa.
5.1.3.2. Implementação da pesquisa
Passada a fase inicial, as visitas ocorreram de formas mais frequentes, sobretudo nos meses de dezembro de 2011, bem como fevereiro e março de 2012. Trataram-se de visitas informais, no intuito de testar o questionário e também se obter um maior convívio e engajamento no assentamento concorrendo a uma melhor compreensão das relações de produção e de preservação do meio, bem como das demais relações sociais, políticas e culturais, experimentadas pelos moradores da região. Nos meses de julho e agosto de 2012 foram implementadas entrevistas com o questionário final, levantando todas as informações possíveis a fim de se iniciar a analise dos dados. Por fim, nos meses de fevereiro, março e abril de 2013, as visitas tiveram como objetivo esclarecer algumas dúvidas e dificuldades remanescentes das investigações outrora realizadas.