5. GATEKAPITAL
5.3 N ÆRE RELASJONER
As estatísticas a seguir são extraídas das séries temporais dessazonalizadas: DPIB, DPBN e DFBKF. Além disso, apresentam-se gráficos que comparam tais séries com suas respectivas séries com dados sob efeitos sazonais: DPIBSA, DPBNSA e DFBKFSA.
O objetivo é observar a tendência dos dados graficamente, a presença de picos e vales nesses gráficos e comparar tais tendências, com eventuais choques econômicos da economia nacional ou da economia global. Nesse período, vale destacar pelo menos três momentos de choques na economia brasileira: as crises cambiais dos anos 1990, a crise do sub-prime de 2008- 2009 e a eleição presidencial de 2002, que sinalizava para a eleição de um candidato de esquerda.
4.1.1.1 Crescimento do Produto Interno Bruto no Brasil
A tabela a seguir descreve as estatísticas descritivas para o crescimento econômico trimestral no Brasil, DPIB, durante o terceiro trimestre de 1994 ao quarto trimestre de 2010: a média de crescimento é de 0,88% (zero vírgula oitenta e oito por cento) ao trimestre, com um desvio padrão de 1,4% (um vírgula quatro por cento), mediana de 1% (um por cento); a
observação máxima foi um crescimento de 5% (cinco por cento) no trimestre e a observação mínima foi uma queda de 3,7% (três vírgula sete pro cento) no trimestre.
Tabela 1 – Estatística Descritiva do Crescimento Real do PIB no Brasil–DPIB entre 1995 e 2011
Amostra: 1995T1 a 2011T1 Observações: 65
DPIB Média Mediana Máximo Mínimo Desvio Padrão Obs. [-0.04, -0.02) -0.037033 -0.037033 -0.037033 -0.037033 NA 1 [-0.02, 0) -0.008817 -0.007466 -0.000324 -0.018911 0.006618 15 [0, 0.02) 0.010917 0.011548 0.019853 9.75E-05 0.005125 40 [0.02, 0.04) 0.025464 0.024796 0.034577 0.021103 0.004933 7 [0.04, 0.06) 0.047034 0.047034 0.051554 0.042515 0.006392 2 [-0.04, 0.06] 0.008343 0.010414 0.051554 -0.037033 0.014488 65
Fonte: O Autor adaptado a partir de dados do IBGE.
Os dados da variável DPIB, conforme tabela 1, são em maioria positivos. Desses, quarenta e uma observações se agrupam em torno da média, enquanto nove delas estão acima da média. Além disso, são destacadas dezesseis observações negativas.
O gráfico a seguir descreve o comportamento da variável crescimento DPIB, e da variável crescimento com efeito sazonal DPIBSA. Observa-se uma tendência estacionária, a ser confirmada com o teste de raiz unitária. Descartando os efeitos sazonais, é possível observar eventual mudança estrutural no quarto trimestre de 2008, como reflexos da instabilidade internacional da “crise do sub-prime”, por exemplo.
Gráfico 1: Crescimento Real do PIB no Brasil Fonte: O Autor adaptado a partir de dados do IBGE. 4.1.1.2 Poupança Nacional Bruta no Brasil
A tabela a seguir descreve as estatísticas descritivas da variável DPBN, definida como a Poupança Nacional Bruta em razão do PIB, durante o terceiro trimestre de 1994 ao quarto trimestre de 2010: a média trimestral é 0,16 do PIB com desvio padrão de 0,023 do PIB, a mediana de 0,1656 do PIB, a observação máxima foi 0,27 do PIB no trimestre e a observação mínima foi 0,11 do PIB no trimestre.
Tabela 2 – Estatística Descritiva da Poupança Nacional Bruta em Razão do PIB no Brasil – DPBN entre 1995 e 2011
Amostra: 1995T1 a 2011T1 Observações: 65
DPBN Média Mediana Máximo Mínimo Desvio Padrão Obs. [0.1, 0.15) 0.138686 0.139132 0.147885 0.115528 0.007582 18 [0.15, 0.2) 0.171961 0.173922 0.194588 0.150328 0.012695 46 [0.25, 0.3) 0.275563 0.275563 0.275563 0.275563 NA 1
[0.1, 0.3] 0.164456 0.165639 0.275563 0.115528 0.023316 65
A distribuição das séries DPBN e DPBNSA (com efeitos sazonais) ao longo do tempo, observadas pelo gráfico a seguir, destaca algumas características: a série DPBNSA é atingida fortemente por efeitos sazonais. Quando se aplica o filtro sazonal, o gráfico da série DPBN mantém uma tendência de queda durante o primeiro período até o terceiro trimestre de 1999. Tal tendência pode ser atribuída às crises cambiais nas economias mundiais no período, conforme exposto anteriormente. Destaque-se o instante em que o gráfico apresenta um grande vale no terceiro trimestre de 1999, ano da crise cambial no Brasil. Entre o primeiro trimestre de 2000 e o segundo trimestre de 2002, o gráfico apresenta uma leve tendência de alta, quando então se observa um pequeno vale que pode ser atribuído às incertezas das eleições presidenciais no Brasil e a provável eleição de um candidato da oposição. Após o período analisado até o terceiro trimestre de 2008, o gráfico destaca uma tendência de alta na série, em patamares mais elevados de toda amostra, quando se observa no terceiro trimestre de 2009 um novo vale no gráfico, que pode ser atribuído à “crise do subprime” que atingiu o Brasil no segundo semestre de 2008. Em seguida, observa-se pelo gráfico nova tendência de alta nas séries.
Gráfico 2: Poupança Nacional Bruta em razão do PIB no Brasil Fonte: O Autor adaptado a partir de dados do IBGE.
4.1.1.3 Formação Bruta de Capital Fixo no Brasil
A tabela a seguir descreve as estatísticas descritivas da variável DFBKF, definida como a Formação Bruta de Capital Fixo em razão do PIB, durante o terceiro trimestre de 1994 ao quarto trimestre de 2010: a média trimestral é 0,17 do PIB, com desvio padrão de 0,013 do PIB, a mediana de 0,168 do PIB, a observação máxima foi 0,227 do PIB no trimestre e a observação mínima de 0,149 do PIB no trimestre.
Tabela 3 – Estatística Descritiva da Formação Bruta de Capital Fixo em Razão do PIB no Brasil – DFBKF entre 1995 e 2011
Amostra: 1995T1 a 2011T1 FBKF /PIB
Observações: 65
DFBKF Média Mediana Máximo Mínimo Desvio Padrão Obs. [0.14, 0.16) 0.155956 0.157291 0.159514 0.149361 0.003161 12 [0.16, 0.18) 0.168209 0.168006 0.179141 0.160129 0.005013 39 [0.18, 0.2) 0.187830 0.186713 0.196000 0.180776 0.005189 13 [0.22, 0.24) 0.227978 0.227978 0.227978 0.227978 NA 1 [0.14, 0.24) 0.170752 0.168728 0.227978 0.149361 0.013223 65
Fonte: O Autor adaptado a partir de dados do IBGE.
O gráfico a seguir descreve a tendência dsa séries DFBKF e DFBKFSA. A distribuição da série ao longo do tempo, semelhante ao gráfico 2, das séries de PBN, tem vales em 1999, em 2002 e em 2008 e trajetórias parecidas, capturando o efeito de crises econômicas nos referidos períodos e as incertezas das eleições presidenciais de 2002; diferenças que podem ser observadas nos gráficos 2 e 3, de poupança e de investimento, respectivamente, em relação à maior sensibilidade de efeitos sazonais na série de poupança DPBNSA. Outra evidência aparente é a maior sensibilidade da série de investimento DFBKF à choques exógenos, observados no período em questão.
Gráfico 3: Formação Bruta de Capital Fixo em razão do PIB no Brasil Fonte: O Autor adaptado a partir de dados do IBGE.
Os testes econométricos nessas séries DPIB, DPBN e DFBKF servirão para verificar se, de fato, a crise cambial de 1999, a incerteza do mercado com as eleições presidenciais de 2002 e a crise do “subprime” em 2008, afetaram estruturalmente as variáveis: crescimento, investimento e poupança.