Segundo o estudo Global Entrepreneurship Monitor (GEM, 2010), em 2010, Portugal registou uma taxa de atividade empreendedora (TEA) de 4,5%, o que significa que, existem 4 a 5 empreendedores por cada 100 indivíduos em idade adulta.
Relativamente à percentagem de empreendedores do sexo masculino, esta corresponde a 5,9% da população adulta masculina e a percentagem de empreendedores do sexo feminino corresponde a 3,0% da população adulta feminina. Dado que, no País, o número total de homens e de mulheres é aproximadamente igual, conclui-se que o número de empreendedores do sexo masculino equivale a cerca do dobro do número de
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empreendedores do sexo feminino. O ratio empreendedores/empreendedoras manteve- se relativamente constante face ao registado em 2007, revelando-se semelhante ao ratio associado à União Europeia. A faixa etária onde se regista a maior taxa de atividade empreendedora é a que compreende as idades entre os 25 e os 34 anos.
O modelo concetual subjacente ao estudo do GEM (2004) destaca o contexto social, cultural e político, que por sua vez, influencia o contexto socioeconómico do país como importante condicionante do empreendedorismo de um país, dividindo-se estas em condições nacionais gerais e condições estruturais do empreendedorismo.
Nas condições nacionais gerais estão incluídas a abertura ao comércio externo, o papel do governo, a eficiência dos mercados financeiros, o nível de Investigação e Desenvolvimento (I&D), a qualidade das infraestruturas físicas e a forma como são aproveitadas, as competências para a gestão das empresas, a flexibilidade do mercado de trabalho e a eficiência das instituições legais e sociais. Todos estes fatores vão influenciar o aparecimento de novas empresas no mercado e o desempenho das empresas existentes.
Relativamente às condições estruturais de empreendedorismo, aqui encontram- se presentes os apoios financeiros, que constituem um elemento fundamental para os jovens empreendedores iniciarem os seus negócios. As políticas governamentais, que podem influenciar positivamente o incentivo à criação de empresas através de incentivos fiscais e outras políticas de estímulo ao empreendedorismo. A educação e a formação, que constituem fatores imprescindíveis para o desenvolvimento da atividade empreendedora. A transferência de resultados de I&D, ligada a uma cooperação entre as universidades e as empresas. As infraestruturas comerciais e profissionais, ligadas aos serviços que disponibilizam, como serviços comerciais e de contabilidade. O acesso às infraestruturas físicas, é importante que estas existam e que todos possam ter acesso às mesmas. E por fim, temos as normas culturais e sociais, que podem encorajar ou desencorajar os empreendedores, podendo conduzir (ou não) à vontade de criação de novas empresas.
De acordo com o GEM (2010), em matéria de apoio financeiro, o indicador mais favorável prende-se com a disponibilidade de subsídios governamentais, considerado como um dos principais fatores para o fomento da atividade empreendedora em Portugal. Por oposição, os aspetos mais desfavoráveis estão relacionados com a disponibilidade de empréstimos e de capital de Ofertas Públicas Iniciais (IPO) para empresas novas e em crescimento. Como consequência, a dificuldade de acesso a
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financiamento por parte das empresas novas e em crescimento é identificada, como uma das principais barreiras ao empreendedorismo em Portugal, ainda que é de enaltecer o facto de se assistir, no País, a uma crescente dinamização da comunidade de Business
Angels.
No que respeita às políticas governamentais é salientado, pelo GEM 2010, a existência de um excesso de burocracia e uma sobrecarga associada aos impostos para as empresas novas e em crescimento, sendo o excesso de carga fiscal apontado como um dos principais obstáculos ao empreendedorismo em Portugal. Em relação aos programas governamentais, destaca-se pala positiva, o apoio prestado pelos parques de ciência e pelas incubadoras às empresas novas e em crescimento, e é considerado um dos principais fatores para o fomento do empreendedorismo em Portugal. Por outro lado, revela-se menos favorável a competência e eficiência das pessoas que trabalham para as agências governamentais, a facilidade de obtenção de apoio de programas governamentais por parte das empresas novas e em crescimento e a eficácia desses programas governamentais.
No contexto, da educação e formação destacam-se como resultados mais desfavoráveis a falta do estímulo do empreendedorismo no ensino primário e secundário, sendo este fator, considerado um dos principais obstáculos ao fomento da atividade empreendedora no País. Como resultado mais positivo, destaca-se o nível da educação em negócios e gestão, como forma de assegurar uma boa e adequada preparação para a criação e desenvolvimento de novas empresas, sendo que, nesta matéria, os especialistas relevam o papel das entidades do ensino superior.
No que concerne às infraestruturas comercial e profissional de apoio aos empreendedores destaca-se como aspeto mais positivo a quantidade de fornecedores de serviços e de consultores para apoiar empresas novas e em crescimento. Como aspeto menos favorável o custo associado a esses fornecedores de serviços e consultores. Quanto ao acesso a infraestruturas físicas em Portugal é parcialmente suficiente. Apesar de todos os indicadores apresentarem resultados positivos, regista-se uma ligeira vantagem do apoio que as infraestruturas físicas proporcionam às indústrias novas e em crescimento.
No panorama da abertura do mercado e das barreiras à entrada, o grau em que as empresas novas e em crescimento conseguem suportar o custo de entrada no mercado assume-se como o resultado mais negativo.
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No cenário da transferência de I&D, a capacidade para aquisição de tecnologia recente, por parte das empresas novas e em crescimento, é o indicador que se apresenta menos favorável. Sendo o acesso à investigação e tecnologia o indicador mais favorável.
Relativamente as normas culturais e sociais, de acordo com o GEM (2010) a cultura portuguesa está pouco orientada para o empreendedorismo, sendo que, em muitos casos, a atividade empreendedora tem surgido como consequência do aumento do desemprego, associado à atual crise económico-financeira. Neste contexto, destacam-se como aspetos mais favoráveis o estatuto social e o respeito conquistado pelos empreendedores de sucesso e a cobertura dada pelos media a estes empreendedores. Por outro lado, como aspeto menos favorável é de salientar o baixo grau em que as pessoas encaram a carreira de empreendedor como uma opção desejável. Em termos globais, na maioria das condições estruturais (Apoio Financeiro, Programas Governamentais, Educação e Formação, Infraestrutura Comercial e Profissional, Acesso a Infraestruturas Físicas), segundo o GEM (2010) não existem variações significativas face a 2007, não havendo também diferenças significativas entre Portugal e a UE. Relativamente às condições estruturais Políticas Governamentais Transferência de I&D e Abertura do Mercado/Barreiras à Entrada pioraram face a 2007, apesar das duas primeiras não se afastarem significativamente da UE. A condição estrutural Abertura do Mercado/Barreiras à Entrada apresenta resultados menos favoráveis do que os registados no ano de 2007 e do que a UE. Na condição estrutural Normas Culturais e Sociais (que obteve a apreciação menos favorável), apesar de não haver uma diferença significativa entre 2007 e 2010, os resultados obtidos são menos favoráveis do que os da UE.
3.4. Estratégias diferenciadas dos potenciais empreendedores - principais