7 Fylkesmannen vurderer og reviderer
7.3 Åpning for mer oppdrett ?
A Teoria do Campo Lexical, como já foi dito, é uma teoria que se desenvolveu a partir da Semântica Estrutural. Para Abbade (2011, p. 1339), a Teoria do Campo Lexical vem de Saussure, que foi quem demonstrou que a língua é uma estrutura em que as palavras formam sistemas relacionados entre si. Costa (2006) aponta Jost Trier como o primeiro a aplicar as noções saussurianas de sistema e articulação ao léxico. Segundo ela,
a Teoria do Campo Lexical proposta por ele desmistificou a falta de sistematização no domínio do léxico. Os campos lexicais pressupõem a estruturação das palavras em domínios parciais que se submetem ao todo. Assim, o léxico passa a ser um sistema articulado, e as palavras são entendidas como tendo relações entre si, estando organizadas em grupos.
Segundo Geeraerts (2010), a Teoria do Campo Lexical é um programa de pesquisa que emanou a partir de uma visão adotada por Weisgerber. Essa abordagem europeia continental surgiu e floresceu de 1930 a 1960 e predominou em trabalhos de estudiosos alemães e franceses. A visão de que a linguagem constitui um nível conceitual intermediário entre a mente e o mundo inspirou a noção metafórica de campo lexical: se se pensar a realidade como um espaço de entidades e eventos, a linguagem, por assim dizer, desenha linhas dentro desse espaço, dividindo o campo em parcelas conceituais.
Apesar de sua base teórica ter sido estabelecida por Weisgerber, o estudo mais influente na história da Teoria do Campo Lexical foi a monografia de Jost Trier, intitulada
Der Deutsche Wortschatz im Sinnbezirk des Verstandes: die Geschichte eines sprachlichen Feldes (O vocabulário alemão no campo da mente: a história de um domínio linguístico), de 1931. Nesse trabalho, Trier apresenta uma formulação teórica da
abordagem de campo e investiga como a terminologia para propriedades mentais evolui a partir do alto alemão antigo e vai até o início do séc. XIII. De acordo com Abbade (2011, p. 1338), Trier estuda as palavras visando ao “setor conceitual do entendimento, mostrando que elas constituem um conjunto estruturado onde uma está sob a dependência das outras”. As palavras, então, estariam numa cadeia, e a mudança de um conceito afetaria os conceitos vizinhos e vice-versa.
A teoria de Trier tem como princípio a visão fundamentalmente estruturalista de que apenas uma demarcação mútua das palavras em análise pode prover uma resposta definitiva quanto ao seu valor exato. Ou seja, as palavras não devem ser consideradas de forma isolada, mas em sua relação com palavras semanticamente relacionadas: a demarcação pressupõe a existência de outro item, pois se dá sempre em relação a outras palavras.
Para ilustrar essa ideia, Trier usou a imagem de um mosaico. O conhecimento humano – os conteúdos da cognição – é dividido pela linguagem em um número de pequenas áreas adjacentes, da mesma forma que um mosaico divide o espaço bidimensional por meio de pedras contíguas. O mosaico demonstra como, num campo, as palavras se relacionam pelo sentido, delineadas mutuamente.
Abbade (2011) concorda com essa analogia. Segundo ela, os campos lexicais representam uma estrutura em que há uma relação de coordenação e hierarquia articulada entre as palavras organizadas à maneira de um mosaico. Assim, as palavras “são organizadas em um campo com mútua dependência, adquirindo uma determinação conceitual a partir da estrutura do todo. O significado de cada palavra vai depender do significado de suas vizinhas conceituais”.
Para mostrar essa visão teórica em termos práticos, Geeraerts (2010) recorre a um trabalho de Trier publicado em 1934. Nesse trabalho, uma subárea do vocabulário relativo a propriedades intelectuais é tratada visando às palavras que denotam conhecimento. No início do século XIII, a linguagem da nobreza possuía três noções fundamentais referentes a tipos de conhecimento: wîsheit, kunst e list. A distinção entre as duas últimas reflete a arquitetura da sociedade medieval de classes. Kunst remetia aos conhecimentos e às habilidades do cavaleiro nobre (a saber: amor cortês, o código de cavalaria de honra e as artes liberais), enquanto list era usada para indicar o conhecimento e as habilidades das pessoas que não pertenciam à nobreza (como as competências técnicas dos artesãos).
Wîsheit era um termo geral usado para os nobres, bem como para os cidadãos; era
predominantemente empregado em um sentido religioso e ético, semelhante ao termo latino sapientia. Pode-se dizer que wîsheit referia-se à capacidade geral de ocupar uma posição na sociedade (qualquer que seja) com os conhecimentos e as competências adequadas. O termo geral wîsheit indicava que as esferas distintas do nobre kunst e do civil list foram incorporadas em uma ordem mundial religiosa comum.
Um século mais tarde, a divisão do campo lexical tinha sofrido consideráveis mudanças. List, que gradualmente adquiriu um sentido depreciativo, algo como astúcia,
esperteza, foi substituído por wizzen, que, contudo, não tem exactamente o mesmo
significado do anterior list. Kunst e wîsheit também adquiriram um escopo diferente.
Wîsheit deixou de ser um termo geral. Passou a transmitir um tipo específico de
conhecimento: em vez da leitura inicial, referindo-se ao conhecimento de sua própria posição na ordem divina predestinada e às habilidades que se é obrigado a ocupar nessa posição, wîsheit agora se refere a conhecimento religioso em um sentido máximamente restrito, ou seja, o conhecimento de Deus. Kunst e wizzen indicam formas de conhecimento profano superiores e inferiores, sem referência específica a distinção social. Wizzen começou gradualmente a se referir a habilidades técnicas, como as habilidades de um artesão, enquanto kunst começou a denotar formas puras de ciência e arte.
Esse exemplo demonstra que a forma como a linguagem esculpe a realidade é diferente em cada período – os campos lexicais se desenvolvem internamente de um período sincrônico a outro, ou seja, diacronicamente. Ora, um dos princípios do estruturalismo é justamente que a análise sincrônica precede a diacrônica. Para esclarecer, Trier argumenta que as vantagens do método estruturalista sobre o método histórico- filológico são reveladas mais visivelmente quando se lida com um tema que é congênere a este último, em outras palavras, com um estudo diacrônico. Em um artigo retrospectivo esclarecedor que ele escreveu mais de 35 anos depois de sua introdução aos campos lexicais, Trier (1968) enfatiza que, enquanto a semântica diacrônica pode ser relativamente simples quando objetos concretos como “mão” ou “braço” estão envolvidos, torna-se muito mais difícil delinear significados quando noções abstratas (como habilidades intelectuais) estão em jogo: em tal caso, o método de contraste da abordagem de campo pode permitir uma melhor aderência aos dados históricos.
Além disso, os estudos de caso históricos são bem adequados para estabelecer um dos princípios por excelência da semântica estruturalista, ou seja, que os vocabulários não mudam puramente através da mudança semântica das palavras individuais, mas que eles mudam como estruturas. O estudo de Trier demonstra precisamente que, pela análise das fases sincrônicas separadamente, pode-se revelar que o vocabulário sofre alterações estruturais de um período para o outro.
A discrição geralmente é uma propriedade que se encontra no núcleo do campo – há uma zona de transição ao redor do núcleo onde os membros daquele campo são menos claramente definidos. Um exemplo disso foi um estudo que Gipper (apud GEERAERTS, 2010) efetuou no alemão, solicitando que as pessoas vissem figuras e as classificassem como cadeira ou poltrona. O resultado foi uma grande quantidade de itens localizados entre os dois conceitos, como num continuum – alguns podiam ser classificados tanto como um quanto como outro conceito, e outros em nenhum dos conceitos.
Gipper também mostrou a centralidade de alguns itens. Essa configuração, com áreas centrais claras de itens individuais, cercadas por áreas periféricas, remete novamente ao que é descrito na semântica contemporânea como organização prototípica. Nas áreas centrais bem delimitadas estão os protótipos da categoria, mas a categoria como um todo não precisa ser tão bem definida como é a área central.