Para a análise dos conteúdos manifestos, buscou-se uma coerência entre as técnicas/procedimentos de coletas de dados e o aporte teórico-metodológico do estudo. Importa destacar que a pesquisa foi fundamentada na Teoria das Representações Sociais (TRS) sendo eleita a técnica de análise de conteúdo, que segundo Bardin (2009) é definida como um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens.
Ao tempo em que se trabalha com essa técnica de análise do discurso nos dias atuais, considera-se importante lembrar os estudos de Bardin (2009), quando afirma que as primeiras tentativas de utilizar a análise de conteúdo foram registradas para realizar as interpretações de livros considerados sagrados. Contudo, a sistematização dessa técnica se deu pela década de 20, sendo apresentada sua definição por Berelson na década de 40, entretanto foi no ano de
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1977 com a publicação da Obra de Laurence Bardin, “Analyse de Contenu” que foi configurado um método detalhado e serve de orientação atualmente.
Godoy (1995 apud CÂMARA, 2013) afirma que a análise de conteúdo de Bardin, consiste em uma técnica metodológica que pode ser aplicada em diversos discursos e a todas as formas de comunicação, seja qual for a sua natureza.
Historicamente a análise de conteúdo tem oscilado entre a rigidez dos números, representada pelos dados quantitativos e a fecundidade da subjetividade através das pesquisas qualitativas. Minayo (2010) ressalta a função heurística dessa técnica em virtude de ultrapassar o alcance meramente descritivo do conteúdo, atingindo por meio da inferência, uma interpretação mais profunda. Continua a autora com suas reflexões afirmando tratar-se, a análise de conteúdo, de uma técnica que relaciona estruturas semânticas (significantes) com estruturas sociológicas (significados) das questões levantadas.
Assim, pode-se inferir que o pesquisador tem pela frente um desafio na busca pela compreensão das características que estão intrínsecas dentro das estruturas ou modelos que estão por trás dos fragmentos de mensagens verbalizadas ou não. Percebe-se que seja necessário um esforço duplo para entender o real sentido da comunicação, onde o pesquisador se porta como um receptor normal, todavia ele precisa imprimir um olhar que deve estar para além do que foi dito, na busca de significações.
Esta abordagem de análise interpretativa é constituída por três fases fundamentais e tem por finalidade sistematizar o conteúdo manifesto da mensagem e dar significado ao mesmo, através de deduções e categorizações, realizadas mediante rigor científico. Para compor o processo de apreensão dos significados dos discursos dos atores sociais tornou-se, dessa maneira necessário frisar as fases, que são elas: a pré-análise, constituída como fase de organização dos dados, na qual foi realizada a leitura flutuante e a preparação de material; a exploração do material, que consistiu essencialmente em operações de codificação e enumeração do material; e o tratamento dos resultados, inferência ou interpretação, consistindo em dar significado aos dados, bem como propor inferências a respeito do objeto de estudo, através da formulação de categorias e subcategorias.
De acordo com os estudos de Bardin, para que se possa atingir os resultados é necessário desenvolver uma estruturação do plano de análise composta inicialmente pela “Leitura Flutuante e Constituição do Corpus”, O corpus desta pesquisa foi constituído por 30 entrevistas, distintas para os três segmentos, que se considerou importante interrogar e foram enumeradas de 1 a 30. As mesmas foram transcritas na íntegra e submetidas à leitura flutuante, constituindo-se assim essa conduta, como o primeiro contato com os documentos
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analisados e com os textos em que foram sistematizadas as ideias iniciais provenientes da entrevista, constituindo o corpus de análise.
Diante do que foi exposto pelos autores, considerou-se essa técnica a mais apropriada para o que se destina essa pesquisa qualitativa. Serão descritas as etapas, considerando ter sido a primeira, as entrevistas com os 32 interlocutores. Logo após iniciou-se a transcrição e na sequência foi realizada a leitura flutuante, em conformidade com o que orienta a primeira fase da análise de conteúdo. Esta leitura da transcrição dos documentos e dos textos possibilitou a escolha dos temas de análise, de onde surgiram os onze temas norteadores desse estudo, dos quais buscou-se priorizar as questões mais relevantes ao objeto, assim como os pressupostos teóricos. São eles:
TEMA I – Percepções sobre a saúde bucal;
TEMA II – Concepções sobre a clínica de saúde bucal;
TEMA III – Percepções sobre o contexto institucional de implantação da clínica de saúde bucal;
TEMA IV – Dinâmica de atuação da clínica de saúde bucal e suas especificidades; TEMA V – Contexto social dos usuários da clínica de saúde bucal e suas necessidades; TEMA VI – Inserção dos profissionais da clínica de saúde bucal e satisfação no trabalho;
TEMA VII – Entendimento dos sujeitos sobre o papel da Extensão;
TEMA VIII – Concepções dos usuários sobre a relação dos profissionais com a população;
TEMA IX – Inspirações doutrinárias das ações desenvolvidas na clínica de saúde bucal; TEMA X – Visões dos sujeitos sobre a contribuição da clínica de saúde bucal para a saúde bucal da população;
TEMA XI – Entendimento sobre o trabalho desenvolvido no Cedefam no atual contexto de desmonte de políticas públicas.
Na exploração do material, fase que se seguiu da pré-análise, foram escolhidas as unidades de codificação onde foram adotados os seguintes procedimentos: a escolha de unidades de registro - recorte; a seleção de regras de contagem – enumeração e a escolha de categorias – classificação e agregação. No caso desta pesquisa como foi vista, classificou-se por 13 temas.
A seguir, foram agrupados os temas nas categorias definidas em quadros matriciais à luz da teoria de Bardin (2009), objetivando a construção da definição de cada categoria, fundamentada nas verbalizações relativas ao tema.
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Na terceira e última fase do processo de análise do conteúdo, denominada tratamento de dados – a inferência e a interpretação diante dos dados brutos. Cabe ao pesquisador a perspicácia de torná-los significativos e válidos, indo interpretá-los para além do que foi dito, ou seja, desvelar o que ficou latente.
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5 AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DOS SUJEITOS ENVOLVIDOS COM A