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Å være færing er å være meg

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Um indício importante da contribuição da formação em serviço para a prática pedagógica das cursistas egressas foi o fato de que todas se preocupavam em fazer que os alunos refletissem sobre o que estavam estudando, e a maioria delas procurava estabelecer relações com o objeto de vivência dos educandos, levantando hipóteses, questões, abrindo espaço para que eles apresentassem seus pontos de vista, questionando a realidade vivida e fazendo análises comparativas com a realidade dos alunos. Isso foi percebido durante as observações, essa preocupação das egressas em relação ao tratamento dos conteúdos, que era feito de maneira diferenciada.

Observou-se que as atividades propostas eram encaminhadas de forma contextualizada, respeitando o nível dos alunos. Outro aspecto marcante na prática

pedagógica das professoras que, certamente, foi fruto da formação em serviço, observado na maioria das aulas, foi a formação de valores morais e éticos.

Foram acompanhados vários momentos em que as egressas chamavam a atenção dos alunos acerca de atitudes e comportamentos desejáveis para uma boa convivência.

Nas entrevistas com as egressas, foi-lhes perguntando de que maneira o Projeto Veredas contribuíra para a formação em serviço, para a melhoria da prática pedagógica nas suas respectivas salas de aula.

A seguir elas deixam claro suas posições em seus depoimentos.

Foi de grande valia, pois muita das sugestões que vinham nos guias de estudo era possível aplicar em sala de aula. O tempo era precioso. Quase não tinha tempo, pois, era necessário fazer as atividades (Diadorim).

Foi importante porque à medida que íamos estudando colocávamos em prática o que os guias nos oferecia, em sala de aula fazíamos o possível para adequarmos os conhecimentos apreendidos no curso, pois o curso exigiu que as alunas fossem regentes de turma durante todo o período de formação (Brigi).

Estar em exercício foi muito válido, pois tínhamos a sensação de passar por um processo de reciclagem. Cada módulo era um aprendizado. E nas dúvidas e certezas nós tínhamos a oportunidade de trabalhar naquele momento. Muitas vezes nos embaraçávamos, aí tínhamos a nossa querida tutora que nos dava uma mãozinha. Eram situações corriqueiras do dia-a-dia. Por isso que a formação em serviço foi de suma importância (Ana Duduza).

Para mim foi muito bom porque a minha formação foi feita em serviço, eu fazia treinamento daquilo que eu aprendia nos Guias, com as leituras feitas. Não aproveitava tudo, eu tinha que adequar algumas coisas, mas foi muito bom estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Confesso que foi uma prova de fogo, mas estou aqui viva (Maria Mutema).

Aqui se remete a um ponto importante do que significou para as professoras cursistas participar do processo de formação no Veredas.

Em muitos depoimentos, elas destacam como o curso foi modificando suas atitudes e comportamentos dentro da escola:

Comecei a confrontar minha prática com as leituras que fazia nos guias oferecidos e comecei a perceber a necessidade de organizar melhor o que conhecia e o que fazia. Para isso precisava fazer atentamente uma análise crítica daquilo que desenvolvia em sala de aula, colocava todas as minhas dúvidas e certezas na escrita do meu memorial (Diadorim).

É importante perceber a sensibilidade para a extensão do trabalho docente. Estar em sala de aula – formação em serviço – também foi reconhecido pelas professoras como um fator importante para a sua reflexão sobre a sua prática. Outra cursista egressa relata o seguinte:

O Veredas, curso de formação inicial em serviço oportunizou incorporar à minha prática uma reflexão diária que é uma confirmação das aquisições a que fui tendo acesso durante o curso (Brigi).

A reflexão implica considerar as experiências pessoais do professor, seus valores, conceitos, concepções, interesses e emoções e é influenciada pelas condições contextuais que interferem na construção dessas experiências. Possibilita ao professor intervir no espaço da escola, visando a sua transformação por meio de um trabalho pedagógico colaborativo e integrado. Pérez Gomes (1992, p. 103) afirma que:

O conhecimento acadêmico, teórico, científico ou técnico, só pode ser considerado instrumento dos processos de reflexão se for integrado significativamente, não em parcelas isoladas da memória semântica, mas em esquemas de pensamento mais genéricos ativados pelo indivíduo quando interpreta a realidade concreta em que vive e quando organiza a sua própria experiência.

A prática da reflexão foi um dos pontos importantes do curso, fazendo com que as cursistas egressas falassem do quanto foi relevante discutir nos espaços oferecidos pelo Veredas.

Os encontros coletivos e individuais eram momentos ricos.

Partilhávamos discussões as quais nos levava a reflexões sobre a prática diária delas. A prática era confrontada com as leituras que elas faziam. (Otacília)

Este curso contribuiu muito para o crescimento pessoal das cursistas. Mostraram-se mais capazes de pesquisar, repensar valores e ampliar a visão de cada uma como educadora. (Maria Leôncia)

Na entrevista feita com a tutora, ela também deixa claras as mudanças percebidas na prática pedagógica das cursistas egressas durante o curso na Escola Municipal Israel Pinheiro.

Os relatos tanto da tutora como da diretora aproximam-se das idéias destacadas por Shön (2000), sugerindo que a formação dos profissionais não mais se dê nos moldes de um currículo normativo que primeiro apresenta a ciência, depois a sua aplicação e, por

fim, um estágio que supõe a aplicação pelos alunos dos conhecimentos técnico- profissionais. Uma formação profissional tem que basear-se em uma “epistemologia da prática”, ou seja, na valorização da atuação profissional como construção de conhecimento, pela reflexão, análise e problematização desta e o reconhecimento do conhecimento tácito, presente nas soluções que os profissionais encontram em ato.

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